Consumismo: entenda como ele corrói o seu dinheiro e a sua saúde

Descubra as razões que levam muitas pessoas a deixarem de ser simples consumidoras para se tornarem consumistas ao extremo. Entenda como esta mudança afeta a sua qualidade de vida

Você tem qualidade de vida ou somente um alto padrão de vida?

Pare para refletir sobre a pergunta feita acima.

Percebo que há uma confusão muito grande entre estes dois conceitos. Eles não significam a mesma coisa. Se você acredita que possuindo um padrão de vida mais robusto, mais qualidade de vida está adquirindo consequentemente, você está errado.

Não é bem assim que funciona.

O aumento no padrão de vida significa uma elevação do padrão de consumo. E para elevar este padrão, é preciso mais dinheiro. Para ter mais dinheiro as pessoas escolhem o pior caminho, ou seja, trabalham cada vez mais.

Quanto mais trabalham, mais elas consomem e raciocinam da seguinte forma: “Eu trabalho pra caramba, então eu vou comprar isso porque eu mereço. Pago a perder de vista e tá tudo resolvido”.

Pensando e agindo desta forma, mais dívidas assumem e, para se sentirem seguras financeiramente, mais trabalho arrumam. Consequentemente, cada vez menos tempo elas têm para cuidar de si mesmas.

Sem perceber, a qualidade de vida vai se deteriorando.

Que armadilha!!!

Por que as pessoas agem assim?

Vamos analisar alguns motivos.

#1. Vaidade

“Vaidade: Desejo infundado ou imoderado de conseguir a admiração dos outros”.

Eis aqui a razão mais genuína para o consumismo desenfreado.

Existem pessoas que nascem assim, ou melhor, crescem vendo os pais cultivando a vaidade na sua pior versão. Consequentemente se tornam adultos com os mesmos comportamentos dos seus progenitores, e naturalmente vão fazer círculos de amizade com pessoas com o mesmo tipo de pensamento. Depois passam isso para os seus filhos, e assim sucessivamente dentro da cadeia hereditária.

Quando a pessoa atinge um certo patamar social, via de regra causado pelo aumento na renda, a vaidade faz com que ela faça de tudo para não perder o status que conquistou. Acredito que isso seja absolutamente normal. O problema é como ela age para continuar tendo aquela sensação de que é admirada por quem está a sua volta.

Simplesmente vai em busca de mais trabalho. E acaba torrando tudo o que ganha. Tem pessoas que eu conheço que tem dois, três e até quatro empregos. Sinceramente eu não sei como conseguem.

Como consequência disso, a pessoa não tem tempo para mais nada. Não tem tempo para fazer uma atividade física regularmente, não tem tempo para praticar um hobby e tem pessoas que não tem tempo nem para os filhos.

Aqui cabe uma observação, esses que não tem tempo nem para os filhos, quando sobra um tempo para estar com eles, acabam fazendo todas as suas vontades por puro peso na consciência. Com isso acabam forjando crianças extremamente mimadas que acham que podem tudo.

Mas voltando ao assunto, o que acontece é que as pessoas acabam gastando a sua alta renda, conquistada com a venda de muitas horas de suas vidas, com bens de consumo supérfluos e também com remédios para estabilizar a sua saúde seriamente comprometida por conta da estressante jornada de trabalho.

#2. Contágio Social

Você é a média das cinco pessoas que mais convivem com você.

Isso mesmo, pegue a renda das cinco pessoas com as quais você mais tem contato e verás que a sua renda está dentro da média dessas cinco.

Quer mais? Então pegue o peso dessas mesmas cinco pessoas e verás que o seu está dentro da média dessas cinco também.

E isso vale também quando se fala em consumismo. Sem que você perceba, um vai contagiando o outro. Então quando uma pessoa muito próxima de você faz uma baita viagem, por exemplo, você também vai querer fazer uma viagem parecida. Quando alguém próximo troca de carro, você mais cedo ou mais tarde também vai trocar de carro.

Se você fizer parte de um grupo de pessoas que são educadas financeiramente, das duas, uma: ou você deixa de fazer parte deste grupo e vai procurar fazer outras amizades, ou você também vai se tornar uma pessoa educada financeiramente.

Ainda falando em contágio social, existe hoje algo relativamente novo que impulsiona ainda mais o consumismo desenfreado: as redes sociais.

Estamos vivendo a era da informação, a era das redes sociais.

Reconhecidamente elas possuem muitos benefícios. Graças a elas o fluxo de informações ficou ainda mais rápido (na verdade existe o lado negativo e o lado positivo, mas isto é assunto para outro post), com elas você pode entrar em contato com parentes ou amigos mais distantes, elas também servem de fórum de discussões dos mais variados temas. Sem contar que há muitas pessoas ganhando muito dinheiro através delas também.

Entretanto, percebo que a maioria das pessoas as utiliza da maneira menos inteligente, principalmente para as suas finanças.

As redes sociais estão tornando as pessoas cada vez mais exibicionistas, ou melhor, essas redes apenas estão potencializando aquilo que as pessoas já possuem em suas personalidades.

Nas redes sociais, a vida dos outros parece sempre ser melhor e mais feliz que a sua. É aquela velha percepção de que a grama do vizinho é sempre melhor e mais verde.

Diversas pesquisas apontam as redes sociais como as maiores fontes de inveja da atualidade.

Isso pode levar até à depressão.

Onde entra o consumismo nesta história?

É simples, nas redes sociais você se depara com colegas postando fotos de viagens caras, fotos do carro novo, da casa nova, fotos das altas festas que eles promovem ou são convidados.

E isso, quer queira quer não, fica no mínimo registrado no seu subconsciente.

Então, para não continuar se sentindo inferiorizado, você também vai atrás daqueles padrões de vida altamente sofisticados que aparecem nas redes sociais.

E como isto afeta o seu bolso?

Muitas vezes você não tem condições financeiras para experimentar um padrão de vida maior, mas mesmo assim vai em frente e começa a ter os mesmos hábitos de consumo que vê nas redes.

Mal sabe você que muitos daqueles que ostentam nas redes sociais também não tem condições reais para tal padrão de vida e de consumo.

Ou seja, uma “bola de neve” de pessoas encrencadas financeiramente vai se formando.

#3. "Eu passei vontade na infância"

Muitas pessoas que hoje tem uma boa condição financeira e que na infância e na adolescência passaram por privações financeiras, se tornam consumistas simplesmente para compensar todo aquele sentimento de humilhação e/ou escassez que tinham quando viam seus colegas de classe sempre usando roupas novas, quando os viam ganhando uma baita festa de anivesário dos seus pais ou quando eles exibiam fotos da tremenda viagem que tinham acabado de fazer.

São pessoas que mesmo sem precisar, compram tudo o que lhes é oferecido. De forma inconsciente elas acabam querendo provar para elas mesmas que podem, que tem condições de comprar tudo o que quiserem e que nunca mais vão passar vontade.

O problema é que muitas vezes acabam entrando naquela armadilha do consumismo, citada na introdução deste artigo.

Após a análise dos motivos que levam as pessoas ao consumismo, segue abaixo uma breve reflexão.

O consumismo também é uma questão ambiental

Você já parou para pensar como é que esse monte de mercadorias tais como roupas e eletroeletrônicos são produzidos?

E o que acontece com tudo aquilo que você se desfaz após adquirir um produto mais novo? Será que tudo é realmente reciclado?

O meio ambiente também é prejudicado pelo consumo ilimitado, porque o aumento no volume de mercadorias, não só do lado de quem consome, mas também pelo lado de quem produz, provoca no meio ambiente o aumento do volume do lixo.

Não vou me estender muito no assunto, mas se você tiver interesse assista à este vídeo aqui, ele diz tudo.

Se você gostou mesmo do vídeo acima e se você tem facilidade com o idioma inglês, então clique aqui para saber mais sobre o trabalho da autora deste vídeo.

Conclusão

Estamos vivendo numa época em que grande parte das pessoas vive preocupada em ostentar bens materiais para, de forma consciente ou não, mostrar para as outras pessoas o que elas não são de verdade.

Tudo isso visando uma aceitação social que elas mesmas criam em suas mentes. Elas sentem uma espécie de alívio mental quando conseguem mostrar para as outras pessoas o seu carro novo, o apartamento ou a casa de alto padrão onde moram, as roupas de marca que carregam em seus corpos, dentre outras coisas materiais.

O problema é que fazem isso sem se preocuparem com as finanças pessoais e com a qualidade de vida. São pessoas que pensam da seguinte forma: “ Ah...este valor de prestação é pequeno, dá pra pagar todo mês sem problemas!”. Ou então vão fazer mais e mais horas extras no trabalho para não precisar pagar prestação.

Estas pessoas só pensam no agora, são imediatistas. Ao invés disso, elas deveriam “pôr os pés no chão”, procurar nunca se desprenderem das suas raízes (geralmente isso é muito importante para quem veio lá baixo) e tentar viver num padrão abaixo das suas atuais possibilidades para que possam poupar, investir o dinheiro poupado e assim colher algo muito maior no futuro. Desta forma elas poderiam aumentar o padrão de vida de forma equilibrada e com bases sólidas.

Muitas chegam ao absurdo de começar a reclamar que o salário que ganham é baixo demais e vão procurar trabalhar mais e mais para manter o ritmo de consumo.

Aquela velha ideia, “O senso do que é barato ou caro muda a medida que sua renda aumenta” ou “Quanto mais dinheiro se ganha mais se gasta”, são decorrentes deste estilo de vida que pode levá-las à beira do precipício.

A consequência disto, há uma quantidade enorme de pessoas estressadas buscando trabalhar cada vez mais, sem perceberem que a saúde física e mental está sendo seriamente comprometida. É a chamada “corrida dos ratos” que Robert Kyiosak se refere em sua série de livros “Pai rico pai pobre”.

E quem de fato se beneficia com toda essa onda de consumismo?

O Sistema.

Entenda por sistema o conjunto formado por governo, bancos, grandes companhias produtoras e fornecedoras de bens de consumo e emissoras de televisão.

Você é diariamente bombardeado, seja pela televisão ou pela internet, de campanhas publicitárias estimulando o consumismo desenfreado.

Faça uma reflexão sobre o que foi brevemente falado aqui. Se você se encontra nesta situação, aja o quanto antes para sair dela.

Comece a poupar mais, aprenda a viver aquém de suas possibilidades. Se você receber um aumento de salário amanhã por exemplo, poupe o que você vai receber a mais e aprenda a investir. Seja investimento no mercado financeiro, seja investimento no seu desenvolvimento pessoal. Só assim você terá chances de ter uma vida próspera financeiramente e sem comprometimento da sua saúde.

Não confunda poupança com privação. Gaste dinheiro somente com aquilo que realmente agrega valor à sua vida.

Dinheiro realmente não é tudo na nossa vida, mas a falta dele influencia negativamente vários outros aspectos dela.

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