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Construindo o salto qualitativo da cidadania com a Economia Solidária

Apesar da evolução tecnológica que aproxima distâncias e entrelaça relações em todo o mundo moderno, a fome permanece como um flagelo real, que desafia e envergonha a humanidade, embora a causa não possa ser atribuída à insuficiência de alimentos para atender à demanda global. Isto porque, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação(FAO), a quantidade de alimentos produzida é suficiente para alimentar uma vez e meia a população mundial. No Brasil, a questão toma contornos de exemplo, pois o País dispõe de alimentos suficientes para fornecer, diariamente, per capita, 2.960 mil quilocalorias (Kcal/dia), o que ultrapassa largamente o mínimo recomendado pela FAO de 1.900 Kcal/dia. O problema é que a forte concentração de renda no Brasil - a oitava maior do mundo - impede que parcela significativa de sua população possa adquirir a quantidade de alimentos necessária à boa nutrição. Conseqüência disso é o significativo número de subnutridos cujo consumo per capita de 1.650 Kcal/dia, situa o Brasil na desconfortável categoria 3, de uma escala de subnutrição da FAO, que varia de 1 a 5. Reduzir de forma acentuada os indicadores de subnutrição no País é desafio de grande magnitude, certamente capaz de proporcionar resultados sociopolíticos de repercussões profundas em nosso modo de vida e em nossa imagem e credibilidade no exterior. Para ajudar a superar esses indicadores adversos, uma parceria com perspectivas positivas de trazer bons resultados é a existente entre o governo e as instituições que compõem a Economia Solidária. França Filho (2002) conceituou a Economia Solidária como experiências que se apóiam sobre o desenvolvimento de atividades econômicas para a realização de objetivos sociais. Dentro da ótica da Economia Solidária, o trabalho tornar-se-ia um meio de atendimento às necessidades humanas básicas ao permitir que o lucro seja repartido de forma equilibrada entre os trabalhadores e reinvestido nos empreendimentos instalados. De acordo com Paul Singer, Secretário Nacional de Economia Solidária, já há no País cerca de 800 entidades (associações, cooperativas e ONGs) responsáveis por mais de 10 mil empreendimentos solidários em todo o país. Considerando esse histórico já existente, a consolidação de parcerias entre as instituições solidárias, o governo e a sociedade civil poderia ser construída a partir do mapeamento das melhores práticas, que produzem resultados de impacto social com custos permissíveis a uma ampliação gradual da escala de favorecidos. Políticas públicas associadas a parcerias solidárias são um promissor caminho para se obter a transformação social necessária ao salto qualitativo da cidadania. * Luiz Inácio Caribé Cincurá de Andrade é Administrador de Empresas, CRA/Ba nº 4876. Artigo publicado no Jornal Tribuna da Bahia, 16/02/2005 Coluna Ponto de Vista página 05.
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