Concursos públicos para administradores

Os concursos utilizam formas de julgamento descriteriosas as quais buscam selecionam pessoas não necessariamente capazes de pensar

Por vezes nós Professores dos cursos de Administração enfrentamos questionamentos por parte dos alunos que querem aprender técnicas que, no dia seguinte, possam aplicar em suas empresas para aumentar o lucro em curto prazo. Qualquer professor capacitado certamente explica aos alunos que estão lá para formar pensadores com capacidade de análise para identificar os problemas, julgá-los e então desenvolver soluções de acordo com cada contexto. Um curso de administração não é capaz de ensinar técnicas suficientes para todas as incertezas do mercado, que surgem a cada dia, por isso deve desenvolver competências em seus alunos para que possam enfrentar todo tipo de dificuldades.

Recentemente tive contato com questões de concursos públicos federais para vagas de Administrador, em várias instituições, e fiquei pasmo com o teor das questões. As mesmas citam autores que não são utilizados na academia a pelo menos uma década. Tratam de conceitos irrelevantes, como o que é administração, e exibem alterativas de resposta onde há mínima diferença entre elas, e apenas a semântica de uma palavra determina a resposta certa e a errada.


Não é relevante discutir a definição de administração, que pode ser consultada em qualquer dicionário, mas sim formas de gestão, que dependem da competência pessoal e não de apenas consultar um livro. Há também questões sobre modelos a muito não utilizados na administração, que há muitos anos não aparece nas discussões por ser considerada uma visão ultrapassada. Ainda cita-se autores em descrédito por serem superficialistas e justamente não desenvolverem o senso crítico.


O governo deseja contratar administradores mas não exige destes a capacidade de pensar. Os concursos utilizam formas de julgamento descriteriosas as quais buscam selecionam pessoas com capacidade de decorar conceitos irrelevantes mas não necessariamente capazes de pensar. Para governar um país, principalmente em tempos difíceis, é preciso estar atento às novas demandas e criar soluções inovadoras, mas se depender das competências requeridas dos administradores nas provas de concursos públicos a gestão pública tende a estacionar no tempo.

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