Comunicação e estados de ânimo na empresa

O objetivo deste artigo é analisar a relação que se estabelece entre comunicação e estado de ânimo no interior de uma empresa. Para isso vou tomar como exemplo os pedidos, movimentos linguísticos que circulam pela maioria das conversas, que se produzem entre os integrantes de diferentes grupos de trabalho. Para essa análise vou considerar tanto os elementos que os envolvem como também a “seriedade” com que se realizam

Tenho observado nas consultorias e capacitações que realizo que existe uma relação direta entre comunicação e estado de ânimo. Ou seja, quando se fala e não se escuta exatamente o que foi dito ou quando se fala sem tomar em conta as especificações e distinções necessárias, o que se percebe é que se produzem descoordenações, responsáveis pela produção de estados de ânimo negativos, que fecham possibilidades, dentro e fora da empresa. Para o objetivo deste artigo vou tomar como exemplo os pedidos, um dos atos de fala fundamental, bastante estudado por Rafael Echeverria (1997).

Partindo de uma perspectiva que entende que a linguagem é ativa, produtora de realidades, que é ação, tenho observado, nos trabalhos que realizo que os pedidos emergem como um assunto importante. Cabe destacar que os elementos que os envolvem são: o que se pede, para quem e para quando. Frequentemente pergunto aos participantes das diferentes atividades que desenvolvo: como pedes? O mais comum é que no pedido feito não seja incluído, por exemplo, o tempo envolvido na realização (para quando?).

Então surgem pedidos que devem ser realizados “o mais rápido possível” ou “pedidos para ontem” e por aí vai. Certa vez numa capacitação para vendedores, em que pretendia desenvolver habilidades comunicacionais, fiz um exercício que se baseava na seguinte pergunta: quando te dizem o mais rápido possível o que entendes, o que significa para ti? Para alguns significava um dia, para outros três dias, para outros uma semana e por aí vai. Também lembro uma sessão de coaching em que apareceu uma nova caracterização: o “pedido geral”.

Quando busquei entender do que se tratava pude perceber que era um pedido sem especificações, dirigido a todos da equipe, e que, como previsto, não traria nenhum resultado concreto, ninguém se responsabilizaria. O que num primeiro momento parece até brincadeira, quando se analisa as consequências dessas imprecisões pode-se perceber que são as responsáveis por estados de ânimo de ressentimentos, de desânimos, etc...

Outro aspecto interessante que tenho observado, me mantendo no mesmo âmbito dos pedidos, é com relação à seriedade dos mesmos. A que me refiro com isso? Neste caso faço menção aquele pedido que pode ser feito, por exemplo, na sexta feira, sendo que sua realização implica em uma dedicação importante no fim de semana. Então, chega segunda feira e se procede a entrega do que foi solicitado.

O que se observa na continuação é que aquele relatório, que comprometeu grande parte do tempo destinado ao descanso do funcionário, está na mesa sem ter sido tocado. O que se logra com isso ou que implicações isso acarreta? É bastante provável que na próxima vez em que se solicite algo, que este não se realize. A reflexão associada é: “Por que vou me estressar realizando algo se depois o tal documento solicitado ou não foi revisado, ou não era tão importante e urgente como parecia?”.

Diante desses aspectos, rapidamente pincelados, destaco a importância de que se cuide mais da comunicação, das “conversas” que se realizam dentro e fora dos espaços de trabalho, pois elas podem ser responsáveis pela produção de estados de ânimo negativos, que fecham possibilidades, além de produzirem descoordenações e desperdícios. Como consequência deste ambiente que se apresenta e se produz como pouco motivador, e em busca de soluções quase “mágicas”, gastam-se grandes quantidades de recursos com palestras motivacionais, cujo resultado não se mantém nem mesmo uma semana. O que não se percebe, com essa forma de atuar, ou melhor, de solucionar problemas, é que a não motivação está sendo criada e produzida ali mesmo, no próprio ambiente de trabalho e que pode ser evitada com ações muito simples.

Bibliografia consultada:

ECHEVERRIA, Rafael. Ontologia del lenguaje. Dolmen Ediciones. Santiago de Chile. 1997.

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