Como o medo de se emocionar impede nossa evolução

O medo influencia muitos aspectos de nossa vida, mesmo que de forma inconsciente e bem disfarçado. O problema da sociedade atual é que as pessoas “fogem” das emoções, se tornando robôs de carne e osso

“A sociedade está cada vez mais individualista!”, “a tecnologia bloqueia as relações entre as pessoas!”, “não consigo o comprometimento dos meus funcionários!”, “ainda vou abrir meu próprio negócio!”, “não há relacionamentos resistentes como antigamente!”, “não tenho oportunidade!”. Exclamações como essas são clichê atualmente. Costumamos arrumar desculpas, arranjar justificativas mas, talvez, o ponto fundamental de grande parte desses problemas seja uma palavra que todo mundo têm constantemente do seu lado: MEDO.

Sim, o medo influencia muitos aspectos de nossa vida, mesmo que de forma inconsciente e bem disfarçado. Quem nunca já ouviu a expressão “não quero me apaixonar para não sofrer”? Aí está o X da questão. Ninguém que “pagar” para ver. As pessoas não se comprometem no trabalho por medo de não serem reconhecidas. Não se confia mais nos amigos por medo de ser traído. Medo de abrir o próprio negócio e fracassar.Não se corre riscos por medo de perder, de se frustrar. Não se têm o costume de conversar consigo mesmo, fazendo uma autoanálise, por medo de descobrir pontos fracos e ter de mudar.

O aperfeiçoamento muitas vezes não é apenas falta de capacidade; em alguns casos as pessoas não fazem melhor por comodidade e receio, pois uma vez que fizerem o "bom", terão que da próxima vez buscar fazer o "ótimo", o que os tira da zona de conforto, os desafia e os testa de forma direta. É muito mais cômodo não se emocionar e viver sem percalços e turbulências, de não se comprometer e ser parte de algo, do que tomar as rédeas da vida de forma ativa.

O problema da sociedade de hoje é que as pessoas “fogem” das emoções por puro e simples medo. Pessoas se transformam em legítimos robôs por questão de comodidade e segurança, levando uma vida mecânica, engessada, sem emoções. Assim não inovam, não constroem novas relações e não evoluem. O ruim é quando se chega aos 70, 80 anos de idade e se pergunta o que se fez na vida, e percebe-se que não viveu por pura covardia. Se esquece que para evoluir é preciso se emocionar.

Alegrias e tristezas, orgulhos e decepções são faces da mesma moeda, fazem parte de nossa evolução. É preciso passar por situações adversas ao que desejamos para valorizar e perceber o valor da conquista. É, de fato, errando que se aprende. Somente quando perdemos uma peça em uma partida de xadrez e levamos um "xeque-mate" é que aprendemos a nos defender na próxima jogada, e a criar estratégias para atacar antes de ser atacado. Isso faz parte do aperfeiçoamento do ser humano, e o motivo pelo qual se dá a vida: evoluir.

O medo se apresenta quando as pessoas têm sonhos, mas não os transformam em objetivo com metas definidas e prazos estipulados, por medo de realizar em seus sonhos e não ter mais com o que sonhar, perdendo o sentido de sua vida. Medo de ver sua empresa crescer e perder o controle ou de abrir o capital e perder o "poder de dono". Medo de ver a evolução e ter que mudar a si próprio para acompanhar o mundo ao seu redor. Há uns 18 anos atrás, em tempos de Copa do Mundo todas as casas eram enfeitadas com bandeiras do Brasil, e todos entravam no espírito da disputa. Hoje não é mais assim. E porquê? Por medo de se criar expectativas e se decepcionar. Medo de se emocionar.

Uma das primeiras lições que aprendemos, logo quando crianças, é a capacidade de correr riscos e emoções. Aprendemos andar porque tivemos coragem para soltar as mãos dos pais e dar o primeiro passo por conta própria, sem receio de cair e ter que levantar novamente. Mas ao longo da vida esquecemos desse primeiro aprendizado, ou, talvez, apenas temos MEDO de lembrar.

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