Como não se fechar para o mundo
Como não se fechar para o mundo

Como não se fechar para o mundo

Conheça a bela e assustadora prática de aproximar-se

A vida é repleta de estresses e cada um de nós tem maneiras diferentes de reagir a eles - nós procrastinamos, voltamos à nossa zona de conforto, atacamos ou nos distanciamos dos outros, tentamos sair de um ambiente estressante, reclamamos mentalmente sobre os outros.

O triste efeito desses hábitos reativos é que nos distancia dos outros e da experiência direta dos momentos.

Um exemplo rápido: se você se machuca pela maneira que alguém age, sua primeira reação pode ser reclamar sobre essa pessoa, se ofender, ter raiva (todos eles ou mesmo um combo). Então você a retira da sua vida, fecha seu coração e se distancia.

O efeito disso é que agora você se distanciou da outra pessoa. E acredito que essa é a causa da maioria dos problemas nos relacionamentos, no trabalho, assim como a violência, racismo, entraves políticos e guerras.

Fechar nossos corações para os outros e aumentar distâncias entre nós como reação é o coração da agressão, violência e dor.

Fazemos o mesmo quando a questão é relacionada a nossa experiência direta com o momento - se estamos entediados, infelizes com nossa situação ou com nós mesmos, estressados ou cansados… geralmente tentamos encontrar conforto na comida, bebida, drogas, distrações online, TV ou vídeos, compras, pornografia, se afogar em músicas, e assim por diante. Estamos nos distanciando do presente, desligando o mundo ao nosso redor.

Todos estão baseados no mesmo problema - nós reagimos ao estresse e aquelas reações nos colocam longe das outras pessoas. Da própria vida. Longe de nós mesmos.

Hoje, gostaria de lhe sugerir um hábito que tenho explorado: a bela prática de se aproximar.

O que é assustador, instável e transformador.

Funciona assim:

  1. Perceba que você está sentindo algum tipo de estresse — ansiedade, dor, dificuldade, frustração, opressão, tristeza.
  2. Note qual é a sua reação normal àquele estresse: você procrastina, abandona algo, bloqueia alguém, reclama, volta à zona de conforto, se esconde, desiste, foge, ataca, grita, bate, se medica etc.
  3. Evite agir como o habitual. Em vez disso, não reaja. Em vez de reclamar, faça nada. No lugar de espalhar uma história sobre alguém e o prejudicar, faça nada. Só evite.
  4. Sinta profundamente as sensações no seu corpo. Quando você evita reagir normalmente, uma energia remanesce no seu corpo e dá a sensação de que você realmente quer agir daquela forma. É algo forte. Apenas acalme-se. Faça nada. Respira profundamente e relaxe mesmo com a energia no seu corpo. Veja como você se sente, no seu torso. Tenha curiosidade sobre essa energia. Fique com ela. Conviva com ela. Dê boas-vindas. Dê compaixão.
  5. Agora, aproxime-se. Alguém anda lhe estressando? Após evitar reclamar sobre essa pessoa, aproxime-se. Abra seu coração e seja totalmente presente para ela. Seja amável. Sim, às vezes você tem que se proteger fisicamente — mas não significa que você deve bloquear seu coração. Você pode amar a pessoa que lhe machucou, sem deixar que ela continue a fazer o mesmo. Talvez não seja a pessoa mas a situação (ou você mesmo) que lhe estressa. Você anda repleto de desconforto e incerteza. Evite reagir como sempre e, no lugar, aproxime-se da experiência real do momento. Abra seu coração para o mundo e o ame como ele é. Ame-se como você é.

Continue a aproximar-se. Continue a reabrir seu coração. A partir daí você decide qual atitude tomar. Não a partir das suas primeiras reações.

Essa é uma prática incrivelmente bonita. E, sim, é repleta de incertezas. O que faz dela um ato de coragem.

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Artigo publicado originalmente no blog do autor e cedido ao Administradores.com

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