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Como lidar com o paciente terminal

A única certeza que temos na vida é que um dia vamos morrer. Porém, quando nos ocorre o falecimento de alguém próximo, a sensação de dor e perda é algo com o qual, na maioria das vezes, não sabemos lidar.

Para o profissional da área de saúde, a sombra da morte é algo que vive presente durante as 24 horas do dia. Por mais saudável que seja o paciente, por maior esforço que o médico faça e por melhor que seja o estabelecimento em que esteja o paciente, o risco da morte está sempre presente. Nem os grandes avanços tecnológicos presentes na Medicina podem evitar tamanho risco.


Nenhum médico pode prever dia e hora da morte de alguém, mas pode, através de estudos sobre a doença, determinar uma estimativa do tempo de vida de um paciente e os tratamentos que podem prolongá-la. É direito de todo cidadão conhecer e tomar decisões a respeito de sua saúde e doença, e isso se faz juridicamente através da Constituição Federal, em seu artigo 196. A relação médico-paciente deve ser participativa, transparente e respeitosa.

O médico não deve dar falsas esperanças e sim ser sempre realista. É preciso observar as condições financeiras e emocionais da família do paciente antes de indicar um tratamento. É de responsabilidade do médico a tomada de decisão de um tipo de tratamento que seja justo e que esteja de encontro com os interesses do paciente, cuidando do seu bem-estar.

Em muitos casos, é necessária a aplicação da Medicina Paliativa, que, segundo a Organização Mundial de Saúde, diz que “Cuidados Paliativos são aqueles que consistem na assistência ativa e integral a pacientes cuja doença não responde mais ao tratamento curativo, sendo o principal objetivo a garantia da melhor qualidade de vida, tanto para o paciente como para seus respectivos familiares”. Dessa forma, o tratamento deve ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar, para que dê, não só ao paciente mas também a seus familiares e amigos, o conforto necessário que vise amenizar o sofrimentos desses, que passam por aspectos sociais, psicológicos e até mesmo espirituais.

Quando do momento de avisar à família sobre o falecimento de algum paciente, o médico deve se preocupar em fazê-lo em um lugar mais reservado, em que estejam poucas pessoas presentes. Não utilize de uma terceira pessoa para fazer este papel por você. O paciente é seu e foi você o prescritor do tratamento. Esteja sempre preparado para responder a perguntas como: por que?, como isso aconteceu?, ele sentiu dor?, poderíamos ter feito algo de diferente?

Em muitos casos, a companhia de outro profissional nesse momento, como um psicólogo ou assistente social, pode ser a melhor alternativa para tentar amenizar os transtornos que a situação poderá trazer. Caso o paciente falecido esteja apto a ser doador de órgãos, este assunto deve ser pautado e comunicado aos familiares. Caso a família não esteja de acordo com tal decisão, a equipe médica deve entender e respeitar tal posicionamento.

É importante que o médico não se esqueça de respeitar os últimos pedidos dos parentes e amigos do paciente, desde que estejam dentro das normas do hospital ou que não interfiram no bem-estar dos demais pacientes em tratamento.

Caso algumas pessoas critiquem a frieza com que os médicos anunciam doenças terminais ou o falecimento de seus pacientes, esteja preparado para entender que não é fácil lidar com a morte de familiares e pessoas próximas. Somos todos humanos e sofremos com as nossas perdas. Tenha cuidado ao não se envolver emocionalmente com a morte de seus pacientes e saiba administrar a situação com sensibilidade, para não transmitir uma imagem de desrespeito ao sofrimento alheio.

Ligia Galvão
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