Como gerar confiança entre os membros de nossa equipe?

Liderar não é fácil. Requer sacrifícios, tempo, estratégias e incontáveis outros itens, como a confiança mútua da equipe, por exemplo. Como será que os grandes líderes fazem e qual o papel da cultura da organização e do ambiente da empresa nesta situação?

Como gerar confiança entre os membros de nossa equipe?

Como podemos nós, como gestores, gerar confiança entre os membros de nossa equipe? - Parte do artigo a seguir utiliza informações disponíveis em um dos melhores TEDs disponíveis. Para mais informações, indico fortemente que busque por “Simon Sinek: Why good leaders make you feel safe”.

Dentro deste mundo existem vários mundos, onde cada indivíduo interpreta os dias vividos de uma forma única. Como saber com quem dividir a nossa forma de entendê-lo se somos todos diferentes e as chances de não sermos compreendidos são altas?

Apesar de parecer irônico, pegar o primeiro ônibus da linha (04:10 da madrugada) é uma experiência incrível! E pode-se também, experimentar um mundo diferente. É quase um modelo de sociedade, sabe aquele que nós tanto desejamos? Aquele onde imaginamos todas as pessoas educadas, independente das diferentes realidades sociais e econômicas, dando bom dia umas às outras e conversando entre si, mesmo que com estranhos, na fila, esperando o ônibus sair e também dentro dele.

Não preciso me alongar muito, talvez você já tenha percebido que há a influência da cultura do ambiente em que estamos situados em nosso comportamento. Nós influenciamos o ambiente, mas o poder do ambiente em nosso comportamento é bem maior. Um exemplo que gosto de utilizar para exemplificar o poder do ambiente (e sua cultura) em nosso comportamento, vem da cultura da faculdade onde me formei. É um exemplo muito simples, chega a ser besta, mas é um fato. Pessoas jogam lixo no chão das ruas todos os dias. Mas nesta instituição, não se vê nenhum pedaço de papel, bituca ou qualquer outra coisa mínima que se costuma encontrar nas ruas. Isto quer dizer que as pessoas que estudam lá são todas extremamente educadas e que seus familiares os instruíram desde pequenos sobre sustentabilidade? Isto quer dizer que eles se comportam da mesma forma quando estão em outros lugares? Isto quer dizer que a instituição tem um número de lixeiras maior do que a média? É tudo questão da cultura do ambiente.

E é aí eu volto à confiança. Há uma análise de Simon Sinek que me agrada muito, que compartilho a seguir:

Se não fosse pelo poder que temos de confiar uns nos outros, seríamos incapazes de evoluir. Na época das cavernas, vivíamos em “bolhas”. Era uma época onde tudo fora desta “bolha" trabalhava fortemente com o único objetivo de nos matar, sejam estas ameaças de animais selvagens, terremotos ou diversas outras questões. Quando nos sentimos seguros dentro de determinada sociedade ou grupo, confiança e cooperação surgem naturalmente. Isso quer dizer que eu conseguiria dormir tranquilo, sabendo que haveria alguém de meu grupo fazendo a segurança e vigília da área, da mesma forma que este alguém poderia dormir enquanto outro faria o mesmo trabalho e assim sobreviveríamos às ameaças externas, confiando e cooperando.

Hoje, ainda temos nossas “bolhas" e os perigos do lado de fora continuam. Seja este perigo as más condições de determinado mercado, aumento de custos de operação ou concorrentes. Para “sobreviver” às ameaças do lado de fora, precisamos ter este senso de confiança e cooperação. O único problema é: confiança não é uma instrução. Não posso pedir para você confiar em alguém e você automaticamente confiará. É sentimento.

Portanto, o que faz o primeiro ônibus ter uma cultura onde todos se comunicam com todos, mesmo que estranhos uns aos outros, como se fossem antigos vizinhos? Confiança. Suponha: você viaja para fora do país. Em um de seus almoços, entre muitos estrangeiros, você encontra uma pessoa que é do mesmo país que você, e ainda, mais coincidente, da mesma cidade! Independente de quantas pessoas estiverem neste restaurante onde você está almoçando, entre todas as pessoas, esta é uma das pessoas que você mais confia neste lugar, mesmo sem conhecê-la, pelo simples fato de serem semelhantes.

O ser humano, por natureza, busca relacionar-se com semelhantes, pois assim, aumenta-se a chance de ser melhor compreendido quando for dividir o seu modelo de mundo. No ponto de ônibus, esperando o primeiro carro sair, há esta semelhança e, automaticamente, você passa a confiar nas pessoas que lá estão. Da mesma forma que é difícil encontrar um brasileiro fora de seu país (dependendo do país, é claro), quem é que pega o primeiro ônibus, às 04:10 da madrugada? Esta situação compartilhada gera a identificação e, de repente, há um ambiente onde todos desejam bom dia, auxiliam uns aos outros e conversam como se fossem velhos conhecidos.

Tendo entendido a influência do ambiente em nosso comportamento e a forma como nós buscamos indivíduos em situações semelhantes, com histórias parecidas e com maiores chances de as visões de mundo se encontrarem, vamos à questão principal e título deste artigo:

Como gerar confiança entre os membros de nossa equipe?

Tudo está nas mãos do líder. Este líder é responsável por criar esta confiança entre os membros do grupo. No exército, nós damos medalhas àqueles que se sacrificam para que os outros possam ganhar. No mercado, damos bônus àqueles que sacrificam os outros para que possamos ganhar. As coisas não estão invertidas? Está nas mão dos líderes prover um ambiente onde os empregados possam tentar, arriscar, aprender e ir mais longe do que o próprio líder já foi ou iria.

Um case que retrata esta questão de liderança é o de Charlie Kim, CEO de uma empresa chamada Next Jump. Ele parte do princípio que: se você tiver um problema com sua família, você consideraria em algum momento “demitir" um de seus filhos? Então por que fazer isso com um funcionário? Kim então adotou uma política de emprego vitalício. Se você for contratado pela Next Jump, você nunca será demitido por problemas de desempenho, pelo contrário, eles irão treina-lo, ajudá-lo e tentar entender o seu problema para que você se recupere e possa fazer melhor o que faz hoje, exatamente como faríamos com um de nossos filhos. O segredo, é que os grandes líderes jamais sacrificariam as pessoas para que se pudesse “salvar" os números, estes, pelo contrário, sacrificariam os números para que se pudesse salvar as pessoas. Eles vão na frente, priorizam os outros e correm o risco, exatamente por isso que os chamamos de líderes.

Lembre-se, liderança é uma escolha, não um cargo. Existem centenas de pessoas que estão em altas posições de empresas que não são líderes, fazemos o que eles mandam porque eles são autoridades em relação a nós, mas nós nunca os seguiríamos por vontade própria. Ao mesmo tempo, existem pessoas que estão em baixas posições e são absolutamente líderes, exatamente porque escolheram olhar pelas pessoas ao seu lado, no lugar de sacrificá-las.

Publicado originalmente na plataforma Pulse, do LinkedIn

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