Café com ADM
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COMEÇAR DE NOVO

Este artigo foi escrito em 10/10/2004, hoje fiz uma releitura, fiquei impressionado novamente com a certeza do autor. Assim, estou colando neste fotolog para registro e para que mais leitores possam compartilhar do seu conteúdo. A vontade de começar tudo de novo para ver se desta vez dá certo é muito comum. Quem de nós nunca sonhou em ter uma segunda chance, em voltar atrás e, naquele momento decisivo, fazer o contrário do que fizemos? Aceitar a proposta que não aceitamos, dizer o não em vez do sim que teria mudado nossas vidas, pedir a carta que faltava para completar o "flush" em vez de se contentar com o par miserável, dizer tudo que não dissemos ou engolir tudo o que dissemos e depois nos arrependemos... se você tivesse continuado com as aulas de piano hoje poderia ser o tecladista do seu próprio grupo, os Profiláticos Místicos, e rico. Se tivesse levado a cola certa para o concurso, ficado com as ações só mais dois dias, ido àquele encontro, chegado antes, pensado melhor, falado a tempo, escolhido o que não escolheu... Ah, poder voltar no tempo e corrigir todas as nossas gafes, revisar as nossas vidas como se revisa um texto, melhorando os diálogos, cortando cenas, substituindo os trechos chatos e o drama por romance, aventuras e sexo, muito mais sexo. Ah, começar de novo... Os paises, como as pessoas, não podem reescrever a história, por mais tentador que isso seja. A história esta pronta , não hä o que fazer com ela a não ser lamentar as escolhas erradas. Se Jânio Quadros não tivesse sido eleito presidente do Brasil em 1960 nada do que aconteceu depois aconteceria - mas o eleito seria Marechal Lott. Esquece. Mas o que não é irreversível, e está fora do alcance mesmo do governo mais megalomaníaco - como as marés, os ventos e os apetites humanos - pode ser mudado, sim. Fizeram pouco daquele deputado que certa vez exigiu a revogação da lei da oferta e da procura, mais a intenção dele era louvável. Por mais que alguns economistas insistam que certas leis da economia são como as leis naturais, muitas delas só adquiriram esse estatus porque não são contrariadas. O dinheiro e as trocas ocupam aquela região crepuscular em que os apetites humanos encontram a metafísica. A economia trata do valor das coisas como se fosse a coisa e tratam de abstrações como se fossem a realidade, o que é um pouco como retocar a radiografia em vez de tratar do paciente. Deveria seguir o exemplo de seriedade daquele homem que se recusou a ser jurado num concurso de beleza feminina porque, para dar um voto criterioso, "só apalpando". E tudo metafísica. Existe coisa mais abstrata - a não ser, em certas ocasiões, a defesa da seleção brasileira - do que juro, esse valor arbitrário que se dá ao tempo? E no entanto tratam destas coisas como se fossem apalpáveis: concretas e imutáveis e isentas de qualquer decisão humana. A eleição do lula parecia uma oportunidade para o Brasil começar de novo, desta vez com outra economia. Mas prevaleceu a convicção de que, como a ortodoxia de mercado e o monetarismo neoclássico não tem alternativas. Nossa segunda chance ficou para algum outro dia. Palavra de Mestre "LUIZ FERNANDO VERISSIMO". E-mail. valter.ernesto.silva@terra.com.br Um forte abraço...
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