Café com ADM
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Colabore com os formandos

Nesta época do ano, quem nunca passou por um pedágio de formandos? Mas qual o sentido em apenas entregar dinheiro, sem nada em troca, e quais os efeitos desta ação para o futuro?

Onde eu moro é assim: basta um final de semana ou feriado com sol, e lá estão eles os formandos, nas principais vias de acesso da cidade, fazendo seu "pedágio" para arrecadar algumas (poucas) moedas para sua festa ou viagem de formatura.

Em quê esta atividade se diferencia do menos favorecido que fica, também erradamente, nos semáforos de cidades em todo o país, em busca de alguns trocados para comprar seu alimento? Os fins não justificam os meios. Neste caso, para piorar, não há semáforo: cerceia-se o direito de ir e vir do cidadão, do habitante, do turista, do visitante, em vias movimentadas, com apenas uma faixa nas mãos, às vezes vestindo uma camiseta da turma, pedindo o dinheiro sem nada a dar em troca.

Impossível não citar o exemplo norte-americano. A criança quando quer juntar seus primeiros centavos de dólar, com a ajuda de algum amigo ou da família, prepara uma refrescante limonada e a vende para a vizinhança em uma precária barraquinha montada em frente à sua casa, juntando a soma que tanto quer. O adolescente, quando vai para a Universidade, faz o “garage sale” (venda de garagem) tanto para desapegar dos brinquedos e afins que o acompanharam durante a infância, marcando a passagem para o início da vida adulta, como para também juntar seus dólares a mais. E quem não se inspirou com a história do fliperama do Caine (Caine’s Arcade)?

Barraquinha de limonada
A tradicional barraquinha de limonada norte-americana

Mas não no Brasil. Para quê incentivar atitudes empreendedoras? Por que passar alguns meses do ano auxiliando os formandos a desenvolver uma peça teatral, organizar um show de um artista alternativo na cidade, ou preparar alguns pedaços de bolo para vender por aí? Se ao menos existisse uma rede mundial que interligasse os computadores, celulares, e tablets em todo o mundo, facilitando a comunicação; Ou uma forma rápida e barata de divulgar algo para amigos, e para os amigos dos amigos, em algum tipo de site onde todos se encontram; Ou quem sabe uma maneira simples e fácil de buscar informações e entrevistar diversas pessoas para saber em troca de quê estão dispostas a entregar seu rico dinheiro. Opa!

Que tipo de profissional, e principalmente, de adulto, estamos criando? O tipo que busca oportunidades e tem iniciativa? Que desenvolve independência e autoconfiança? Que busca informações e tem persistência para conquistar os objetivos e metas que planeja e estipula? Estas são apenas algumas das “CCE's - Características do Comportamento Empreendedor”, e certamente que não, elas não estarão presentes nestes adultos. Ou pelo menos a chance e oportunidade de desenvolvê-las mais cedo, numa idade onde a criatividade, energia e a força de vontade estão a mil, serão perdidas.

Hoje é apenas um pedágio para a formatura. Amanhã, a empresa que é muito exigente para contratar para o estágio ou primeiro emprego; Depois, a globalização que está tornando a competição acirrada demais; No fim, o governo que não faz nada para melhorar a vida das pessoas.

Sonho em um dia passar por um desses “pedágios”, onde os formandos estejam entregando folhetos da peça teatral ou show que vai acontecer no final de semana; oferecendo adesivos comemorativos; ou convidando para um rodízio com algum quitute preparado pela turma, com a ajuda de seus amigos e familiares. Tenho certeza que eu e centenas de milhares de brasileiros não pensariam duas vezes em entregar uma pequena soma de seu dinheiro na troca, sabendo que mais do que contribuir com a sonhada festa ou viagem de formatura, estariam contribuindo também com um Brasil melhor.
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