Coitadinho de mim (o câncer chamado Vitimismo)

Se você reclama de tudo e todos, sempre se acha injustiçado e pensa que todo mundo se dá bem, menos você, é possível que tenha contraído uma doença mental chamada vitimismo. Mas não se preocupe, tem cura

Segundo o Instituto Nacional do Câncer, a definição de Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de cem doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células, que invadem tecidos e órgãos. Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores malignos, que podem espalhar-se para outras regiões do corpo.

Fazendo uma analogia à terrível doença física, temos um câncer psicológico (dos muitos existentes) que invade sua mente e o deixa petrificado para reconhecer seu valor como pessoa e profissional, lhe tira a vontade de lutar, lhe embute a ideia que tudo na sua vida dá errado por uma série de motivos, que vão desde a condição social desfavorável até a cor da sua pele, que lhe castra a criatividade, lhe faz adorar a dependência de assistencialismo (seja ele material ou psicológico), lhe priva de essência de vida e o transforma em zumbi cheio de auto consideração e “coitadismos”. A existência gira em torno de razões para se lamentar. Este câncer se chama vitimismo.

Trata-se de uma das muitas armadilhas mentais que nós criamos e somos capturados sem piedade. Sentir pena de si mesmo e culpar o mundo por isso, é a forma mais eficaz de morrer, mesmo com todos os órgãos vitais em funcionamento. Como identificar o vitimismo? Preste atenção em seus pensamentos, suas palavras e suas atitudes. Se você acredita que não tem oportunidade na vida, que é enganado o tempo todo, que só dá azar, que não encontra um grande amor, que sempre entra na fila que anda mais devagar ou que todo mundo te persegue (dentre muitos outros exemplos) e, além de tudo, não mexe uma palha para mudar a situação, achando que você já sofreu (ou sofre) muito e que Deus (ou o Universo) lhe deve uma recompensa, você já foi contaminado por essa praga mental.

Para ser curado, muitas vezes, precisa de ajuda profissional (Psiquiatra ou um bom Coach de vida), mas com algumas mudanças de atitudes, o progresso pode ser extraordinário.

Basicamente, esqueça a ideia de que NADA é culpa sua. Na verdade, TUDO que ocorre na sua vida, é culpa (ou responsabilidade) sua. Pense na circunstância que quiser e faça uma reflexão bem crítica: o que poderia ter feito para isso não ter acontecido? Com exceção de catástrofes naturais, a maioria das ocorrências de sua vida foram causadas por você mesmo.

Lembre-se: todos os segundos de nossa existência, fazemos escolhas. Considerando que você está lendo este texto agora e não gostou do conteúdo. Pode “fechar” a página e navegar em outros mares na internet, pode ir na cozinha fazer um sanduiche ou pode assistir um filme. São inúmeras as possibilidade de escolhas.

Digamos que você gostou do que está lendo e escolhe prosseguir até o fim. É uma escolha, certo? Ao término da leitura, você pode refletir sobre o que leu e pensar um “legal, gostei” e partir para outra atividade. Pode começar a praticar o que foi sugerido ou pode guardar em uma gaveta na mente para usar quando for conveniente. Tudo bem, são escolhas também.

O importante é saber que cada uma dessas escolhas nos levam a um lugar diferente. Quando chegamos a estes lugares (não necessariamente físicos), nem sempre gostamos. É neste momento que o vitimismo começa a se manifestar.

Entretanto, existem situações que não temos controle. Acontecem por que tinham que acontecer, muitas vezes até para nosso crescimento como ser humano. Quem se coloca no papel de vítima, faz o usual: reclama, chora, enche a cara, se droga e, em casos extremos, até se mata.

Para quem não quer seguir essa linha fatalista e derrotista, algumas reações inteligentes podem mudar totalmente a forma de encarar os fatos e liberar a mente para apontar novas opções. Na prática, uma pergunta pode fazer a diferença nos caminhos que tomamos: “existe alguma coisa que eu possa fazer para mudar isso?” A mente busca a resposta e você ganha de presente algo que nem pensava existir antes: alternativas.

Parece simples demais? E é mesmo. A questão é que nem todo mundo está disposto a lutar contra o vilão do vitimismo, simplesmente porque acha confortável reclamar e se lamentar. É prático, não dá trabalho e é possível até que alguém sinta peninha e vá lhe acalentar.

Se não ficou muito claro, vamos usar um exemplo para este período de crise que atravessa nosso país. Sujeito perde o emprego. Tem família, tem dívidas, tem que pagar aluguel, escola das crianças, etc. Quem se posiciona como vítima, vai reclamar da Dilma, da corrupção, da falta de oportunidades em um país cheio de desigualdades, do quintal do vizinho, do “enriquecimento do rico e empobrecimento do pobre”, etc. Enquanto lamenta, fecha sua mente para as possibilidades.

Já quem pensa de uma forma mais ampla, analisa a situação e enumera opções, muitas vezes, inconscientemente. Muitas pessoas que passaram pelo drama de serem demitidos de seus empregos, tornaram empreendedores e descobriram uma vida que até então nem sonhavam. Eu conheço muitos.

Um ponto importante: não quero dar a ideia de que as pessoas devam ser alienadas, que fiquem caladas diante das coisas erradas e desonestas que acontecem ao redor, seja na presidência da república, na comunidade ou no vizinho ao lado. O objetivo aqui é esclarecer que o vitimismo não pode lhe tirar a vontade de seguir em frente, de buscar alternativas, de tentar coisas novas. Se colocar no papel de vítima – seja para qual for a situação – não vai mudar os fatos. No entanto, vai lhe “cegar” para perceber que depois da tempestade, vem a bonança.

ExibirMinimizar
Digital