Coaching financeiro: você consome ou constrói patrimônio?
Coaching financeiro: você consome ou constrói patrimônio?

Coaching financeiro: você consome ou constrói patrimônio?

Um relatório recente do Credit Suisse sobre a classe média no mundo inteiro nos serve para ilustrar conceitos importantes de coaching financeiro. Ele mostra que com R$ 40 no bolso você é mais rico que 25% dos americanos, mas também, que muitos brasileiros podem não fazer parte da classe média como imaginaríamos

O recente relatório do Credit Suisse “Global Wealth Data Book” nos traz uma análise detalhada da classe média em vários países do mundo e nos apresenta resultados muito interessantes: ele mostra que 1% da população detém 50% da riqueza do mundo inteiro e 16% da população adulta detém 92% da riqueza mundial. Estes são indicadores alarmantes da desigualdade da distribuição da riqueza no mundo. Nos mostra também que a classe média chinesa é a maior do mundo, maior inclusive que a dos Estados Unidos. Lembrando que se a classe média chinesa tivesse o nível de consumo da classe média americana, seriam necessários três planetas Terra para atendê-los! Isso reforça a necessidade de promover uma economia autossustentável.

Sobre o Brasil, ele nos diz que classe média tem um tamanho de somente 8 milhões de pessoas. Esse número contradiz o nosso entendimento e os números oficiais do governo. Como é isso possível?

Eis que há uma diferencia na definição do que é classe média, que além de explicar a diferença de números, serve para ilustrar conceitos importantes de coaching financeiro. Lembrando que o coaching nos ajuda a rever nossos conceitos, encarar nossa realidade (mesmo que doa) e nos encoraja a mudar para aproveitar nosso verdadeiro potencial.

O Credit Suisse define as classes pela riqueza que elas possuem, enquanto o governo brasileiro (e muitos outros) as definem pela faixa de ingressos que ela tem. Ilustremos com um exemplo: quem tem uma renda individual entre R$ 300 e R$ 1.200 é considerado de classe média pelo governo. Porém, ingresso e riqueza são coisas distintas. Se você está coberto de dívidas e não possui bens, estará falido se perder essa renda, seja ao perder o emprego ou tiver dificuldades nos negócios. Nesse caso o Credit Suisse considera você pobre, pois a soma dos ingressos e das despesas é zero ou negativa. Em outras palavras, qualquer um que esteja no vermelho entra na conta dos pobres.

De acordo com o Global Wealth Report, um quarto (25%) dos cidadãos dos Estados Unidos é pobre, pois está no vermelho. O próprio país, Estados Unidos, está no vermelho, pois tem uma dívida de 3,5 vezes seu PIB! Mas isso não quer dizer que estes cidadãos moram num cortiço e pedem esmola na rua, mas sim que ao avaliar seus ingressos e dívidas se tem um saldo negativo. Exemplo: um estudante recém-formado que tem uma dívida de US$ 35.000 com a universidade, recebendo um salário de profissional recém-formado, será considerado pobre pelo Credit Suisse, pois o saldo da soma dos seus ingressos e dívidas é negativa. Embora muitos americanos desfrutem de uma boa qualidade vida, são considerados pobres no relatório por viverem cobertos de dívidas. De fato, se você tiver R$ 40 no bolso e não tiver dívidas, você é mais rico do que 25% dos americanos!

Os dados do Credit Suisse nos fazem ver que os quase 108 milhões de brasileiros que fazem parte da classe média têm renda mas não têm patrimônio. Somente 8 milhões deles têm um patrimônio de classe média. O resto tem dinheiro circulando mas não está construindo riqueza. Embora seja muito importante ter incorporado 32 milhões de pessoas, a classe média nos últimos 12 anos, além dos milhões que deixaram de passar fome, o que faz diferença na economia, o que faz do Brasil um país mais robusto o suficiente para enfrentar crises mundiais é ter uma classe média no conceito do Credit Suisse. Por exemplo, se toda a classe média fosse dona da sua moradia, já seria um avanço. Acabar com os juros absurdos e a usura descontrolada também ajudariam a fortalecer o Brasil. Como disse um rabino: "No mercado vale tudo, só não vale acabar com o mercado". É isso que juros e usura fazem com nossa economia. Mas voltemos às finanças pessoais.

Conceitos importantes nas finanças pessoais

Vamos abordar conceitos simples, mas importantes, que fazem uma diferença brutal na forma como administramos nossas finanças pessoais: definimos pobre como aquele que não tem riqueza. Definimos rico como aquele que pode viver sem trabalhar. Se você tem um estilo de vida glamouroso, mas ele desaparece quando você perde o emprego, será considerado pobre. Para o Credit Suisse, classe média não é quem ganha entre R$ 300 e R$ 1.200, mas quem tem um patrimônio líquido entre US$ 50.000 e US$ 500.000. É muito mais saudável para sua vida financeira entender que a classe depende não do dinheiro que circula pelo seu bolso e sim pelo que fica nele no final das contas.

Adotar estes conceitos permite uma nova postura com as finanças. No lugar de gastar dinheiro para ter um estilo de vida, se guarda dinheiro para acumular patrimônio, seguindo a estratégia do esquilo, que come o necessário e guarda o resto para o inverno. Seguindo estes conceitos, as preocupações com as aparências passam a segundo plano para dar espaço ao interesse por construir um patrimônio real. Mas por que 100 milhões de brasileiros gastam e não guardam?

"Vaidade: o meu pecado favorito" - Al Pacino, interpretando o Diabo no filme "O advogado do diabo"

Deixando de lado o custos de vida, a principal doença de uma sociedade de consumo que destrói a riqueza é a vaidade. Quem gasta mal seu suado dinheirinho para aparentar, tem mais chances de ter problemas de autoafirmação que dinheiro nenhum vai resolver (a não ser que use o dinheiro para contratar um psicanalista ou um coach).

Vaidade não é sinônimo de riqueza. Existem casos de milionários com jato estacionado no aeroporto, que caminham na rua sem escoltas, vestindo jeans e camisa. Na Rua Oscar Freire em São Paulo, que já foi comparada com Rua Saint-Honore de Paris, (por causa dos preços), circulam tranquilamente alguns donos das lojas de roupas mais caras do mundo vestindo, eles mesmos, roupas simples. Nos anos 80 eram famosos os iates luxuosos dos “yuppies” de Manhattan, jovens corretores de valores que ganhavam fortunas investindo o dinheiro dos milionários. Porém, nenhum desses milionários tinha iate em Manhattan.

Para satisfazer a vaidade e parecer rico, pode-se imitar a exibição do nível cultural que os ricos costumavam ter em outras épocas: isso é mais elegante e durável do que as roupas e acessórios mais caros. Em relação às finanças, pode-se imitar o comportamento de grandes figuras como Bill Gates: ele diz que nunca gasta mais de US$ 34 num corte de cabelo. O comandante Rolim, fundador da TAM, dizia que não precisava de mais de um relógio, ele não usa todos ao mesmo tempo! O empresário Wilson Poit disse: “Custos são como as unhas: toda semana tem que cortar”.

“A fatalidade é cega e a fortuna inconstante” - Epicuro

Eis a abordagem que ajuda a construir patrimônio: gastar o mínimo, administrar as despesas e não os ingressos. Procurar se preparar para o futuro no lugar de gastar tudo no presente. Bem disse o filósofo Epicuro: “a fatalidade é cega e a fortuna inconstante”, ou seja, precisamos estar preparados para os imprevistos, também para investir no futuro dos filhos e na aposentadoria. Goethe disse: “O dinheiro é trabalho congelado”. Poupar é uma forma de armazenar o resultado congelado do nosso trabalho, como faz o esquilo, para construir um patrimônio que permita encarar as idas e vindas da inconstante fortuna.

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