Café com ADM
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Ciranda com Jorge Amado

Aqui no Brasil, quem deve ler Jorge Amado, não o faz. Quem o lê, é por pura vaidade ou por nota, como fazem ainda hoje os secundaristas. Ler Amado, com os olhos da verdade, é como redescobrir nossa cultura e realidade. Tenho minhas dúvidas se Amado era amado. Por favor, não me julgue em senso comum, mas no tribunal da consciência. Antes de dar sua sentença, veja a evidência. Ainda não me aprofundei neste pensamento, mas dizer que existe uma farsa a respeito da cultura brasileira, é uma acusação séria e ainda não tenho provas. Não falo de justiça, mas de realidade social. Desde que comecei a participar de projetos sociais a minha cabeça mudou e, como conseqüência, passei a falar mais sobre responsabilidade social e educação. Jorge Amado foi um escritor que aprendi a gostar depois de adulto. Era um retratista do povo brasileiro, seus problemas, seus encantos e comecei a ver a realidade brasileira pelos seus olhos. Vejo tudo como uma grande ciranda multi-fase. Nesta ciranda quem não é inocentes ou culpado, é cúmplice. Para o meio desta ciranda já foram a maioria dos grandes ilustres brasileiros. O último foi Paulo Freire e agora o Jorge Amado. Rodam os intelectuais querendo independência nas tetas do Estado. Roda um Estado falido num invólucro de pseudo-ajuda. Rodam os pseudo-ajudados, sem educação, sem cidadania, conseqüentemente sem cultura. Foram estes miseráveis, tão bem descritos nos livros, que foram as ruas saudar Amado. Vi um outro Amado sendo velado. Um Amado dos livros desconhecido, mas das amadas novelas. Um Amado que não estava vivo, mas ao vivo. Um Amado roubado pelo político. Amado herói das luzes dos holofotes. Amado nas trevas das emergentes. Amado explorado pelo telejornal das oito. Sinceramente, contra estes queria estar armado! Não era o MEU Jorge Amado! Era um Amado, amado... mas não lido. E não espere compensação póstuma, pois aculturados, são desmemoriados. Aliás a memória destes inocentes, serve ao interesse dos culpados e é refrescada pelo show-business, ao descaso, cúmplice do deleite dos condenados.
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