Ciranda, cirandinha...todos juntos contra uma crise

Em qualquer crise econômica, o comportamento responsável da sociedade deve traduzir-se pelo empenho e participação de todos os segmentos que possam contribuir com atitudes, comportamentos e medidas eficazes para a solução dos problemas.

A piada é antiga. O gerente de uma fazenda coletiva da extinta União Soviética fornecia informações a seu supervisor durante inspeção. O supervisor perguntou como ia a plantação de batatas. O gerente disse que ela estava indo bem. Empolgado, falou: -- "As plantas estão ótimas. A colheita dará uma montanha de batatas tão alta que vai chegar até Deus." O supervisor, cheio de convicções comunistas, rebateu: -- "Como assim? Até Deus? Mas você sabe que Deus não existe!" O gerente deu de ombros e respondeu: -- "Se isso for problema, esquece, pois a batata também não existirá."

A anedota não pretende instigar debate sobre ideologias. Basta provocar reflexões sobre obtenção de resultados no atendimento de anseios da população. Os fatos da economia giram em torno de como o indivíduo e a sociedade decidem empregar recursos escassos para a produção de bens e serviços, a fim de suprir necessidades de pessoas e grupos. Empreitada complexa. Como atender necessidades humanas ilimitadas e renovadas a cada instante com o uso de recursos limitados? O foco não está mais em obter mero crescimento. Muito menos o do tipo crescimento de rabo de cavalo, para baixo. O alvo é ter desenvolvimento econômico. Crescimento resultando em elevação de padrão de vida. Se é difícil fazer o produto interno bruto, o PIB, avançar, que dizer do desenvolvimento? Obra hercúlea, só empreendida com a ação de todos os segmentos da sociedade.

Empresas têm papel relevante. Uma de suas grandes funções é gerar riqueza. Hoje, o cenário não é simples. O Código de Defesa do Consumidor levou a vantagem para o lado do cliente. A globalização potencializou a concorrência. Novas tecnologias trazem outros métodos de produção e comercialização de bens e serviços. Oferecem alternativas de negócios. Tudo isso requer mais esforços e investimentos. Atitudes e estilos novos de trabalho e gestão.

Cuidados gerenciais são requeridos. Planos, redução de custos, estratégia de preços e promoções, logística, investimentos. Busca de eficiência. Fazer mais com menos e mais rápido que a concorrência. Preocupação com eficácia. Fazer o que e como deve ser feito. Do jeito que o consumidor espera. Obsessão por inovação. O mundo muda rápido. Novos padrões de gestão ocupam a pauta. Proteção do meio ambiente. Cuidar da saúde do planeta e do futuro das pessoas. Sustentabilidade é palavra de ordem. Propósitos enobrecem ações. Imperioso oferecer qualidade. Cultivar imagem e reputação pede transparência nas informações de produtos e serviços, além de coerência na relação com os clientes. Entregar o que promete. Negociação ganha-ganha com parceiros é digna. Comunicação moderna, levando conteúdo educativo ao mercado, alimenta credibilidade.

Não há empregado forte em empresa fraca. Por outro lado, num contexto em que os serviços ocupam grande espaço, não há como garantir satisfação dos clientes, sem haver, antes, satisfação dos empregados. Pessoas talentosas sabem medir a importância das coisas em sua vida. Desafios, reconhecimento, valorização profissional, oportunidades de aprendizagem e crescimento, visão do real sentido do trabalho e percepção de legado para a sociedade formam bom cardápio de carreira. Ajudam as pessoas a ser felizes. Podem ter mais valor que remuneração e benefícios. Compensam esforço e desgaste para se colocarem em dia com novas competências de comunicação, liderança, criatividade, tecnologia, inteligência social e emocional, autoconhecimento, autodesenvolvimento, construção de relacionamentos e polivalência.

Vital a contribuição do Estado ao esforço de empresas e trabalhadores. A seu alcance, providências para haver ambiente de negócios amigável. Reduzir e simplificar tributos. Adequar a carga tributária ao estágio de economia ainda não desenvolvida plenamente. Garantir segurança jurídica. Incerteza sobre manutenção de regras afasta investimentos. Só loucos queimam ou rasgam dinheiro. Sem a confiança de investidores, não há crescimento. Minimizar a burocracia. Manter regulação que não tolha ações. Melhorar as condições da infraestrutura. Bom aparato de rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos, telecomunicações e energia reduz custos e incentiva a produção. Buscar parcerias comerciais em mercados externos com grande potencial de negócios. Aplicar austeridade na política fiscal e tenaz combate à inflação, hostil sobretudo aos pobres. Melhorar educação, saúde e segurança é pano de fundo. Sugestiva a frase do Barão de Mauá: "O melhor programa econômico de governo é não atrapalhar aqueles que produzem, investem, poupam, empregam, trabalham e consomem."

Governos, empresas e trabalhadores podem influenciar a cultura de compromisso contra corrupção e desvios de conduta. Ética e compliance vieram para ficar. Precisam estar incorporadas à gestão. Uso de inteligência e esperteza para o bem. Não para fraudes. Missão complexa, possível apenas com envolvimento geral. Quem sabe com a inspiração da cantiga popular: "Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar! Vamos dar a meia volta, volta e meia vamos dar."

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