Cinema amplia nova visão e desafios da longevidade

O filme "Um Senhor Estagiário" explora a busca de sentido na velhice; desempenho de Robert de Niro, nos seus 72 anos, é excepcional

É digno de registro e satisfação quando as artes - cinema, teatro, literatura, telenovelas etc. – se dispõem a abordar de forma pioneira temas que já fazem parte do nosso universo cotidiano.

E, entre estes novos eventos do século XXI, merece destaque o aumento da longevidade.

O mesmo vem provocando desafios e oportunidades em todo o processo do envelhecimento. De uma forma mais direta pode ser observado nas dificuldades que sentem as pessoas que se aposentam. Já podemos também observar o impacto nas estruturas familiares, exigência de revisão de políticas públicas e das estruturas previdenciárias.

O filme mais recente que aborda o assunto é “Um Senhor Estagiário”, com o brilhante desempenho de Robert De Niro, na plenitude dos seus 72 anos de vida.

A história merece destaque ainda porque tangencia vários temas muito atuais do mundo corporativo, estruturas familiares e relacionamentos afetivos.

Segundo De Niro, “há uma falta de respeito, de consideração, em nossa sociedade, por quem tem mais experiência. É meio assim: Envelheceu? Então saia do caminho. Um horror”.

Ao se referir ao mundo do cinema, ele é bastante crítico e direto.

Também foi difícil convencer um estúdio a bancar uma história cujos protagonistas são um cidadão mais velho e uma mulher mais nova, que não tem com ele uma relação amorosa. Há amor, há ternura, entre eles, mas não são um casal romântico. As pessoas não entendiam nada. Esse filme não é mais um da fórmula de Hollywood”.

O desafio para encarar a longevidade de uma forma positiva exige que nos reinventemos mais vezes ao longo de toda a vida. Não apenas numa etapa que consideramos final.

A forma como este assunto pode ser encarado tem variações. Quando falamos de executivos e profissionais, que mantiveram por anos uma “identidade corporativa”, é importante que este preparo comece com bastante antecedência. Para estas pessoas, criar uma nova identidade é parte importante para preservar a autoestima e o reconhecimento.

Quando falamos de empreendedores/empresários que criaram algo, o tema do poder ganha importância. Entender que sucessão não é morte, mas continuidade da sua “criatura”, a empresa, se torna vital para buscar novas fontes de poder e ser reconhecido.

Vale sempre registrar que o ideal é que este assunto seja tratado preventivamente. Ou seja, mais tardar na chamada meia-idade, quando ainda existe vigor, autoestima e possibilidade de sonhar planejando.

Caso você, leitor, tenha tido seu interesse provocado pelo tema, devo informar que existem muitos outros filmes que tratam do assunto. Evidentemente, cada um com formas diferentes e de acordo com a cultura da qual são originários.

Eis aqui apenas algumas sugestões: “Parente é serpente” (um clássico italiano); “Exótico Hotel Marigold I e II) ( inglês/indiano); “E se vivêssemos todos juntos” (francês); “O ciclo da vida” (chinês); “Festa de Despedida” (israelense); “Lugares comuns” (argentino); e “Cerejeiras em flor” (alemão/japonês) .

A última provocação é sugerir que inclua este tema nos assuntos familiares, discutindo com parceiros, filhos, netos...além de concretas ações individuais.

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento