Cidade Olímpica: o que observamos nela a menos de 1 ano

Se o Rio é o Brasil para o mundo em 2016, então o risco de um novo 7x1 é grande a menos de 1 ano dos Jogos Olímpicos.

Faltando 8 meses para o início dos Jogos Olímpicos, o Rio de Janeiro passa por mudanças aceleradas em sua fachada. Do Porto Maravilha ao Parque Olímpico da Barra da Tijuca, observamos diversas intervenções urbanas sendo feitas para garantir as entregas com as quais o país se comprometeu perante o Comitê Olímpico Internacional à época da escolha da capital fluminense como sede das Olimpíadas de 2016.

Contudo, para quem convive diariamente com o conjunto de obras que ocorrem na Cidade Maravilhosa, nota-se que ainda falta muito a ser feito para as Olimpíadas e muito mais ainda para o tal legado olímpico fazer a diferença na vida das pessoas a longo prazo.

Para começar, temos o principal vilão dos cariocas nos dias atuais: a mobilidade urbana. Com as obras de implantação do sistema de corredores exclusivos para ônibus (BRTs), diversas vias perderam espaço para dar lugar a esses corredores. Somando isso com as constantes desativações de linhas de ônibus e mudanças nos itinerários das linhas ainda existentes, para viabilizar e forçar o uso do sistema BRT, vemos a superlotação existente em dias úteis nos trens e nos metrôs também fazer parte desse sistema que mal começou a operar.

É inegável que o sistema BRT ajudou a melhorar a integração de alguns pontos do Rio de Janeiro com o restante da cidade, como ocorreu com as regiões de Guaratiba e Santa Cruz em relação à Barra da Tijuca e o Recreio. Porém, não podemos nos esquecer de que o Rio de Janeiro é uma cidade com mais de 6 milhões de habitantes e que ela serve como centro econômico-financeiro de uma região metropolitana com cerca de 12 milhões de pessoas.

Dessa forma, o sistema BRT, nos moldes em que foi concebido, planejado e implementado, não atende de forma adequada a demanda atual e futura por mobilidade urbana de qualidade, o que só é possível com o desenvolvimento e a ampliação continuada de uma espinha dorsal baseada no modal ferroviário.

Outro aspecto da Cidade Maravilhosa que não foi devidamente tratado para as Olimpídas foi a recuperação dos ecossistemas locais (lagoas, praias e Baía de Guanabara). É vergonhoso passar pela região da Barra da Tijuca, pela Lagoa Rodrigo de Freitas ou pela faixa litorânea que se estende da Ilha do Governador até Botafogo e ver lixo flutuando, sentir cheiro de esgoto e ver quilômetros de praias e lagoas impróprias para mergulho.

Por fim, e sem desconsiderar outros problemas estruturais que ainda persistem na capital fluminense, temos a questão da insegurança pública. Da Zona Norte a Zona Sul e do Centro a Sepetiba, diversas organizações criminosas (tráfico de drogas e armas, máfias de jogos de azar e milícias) atuam sem o mínimo pudor e em meio ao despreparo das forças de segurança pública para combater tais organizações, à ineficácia do Estado em se estabelecer efetivamente em regiões dominadas por essas organizações e à conivência e negligência de alguns agentes públicos quanto à existência e atuação dessas ORCRIMs.

Para ilustrar o exposto acima, ainda convivemos com os arrastões de menores infratores em algumas regiões do Centro e da Zona Sul, com a atuação despreocupada do tráfico de drogas e armas no subúrbio carioca e das milícias na Zona Oeste.

À luz do exposto, fica o diagnóstico acerca da atual situação da Cidade Olímpica e o desejo de que o dinheiro público que está sendo empregado para enfeitar o Rio de Janeiro e torná-lo agradável ao mundo durante algumas semanas também sirva ao bem-estar dos que permanecerão após os jogos e que precisarão de saúde, educação, segurança e transportes públicos de qualidade, de emprego e renda e de um meio ambiente equilibrado.

Um forte abraço a todos e fiquem com Deus!

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento