Café com ADM
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CHURRASCO E APROVAÇÃO

Fomos condicionados desde cedo a só pensar ou agir depois de termos a aprovação dos pais, irmãos mais velhos, professores, padres, pastores ou patrões.

Gosto tanto de escrever quanto de fazer um churrasco na brasa. Sempre busco instintivamente a aprovação tanto dos leitores quanto dos meus convidados famintos. Aborreço-me quando não consigo a aprovação de todos. Sei que não podemos nos culpar por isso. Somos assim porque fomos condicionados desde cedo a só pensar ou agir depois de termos a aprovação dos pais, irmãos mais velhos, professores, padres, pastores ou patrões. Diante dessa formação, tendemos a nos considerar umas criaturas desprezíveis e infelizes quando uma pessoa que amamos, ou respeitamos, nos manifesta um ponto de vista contrário, uma reprovação a algo que dizemos ou fazemos.

Gosto do aplauso, do elogio, da plena aprovação. Não abro mão deles quando sinto que são merecidos e, principalmente, sinceros. Por outro lado, sinto que preciso perder essa mania de buscar a todo custo a aprovação de todos. Às vezes temo me tornar um viciado na busca aprovação dos outros. Temo me transformar numa pessoa muito vulnerável, que desaba quando essa aprovação não vem, ou quando vem apenas parcialmente. Temo que o meu desejo de aprovação se torne uma necessidade e, que assim, o meu eu fique escravo da opinião daqueles que querem que eu escreva artigos e livros de uma forma menos simples e objetiva, ou da opinião daqueles que gostam de um churrasco muito mais temperado do que aquele que preparo bem ao estilo gaúcho, usando apenas o sal grosso.


Espero viver uns 30 mil dias, dos quais uns 20 mil já se foram. É muito melhor acreditar que ainda tenho mais de dez mil dias de vida do que míseros 27 anos. Pois bem, resolvi viver esses muitos milhares de dias que me restam adotando uma nova estratégia em relação à eterna busca da aprovação dos outros. A primeira tática: vou passar a viver de acordo com o sábio ensinamento da regra das duas metades. Ela diz que: metade das pessoas sempre irá discordar de, pelo menos, metade de tudo aquilo que direi ou farei. Ciente dessa regrinha, com certeza passarei a encarar de maneira menos belicosa a desaprovação dos outros em relação aos meus atos, idéias e opiniões. Ciente dessa regra simples, nunca mais ficarei parecendo um escravo da eterna busca pela aprovação dos outros.

Segunda tática: Quando alguém desaprovar algum artigo meu, ou algum churrasco mal passado, não ficarei na defesa, nem partirei para o ataque. Vou simplesmente usar a técnica do VOCÊ. Ela consiste em deixar bem claro que a desaprovação não é um problema meu e, sim daquele que me desaprova. Vou dizer simplesmente: VOCÊ tem todo direito de discordar; VOCÊ pode pensar dessa maneira; sei que VOCÊ jamais colocaria isso dessa maneira; VOCÊ tem essa opinião e merece meu respeito; agradeço a VOCÊ pelas ponderações, etc... Enfim, vou usar um monte de VOCÊS, mas no final vou deixar bem claro que não estou aborrecido e, principalmente, que: não mudarei minha opinião apesar de VOCÊ.

Com essas duas táticas muito simples espero me vacinar contra o desespero diante da desaprovação dos outros, tanto daqueles que comerão meus próximos churrascos, quanto de VOCÊ que acaba de ler esse artigo.

Eder Luiz Bolson, empresário, autor do livro Tchau, Patrão! (www. tchaupatrao.com.br)


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