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China inaugura megaprojeto de gás com Austrália

A enorme fome chinesa de energia e outros recursos necessários para alimentar sua gigantesca economia está criando um vínculo lucrativo com exportadores de commodities e contribuindo para reorganizar os mercados mundiais e alianças comerciais. Esses florescentes relacionamentos com a China estarão em evidência hoje, quando o premiê australiano, John Howard, inaugurará um terminal de gás de US$ 3,6 bilhões na cidade meridional de Shenzhen. O terminal foi construído para receber gás natural liqüefeito (GNL) da Austrália - e é parte de um contrato que prevê o fornecimento do equivalente a US$ 18,3 bilhões em gás durante 25 anos. Esse é o maior contrato individual de suprimento de recursos naturais já assinado pelos australianos. Para estes, os benefícios da explosão de crescimento econômico chinês não se limitam ao gás. As vendas australianas de carvão, produtos agrícolas, minério de ferro e de outros recursos naturais provocaram uma alta de 46% nas exportações para a China no ano passado, para US$ 11,8 bilhões. A China é hoje o segundo maior parceiro comercial da Austrália, atrás somente do Japão. Preocupados em manter sua economia em marcha, os líderes chineses estão fazendo um ajuste fino diplomático e comercial para tentar garantir fontes de suprimento de energia e de matérias-primas, da África à Nova Zelândia. A corrida chinesa às fontes de recursos naturais contribuiu para alimentar três anos de vigoroso crescimento econômico mundial e provocou uma alta nos preços de commodities em todo o mundo. "Indiscutivelmente, a economia chinesa é a maior fonte de crescimento da demanda no mundo", diz David Cohen, economista da Action Economics, em Cingapura. A China é o maior consumidor mundial de aço, grãos, alumínio, cimento, cobre, minério de ferro e zinco, entre outras commodities. O preço do cobre nos mercados mundiais quadruplicou nos últimos cinco anos. Os do petróleo bruto saltaram para cerca de US$ 70 por barril este ano - frente à média de US$ 25 em 2002 -, em parte devido à demanda chinesa. Em todo o mundo, os investimentos em mineração e prospecção energética estão crescendo, bem como obras de infra-estrutura - ferrovias, portos, oleodutos, gasodutos e terminais de GNL - para atender a demanda chinesa. As instalações em Shenzhen, operadas pela companhia estatal China National Offshore Oil (CNOOC), são o primeiro de 16 terminais planejados para receber GNL na costa chinesa. As unidades industriais convertem o combustível de líqüido em gás, que é levado aos consumidores, indústrias e usinas de geração de eletricidade. A demanda chinesa por gás natural deverá crescer 26% em cinco anos, acima, portanto, dos 17% de crescimento estimados da produção. A previsão é de que a demanda por petróleo mais que dobrará em 2025, para 14,2 milhões de barris/dia, em comparação com os atuais 7 milhões por dia, segundo a Agência de Informações Energéticas (AIE) do governo dos EUA. Para saciar a demanda, a China vem enviando delegações de alto nível a países ricos em recursos naturais em todo o mundo e fechando contratos de bilhões de dólares - minério de ferro do Brasil, cobre do Chile e petróleo de toda a parte. Quem acompanhará o premiê australiano na inauguração do terminal de Shenzhen será o premiê chinês, Wen Jiabao. Ele recém-retornou de uma viagem por sete países africanos. Uma das escalas foi Angola, que este ano ultrapassou a Arábia Saudita como maior fornecedor de petróleo à China. Duas semanas atrás, a China realizou uma conferência de segurança regional à qual compareceram alguns dos maiores fornecedores de petróleo na região: Rússia, Cazaquistão e Irã entre eles. As sólidas relações da China com fornecedores de energia como o Irã, Mianmar, Sudão e outros regimes problemáticos inspirou críticas de Washington, para quem a caça aos recursos naturais de Pequim está minando a diplomacia dos EUA e poderá distorcer os mercados mundiais de commodities. Mas a Austrália, tradicional aliada dos americanos, não aderiu às críticas. Canberra e Pequim estão agora discutindo um acordo de livre comércio, o que EUA e Europa recusaram-se a fazer. Por Valor Econômico-SP
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