Chefe & Líder: uma nova (re)visão

O líder é melhor do que o chefe? O que difere um do outro?

É hora de rever a forma como enxergamos os termos “chefe” e “líder”, em especial para o mundo empresarial. Uma série de postagens nas redes sociais, normalmente envolvendo desenhos e histórias motivacionais levaram a uma demonização da palavra “chefe”, como se ele quisesse sempre o pior dos mundos para o empregado, como escravidão, serventia eterna, humilhação e tantos outros absurdos que podemos ler e ouvir sobre isso, enquanto os louros da vitória sempre vão para o “líder”, representado por uma figura carismática, empática e cheia de bondade, sabedoria e dona de uma paciência incomparável.
Será que as coisas são mesmo assim?
Vamos começar a analisar a situação por partes, começando pelo chefe, ou melhor, pelo o que fizeram com a palavra “chefe”. A coisa se desdobrou de tal forma que existem profissionais que não querem ser identificados pelos colaboradores como “chefe”, com a desculpa de não quererem parecer distantes. Ora, se existe alguma relação hierárquica, essa distância irá existir naturalmente, por mais que o ambiente seja projetado para que isso seja amenizado. E não é trabalhar em um prédio legal, cheio de tecnologia e sem paredes que fará um chefe ruim se tornar bom, da mesma forma que um escritório onde cada um fica em uma baia não impede um chefe excelente de fazer o seu trabalho com maestria.
É preciso parar o mais rápido possível de fazer a relação da palavra “chefe” com algo negativo, por uma questão muito simples: o chefe pode ser ruim, pode ser “mais ou menos”, assim como também pode ser ótimo. O colaborador pode classificá-lo da forma que achar melhor, mas isso não fará com o superior hierárquico deixe de ser o responsável por dar o bom andamento das operações do setor, e é também quem será cobrado caso algo de errado aconteça.
O que acontece de fato é que muitos chefes foram colocados nesta posição hierarquicamente superior sem o devido preparo, e também não são estimulados a buscar constante atualização através de treinamentos sobre liderança. Nesta fase em que as empresas estão passando por uma verdadeira transformação digital, vemos gestores com o pensamento da Revolução Industrial de 1800. São promovidos com um determinado pensamento (ou mindset) e acham que aquilo basta para seguirem em frente. É importante ter plena noção de que o que nos trouxe até determinado ponto não será aquilo que nos levará para o próximo nível, ou seja, apenas buscando constante evolução e aperfeiçoamento é possível continuar progredindo.
E da mesma forma que, de fato, existem chefes ruins, existem os excelentes. Esses não se preocupam apenas com a vida profissional dos funcionários, mas procuram também buscar um entendimento de quem é aquele colaborador além das paredes da empresa. Isso é claro, sempre mantendo uma relação de respeito e cordialidade, não invadindo a privacidade dos empregados.
Chefes excelentes sabem que não precisam falar de maneira grosseira para se comunicar bem com os empregados, mas possuem a sensibilidade para, quando necessário, serem mais ríspidos e severos, afinal, todos nós sabemos que, algumas vezes, é necessário “chamar na responsabilidade” para que as coisas retomem ao rumo certo.
E é justamente o chefe que entende que trabalha com outras pessoas e é o responsável pelo desenvolvimento profissional e pessoal delas que irá se tornar um líder.
Ao passarmos a análise para a figura do líder, é preciso termos em mente que líder não é cargo, pois liderança é um comportamento. De nada adianta dizer que determinado funcionário foi promovido a “líder do setor” se ele não tem o respeito e admiração dos colegas. O líder surge gradualmente, por demonstrar ter calma e controle para resolver situações em que as outras pessoas estejam desorientadas, sem saber o que fazer. E é justamente neste momento que observamos a importância de termos gestores bem qualificados em técnicas de liderança, pois enquanto o chefe ruim procurará por culpados, o excelente apontará o caminho certo a ser seguido. E então, ele alcancará o tão desejado status de líder.
Por fim, é fundamental que os atuais gestores tenham consciência que a Revolução Tecnológica não tem volta, e que precisarão se acostumar a trabalhar em um mundo VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo) se quiserem conquistar suas equipes como chefes exemplares e líderes criativos, mantendo a empresa em rota de crescimento e garantindo a segurança do seu trabalho.

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    Vitor Mattoso

    Vitor Mattoso

    Vitor Mattoso é criador do aplicativo Meu Chefe, especialista em Liderança Criativa, Estratégia e Negócios pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e instrutor da Addtech. É formado em Direito pela Faculdade Gama Filho, e possui mais de dez anos de experiência. Já foi Conciliador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Gerente de Relações Internacionais e Operações de Protocolo dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, na qual sua equipe teve destaque reconhecido por outros países. Desenvolveu o trabalho de Liderança Criativa com adolescentes de 11 a 17 anos, através da Secretaria de Educação do RJ. Ministra cursos e palestras para gerentes, supervisores, coordenadores e diretores que desejam melhorar a sua empresa se tornando um líder criativo e de excelência.

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