Cemitério em Jundiaí deve entrar no Guinness Book

Precisava viver a minha própria morte para buscar subsídios para uma leitura mais acertada sobre possíveis vantagens de ter um jazigo em um cemitério parque

Um cemitério parque no Guiness Book!

Com certeza vocês devem estar pensando em um recorde de sepultamentos ou uma enorme área com dezenas de milhares de jazigos, certo?

Errado! O processo já está quase formatado para ser enviado, auditado e possivelmente homologado pelos editores do famoso livro dos recordes em sua próxima edição.

Não um recorde como a maioria aqui imaginou, mas sim, pela fantástica performance que a campanha publicitária do empreendimento alcançou na cidade de Jundiaí- SP, onde o memorial está sendo construído. E tem um detalhe que torna o episódio das vendas ainda mais espetacular: tudo isso está acontecendo agora em plena retração do consumo, de uma crise anunciada e propalada no país.

Quando me procuraram para fazer a campanha, eu confesso que travei na cadeira, só em pensar o quão louco eu seria em aceitar um desafio dessa natureza, afinal, que caminho eu poderia trilhar para vender ou despertar o interesse por um produto que as pessoas sequer pensam adquirir ou ouvir falar?!

Mas como todo criativo tem seu lado louco, topei a parada e me debrucei nas pesquisas para ver o que já havia sido feito de bom pelas agências de publicidade e acabei descobrindo que, no Brasil, não existe nada a respeito. Para ser justo, vi dois trabalhos que fugiam do formato tradicional, mas usavam argumentos muito tênues e mergulhados em clichês.

Em pleno deserto criativo a inspiração era miragem, a sede de encontrar um conceito adequado foi ficando insuportável e o prazo cada vez mais apertado, me levou a tomar uma atitude drástica! Precisava viver a minha própria morte para buscar subsídios para uma leitura mais acertada sobre possíveis vantagens de ter um jazigo em um cemitério parque.

E lá estava eu, durinho da silva, cercado de amigos, uma parte deles na bela cafeteria relembrando com humor algumas passagens, outros, resolveram caminhar pelas alamedas e apreciar a beleza do lugar. Minha esposa desconsolada foi conduzida para uma confortável suíte da capela com frigobar, chuveiro, kit com pasta de dentes, escova de cabelo e um terminal, onde cercada daqueles que nos eram mais próximos, assistiam filmes e mensagens que gravei para aquele momento. Deu certo! Eles ficaram mais tranquilos!

Mas, apesar de morto, eu não podia descuidar da minha missão naquele instante e passei a prestar atenção em tudo que falavam:

– Que lugar lindo, nem parece um cemitério...

...Gente! Totalmente diferente daquele ambiente dos cemitérios...

...Sinceramente, aqui eu voltaria tranquilamente para passear e visitar meu amigo...

... Que paz... faz a gente repensar a vida!

... Cara, você viu? Tudo aqui foi pensado, as mensagens, um histórico da vida fica disponível!

Já deu! Depois de tudo que vi e morri só me restava ressuscitar e criar a campanha.

“Um lugar lindo de morrer “ virou slogan.

O Memorial virou “o investimento que justificava sua história”, assinando todas as peças.

“Aqui ninguém morre, vira estrela”, virou bordão em dezenas de outdoors!

Uma campanha que enaltece a vida e discursa sobre a importância de justificar a trajetória das pessoas e seus sucessores foram reproduzidas em peças, onde se via gente sorrindo, guitarrista de 70 anos irado, um velhinho muito arteiro, um casal apaixonado, flores e muitas borboletas. Além da mídia impressa fora criado um bem humorado comercial de rádio onde uma pessoa narra um pesadelo em que constrangido, assistindo seu sepultamento, viu indignada a vaquinha que fizeram para comprar uma urna que não a cabia direito e a briga entre torcedores rivais que ocupavam as capelas vizinhas. No final, descobre que era só um sonho e percebe que ainda há tempo de justificar sua história reservando um jazigo em um lugar “ lindo de morrer”!

E foi assim que criei a campanha!

Ah sim! O recorde?

- R$ 10.000.000 (dez milhões) em vendas em apenas 44 dias ao custo de 12 mil por jazigo!

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