Carta de despedida: um encontro com o meu outro eu

Quais os diálogos que você trava com você mesmo? Suas crenças, seus pensamentos, seus sentimentos, suas atitudes são reflexos desses diálogos internos. Inteligência emocional também inclui a sua relação com o seu eu (intrapessoal)

Creio que chegou a hora de nós convesarmos e optei por escrever esta carta. Assim deixarei registrado suas falas e minhas falas como um ritual de passagem. Isto mesmo! Um ritual de passagem pois ao final você terá menos importância para mim!

Você era uma criança quando te conheci. Seu jeito me confortava e, sem perceber, já estava te alimentando. Você não sabia falar e por várias vezes repetia o que os outros falavam! Em vários momentos, estávamos juntos, você sempre falando nos meus ouvidos, bem próximo de mim! Na escola, quando caí, você estava lá! Quando tive que me apresentar para meus coleguinhas, você estava lá!

Nas provas, você era implacável! Nos grupos sociais, você não perdoava um sorriso irônico sequer e me falava bobagens. E no vestibular e na minha primeira entrevista de emprego? Lembro-me bem as palavras duras que você me dirigiu! Foram tantos outros momentos de desafio que você estava lá, sem trégua, falando que eu “Nunca vou conseguir, que não sou capaz, que não vou aprender”. Dizia-me também que “está tudo perdido e que não adiantaria eu tentar me esforçar! Para que se estressar, se toda vez é a mesma coisa?”. Foram palavras duras, mas acabei me conformando ao longo desse tempo.

Nós tínhamos uma relação saudável, amistosa! Eu gostava de você e você de mim. Você por diversas vezes me ajudou, mas não sei bem quando e onde você mudou. Ficou rancoroso, medroso, perdeu a coragem, o entusiamo, o foco de experimentar as potencialidades do que somos capazes! Continuava me dizendo que “eu não sei de nada, que estou desperdiçando meu tempo em tentar, que ninguém iria me escutar ou me dar atenção”. E ainda que “eu não faço nada direito!” Tantos nãos e nãos! Responsabilidade minha, que te dei alimentos psicológicos, emocionais e de crenças errados! Perdoemo-nos.

Você também me ensinou uma outra palavra, infelizmente, a palavra Se. Eu acreditei em você! Achei que teria melhor emprego se fosse uma pessoa de sorte! Teria mais oportunidades se o Brasil não estivesse do jeito que está! Que seria mais feliz se tivesse tudo aquilo que não tenho! Saiba você que não viverei mais acreditando nos seus nãos e nas suas condições (Se)! Hoje tomo as rédeas da minha vida de volta com a consciência que a maneira como vejo (filtros de percepções) o mundo reflete nos meus pensamentos e ações, logo, nos meus resultados!

Aprendi a lidar com suas estratégias retóricas. Achou estranho quando te mandei calar a boca? Achou estranho quando gritei com você e te xinguei? Gostou da maneira pejorativa que lhe dirigo? Não contava que eu fosse crescer e te tratar assim, não é? Agora, quem manda sou eu!

Aprendi a me perdoar, a dar valor a mim mesmo, bem como a celebrar as minhas vitórias! Dessa forma, estou cada vez mais aprendendo a lidar com os meus sentimentos de forma positiva e a construir uma imagem positiva de mim mesmo! Tenho me alimentando de palavras e pensamentos positivos, seja autossugestão, seja frequentando ambientes e grupos mais inspiradores. A cada frase sua que contém um não, tenho duas outras mais afirmativas e positivas! Aprendi a dizer e a buscar as respostas para:

O que é mais importante para você? Quais são seus pontos fortes? Como posso melhorar certos comportamentos meus? Qual o primeiro passo? O que você quer ser, ter e/ou fazer? Que estratégias e recursos precisa desenvolver e ter para atingir seus objetivos? O que o está impedindo de exercer o seu melhor? Que barreiras você precisa remover nestas circunstâncias? Qual o seu primeiro passo hoje para se mover em direção aos seus sonhos e objetivos?

Me despeço de você hoje pois prefiro ficar com a versão melhorada de mim mesmo.

De: Eu melhorado

Para: Para mim mesmo

O que a sua voz interior anda dizendo para você e o que você tem feito com ela? Como tem negociado com o seu lado que te impede de ser uma versão bem melhor de você mesmo?

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Nota: este texto tem como base, uma das ferramentas de coaching chamada de “neutralizador de crítico interno” e alguns princípios da mudança de comportamento. Algumas das frases negativas foram extraídas das falas de alguns clientes, amigos e até mesmo da minha voz interior.

Bibliografia

PEAR, Joseph; MARTIN, Garry. Modificação de comportamento: o que é e como fazer. 8 Ed. São Paulo: Roca, 2015..

MATTA, da Villela; VICTORIA, Flora. Livro de atividades Personal & Professional Coaching®. São Paulo: Sbccoaching Editora, 2012.

PhD, GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Ed. 77. Trad: Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Objetiva Ltda, 1995.

PhD, WEISINGER, Hendrie. Inteligência emocional no trabalho: como aplicar os conceitos revolucionários da I.E. nas suas relações profissionais, reduzindo o stress, aumentando a satisfação, eficiência e competitividade. Trad: Eliana Sabino. Rio de Janeiro: Objetiva, 1997.

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