Carreira ontem, hoje e amanhã

Se perguntássemos a uma pessoa há três décadas atrás o significado de carreira, ela, seguramente, nos daria uma definição onde encontraríamos os termos continuidade, promoção e estabilidade.

Se perguntássemos a uma pessoa há três décadas atrás o significado de carreira, ela, seguramente, nos daria uma definição onde encontraríamos os termos continuidade, promoção e estabilidade. A idéia que se fazia de carreira no mundo corporativo era o de ingressar em uma organização em seus níveis hierárquicos mais baixos e ir gradativamente conseguindo promoções rumo aos mais altos.

O exemplo clássico é o do Office boy, ou jovem aprendiz, que se tornava, após anos de ascensão, o gerente do banco. Era comum alguém ter sua carteira profissional do início do trabalho à aposentadoria assinada por um único empregador. Segundo a visão da época, isso correspondia a fazer carreira em uma empresa. Portanto, carreira estava ligado à continuidade, estabilidade e possibilidade crescente de promoções. O indivíduo era formado na empresa, pela empresa, para a empresa.

Hoje a realidade é outra, o indivíduo é formado no mercado, pelo mercado e para o mercado. Encontrar hoje um jovem talento que tenha toda a sua carreira desenvolvida junto a uma única empresa, salvaguardada a hipótese de ser uma empresa própria, beira a utopia.

Vivemos um a era de alto turnover e a velocidade das mudanças e variáveis competitivas não permite aguardar que as pessoas sejam formadas pela empresa que, na ânsia de dar resposta imediata às suas demandas vai ao mercado buscar o profissional de perfil mais apropriado para o momento, função e nível salarial.

Na sociedade do conhecimento as empresas buscam profissionais que já tragam conhecimento à priori, adquirido em boas instituições de ensino e preferencialmente já testados em condições concretas no mercado.

Enquanto o profissional do passado acreditava-se protegido em sua empregabilidade pelo patrimônio dos anos de serviço prestados a uma única ou a poucas organizações, o profissional do presente tem que confiar no patrimônio de sua participação efetiva em cases de sucesso já realizados e mensurados pelo mercado.

Começar uma carreira de sucesso hoje pressupõe que iremos enfrentar múltiplos desafios em diversas empresas diferentes até construirmos um portfólio de êxitos que nos permita enfrentar uma espécie de desafio-chave. É este desafio que irá definir os níveis superiores da hierarquia empresarial que ocuparemos em função dos resultados que já provamos sermos capazes de atingir frente ao mercado.

A linha das promoções migra do ambiente interior de uma organização para o mercado como um todo, a estabilidade migra para a permanência no mercado a níveis sempre superiores de exigência. A continuidade torna-se uma linha lógica no tempo que demonstra a coerência da nossa atuação profissional.

Antes buscávamos estabilidade com remuneração crescente em cargos hierarquicamente superiores. Hoje, buscamos situações que nos permitam aprender mais, desenvolver mais nossas competências essenciais em um processo que gere visibilidade no mercado que, por sua vez, vai gerenciar as questões de remuneração e hierarquia, diretamente ligados a meritocracia.

Uma meritocracia adulta, onde sabemos que os méritos não serão automaticamente reconhecidos em um mercado que também se caracteriza pela desigualdade, política, divergências e competitividade nem sempre ética. Uma meritocracia onde façamos notar nossos méritos, dividindo-os com aqueles que efetivamente compartilham deles, sem ferir as suscetibilidades daqueles que se beneficiam deles.

Carreira hoje é o nome que damos ao processo contínuo de aprendizagem com geração de resultados mensuráveis e perceptíveis pelo mercado, atuando em tantas quantas sejam as empresas dispostas a apostar em nossas competências essenciais; na certeza de que a estabilidade depende da nossa capacidade contínua de oferecermos respostas de forma criativa, inovadora e competente, que agreguem valor ao processo de superação a que todos os profissionais e empresas estão submetidos.

Ontem carreira era fruto do tempo, hoje, é fruto de conhecimento, competência, reconhecimento e habilidade interpessoal. Carreira hoje é, em síntese, uma questão de atitude.

Carlos Hilsdorf

Palestrante do Congresso Mundial de Administração (Alemanha). Economista, Pós-Graduado em Marketing pela FGV e consultor de empresas. Autor do best seller Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero. Referência nacional em desenvolvimento humano. Site oficial: www.carloshilsdorf.com.br

Acompanhe as novidades no Twitter: www.twitter.com/carloshilsdorf

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