Carreira: desafios, dilemas e competências, com a especialista Flávia Gouvêa

Buscar o autoconhecimento e definir objetivos claros favorecem significativamente sua carreira e seu desenvolvimento como pessoa. Afinal, vida profissional e pessoal se entrelaçam

Os dilemas e desafios profissionais são inúmeros, tanto na busca por uma colocação ou recolocação no mercado de trabalho, quanto no aspecto de desenvolver competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) necessárias nesta Era da Informação e do Conhecimento. Outro aspecto ainda que surgi, este uma constante nas nossas vidas, é a busca por encontrar, desenvolver e aproveitar nossos próprios talentos.

Por outro lado, fruto dessas mudanças diversas na econômica, na sociedade, na cultura, na educação, enfim, em função das mudanças sistêmicas, a Gestão de Pessoas continuamente busca aprimorar e aperfeiçoar seus sistemas e subsistemas, sendo cada vez mais presente conceitos como Gestão por Competências, Gestão do Conhecimento, Treinamento, Desenvolvimento e Educação Corporativa, Liderança, Aspectos Comportamentais da Gestão de Pessoas, entre outros conceitos que ganham destaque na modernidade.

Sobre esse cenário de mercado de trabalho, carreira e competências profissionais, convidei uma amiga, a Flavia Gouvêa, para compartilhar comigo e com meus leitores do site Administradores.com sua experiência na área, experiência e conhecimento esses que as faculdades não dão conta de abordar. Flávia é psicóloga empresária, especialista em RH.

Flávia, obrigado por aceitar o convite e dividir seu saber comigo e com meus leitores. Pois bem, por gentileza, comece se apresentando: quem é Flávia e há quanto tempo se dedica à Gestão de Pessoas e aos seus subsistemas?

F: Sou Psicóloga e especialista em Gestão de Pessoas. Atuo na área de Recursos Humanos a 16 anos. Sou apaixonada pelo ser humano e suas adequações e inadequações dentro das organizações. Me dedico muito ao estudo de todo conteúdo relacionado à pessoas e suas inserções dentro dos processos empresariais. Durante esses anos de atuação, sempre trabalhei com implantação da área de Recursos Humanos envolvendo todos seus subsistemas e em vários segmentos: saúde, hotelaria, indústria e comércio. Hoje sou proprietária da Populus Consultoria (www.populusconsultoria.com.br) que mantém o foco no desenvolvimento humano e educação corporativa, além de ser a criadora e responsável pelo blog Chovendo vagas (chovendovagas.blogspot.com.br)! Este um espaço que utilizo para orientar pessoas que buscam um relacionamento saudável com o mercado de trabalho.

Face a esses seus anos de experiência na área, quais foram as principais mudanças pela ótica da Gestão de Pessoas?

F: Cada vez mais fazer Gestão de Pessoas exige competências claras e evidentes. Entender sobre o ser humano e suas nuances, ter percepção aguçada sobre mudanças, investir em conhecimento sobre comportamento são pontos fundamentais para quem atua com pessoas. A área de RH ainda é muito nova e ainda está sendo compreendida pelas empresas como área estratégica para obtenção de resultados. Hoje em dia, tudo relacionado às pessoas nas organizações precisa ser pensado para que, associado aos objetivos da empresa, os indivíduos possam gerar resultados reais e mensuráveis, enfim, desenvolver suas potencialidades.

Como reflexo dessas mudanças, o conceito de carreira também mudou. Assim sendo, o que é carreira e quem é o principal responsável por ela?

F: Quando falamos sobre carreira, estamos definindo quem somos e para onde queremos seguir. E a condução desse processo é de responsabilidade única de cada indivíduo. Não podemos esperar que o mercado ou as empresas ofereçam tudo que precisamos para crescer profissionalmente. Todo empenho e esforços precisam partir de cada um, isto sempre com foco no que somos e no que de fato desejamos para nossa vida.

A tecnologia está cada vez mais presente influenciado profundamente as novas gerações, qual o perfil e conflitos dessa nova geração?

F: De tempos em tempos estamos lidando com novas gerações. Todos fizeram parte, em algum momento, de um tipo de geração. Contudo, a geração de hoje tem uma relação com tempo acelerada demais. E não seria a tecnologia a grande influenciadora desse modo de ser, mas a forma como lidamos com ela. Os recursos sempre vão existir a favor de nosso desenvolvimento, porém, a maneira como utilizamos e nossos objetivos é que podem interferir negativamente. Um exemplo sobre o que digo seria sobre o acesso as informações que esta geração tem hoje e que não existia antes. Há algum tempo atrás fazíamos pesquisas em enciclopédias e tínhamos que reservar um tempo para estar nas bibliotecas pesquisando e buscando sobre assuntos que tínhamos interesses, certo? Hoje em dia, na geração veloz, tem em um único clique milhões de informações e em segundos. Entretanto, cabe ressaltar que não se dedicar para saber de fato o que procura leva a disperdício de tempo e produtividade. Dessa forma, mais acaba se tornando menos, ou seja, ter conhecimento disponível não implica necessariamente, em alguns casos que se perde o foco, se apropriar do mesmo.

Nos programas de treinamento e desenvolvimento dos quais você coordena, quais são as principais competências solicitadas pelas empresas?

F:As competências mais exigidas atualmente passam por um mix que pode ser dividido em Técnicas e Comportamentais:

As técnicas se referem basicamente sobre o que preciso saber para desempenhar minhas atividades dentro de uma empresa. O quanto eu domíno sobre as ferramentas e métodos dentro da área que atuo. Quanto mais eu sei, menos tempo eu gasto, mais ideias eu tenho em relação aos processos. Já as competências comportamentais serão as que me diferenciarão do restante dos profissionais da minha área. E dentre elas, vemos hoje uma grande necessidade de ser flexível, ter equilíbrio emocional, saber se relacionar com pessoas e fundamentalmente ser comprometido com o negócio, que envolvem por sua vez competências empreendedoras e/ou intraempreendedoras.

Agora uma pergunta provocativa. As empresas têm explorado as mídias sociais para recrutar e selecionar pessoas. Supondo que hoje você esteja com uma vaga em aberto para liderança e precisasse selecionar alguns candidatos nas mídias sociais, quais aspectos analisaria no perfil do facebook (ou do Linkedin) dos mesmos?

F: As mídias sociais são ferramentas interessantes, mas perigosas para uma análise de perfil. Hoje o que vemos nas redes são perfis ideais e não reais (em sua maioria). As pessoas na internet são sempre muito felizes, plenamente realizadas e expressam conceitos politicamente corretos sempre. Se as avaliações fossem com base nessas informações apenas, estariam todos aprovados! Entretanto, não descarto a possibilidade de através das informações disponibilizadas nas redes sociais convidar o candidato para uma avaliação presencial com a finalidade até mesmo de entender se a maneira como ele se posiciona para o “mundo” é de fato real ou está longe disso. Todo cuidado deve ser tomado com uso das redes sociais. Aquilo que você expõe poderá depor a favor ou contra aquilo que de ato você é.

Por fim, quais dicas daria para aqueles que buscam “empregabilidade”?

F: O primeiro passo é saber quem você é. O segundo é saber o que você quer para sua vida.

De início pode parecer simples e fácil, mas investir em autoconhecimento é fundamental para traçar planos e alcançar metas. Não vale sair por ai à procura de qualquer trabalho apenas com objetivo de sustendo ou algo parecido. O objetivo do trabalho precisa passar também pela realização individual, pelo crescimento enquanto pessoa. Se o objetivo for pequeno diante do que procura, a relação com trabalho sempre será efêmera e não trará experiências favoráveis ao seu desenvolvimento profissional, intelectual, emocional e social.

Para aqueles que queiram conhecer mais seu trabalho ou até mesmo cadastrar no seu banco de talentos, como podem fazer?

F: Disponibilizo meus endereços eletrõncos a seguir e terei imenso prazer em receber vocês! Há muitas dicas de carreira e anúncios de vagas de emprego. Meu site: www.populusconsultoria.com.br e meu blog: chovendovagas.blogspot.com.br.

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