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Captação de Recursos com foco 3º Setor

Com o crescimento da Sociedade Civil Organizada, através das ONGs o estudo visa abordar a temática da sustentabilidade para instituições do terceiro setor, em foco a Diaconia, para estruturar um departamento de captação de recursos, visando garantir a continuidade de seus trabalhos. Baseada nessa perspectiva realizando uma pesquisa qualitativa, com a intenção de identificar quais seriam as reais necessidades desse departamento, suas principais atribuições para o funcionamento que garanta o retorno do investimento financeiro, humano e material. Por fim é evidenciada a dimensão da necessidade para que haja a implementação. Com a utilização de Proposição de Planos, que visa apresentar proposta de planos a solucionar problemas e/ou reestruturação organizacional a pesquisa tem o caráter qualitativo, mas que também possibilita a análise de informações quantitativas, para sua melhor fundamentação. Visando apreciar as diferentes construções e significados que as organizações atribuem a experiências, tentando perceber como as instituições obtêm resultados heterogêneos, fica evidenciado o propósito do uso do método de pesquisa participante para obtenção das informações necessária para o desenvolvimento do tema proposto.. Apesar da instituição alvo (Diaconia) trabalhar na região Nordeste do Brasil, abrangendo especificamente, as Regiões Metropolitanas de Recife - Pernambuco, Fortaleza - Ceará e Natal Rio Grande do Norte; Sertão do Pajeú em Pernambuco e Médio Oeste Potiguar do Rio Grande do Norte, o estudo focará na implementação do Departamento de Capitação de Recursos, na sede da instituição em Recife/PE. Como população para coleta de dados, foi identificado um membro da equipe da própria instituição (Diretor Executivo), assim como outras organizações do terceiro setor que contam com estrutura equivalente a da Diaconia e já possuem o Departamento de Captação de Recursos devidamente implementado e sob avaliação. Em análise as entrevistas foram encontrados dados básicos em comum, que contribuem para a análise dos dados, são elas:  Visão institucional bem definida;  Relação com Igrejas e/ou entidades ecumênicas;  Domicilio em Recife/PE;  Foco de atuação;  Um dos focos é a região Semi-Árida Brasileira;  Objetivos institucionais. Foi possível perceber a que as ONGs estão buscando a departamentalização da captação de recursos que antes era realizada exclusivamente pelo gestor da instituição, com essa profissionalização de gestão fica clara a possibilidade de ampliar o leque de frentes de busca de recursos e áreas de atuação. Em todos os entrevistados ficou evidente a busca de recursos do governo visando o fortalecimento de políticas públicas, face a redução de disponibilidade da cooperação internacional para o Brasil, principalmente depois dos atentados aos Estados Unidos da América em 2001 e a guerra do Iraque, onde as agências de cooperação vêem maior necessidade de atuação, os três entrevistados foram unanimes em afirmar a dificuldade de prestação de contas dos recursos captados, devido ao grande grau de diferenciação dos formatos exigidos pelos atuais apoiadores e para suprir essa necessidade tem investido em mão de obra qualificada para a gestão e operacionalização dos departamentos administrativos e financeiros. Foi identificado a propensão ao uso da gestão horizontalizada, na gestão institucional e nos departamentos, fortalecida através da existência e funcionamento de plano de cargos e salários das instituições e resultam no ambiente de trabalho favorável ao crescimento profissional. Durante as entrevistas ficou claro que as instituições ainda não tem claro em que fontes de captação pretendem atuar quando se pensa depois do governo, fazendo com que sejam centrados esforços apenas na captação de governo, deixando de lado outras frentes como: apadrinhamento, comercialização de produtos, empresas particulares e igrejas. Isso existe devido a imaturidade por parte da não formalização da política de captação de recursos, que sem ela não existe clareza em que frentes as instituições se propõem a ingressar. Ao mesmo tempo que foi fácil perceber que cada uma das instituições possuem estratégias diferentes de captação em uso, que tem possibilitado retornos significativos, mas que ainda poderiam ser potencializadas face a abertura do leque de opções de fontes de financiamento. As três entrevistadas demonstraram princípios éticos bem estabelecidos sobre a não busca de financiamento em empresas que agridem o social humano com sua atividade, como exemplo: as indústrias que poluem o meio ambiente, empresas que comercializam produtos nocivos a saúde como é o caso de cigarro e bebida alcóolica. E ainda visando a uniformização de práticas, não bonificam colaboradores ou intermediadores quando do fechamento de alguma captação, para que não haja tendência a um tipo ou outro de financiamento. Quando foi buscada informação sobre interação entre departamentos e setores nas instituições pesquisadas, foi muito rica a informação obtida, tanto há a interação entre os diversos departamentos e setores dentro de cada instituição como também há a interação de intercâmbio entre as três instituições, como um trabalho em rede de ajuda mútua. No terceiro setor é forte o laço que une as instituições até por causa de sua natureza, do bem estar social, fazendo com que as diversas instituições do seguimento em Pernambuco e no Nordeste como um todo, se ajudem, não necessariamente com recursos financeiros, mas com troca de experiências, parceria e trabalhos em rede, como exemplo pode ser colocado o projeto P1MC, onde atuam 46 instituições co-relacionadas/co-responsáveis. Concluindo com a perspectiva de atender aos objetivos gerais, propor a estruturação do departamento de captação de recursos da Diaconia, foi elaborada a metodologia de natureza propositiva de plano de ação, em caráter qualitativo, tendo como técnicas de coleta documentos institucionais através de dados secundários e entrevista em profundidade para esclarecer pontos em comum, foi utilizada como área de abrangência a cidade de Recife/PE, por mais que a instituição em questão abranja outros estados, uma vez que o DCR ficará lotado nesta cidade. Para análise dos dados foram utilizadas as técnicas de análise de conteúdo para as informações, provenientes das entrevistas/documentos e estatística univariada para as informações quantitativas/financeiras. As instituições com a visão de obter recursos para desenvolver suas atividades em busca do bem estar social do público alvo, fica claro através do estudo sobre captação de recursos para o terceiro setor o quanto evoluiu ao longo dos últimos 20 anos, deixaram de lado a linha plenamente assistencialista, desacreditada pela sociedade e passaram a linha de instituições que privilegiam a mudança pelo aprendizado do público alvo, possibilitando um melhor horizonte de vida para estes. É em virtude dessa nova visão que as organizações do terceiro setor têm investido na profissionalização da gestão, fortaleceram princípios de missão, visão e ainda a compreenderam o primeiro e o segundo setor. É com essa estratégia que as ONGs buscam aperfeiçoar seus processos e com o DCR implementar ações claras de obtenção de recursos para financiamento das atividades das instituições do seguimento. Esse entendimento da necessidade contínua de aperfeiçoamento por si só, contribui muito para sustentabilidade institucional e com isso motiva a necessidade de continuidade e captação de diversas fontes de recursos e o trabalho a que se propõe bem feito, que assim servirá de vitrine para possibilitar novas captações e assim a ampliação de atividade. Após a análise da coleta de dados, foi identificado que o departamento de captação de recursos deve ter a estrutura como proposta a seguir: Ficou evidenciado a necessidade de contar com uma equipe mínima de três pessoas, nessa estrutura haverá a separação de papeis, ficando assim: Um(a) profissional da área de administração, que terá um papel estratégico de pensar as estratégias de implementação de novas frentes assim como a manutenção das já pensadas como iniciais, Um(a) profissional da área de relações públicas que em conjunto com o(a) administrador(a) implementará as políticas de captação de recursos face a missão e visão institucionais, Um(a) profissional da área de jornalismo, que fará a ponte com a equipe de comunicação, possibilitando a interação produtiva e o trabalho coletivo em torno da implementação do departamento e sua demanda contínua. Para todos os membros da equipe com a separação de papeis, terão demandas especificas e mais gerais que compreendem o dia-a-dia do departamento, será utilizada a hierarquia horizontalizada como já praticada na instituição, visando um melhor grau de relação interpessoal na equipe e para com o restante da instituição, fora isso serão encaixados no plano de cargos e salários já existente, plano esse que proporciona o crescimento profissional dos colaboradores. A equipe terá a responsabilidade de aprimorar a política de captação de recursos em uso pela instituição, visando ajustes que possibilitem a maior/melhor obtenção de recursos, mas sem a desvirtuar da atividade fim. O DCR terá metas de captação por triênio, como meta total será utilizado o valor do orçamento do plano de ação trienal da instituição, todos os recursos humanos e materiais necessárias para atividade do departamento serão disponibilizados visando o alcance da meta. Por questões políticas não haverá bonificação aos funcionários da equipe que alcançarem a meta, pois já é o papel da equipe alcançar, para não gerar favorecimentos de tipos de financiamentos, já que o plano de cargos e salários contempla crescimento progressivo conforme desempenho individual. Existe a plena viabilidade de implementação do departamento de captação de recursos, com perspectivas de retorno do investimento de recursos financeiros aplicados em quatro anos. Além da sustentabilidade que será alcançada no final desse prazo. ABONG, ONGs no Brasil: perfil das associadas à ABONG Principais resultados da pesquisa realizada entre agosto e novembro de 2001. São Paulo, 2002. ADULIS, Dalberto. O papel da comunicação na captação de recursos. Grupo interagencias para mobilização de recursos. (2002) acesso em 14/02/2004 AMARAL, Cláudia. Como estruturar melhor a captação de recursos. Grupo interagencias para mobilização de recursos. (2004) acesso em 14/02/2004 CAMARGO, Mariângela Franco. Gestão do terceiro setor no Brasil: Estratégias de captação de recursos para organizações sem fins lucrativos. 2ª ed.. Futura, São Paulo, 2001. ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de Estágio e de Pesquisa em Administração. 2. ed. São Paulo: Ed. Atlas, 1999. TEODÓSIO, Armindo dos Santos de Sousa. Pensar pelo avesso o Terceiro Setor: mitos, dilemas e perspectivas da ação social organizada no Brasil. In: STENGEL, M. et al. (orgs.) Políticas públicas de apoio sociofamiliar curso de Capacitação de Conselheiros Tutelares e Municipais. Belo Horizonte: Editora PUC Minas, 2001. VALARELLI, Leandro Lamas. Uma noção ampliada de captação de recursos. Rede de informações para o Terceiro Setor. Rio de Janeiro, 14 Set. 1999. Disponível em: acesso em 07/05/2004.
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