Capitalismo crise - outubro de 2015

Fatos relevantes da economia e política internacional em outubro de 2015

O presente texto tem como base a leitura de fatos relevantes da economia internacional na imprensa brasileira, referentes ao período de outubro de 2.015.

Segundo a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, a desaceleração das economias de países em desenvolvimento vai fazer com que a economia global cresça em ritmo menor em 2015, ampliando apenas levemente o passo em 2016.

Um dos motivos para o cenário mais complicado é o Brasil , que ao lado da Rússia, “ está enfrentando dificuldades econômico financeiras sérias.

“As economias emergentes terão provavelmente seu quinto ano consecutivo de declínio das taxas de crescimento”, e podem ser atingidos pelo período extenso de preços baixos das commodities, que sofrem os efeitos da desaceleração chinesa, que caminha para um crescimento de 7% em 2015, um resultado forte para os padrões globais, mas distante do ritmo de dois dígitos da década passada, quando a arrancada da China, fez subir os preços das commodities , como minério de ferro e soja.

Para Lagarde, a China precisa tentar continuar tentando rebalancear sua economia de um modelo exportador para um mais voltado ao consumo interno , mas também deve ter cuidado em assegurar a “ estabilidade financeira e da demanda”.

O crescimento está aumentando na zona do euro e no Japão e ainda parece robusto nos EUA e no Reino Unido.

Mas para ela, o crescimento global é desapontador e desigual e as perspectivas para o médio prazo ficam ainda mais fracas. Ou seja, o “novo medíocre”, o risco de crescimento baixo por um longo período , está mais perto. ( F S P , 1.10.2015, p. A-19) .

Projeção do IIF – Instituto de Finanças Internacionais , que reúne grandes bancos globais também ecoa o pessimismo sobre os emergentes.

Segundo o IIF, os mercados emergentes devem registrar saída líquida de capital em 2015 , pela primeira vez desde os anos 80 , dada a piora de suas perspectivas econômicas e os preparativos do Fed. para elevar a taxa de juros norte-americana.

Pelas estimativas da entidade, haverá uma saída líquida de capitais dos mercados emergentes da ordem de US$ 540 bilhões em 2015, a primeira vez que isso acontece desde 1988. Em 2014, houve um influxo líquido de US$ 32 bilhões.

As crescentes preocupações com o desempenho da China, contribuem para aumentar a incerteza no mercado financeiro.

Um dado muito preocupante é a estimativa do instituto que o endividamento de empresas não financeiras em mercados emergentes tenha crescido mais de 500% nos últimos dez anos , para US$ 24 trilhões, uma velocidade de acumulação espantosa.

Fortes desvalorizações em muitas moedas de mercados emergentes, como está ocorrendo no Brasil , tornaram muito mais difícil para as empresas endividadas desses mercados manter em dia suas dívidas internacionais. O FMI alertou que a alta dos juros dos EUA e a disparada do dólar podem expor descompassos cambiais e causar calotes empresariais, como resultado das pesadas dívidas acumuladas pelas companhias dos mercados emergentes. A Petrobrás é um exemplo . ( F S P , 2.10.2015, p. A-19) .

E , no primeiro semestre de 2015, a Índia virou o principal destino para investimentos estrangeiros diretos em novos projetos, com ingresso de US$ 31 bilhões, contra US$ 28 bilhões da China, US$ 27 bilhões dos EUA, US$ 16 bilhões do Reino Unido, US$ 14 bilhões do México e Indonésia, US$ 8 bilhões do Vietnã e US$ 7 bilhões de Espanha, Malásia e Austrália.

O Brasil, que era o 9º no ranking em 2014, com US$ 18 bilhões, despencou e não aparece mais entre os dez primeiros , já uma demonstração de que o capital estrangeiro começa a evitar o país.

A Índia, mais do que dobrou seu nível de investimentos, atraindo US$ 31 bilhões no primeiro semestre de 2015, ante US$ 12 bilhões no mesmo período de 2014.

A pesquisa do fDI Markets constatou que 97 dos 154 países classificados como mercados emergentes registraram declínio no investimento de capital em novos projetos no primeiro semestre de 2015, em comparação ao mesmo período de 2014. ( F S P, 3.10.2015, Mercado2, p. 1).

Para agradarem o eleitorado, governos populistas tendem a distribuir benefícios e isso aconteceu no Brasil à exaustão nos governos petistas.

Mas, aqui também os recursos acabaram e a solução mais proposta é aumentar impostos. Mas, o Brasil já está com uma das maiores cargas tributárias do mundo, 36% do PIB, a população está saturada de tanta tributação e mais impostos pode provocar mais recessão e derrubar ainda mais a arrecadação.

Por isso, na Europa a alternativa para alguns governos foi cortar gastos produtivos e reduzir benefícios desnecessários.

Em 2013, na Grécia, aboliu-se um crédito de seus dias a mais de folga por ano para funcionários públicos que usavam computador. A atividade era considerada trabalho pesado.

Na Alemanha, os bônus salariais por ocasião do Natal foram cancelados em 2013.

Na Espanha, as negociações nacionais que favoreciam muito os sindicatos passaram a ocorrer no âmbito de cada empresa. A lei trabalhista foi reformada para facilitar demissões, o que deixou as companhias mais à vontade para contratar. Com isso, as contratações que antes só começavam com crescimento de 2% no PIB, elas passaram a ocorrer com aumento de 0,6% no PIB.

O que ocorreu na Europa em alguns países é que programas de austeridade estão produzindo resultados na recuperação da economia e por isso na Inglaterra e em Portugal, o governo que praticou austeridade ganhou mais um mandato.

Na Espanha, quem está à frente é o Partido Popular que reformou a legislação trabalhista.

Na Grécia, o Syriza criticava os pacotes de austeridade, mas o partido no governo acabou fazendo um acordo com a União Europeia e vendeu as últimas eleições.

Ou seja, os cidadãos, em geral, parecem estar menos revoltados com a austeridade. ( Revista Veja, 14.10.2015, p. 81-82) ,

O economista Paul Krugman , Nobel de Economia, está pessimista com a economia mundial : “ Parece que estamos em uma situação em que ninguém quer gastar , não há demanda suficiente. Temos um problema de superoferta global.

Vai levar um tempo até que consigamos determinar se isso é uma estagnação secular , mas certamente estamos olhando para um mundo com uma falta persistente de demanda adequada...

O que vemos agora nos mercados emergentes é uma versão menor do que aconteceu no fim dos anos 1990: perda de confiança dos investidores, queda no preço das commodities e problemas nos resultados financeiros corporativos, dada a quantidade substancial de dívidas atrelada ao dólar. E uma valorização da moeda norte-americana [ em decorrência do aumento dos juros] exacerbaria isso. Mão acho que vá ser uma catástrofe, mas haverá um aumento significativo do estresse”. ( F S P , 19.10.2015, p. A-10) .

AFEGANISTÃO

Um ataque aéreo atribuído aos EUA, a um hospital gerido pela organização Médicos sem Fronteiras , na cidade de Kunduz, no norte do Afeganistão , deixou pelo menos 22 mortos, 12 funcionários e dez pacientes, três dos quais crianças.

Ao menos 37 pessoas ficaram feridas e a organização afirmou que o ataque continuou por quase uma hora depois que as autoridades militares americanas terem sido informadas do erro.

O governo do Afeganistão culpou o Taleban pelas mortes, alegando que integrantes da milícia se esconderam no hospital da MSF durante confronto com tropas afegãs. ( F S P, 4.10.2015, p. A-15) .

O diretor-geral da entidade, Christopher Stokes afirmou e nota: “ Sob a presunção clara de que um crime de guerra foi cometido, a organização humanitária internacional MSF, exige uma investigação completa , transparente e conduzida por um órgão internacional independente”.

O hospital ficou sem condições de continuar funcionando e todo o pessoal será retirado de Kunduz. ( F S P , 5.10.2015, p. A-11) .

Segundo o comandante da missão dos EUA no Afeganistão, general John F. Campbell, o ataque aéreo que matou as 22 pessoas no hospital do MSF foi solicitado pelas forças afegãs.

“Tomamos conhecimento agora de que, em 3 de outubro, forças afegãs nos informaram estar sob fogo de posições inimigas e pediram apoio de forças dos EUA. Um ataque aéreo foi então requisitado para eliminar a ameaça Taleban e diversos civis foram acertados acidentalmente. Essa [versão] é diferente dos relatos iniciais que indicavam que forças dos EUA foram ameaçadas é que o ataque aéreo foi solicitado a pedido destes. Se erros foram cometidos, vamos admiti-los”.

Stokes respondeu: “ Hoje , o governo americano admitiu que partiu deles o bombardeio(...) A descrição dos ataques fica se alterando – de dano colateral para acidente trágico. Agora, há a tentativa de repassar a responsabilidade ao governo afegão. A realidade é que os EUA lançaram aquelas bombas . Os EUA atingiram um hospital enorme, cheio de pacientes feridos e profissionais(...) Não há justificativas para esse ataque terrível”.

A coalizão em 5 de outubro, já conseguiu recuperar boa parte da cidade de Kunduz. ( F S P , 6.10.2015, p. A-10).

O presidente Barak Obama pediu , no dia 7 de outubro, desculpas pelo ataque aéreo.

Mas, o MSF não vai aceitar. Susana de Deos, diretora-geral no Brasil disse: “ O pedido de desculpas não muda nada. O que ocorreu é muito grave para relevar com um simples pedido de desculpas. É necessário que a Comissão Internacional Humanitária para a Apuração dos Fatos ( CIHAF) conduza a investigação para determinar o que aconteceu em Kunduz”.

Essa comissão foi criada em 1991 , com o Protocolo Adicional das Convenções de Genebra, mas nunca foi acionada.( F S P , 8.10.2015, p. A-18) .

O presidente Barak Obama recuou no plano de reduzir a presença militar dos EUA no Afeganistão e sepultou a ideia de deixar a Casa Branca , no início de 2017, sem tropas de combate no país.

Anunciou no dia 15 de outubro que 5.500 solados americanos permanecerão em solo afegão após 2016. O contingente foi mantido em 9.800 soldados, sendo reduzido para 5.500 só no início de 2017.

A situação de segurança no Afeganistão é frágil e o Taleban está ganhando território, tendo o grupo extremista conquistado Kunduz, primeira grande capital de província que foi conquistada em 2001. O território só foi retomado pelo Exército afegão depois de duas semanas, mas com graves problemas como a ofensiva aérea que deixou 19 mortos em um hospital do MSF.

Obama discursou: “ Não permitirei que o Afeganistão seja usado de base para que os terroristas ataquem nosso país novamente”. (F S P , 16.10.2015, p A-13) .

ÁFRICA

A China aumentou significativamente sua presença na África nos últimos dez anos. Palácios presidenciais, minas oleodutos, pontes e aeroportos foram construídos com capital e mão de obras chinesa.

O país comprou vastas quantidades de petróleo, carvão e minério de ferro e vendeu um dilúvio de manufaturados, de caminhões a brinquedos.

Agora, a desaceleração na economia da China e os efeitos colaterais que ela causa, especialmente o colapso nos preços das commodities, estão criando os maiores desafios para os países africanos em muitos anos.

Minas estão sendo desativadas, projetos postergados e empregos eliminados. Países de todo o continente estão vendo suas moedas despencarem frente ao dólar. O acesso a financiamentos também ficou mais difícil.

Mas, mesmo assim, o FMI prevê crescimento de 4,4% para a África subsaariana em 2015 e a população africana deve dobrar para mais de 2,4 bilhões de pessoas em 2050, e o potencial de crescimento do mercado consumidor alimenta o apetite dos investidores.

Gradualmente, o comércio entre os países africanos também está crescendo e os dados indicam que não faltará capital para os projetos em expansão. ( F S P , 19.10.2015, p. A-13) .

ARGENTINA

Segundo a agência Moody’s, as reservas em moeda forte em poder do Banco Central da Argentina só devem durar até o fim do ano.

A Argentina está fora do mercado internacional de crédito desde julho de 2014, quando rejeitou negociar com credores estrangeiros e depende exclusivamente das exportações para obter dólares.

Mas essa receita também vem diminuindo , com a queda no preço das matérias primas no mercado internacional e a recessão no Brasil , seu principal parceiro comercial.

Com a escassez de dólares, o governo limitou a compra de insumos importados pelas indústrias, o que estancou a economia local. A Argentina terá crescimento de meros 0,4% em 2015 e retração de 0,7% em 2016. Essa é a herança que Cristina Kirchner vai deixar depois de 10 de dezembro. ( F S P , 8.10.2015, p. A-19) .

Indec

O Indec, instituto de estatísticas argentino, um dos responsáveis pelos cálculos da inflação no país, sofre forte intervenção da administração de Cristina Kirchner para exibir números mais favoráveis.

Funcionários que discordaram das mudanças, foram afastados de suas funções. Os “castigados”, foram confinados em local separado e perderam importância nos cálculos. No local onde funcionava a diretoria da inflação, no terceiro andar do edifício, a duas quadras da Casa Rosada, foi instalado um escritório do sindicato pró-governo.

Hoje a inflação no país, pelos cálculos do Indec está em 15% , mas na realidade é de 27%.

Agora, com a proximidade de mudança de governo, “ os kirchneristas estão de malas prontas”. ( F S P , 11.10.2015, p. A-15) .

Pobreza cresce

Dados de instituições privadas indicam que a pobreza na Argentina voltou a crescer no último ano, após um longo período de melhora, desde o colapso de 2001, quando mais de 50% da população caiu na penúria, até 2010.

A estagnação da economia e a elevada inflação, ao redor de 25% ao ano , interromperam o movimento positivo da década.

A reversão ocorreu ao mesmo tempo em que o governo Cristina Kirchner , como fez o PT no Brasil, turbinou gastos em benefícios sociais e subsídios, usados para baixar o preço da energia elétrica e do transporte público.

Segundo estatísticas da Universidade Católica, cerca de três em cada dez argentinos são atendidos hoje por programas sociais, total superior ao de 2007, primeiro ano de Cistina na Casa Rosada. São mais de 50 benefícios que podem atender desde mulheres grávidas até trabalhadores de baixa qualificação.

Escondida atrás da estação histórica do Retiro, em Buenos Aires , cresce silenciosamente a Villa 31, uma das maiores favelas da capital argentina que de 40 mil habitantes em 2013, passou a ter quase 70 mil e nas contas dos moradores já são cem mil.

Cerca de 60% dos moradores são estrangeiros e a maioria vive de dinheiro do governo e de bicos. ( F S P , 18.10.2015, p. A-18) .

Os movimentos sociais , como o La Câmpora, a Juventude Peronista, o Kolina, passaram a ocupar lugares centrais na base de apoio ao governo, deslocando os sindicatos , tradicional suporte peronista. ( F S P , 19.10.2015, p. A-9) .

Eleições Presidenciais

Clóvis Rossi comenta os candidatos a presidente da Argentina e os dois mais favoritos devem mudar significativamente a política externa do país.

Maurício Macri, é um liberal de carteirinha e sua política externa será pró-Ocidente, ao contrário do que ocorre hoje com uma Cristina Kirchner intervencionista e crítica dura do Ocidente.

Mas, mesmo se o vencedor for o peronista Daniel Scioli, hipótese mais provável, a mudança tende a ser grande. Interlocutores de sua equipe afirmam que ele é , predominantemente, pró-mercado e pró-Ocidente.

A Argentina portanto, deve se afastar do bolivarianismo e deslocar o Brasil se continuar a catatonia que caracteriza a política externa de Dilma Rousseff. ( F S P , 19.10.2015, p. A-9) .

Maurício Macri se “peroniza”, às vésperas da eleição. Quis encerrar a campanha em um bairro pobre da periferia da capital. Foi a Villa Soldati, extremo sul da cidade , visitar um restaurante popular gratuito.

Centros como esse se multiplicaram desde a crise de 2001. Agora, a Fundação Margaritas Barrientos, que mantém o local, serve 1.800 refeições diárias a moradores da vizinhança de casas sem reboco e ruelas.

Macri não é o candidato que representa os mais pobres na eleição. Nas camadas de eleitores com renda de até 5.000 pesos mensais ( R$ 1.300,00), ele perderia de lavada para o peronista Daniel Scioli , candidato de Cristina Kirchner.

Por isso, Macri passou por um banho de peronismo. Seu discurso voltado a princípios republicanos e respeito às instituições, girou para a proposta de programas sociais. Adotou a bandeira da “pobreza zero” e prometeu criar renda mínima para os mais velhos.

Antes feroz crítico das estatizações promovidas pelo kirchnerismo, passou a garantir que manteria o atual status da Aerolíneas Argentinas e da YPF e chegou a inaugurar uma estátua de Juan Domingo Perón, no centro de Buenos Aires , no dia 8 de outubro. ( F S P , 20.10.2015,p. A-10) .

Daniel Scioli, o candidato de Cristina tem 37% das intenções de voto, Maurício Macri , 26% e Sergio Massa, 20%.

Cristina indicou o vice da chapa e vários nomes para o futuro gabinete, mas Scioli já mostrou que sabe neutralizar as interferências indevidas.

A política populista continua firma, mesmo com a carência de recursos públicos. Contas de luz, gás e passagens de ônibus são subsidiadas. Desempregados e trabalhadores do setor informal embolsam um valor fixo mensal para cada criança em casa.

O PIB argentino está estagnado e deve continuar assim em 2016. A pobreza só aumenta , a inflação anual está em 23% e as reservas em dólar devem acabar no final do ano.

Dos 24 governadores, vinte são peronistas , mas não necessariamente cristinistas. A questão é saber o que bem depois do cristianismo. ( Revista Veja, 21.10.2015, p. 76-77) .

Sérgio Massa, o terceiro colocado subverteu uma lógica de campanhas. Não desapareceu como alternativa política. Fez isso se colocando como uma alternativa peronista, se oposição ao kirchnerismo.

É o candidato mais jovens dos três e tira votos peronistas de Scioli e rouba de Massa parte dos eleitores que querem mudança na política. ( F S P , 23.10.2015, p. A-11) .

A Argentina terá um segundo turno inédito na eleição presidencial, em 22 de novembro.

O governista Daniel Scioli, teve 36,86% dos votos, mas não conseguiu atingir os 40% e a vantagem de dez pontos necessários para encerrar a disputa no primeiro turno.

O opositor Maurício Macri, do Mudemos avançou e conseguiu 34,33% dos votos, e surpreendeu os analistas porque conquistou dez pontos entre os eleitores desde as eleições primárias de agosto e de um eleitorado anti-kirchner. ( F S P , 27.10.2015, p. A-12) .

Na província de Buenos Aires, onde estão 37% dos eleitores argentinos e bastião peronista, ganhou com 37% dos votos a advogada Maria Eugenia Vidal , do Mudemos , derrotando por cinco pontos o candidato governista , Anibal Fernandez , atual chefe de gabinete de Cristina Kirchner e um dos principais nomes do kirchnerismo. Cristina Kirchner forçou sua indicação , mesmo com acusações de envolvimento com narcotráfico e isso foi fatal para sua derrota. ( F S P , 27.10.2015, p. A-13) .

O grupo Frente para a Vitória, perdeu igualmente, com seus aliados, 26 cadeiras na Câmara dos Deputados e ainda será majoritário, mas virtualmente empatado com a soma de três forças oposicionistas ( 114 a 113) .

“Serei mais Scioli do que nunca”, prometeu o candidato Daniel Scioli, mostrando claramente que captou a mensagem do eleitorado no primeiro turno e por isso tentará se distanciar ao máximo da presidente Cristina Kirchner , cuja influência pode afetar seu desempenho na votação do domingo dia 25 de novembro e leva-lo à derrota.

O sociólogo Marcos Novaro confirma: “ Scioli está buscando o próprio caminho. Tem que convencer Cristina a ficar calada, a deixa-lo fazer a campanha que não pôde fazer antes. Ele têm que explicar quais são as coisas que ele quer melhorar no país”.

O terceiro colocado, Sérgio Massa diagnosticou: “ As pessoas deixaram claro que não querem continuidade. As pessoas votaram contra Cristina, contra La Cámpora e contra Fernández...Enquanto Scioli não for o líder de sua força política , ele não pode governar. Tem que deixar de ser empregado de Cristina”. Com isso ele mostra estar mais próximo de Macri, mas ainda não declarou apoio explícito a Macri: “ A Argentina precisa de mudança, mas não de qualquer mudança”. ( F S P , 29.10.2015, p. A-12) .

O kirchnerista Daniel Filmus , 60 , destaca as semelhanças entre a Argentina e o Brasil: ‘É algo parecido com o que ocorre no Brasil. Há uma nova classe média, portanto, novas demandas. A força política que quiser governar, precisará atende-las”. ( F S P , 28.10.2015, p. A-14) .

Decadência do Bolivarismo

A derrota de Cristina Kirchner nas eleições do dia 25 de outubro na Argentina, como assinala Clóvis Rossi, é a primeira que sofre a esquerda sul americana neste século, se se excluir a derrota da moderadíssima esquerda chilena em 2010.

Daniel Kerner do Eurasia Group afirma que, sem candidato do peronismo esquerdista, o segundo turno produzirá, ganhe quem ganhar , “um presidente que terá um enfoque mais favorável ao mercado”

A esquerda “bolivariana” sofreu a sua primeira derrota e deverá sofrer uma mais significativa em dezembro na Venezuela, se as manipulações feitas pelo governo de Nicolás Maduro fracassarem. ( F S P , 27.10.2015, p. A-16) .

Fica cada vez mais clara a exaustão das políticas econômicas bolivarianas.

Legado de Cristina

Há muita coisa a ser mudada com a saída de Cristina Kirchner:

Cristina aprofundou as relações com países bolivarianos: com Venezuela, Bolívia e com Rafael Correa. Deu prioridade ao Mercosul e Unasul e reforçou contados com Rússia, China e Irã. O kirchnerismo se notabilizou pela confrontação permanente com os grandes países capitalistas, o “imperialismo americano e inglês”.

Adotou políticas protecionistas , prejudicando Brasil e Uruguai.

Estreitou relações com a China aceitando capital chinês para mineração, petróleo e infraestrutura e até permitiu a construção de uma base de pesquisa especial pela China na Argentina.

Interviu no Indec, manipulando o cálculo da inflação que foi de 448% entre 2008 e 2014, mas que ficou em apenas 132% no órgão oficial .

Estatizou a Aerolíneas Argentinas ( 2008) e a petroleira YPF ( 2012), empresas que estão operando com prejuízo e cheia de aliados em suas diretorias como no Brasil.

Como no Brasil, garantiu seu apoio político com programas sociais como o Asignación Universal por Hijo, semelhante ao Bolsa Família no Brasil, , mas indicadores mostram que a pobreza está crescendo no país. Mas isso lhe garante mais de 50% de aprovação.

Tentou eliminar o grupo Clarín, mas não conseguiu.

A maconha foi descriminalizada e cresceu o tráfico de drogas e a violência na Grande Buenos Aires e nas províncias de Santa Fé e Córdoba.

A Argentina está fora do mercado internacional de crédito e suas reservas internacionais acabam em dezembro.

Com escândalos de corrupção ainda pendentes , envolvendo o empreiteiro Lázaro Baez e diárias suspeitas em hotéis dos Kirchner em El Calafate, a saída de Cristina da presidência pode fazer as investigações avançarem e comprometendo uma tentativa de volta ao poder em 2019. ( F S P, 24.10.2015, p. A-16/17) .

CHILE

A presidente Michele Bachelet anunciou o início do debate para reformar a Constituição do Chile. Após aprovar uma reforma tributária e propor mudanças no sistema educacional e nas relações de trabalho, Bachelet quer atualizar a constituição chilena, escrita e aprovada durante a ditadura de Augusto Pinochet ( 1973-1990).

Enquanto isso, no Brasil, Dilma Rousseff não faz reforma nenhuma porque sua única preocupação é salvar o seu mandato. ( F S P, 15.10.2015, p. A-13) .

CHINA

A China anunciou na dia 19 de outubro pequena redução no ritmo de crescimento de 7% para 6,9% de segundo para o terceiro trimestre de 2015.

Embora pequena, pressiona para uma redução generalizada nos preços dos combustíveis, alimentos e insumos e adia a decisão do Fed de aumentar os juros americanos. ( F S P , 20.10.2015,p. A-13) .

A China industrial está em leve desaceleração, mas a China como mercado de consumo , ainda não decolou, mas apresenta crescimento sólido ao longo dos últimos anos. A renda disponível das famílias está aumentando e isso vai refletir-se no consumo a médio prazo. ( F S P, 21.10.2015, p. A-20).

Mesmo com a desaceleração econômica, a China ultrapassou pela primeira vez os EUA em número de bilionários. São 596, contra 537 americanos. ( Revista Veja, 21.10.2015, p. 39) .

Pela sexta vez em menos de um ano, o banco Central da China cortou as taxas de juro e liberou os bancos do país para emprestar mais dinheiro, em uma iniciativa para conter a desaceleração do crescimento econômico.

No dia 23 de outubro foi anunciado que o PIB do país cresceu 6,9% no terceiro trimestre, a menor expansão desde 2009.

Por isso, o BC chinês reduziu a taxa de juros de referência em 0,5 ponto percentual, para 4,35% e cortou a taxa de compulsório em 0,50 ponto. ( F S P, 24.10.2015, p. A-23) .

Política de Filho Único

O Partido Comunista da China decidiu abolir a política do filho único vigente no país desde 1979 e permitir que casais tenham até dois filhos em decisão tomada em reunião de cúpula no dia 26 de outubro.

Estima-se que a medida tenha impedido o nascimento de 400 milhões de pessoas desde sua aplicação , mas agravou o problema do envelhecimento da população chinesa. Em 2007, havia seis adultos economicamente ativos para cada aposentado. Estima-se que até 2040 essa proporção caia para dois por um. A medida também aumentou a prática do infanticídio de meninas, devido à preferência por meninos. ( F S P , 30.10.2015, p. A-14) .

A medida terá efeito limitado a curto prazo pois custos de habitação e educação dificultam a opção por um segundo filho.

COLÔMBIA

Segundo o presidente da Colômbia, Juan Manoel Santos, o acordo de paz do governo com as Farc, será submetido à aprovação da sociedade.

“A população terá a oportunidade de dizer sim ou não. Não sou obrigado , legalmente, mas prometi desde o início e, sim, vamos submetê-lo quando estiver pronto”.

Santos calculou que o acordo de paz acelerará o crescimento do PIB em 1,5% nos próximos cinco anos seguintes, com a ocupação de metade do território do país, hoje dominado pela guerrilha. “ A agroindústria tem enorme potencial porque metade do país ainda é improdutiva”.

Santos negou impunidade. Segundo ele, quem confessar crimes será julgado pelo chamado sistema de transição e estará sujeito a penas de cinco a oito anos, e os que não colaborarem terão até 20 anos de “efetiva restrição da liberdade”.

Questionado se Rodrigo Londoño, o Timochenko, chefe das Farc, poderia disputar as eleições, Santos respondeu: “ Por que não? Só não acho que terá muitos votos”. ( F S P , 1.10.2015, p. A-15) .

A Colômbia terá que decidir como serão reintegrados á sociedade os 8.000 guerrilheiros que ainda estão na ativa.

O governo prevê gastar R$ 130 milhões em reparações a famílias de vítimas , reconstrução de infraestrutura e reintegração de famílias deslocadas pelo conflito.

Mais de 60% dos colombianos se opõem ao acesso de ex-guerrilheiros a cargos públicos. O país espera com o fim da guerra , favorecer a entrada de mais investidores e revitalizar a economia e o turismo, integrando as áreas que estavam tomadas pela guerrilha. ( F S P, 12.10.2015, p. A-11) .

O advogado Fernando Vargas que teve parentes e amigos mortos pela guerrilha afirma “ Esse diálogo de paz é uma mentira”.

O senador Alfredo Rangel , aliado de Uribe diz “ Eles assumirão a culpa e serão condenados a plantar alface em parquinhos. Você acha essa punição justa para quem cometeu massacres , sequestros e extorsão?. A paz não se pode dar a qualquer custo. É preciso que haja justiça verdadeira”.

Tanto Rangel, como Vargas defendem que a capitulação das Farc só será possível por aniquilação militar. Até mesmo ex-combatentes se dizem descrentes.

Nora Restrepo , que deixou as Farc há três anos afirma: “ A guerrilha fez coisas assombrosas. Por isso a sociedade não está preparada para perdoar , e nem todos da guerrilha estão preparados para pedir perdão”. ( F S P , 18.10.2015, p. A-20) .

Bogotá

A cidade de Bogotá que no início dos anos 2.000 era o símbolo do renascimento da Colômbia , referência em urbanismo e desenvolvimento , perdeu o encanto e se afunda em problemas que afetam a maioria dos 8 milhões de habitantes.

O lixo se amontoa até em áreas nobres. A maioria das ruas está esburacada ou sem pintura. Algumas vias do centro tem buracos tão grandes que obrigam os motoristas a avançar sobre as calçadas.

Há poucas vias expressas e os congestionamentos são diários. A cidade tornou-se uma das piores do mundo para dirigir. Sem metrô , nem bonde, o ônibus é a única opção de transporte coletivo.

Viciados perambulam por zonas centrais , onde drogas como o bazuco, similar ao crack, são vendidos à luz do dia, na frente da polícia. No parque Terceiro Milênio, cracolândia local, há áreas cobertas de excremento humano.

A esquerda comandou a prefeitura por doze anos e é apontada como culpada pela deterioração. Políticas sociais que resultaram em resultados equivocados, práticas corruptas, projetos inacabados ou concluídos de qualquer jeito levaram ao caos atual. No dia 25 de outubro serão realizadas eleições municipais. ( F S P , 13.10.2015,p. A-11).

Eleições municipais

O efeito Farc já está produzindo resultados. O partido do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos perdeu a eleição para as prefeituras de cinco das seis principais cidades do país nas eleições locais do dia 25 de outubro.

O Partido da Unidade Popular só ganhou em Barranquilla, no extremo oeste colombiano.

Em Bogotá, volta ao cargo Enrique Penalosa, prefeito conhecido por ter mudado a capital entre 1998 e 2000 que vai por fim a 12 anos de governo de esquerda desgastada devido à administração do ex-guerrilheiro Gustavo Petro, cuja candidata , Clara López, ficou em um humilhante terceiro lugar. ( F S P , 26.10.2015, p. A-12) .

Mas , a coalizão Unidade Nacional, liderada pelo presidente Santos, arrematou 28 dos 32 departamentos , alguns dos quais foram diretamente afetados pelo conflito entre Exército e guerrilha que se arrasta há 50 anos.

Com isso, o presidente terá forças para melhor execução e materialização dos acordos com a guerrilha.

O partido do ex-presidente Álvaro Uribe, que defende o uso da força contra a guerrilha perdeu todos os principais departamentos e municípios que disputava ,em uma derrota surpreendente.

Mas, o grande vencedor das eleições é o partido Câmbio Radical, de Vargas Lleras, vice-presidente que faturou três das maiores prefeituras do país: Cali, Barranquila e Bogotá e se credencia para a eleição presidencial de 2018, com voo próprio.

Lleras não deixou clara sua posição sobre o processo de paz, em um silencio estratégico que lhe permitirá sair por cima, tanto em caso de sucesso como de fracasso no diálogo. ( F S P , 27.10.2015, p. A-16) .

Exército de Libertação Nacional

Ao contrário das Farc , o Exército de Libertação Nacional continua na clandestinidade e na ofensiva.

No domingo , dia 25 de outubro, guerrilheiros atacaram com fuzis um comboio militar com cerca de 30 soldados que levava urnas contendo os votos de comunidades indígenas instaladas em uma área montanhosa de difícil acesso , a 250 km ao norte de Bogotá.

Cerca de 11 soldados e um policial morreram e dois soldados foram capturados pelos guerrilheiros. O ELN não assumiu o ataque, mas caso confirmado seria o mais letal contra a força pública desde o início dos confronto armados nos anos 1960.

O comandante do Exército da Colômbia, general Alberto Mejia, disse no dia 27 de outubro que os mandantes do ataque estão escondidos na Venezuela. São o chefe da ELN , Nicolás Rodrigues Bautista , conhecido como “Gabino” e seu círculo mais próximo . A ELN possui 3.000 combatentes armados.

O general não deixou claro se enxerga possível cumplicidade das autoridades venezuelanas com a guerrilha. ( F S P , 28.10.2015, p. A-19) .

CORÉIA DO NORTE

“Estamos preparados para combater em qualquer tipo de guerra provocada pelos imperialistas americanos “ Kim Jong-Un. ( Revista Veja, 21.10.2015, p. 46) .

CORPORATIVISMO

Para o economista americano Edmund Phelps, Prêmio Nobel de Economia de 2006, a grande batalha do nosso tempo não é mais entre o capitalismo e o socialismo, mas entre os valores modernos da livre-iniciativa e da inovação, e os valores reativos do corporativismo.

No lugar da competição, o corporativismo prefere a coordenação e o controle da atividade econômica. Isso cria vínculos fortes entre o Estado e o setor empresarial, de forma que boa parte da atividade econômica depende de negociações com o governo e não da lógica do mercado.

É o Estado que decide qual setor deve ou não crescer em determinado momento, lançando mão de subsídios, incentivos fiscais e empréstimos - em geral, para aqueles que conseguem se organizar melhor em defesa dos seus interesses , ou simplesmente gritar mais alto.

Outro valor fundamental do corporativismo é a proteção social. Proteção para empresas , que conquistam reserva de mercado e não precisam se preocupar em melhorar seus produtos obsoletos, o que é devastador para a inovação.

E a proteção para os diversos grupos sociais que abocanham uma fatia da riqueza produzida pelo país graças a políticas redistributivistas.

No corporativismo, a tributação é sempre elevada, para permitir que o Estado ofereça um quinhão para todos. É um sistema que trabalha sempre para manter a ordem estabelecida, em termos econômicos, o que significa matar pela raiz os incentivos à inovação e a busca da competividade.

O corporativismo nunca rejeitou a propriedade privada, desde que houvesse uma medida considerável de controle da atividade econômica pelo Estado ou pela sociedade.

Do ponto de vista prático, o socialismo está acabado. A propriedade estatal dos meios de produção , que é um dos pilares do sistema, não é mais uma alternativa levada a sério. ( Revista Veja, 21.10.2015, p. 17-21).

DRONES

Documentos vazados do Pentágono, mostram que apenas 10% dos mortos nos ataques de aeronaves não tripuladas no Afeganistão , no Iêmen e na Somália eram de fato alvo dos americanos. ( Revista Veja, 21.10.2015, p. 39) .

ESPANHA

A crise econômica que deixou multidões de desempregados na Espanha está provocando um fenômeno curioso. O rejuvenescimento de dezenas de vilarejos que ficaram esvaziados com a migração de sua população para outros núcleos urbanos.

Cerca de 3.000 povoados foram esvaziados e agora começam a receber pessoas em busca do recomeço a um custo menor.

A ONG Abraza la Tierra, conecta regiões despovoadas a potenciais povoadores, e instalou 1.255 pessoas em vilas despovoadas entre 2007 e 2014. A ONG busca pessoas de perfil empreendedor , que possam trabalhar à distância.

Mas o repovoamento também está se dando de forma espontânea porque há menos impostos e terra disponível para cultivo. ( F S P , 20.10.2015,p. A-12) .

As mulheres estão avançando na Espanha. A taxa de desocupados caiu de 24,2% para 22,4% de agosto de 2014, para agosto de 2015. Mas, antes da crise, 76% dos homens entre 15 e 64 anos estavam desempregados e 54 % das mulheres. Em 2014 esse percentual caiu para 61% e 51% respectivamente. ( Revista Exame, 28.10.2015, p. 91).

EUA

EMPREGO

A criação de postos de trabalho voltou a frustrar expectativas nos EUA , esfriando os ânimos quanto à esperada elevação dos juros do país, ainda em 2015.

Em setembro, houve um saldo de 142 mil vagas ,resultado pouco mais que suficiente para atender apenas aquelas pessoas que estão ingressando agora no mercado de trabalho.

A taxa de desemprego se manteve em 5,1% , nível próximo ao considerado de pleno emprego ( 5%), mas outros indicadores acompanhados pelo Fed ainda preocupam.

O número de pessoas trabalhando em meio período porque não encontram emprego em jornada integral aumentou em 160 mil de agosto para setembro. O número de postos gerados em agosto foi reduzido de 173 para 136 mil.

De janeiro a setembro de 2015, a média de acréscimo mensal de vagas está em 198 mil , contra 260 mil em 2014. O esfriamento da economia global, em especial a desaceleração chinesa , reduzem as exportações e afeta a confiança no mercado, refletindo no mercado de trabalho.

Por isso, para alívio do Brasil, elevação da taxa de juros em outubro já está descartada e pode nem ocorrer em dezembro. ( F S P, 3.10.2015, Mercado2, p. 3).

Fed

O Fed desistiu de aumentar os juros em outubro. Integrantes decidiram que é melhor esperar por evidências de que a desaceleração da economia global não está tirando os EUA dos trilhos.

Outro ponto, por incrível que possa parecer é a inflação ainda baixa, 0,2% em agosto, enquanto a meta do BC é um índice perto de 2%, ou seja o contrário do que está acontecendo no Brasil.

Um dos motivos para a baixa inflação nos EUA é a queda nos preços das commodities , especialmente do petróleo, que sofrem com a desaceleração chinesa. Outra preocupação são as turbulências no mercado financeiro chinês em agosto e suas repercussões na economia global.

Com tudo isso, é provável que a decisão pelo aumento dos juros fique para o início de 2016. O BC tem ainda encontros em outubro e dezembro de 2015. ( F S P , 9.10.2015, p. A-19) .

Segundo o “Livro Bege”, documento que reúne dados regionais do Fed, em alguns mercados, houve escassez de empregos , em particular para trabalhadores qualificados.

Os preços permaneceram relativamente estáveis em todo o país, embora algumas regiões tenham relatado queda em preços de energia e outros insumos.

A expansão modesta do mercado de trabalho americano não foi suficiente para elevar os salários e a pressão inflacionária modesta, explicam a decisão do Fed de não elevar os juros em 2015. ( F S P, 15.10.2015, p. A-24) .

Para o economista Paul Krugman, Prêmio Nobel , “ O cenário necessário para a alta de juros simplesmente não existe agora. Não ficaria surpreso se levasse mais tempo do que todos esperam. Dada a fraqueza da economia global, pode ser que uma boa parte do ano se passe sem que haja um aumento, talvez até mais do que isso”. ( F S P , 19.10.2015, p. A-10) .

A Fed em 28 de outubro manteve a taxa básica nos EUA praticamente zerada , mas deus sinais mais claros de que a primeira alta da taxa em nove anos pode acontecer na próxima reunião, em dezembro.

A preocupação com a economia global foi minimizada e o Fed disse que na reunião de dezembro vai analisar se houve progresso na obtenção de sua meta de pleno emprego ( ou seja, desemprego em torno de 5%) e de inflação próxima a 2%. ( F S P , 27.10.2015, p. A-17) .

PIB

O PIB dos EUA cresceu 1,5% na taxa anualizada no terceiro trimestre, bem menos que os 3,9% de abril a junho. ( F S P , 30.10.2015, p. A-25) .

FRANÇA

A Air France vai cortar quase mil postos de trabalho em 2016. Parte do corte será composto de demissões voluntárias. Diretores da empresa foram agredidos por sindicalistas no dia 12 de outubro. ( F S P , 19.10.2015, p. A-15) .

IÊMEN

Um hospital iemenita dirigido pelo grupo de ajuda humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF), foi atingido por um ataque aéreo liderado pela Arábia Saudita e várias pessoas ficaram feridas , mas não há registro de mortos.

Os houthis , grupo aliado do Irã, ainda controlam a capital , Sanaa. Mais de 5.600 pessoas já morreram em confrontos no país. ( F S P , 28.10.2015, p. A-20) .

IMIGRANTES

Número crescente de imigrantes

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), informou no dia 27 de outubro que 705.200 imigrantes e refugiados chegaram à Europa em 2015. Mais de 3.210 morreram na tentativa de alcançar o continente.

A maioria , ( 562.344, ou seja, 64%), desembarcou no litoral da Grécia . A Itália recebeu cerca de 140 mil.

A situação tende a piorar. Uma nova onda de refugiados procedentes de Aleppo no norte da Síria teve início com os bombardeios das aviação russa.

Em outubro, 170 mil imigrantes chegaram à Europa pelo Mediterrâneo, contra menos de 40 mil em outubro de 2014.

Mais de 160 mil chegaram à Grécia a partir da Turquia . Deste total, mais de 99 mil desembarcaram na ilha de Lesbos, 22 mil em Quios, 21,5 mil em Samos e 7.500 em Leros. A Itália recebeu apenas 7.230 imigrantes em outubro , mostrando claramente que agora a preferência é por entrar pela Grécia.

Do total de pessoas que chegaram à Europa pelo mar, 65% eram homens, 14% mulheres e 20% crianças. Mais da metade saiu da Síria. Afeganistão e Iraque são os outros dois principais países de origem dos imigrantes.

Além destes três países , há migrantes da Eritreia, da Nigéria, do Paquistão, da Somália, do Sudão, de Gâmbia e de Bangladesh.

O fluxo não mostra nenhum sinal de diminuir. Só no sábado dia 24 de outubro , chegaram à Grécia 5.239 pessoas e no domingo dia 25, mais 4.199 . ( F S P , 28.10.2015, p. A-18) .

Conferência na ONU

Na Turquia, há cidades com mais sírios do que turcos. Cerca de 66 mil bebês sírios nasceram no país nos últimos anos e centenas de milhares de crianças demandam vagas nas escolas.

São 2 milhões de refugiados que tentam recomeçar a vida no país vizinho, num processo que custaria US$ 7,5 bilhões, mas que arrecadou até agora, 5% do total.

A situação foi exposta pelo premiê turco , Ahmet Davutoglu , em reunião sobre o tema, na Assembleia Geral da ONU no dia 30 de setembro.

Países “inundados” pela crise de refugiados relatam números crescentes e cobram uma resposta mais coordenada dos países desenvolvidos.

A chanceler da Croácia, Vesna Pusic, disse que 85 mil pessoas chegaram ao país nas últimas duas semanas. Em picos, são 15 mil por hora.

A ministra tocou na questão central do problema: cotas não resolvem: é preciso “ focar em como parar a guerra na Síria , e tem que ser neste ano”.

A Hungria sugeriu um limite de refugiados por país e o chanceler húngaro , Peter Szijarto, declarou ser injusto que a Europa receba tantos refugiados.

Os EUA lavaram as mãos na reunião. A embaixadora Samantha Power afirmou: “ Precisamos de novos países, que não tem a tradição de acolher imigrantes, que o façam”.

O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, cobrou maior colaboração da comunidade internacional, inclusive financeira.

O vice-premiê da Sérvia, Ivica Dacic, disse que seu país não pode resolver o problema sozinho. ( F S P , 1.10.2015, p. A-16) .

A questão é que a guerra na Síria tem que acabar e o Estado Islâmico ser esmagado. Isso só é possível se os Estados Unidos pararem de querer tirar Assad do poder, pois já ficou claro que ele tem força suficiente para resistir aos insurgentes.

Líbia

Segundo o Crescente Vermelho, corpos de pelo menos 98 migrantes foram encontrados na costa da Líbia de 29 de setembro a 03 de outubro. Cerca de 85 cadáveres estavam perto da capital Trípoli e outros dez perto de Sabartha, cidade costeira que é um dos principais portos de saída de barcos que tentam chegar clandestinamente à Europa pelo mar Mediterrâneo. ( F S P , 5.10.2015, p. A-1) .

Grécia

A colisão entre um navio da Guarda Costeira grega e um barco de refugiados , provocou a morte de sete pessoas, incluindo um bebê e três crianças , na ilha grega de Lesbos, no dia 15 de outubro.

O barco de madeira carregava 38 pessoas e 31 foram resgatadas pelas autoridades gregas. (F S P , 16.10.2015, p A-15) .

Áustria

O governo da Áustria, avalia construir uma cerca ao longo da fronteira com a Eslovênia para conter o crescente fluxo de imigrantes.

A Alemanha criticou a Áustria no dia 28 de outubro, por levar migrantes e refugiados à fronteira entre os dois países durante a noite, sem aviso prévio. ( F S P , 29.10.2015, p. A-13) .

Alemanha

A Alemanha disse que muitos dos migrantes e refugiados afegãos que buscam acolhimento no país, provavelmente serão deportados. ( F S P , 29.10.2015, p. A-13) .

Eslovênia

A Eslovênia anunciou no dia 28 de outubro que está preparada para fazer uma cerca ao longo da fronteira com a Croácia.

A rota dos imigrantes mudou da Hungria para a Eslovênia, após o governo húngaro ter concluído a construção de uma cerca nas fronteiras com a Sérvia e com a Croácia, em setembro. ( F S P , 29.10.2015, p. A-13) .

INFLAÇAO

Em vários países do mundo o problema que assusta os governos não é a inflação, mas o contrário, a deflação.

Nos 12 meses encerrados em setembro, a inflação norte-americana foi zero. Na zona do euro, os preços tiveram queda de 0,1%, mas na Espanha foi de -1,10% , na Grécia, -0,8%, na Suíça de -0,5% e na Alemanha , de -0,2%.

A redução dos preços faz com que os consumidores adiem compras , na expectativa de que no futuro , possam comprar mais. Com isso, cai a demanda e a receita das empresas, que deixam de investir e contratar.

Aumentam o desemprego e os cortes nos salários e o pagamento de dívidas fica mais difícil porque o valor das dívidas não diminui.

O Japão enfrenta um processo deflacionário crônico desde o início dos anos 1990. ( F S P, 22.10.2015, p. A-25) .

IRÃ

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse no dia 13 de outubro que o Irã provavelmente violou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU ao fazer teste com um míssil teleguiado de longo alcance. O assunto não integra o acordo nuclear assinado em julho e que foi homologado pelo Parlamento do Irã no dia 13 de outubro. ( F S P, 14.10.2015, p. A-10) .

Os EUA e a Europa, começaram formalmente no domingo dia 18 de outubro a preparar a suspensão das sanções contra o Irã.

O Irã relatou à Agência Internacional de Energia Atômica que vai aplicar o protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, etapa prevista no acordo. As sanções serão suspensas caso o Irã desmonte grande parte de sua estrutura nuclear. ( F S P , 19.10.2015, p. A-8) .

IRAQUE

Estado Islâmico

O Estado Islâmico confirmou no dia 13 de outubro que um de seus principais líderes, Abu Mufz al-Qurashi, foi morto num ataque aéreo. Ele era o número 2 da facção. ( F S P, 14.10.2015, p. A-11) .

ISRAEL

A tensão entre palestinos e israelenses tem a ver com questões religiosas. Os palestinos se irritam com o fato de que um número crescente de judeus tem subido para o Monte do Templo para rezar em volta da mesquita de Al-Aqsa e do Domo da Rocha.

Esses locais de culto foram construídos em cima das ruínas do Segundo Templo , o lugar mais sagrado para os judeus. Em acordo firmado em 1967, quando as tropas de Israel conquistaram a cidade, fez-se uma divisão geográfica da reza.

Os judeus só poderiam orar embaixo, no Muro das Lamentações , uma parede que restou do Segundo Templo, e os muçulmanos ficariam com a parte de cima.

O problema é que nos últimos anos , esta regra passou a ser desobedecida. Todos os dias cinquenta judeus sobem em grupos para o entorno das mesquitas e rezam inclinando a cabeça para a frente e dançam levemente com o corpo.

Para os muçulmanos, ver judeus rezando ao lado de fora da mesquita Al-Aqsa, a terceira mais importante da religião é uma afronta. Mas rabinos incentivam e 57% da população israelense não vê problemas nesta prática porque cultiva valores democráticos. Integrantes do Parlamento e do governo Netanyahu tem participado dessas rezas fortuitas.

No dia 13 de setembro, palestinos entraram em confronto com policiais israelenses no local.

No dia 1º de outubro, palestinos atropelaram e mataram dois israelenses diante de seus 4 filhos em Al Bireh, na Cisjordânia, dando início a uma onda de atentados.

Muhamad Halabi, um palestino de 19 anos matou dois israelenses a facadas e feriu gravemente uma mulher e uma criança pequena , tomou uma arma de um dos feridos e fez disparos contra policiais e turistas e foi morto pela policia na Cidade Velha de Jerusalém no sábado dia 3 de outubro.

O grupo Hamas, descreveu o ataque de Halabi como “heroico”. ( F S P, 4.10.2015, p. A-15) .

Por isso, Israel decidiu no dia 4 de outubro fechar a Cidade Velha aos palestinos, durante 48 horas. É a primeira vez que essa medida é tomada. ( F S P , 5.10.2015, p. A-11) .

Halabi antes, havia anunciado em rede social “ A terceira intifada está aqui”. Cresce o temor de uma nova intifada. A quantidade de ataques a israelenses por palestinos tem crescido em Jerusalém e na Cisjordânia. Há também muito mais protestos, muitos com pedras e coquetéis molotov.

O detonador da tensão ocorreu no dia 13 de setembro, quando jovens palestinos entraram em confronto com policiais israelenses na Cidade Velha de Jerusalém nos distúrbios mais violentos da última década.

Os policiais invadiram a Esplanada das Mesquitas onde fica a mesquita de al-Aqsa, terceiro local mais sagrado para o Islã , enquanto palestinos jogavam pedras e coquetéis molotov contra as tropas de dentro do templo.

Mahmmoud Abas tentou acalmar os ânimos: “ Todas as instruções a nossas agências de segurança , facções e juventude têm sido de que não queremos uma escalada”.

O governo israelense diz se tratar apenas de uma onda de violência, mas não uma intifada. ( F S P, 7.10.2015, p. A-9) .

Três novos ataques contra israelenses foram registrados no dia 7 de outubro na Cisjordânia, em Jerusalém Oriental e no sul de Israel.

No início da manhã, uma palestina atacou com uma faca um civil israelense na Cidade Velha de Jerusalém. O homem reagiu com uma arma e ela foi levada ferida a um hospital, sob custódia policial.

No início da tarde, um palestino esfaqueou um soldado em Kiryat Gat, no sul de Israel. Depois de ser perseguido pela policia ele foi morto pelos agentes, em um prédio residencial próximo.

Horas depois, outro homem palestino vindo de Hebron, na Cisjordânia, atacou um israelense fora de um shopping em Petaj Tikua , perto de Tel Aviv. A vítima ficou gravemente ferida e o criminoso foi preso pela polícia. ( F S P , 8.10.2015, p. A-17) .

No dia 8 de outubro, houve pelo menos quatro atentados de palestinos contra israelenses com facas e outros objetos cortantes em Jerusalém, Kiuryat Arba( Cisjordânia), e em cidades israelenses distantes dos territórios palestinos , como Tel Aviv e Atula.

Em um deles, um palestino foi morto após ferir quatro israelenses com uma chave de fenda diante do maior shopping de Tel Aviv.

A onda de ataques causou pânico entre os israelenses. A associação de Pais e Alunos de Jerusalém começou uma greve para exigir que a prefeitura coloque guardas em todas as escolas e creches da parte judaica da cidade. ( F S P , 9.10.2015, p. A-10) .

No dia 9 , a onda de violência chegou á Faixa de Gaza. Ao menos seis pessoas morreram e mais de 80 se feriram em confrontos em dois pontos da divisa.

Após as orações de meio-dia da sexta, dia sagrado para os muçulmanos, a batalha começou. Pouco antes da cerimônia religiosa, o líder do grupo radical Hamas, Ismail Haniyeh , jogou gasolina na fogueira e convocou seus seguidores para uma nova “intifada”.

“Este é o único caminho que nos levará à libertação. Gaza ocupará seu espaço na Intifada de Jerusalém e está mais que pronta para o combate”. A declaração de Haniyeh deixa claro que a liderança do Hamas tem total responsabilidade na escalada da violência e nas mortes de palestinos.

O presidente da Autoridade Palestina , Mahmmoud Abbas , e as Brigadas al-Aqsa, principal força de apoio do Fatah de Abbas , descartaram um conflito das dimensões das intifadas anteriores.

Horas depois ,centenas de palestinos chegaram a dois postos de controle de Israel no leste de Gaza, que estavam com a segurança reforçada , e começaram a atirar coquetéis molotov e pedras contra os soldados que responderam com munição letal.

Os seis mortos são um adolescente de 15 anos e cinco jovens de 19 a 21 anos. Outras 60 pessoas ficaram feridas em atos contra Israel na Cisjordânia e em Jerusalém.

Antes dos confrontos, houve novos casos de palestinos que tentaram esfaquear judeus. Na madrugada, um homem foi morto após atingir um policial com faca num assentamento judaico da Cisjordânia. Horas depois, uma palestina foi gravemente ferida depois de ser baleada por policiais por tentar atingir um militar no sul de Israel.

Extremistas judeus reagiram. No dia 9 quatro árabes foram atacados por um radical judeu de 17 anos em Dimona.

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu , condenou os ataques de ambos os lados , e disse que qualquer pessoa que empregar violência será julgada. ( F S P , 10.10.2015, p. A-13) .

No dia 10 de outubro, pelo menos três palestinos foram mortos a tiros por policiais israelenses em Jerusalém.

Militares mataram um militante palestino que abriu fogo contra eles durante conflitos no campo de refugiados palestinos Shuafat, em Jerusalém Oriental.

Um dos mortos, de 16 anos, esfaqueou dois judeus ultraortodoxos na Cidade Velha de Jerusalém. Outro palestino esfaqueou três policiais , um deles gravemente ferido, e também foi baleado.

Na fronteira com a faixa de Gaza, palestinos queimaram pneus e atiraram pedras em soldados de Israel. ( F S P , 11.10.2015, p. A-14) .

No dia 11, a polícia de Israel registrou mais duas pessoas esfaqueadas na cidade de Hadera, norte do país , agredidas por um palestino que foi detido.

A menina palestina Rahad Hassan e, e sua mãe, que estava grávida de cinco meses, foram enterradas após serem mortas em um ataque aéreo israelense na faixa de Gaza. ( F S P, 12.10.2015, p. A-10) .

Israelenses e palestinos sentem o aumento da sensação de insegurança. Os palestinos , incluindo os que tem cidadania israelense, veem a piora de suas já difíceis relações com as autoridades de Israel.

Na loja de armas Krav Maga, no bairro de Talpiot em Jerusalém, o movimento aumentou muito. A maior procura e por pistolas , a austríaca Glock e a brasileira Taurus, com preço mínimo de US$ 4.000 . ( Revista Veja, 28.10.2015, p. 65) .

Aumentaram os controles militares que interrompem a rotina de quem precisa se deslocar na região, além da repressão a protestos na Cisjordânia.

As pessoas estão com medo de andar na Cidade Velha de Jerusalém, com a sensação de que podem ser atacadas sem razão nenhuma.

No dia 12, dois palestinos de 13 e 15 anos esfaquearam um israelense de 13 em sua bicicleta , no norte de Jerusalém . A polícia reagiu e o de 15 foi morto a tiros.

Existe um “toque de recolher informal” em áreas palestinas, onde moradores evitam sair às ruas à noite com receio de serem alvos de ataques retaliatórios de colonos ou de soldados israelenses. Desde o início de outubro já são quatro israelenses e 26 palestinos mortos em embates. ( F S P , 13.10.2015,p. A-9).

O dia 13 foi o “dia de fúria”, organizado por grupos palestinos. Dois homens invadiram um ônibus em Jerusalém e deixaram ao menos 16 feridos e dois mortos, incluindo um homem de 78 anos. Um dos agressores foi morto e o outro ferido.

Em outra ação praticamente simultânea, um homem lançou seu carro contra um ponto de ônibus de Jerusalém e começou a esfaquear pessoas que estavam no local. Ao menos um israelense foi morto e cinco pessoas se feriram. O palestino Ala Abu Jamal que matou um judeu ultraortodoxo no bairro de Mea Shearim e esfaqueou um rabino após o atropelamento morreu em 14 de outubro.

Os agressores eram de Jerusalém Oriental, território ocupado por Israel em 1967. O Hamas chamou os ataques de “heroicos”.

Na fronteira entre Gaza e Israel jovens palestinos atiraram pedras e pneus em chamas contra soldados de Israel.

Na Cisjordânia, segundo o Crescente Vermelho palestino, 329 pessoas sofreram algum tipo de ferimento em choques com forças israelenses, e um palestino de 20 anos foi morto perto de Belém. A cidade decretou greve geral de um dia no dia 14. ( F S P, 14.10.2015, p. A-11) .

Clovis Rossi destaca que esses jovens palestinos que estão esfaqueando judeus por todos os lados são os “filhos de Oslo”.

São filhos de um acordo fracassado que como lembra a jornalista Amira Hass “ não lhes deu o Estado que lhes fora prometido” e como se fosse pouco , ainda enfrentam um desemprego juvenil que beira os 40% no conjunto da Palestina.

São parte de uma geração “ que amadureceu sem esperanças de um futuro melhor” , como escreveu Elhanan Miller, repórter do “The Times of Israel”.

No lugar da esperança, brotou o ódio. “Uma geração da qual muitos estão cheios de ódio e tão convencidos do imperativo de matar que nenhuma outra consideração – incluindo a probabilidade de que morrerão no ato – impede que procurem matar judeus”, como descreve David Horovitz.

“São dois povos com reinvindicações sobre esta terra ensanguentada. Nenhum deles de irá dela”. Ou seja, sem um processo de paz crível, mais sangue irá correr. ( F S P, 15.10.2015, p. A-13) .

As autoridades de Israel começaram a instalar no dia 14 de outubro , postos de controle nos acessos a bairros palestinos de Jerusalém Oriental para conter a violência entre palestinos e israelenses na região

A decisão do gabinete de segurança, permite que a polícia imponha toques de recolher e feche bairros considerados “ centros de atrito e incitação à violência.” A instalação de postos de controle dificulta a vida cotidiana , como o acesso à escola e aos locais de trabalho. O objetivo é verificar quem entra e quem sai.

No dia 14, em Jerusalém, um homem armado com um punhal atacou uma mulher perto da estação central de ônibus, ferindo-a. Um agente atirou contra o agressor quando ele tentava fugir do local embarcando em um ônibus e o matou.

Outra tentativa de esfaqueamento foi frustrada pela polícia em frente ao portão de Damasco, uma das principais entradas da Cidade Velha de Jerusalém. O agressor foi morto ao tentar atacar as forças de segurança

O ministro da Segurança Interna de Israel, Glad Erdan, disse no dia 14 que os corpos dos agressores palestinos mortos não serão devolvidos às suas famílias porque os cortejos fúnebres desses assassinos se transformam em “ato de apoio ao terro e de incitação ao assassinato”.

Como medidas adicionais, Israel demolirá as casas das famílias dos autores, revogará as permissões de residência dos envolvidos . Em geral estas medidas , já tomadas em ondas de violência no passado , provocam mais revolta entre os palestinos. ( F S P, 15.10.2015, p. A-12) .

Para o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, “Na maioria dos casos a resposta aos ataques terroristas tem sido rápida. Segundo, estamos numa guerra de Sísifo contra o incitamento. Infelizmente, líderes palestinos incitam seu povo através de mentiras para que os jovens saiam para cometer atentados. Mas vamos passar por essa onda e sair dela mais fortalecidos...

Boa parte dos terroristas aqui em Israel foi neutralizada, nos últimos anos, por cidadãos que estavam por perto: profissionais de segurança, gente que serviu ao Exército em unidades de combate, reservistas. São todos habilidosos com armas e conhecem situações de combate. Quando aparece alguém com uma faca para matar inocentes, cidadãos assim sabem o que fazer no mesmo nível que policiais...

A instrução, como em todo o mundo , é, se o ataque está acontecendo, matar o terrorista para evitar mais vítimas. Se ele abandonar a faca, então deve-se apreendê-lo e leva-lo à Justiça . A ética e a moral dos policiais israelenses são altos”. (F S P , 16.10.2015, p A-14) .

Palestinos incendiaram no dia 16 de outubro o túmulo do patriarca bíblico José , perto de Nablus , na Cisjordânia.

O Túmulo de José é um local venerado por seguidores do judaísmo, do cristianismo e do islamismo. Desde que Israel ocupou a Cisjordânia em 1967, a visita de judeus ao templo é protegida pelo Exército Israelense , e o acesso de muçulmanos é restringido.

Cerca de cem pessoas invadiram o local e foram retiradas por forças de segurança israelenses, mas antes, incendiaram partes do templo, mas a sepultura em si, ficou intacta.

Na Cisjordânia, em mais um “dia de fúria” um palestino vestindo um colete de imprensa feriu a facadas um soldado israelense perto de Hebron e foi baleado e morto em seguida por outros militares.

Outros três jovens foram mortos por soldados israelenses um na Cisjordânia e dois na Faixa de Gaza. ( F S P , 17.10.2015, p. A-20) .

Quatro palestinos foram mortos no dia 17 de outubro. Um dos mortos é um palestino de 16 anos que tentou agredir policiais com uma faca após ser abordado pela vigilância de fronteira.

Em outro caso, próximo a um assentamento judaico em Hebron, uma palestina de 17 anos foi morta após ferir na mão um policial de fronteira.

Outro homem foi morto por um civil perto de um assentamento judaico que reagiu a um ataque. Testemunhas palestinas dizem que ele foi atacado por colonos.

Uma das mortes ocorreu em situação não esclarecida. Um quinto palestino ficou gravemente ferido. ( F S P , 18.10.2015, p. A-21) .

O que está ocorrendo na região é uma guerra de versões. Cada um dos lados vê as coisas segundo seus interesses políticos e estigmas do outro lado. Cada campo culpa o outro e se vê como vítima.

No dia 9 de outubro, a cidadã árabe-israelense Asra’a Zidan Abed, 30 foi filmada com as mãos para o alto na rodoviária de Afula, no norte de Israel.

Para os israelenses , ela estaca com uma faca, ameaçando civis aos gritos de “ sou terrorista”. Apesar das ordens dos policiais, não largou a arma e foi alvejada nas pernas e foi levada para o hospital.

Para os palestinos, ela teria distúrbios mentais e só tinha um par de óculos na mão. Cada lado viu as imagens de seu ponto de vista, sobretudo nas redes sociais. Felizmente ela não morreu.

No dia 18 de outubro, ao menos um soldado israelense foi morto e 11 pessoas ficaram feridas em decorrência do ataque de um palestino contra a estação de ônibus de Beersheba, no sul de Israel. Um refugiado da Eritréia, que estava no local , também foi ferido, alvejado por agentes de segurança israelenses, depois de ser confundido com um agressor. Infelizmente , Heptom Zerhom, 29 morreu no hospital em decorrência dos ferimentos.

Binyamin Netanyahu disse que os linchadores serão identificados e levados á Justiça. “ Somos um país que respeita leis, e ninguém tem o direito a aplicar suas próprias leis. Mesmo que fosse um terrorista. Depois que ele já foi atingido, neutralizado, está no chão – você precisa ser um animal para agredi-lo”. Imigrantes africanos dizem ser comum a discriminação em Israel. Milhares de eritreus solicitaram asilo no país. ( F S P , 20.10.2015,p. A-11) .

O palestino, Muhanad Jaleel Uqbi, 21, invadiu o recinto, matou um soldado, apossou-se de seu fuzil e passou a atirar nas pessoas que ali estavam, ferindo nove. Foi morto pela polícia.

Também dezenas de israelenses que visitavam na Cisjordânia o túmulo de José, que foi incendiado no dia 16, foram atacadas por palestinos antes de uma ação do Exército que retirou todos do local. Não houve vítimas. ( F S P , 19.10.2015, p. A-8) .

Soldados do Exército Israelense prenderam em 20 de outubro, Hasam Yusef, um dos principais líderes do Hamas em Beitunia , ao sudoeste de Ramallah.

Um motorista de caminhão israelense morreu no dia 20 ao atacar o caminhão de um palestino e ser atropelado , na Cisjordânia.

O caminhão de Abraham Aser Chasno foi alvo de pedradas perto do campo de refugiados palestinos de Al-Fawar, na região de Hebron. Ele saiu do caminhão e passou a bater nos veículos dos palestinos com um pedaço de pau, bateu no caminhão do palestino , foi atropelado e morreu. O palestino disse que o atingiu acidentalmente, ao tentar desviar. ( F S P, 21.10.2015, p. A-16).

No dia 21, uma palestina de 15 anos foi ferida a bala por soldados após se apresentar com uma faca. À noite, quatro israelenses foram atropelados por um palestino , que depois foi alvejado por soldados. ( F S P, 22.10.2015, p. A-20) .

A atual onda de violência está sendo chamada de “intifada das facas”. Os atentados e protestos estão sendo levados a cabo por jovens sem liderança, alguns com apenas 12 anos.

Esses jovens compartilham a sensação de que não são representados por ninguém , nem pelos pelo Hamas , e se inspiraram no exemplo dos “lobos solitários” e segundo o general aposentado Yaakov Amidror, “ Alguns dos palestinos que cometeram atentados com faca e sobreviveram dizem claramente que se inspiraram nos vídeos do EI na internet. Eles acham que essa organização terrorista tem tido sucesso contra as potências mundiais e pensam em fazer o mesmo contra Israel”.

Há uma crescente insatisfação com a Autoridade Palestina , criada pelo Acordo de Oslo em 1993 , que não realiza eleições desde 2005 e é considerada corrupta e ineficiente pela grande maioria.

Os líderes de todas as facções da elite palestina , ou incentivam os atos, ou simplesmente se omitem. Ou seja, não tem nenhum controle sobre esse processo.

Diante da possibilidade de serem atacados pelas costas em qualquer lugar , os israelenses estão se protegendo e fazendo o que é permitido pois a orientação dada pelas autoridades é que os cidadãos devem aniquilar qualquer suspeito de terrorismo e atacar um civil com faca é ato de terrorismo. ( Revista Veja, 28.10.2015, p. 64-70) .

Palestino e o Holocausto

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu fez uma declaração polêmica em Berlim.

Disse que Haj Amin Al-Husseini, grão-mufti de Jerusalém, entre 1921 e 1937 , orientou Hitler quando esteve em Berlim em 1941.

“Hitler não queria exterminar os judeus àquela época, queria expulsá-los. E al-Husseini disse a ele: ‘ Se você expulsá-los , eles virão todos para cá [ território palestino]’ Queime-os “.

Esse diálogo, da forma citada por Netanyahu, não está nos registros do encontro. Ele afirmou ainda : “ Eu não tive a intenção de absolver Hitler, mas de mostrar que o pai da nação palestina queria destruir os judeus mesmo sem haver ocupação”.

Dina Porat, principal historiadora do Yad Vashem, museu sobre o Holocausto de Jerusalém, disse que “Embora tivesse posições antissemitas extremas, não foi o mufti que deu a Hitler a ideia de exterminar os judeus. A ideia foi muito anterior ao encontro entre eles. Em um discurso no Parlamento em 30 de janeiro de 1939, Hitler já menciona ‘um extermínio da nação judia’”.

Angela Merkel disse que a responsabilidade pelo Holocausto é alemã: “ Não vemos nenhuma razão para mudar nossa visão sobre a história, especialmente sobre esta questão”.

Até o ministro de Defesa de Israel , Moshe Yaalon, rechaçou a fala: “ Certamente não foi [Husseini] que inventou a ‘solução final’. Foi uma ideia maligna do próprio Hitler”. ( F S P, 22.10.2015, p. A-20) .

Realmente não foi Husseini que convenceu Hitler. Como dito, Hitler já havia explicitado seu pensamento sobre os judeus no 4°capítulo de Mein Kampf : " Da mesma forma que a raposa não se comporta filantropicamente com os gansos ou o gato com o rato, o ariano não deve ter qualquer piedade para com as raças inferiores ou misturar-se a elas "..." O judeu não tem uma civilização própria . Não tem qualquer idealismo . Mostrou-se incapaz de construir um Estado . As conquistas artísticas de que se vangloria não são mais do que vigarices ou roubo intelectual . Além disso , recebeu de seu Antigo Testamento ordem de destruir o mundo ."

A partir de 1941 já era sabido que a solução que se delineava como única possível era a terceira solução ou “solução final”, o extermínio. Este se dava por duas formas: fuzilamento e câmara de gás.

A partir de julho de 1942 carregamentos ferroviários de judeus começaram a chegar à Polônia , provenientes de vários locais da Europa Central e Ocidental . As câmaras de gás de Chelmo , Belzec e Auchwitz já estavam funcionando

Mas, na interpretação de João Pereira Coutinho al-Husseini não era apenas um antissemita virulento, que incitava aos confrontos, mas desejava uma limpeza étnica na Palestina.

Além de estabelecer relações de amizade e cooperação com Hitler, ele criou na Palestina, os “escoteiros nazistas”, uma cópia da Juventude Hitlerista.

Recebeu apoio financeiro da Alemanha e da Itália e na Palestina construiu um campo de concentração perto da povoação de Nablus. Portanto, foi o contrário. O Terceiro Reich deu alimento suplementar a um ódio ideológico que já existia na Palestina. ( F S P , 27.10.2015, p. C-10) .

MEIO AMBIENTE

Na década passada, as florestas do mundo voltaram a crescer, revertendo a tendência de desmatamento observada durante boa parte do século 20.

Imagens de satélite, coletadas desde 1994, analisadas por pesquisadores da Universidade de New South Wales, na Austrália, mostram que, de 2004 para cá, o volume da vegetação global, que de modo geral vinha minguando, cresceu 10%.

Os maiores ganhos vieram de florestas na Rússia , na China e em planícies australianas e africanas cobertas por arbustos e savana.

As matas cresceram em fazendas estatais abandonadas na Rússia e na China, onde há um programa público de reflorestamento. Na década passada, as chuvas mais abundantes em áreas normalmente mais secas da África e da Austrália levaram à expansão das savanas e das matas de arbustos. Com isso, o total da biomassa de carbono nas florestas aumentou de 362 em 2004 para 401 bilhões de toneladas em 2014.

O Brasil foi uma exceção. A área desmatada, ainda é um terço do que era há dez anos, 19.014 km2 em 2005 e 5.012 km2 em 2014, mas o país ainda não conseguiu zerar o desmatamento da Amazônia, O Brasil foi o único entre os grandes biomas do planeta em que a vegetação continuou a diminuir. ( Revista Exame,14.10.2015, p. 24-25) .

Relatório divulgado pela ONU no dia 30 de outubro mostra que, as metas de redução de gases do efeito estufa apresentadas por 146 países que participarão da Conferência de Paris no final do ano não evitarão o aumento da temperatura em 2,7º C até 2.100.

O número é até otimista pois está abaixo do aumento de 4º C ou 5º C projetado por analistas antes da divulgação das metas nacionais. Mas está acima do compromisso de aumento de 2º C que se esperava obter na 21ª Conferência global da ONU sobre clima, que tem início em 30 de novembro.

Os 2º C são considerados o limite seguro para evitar um cenário catastrófico de elevação do nível dos oceanos , fortes inundações e estiagens. Por isso, o relatório vem como um alerta para que os países façam um esforço maior. ( F S P, 31.10.2015, p. A-12) .

MERCOSUL

Venezuela e Mercosul

À medida que vão vindo a público acontecimentos passados fica ainda mais consolidada a decadência absoluta da diplomacia brasileira no governo Dilma Rousseff.

Este caso é mais grave e envolve danos ao país. Em reunião privada em junho de 2011, a presidente Dilma Rousseff disse ao então presidente da Venezuela , Hugo Chávez , que a renegociação do Tratado de Itaipu com o Paraguai seria usada como argumento para persuadir Assunção a aceitar a Venezuela no Mercosul.

No mês anterior o Senado aprovou um acordo entre o Brasil e o Paraguai que triplicou o valor pago pelo governo ao Paraguai, pelo excedente de energia da hidrelétrica de Itaipu, que implicava em aumentar os gastos do país de US$ 120 para US$ 360 milhões anuais.

A reunião foi registrada em telegrama secreto, redigido por um funcionário do Itamaraty e entregue ao MPF do Distrito Federal no inquérito civil que apura suposto tráfico de influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na relação entre governos estrangeiros e empreiteiras brasileiras.

Dilma disse a Chávez que a adesão da Venezuela ao Mercosul “fortalecerá o bloco”. Naquele momento o Paraguai se opunha à ideia. Dilma porém , procurou acalmar Chávez, o que mostra que os equívocos não eram só de Lula, mas dela também:

“ Lula está empenhado junto a interlocutores do Paraguai, na aprovação da Venezuela pelo Congresso paraguaio. Nós aqui também estamos ajudando. A aprovação do acordo por troca de notas sobre Itaipu pelo Congresso brasileiro, deverá contribuir para que o Congresso paraguaio se torne mais propenso a examinar favoravelmente a questão da adesão da Venezuela”.

O uso de Itaipu já havia sido levantado pelo Brasil quatro meses antes em um encontro entre Chávez, o chanceler brasileiro Antonio Patriota , o chanceler informal , Marco Aurélio Garcia e outros membros do governo venezuelano , inclusive o então chanceler Nicolás Maduro, hoje ditador no lugar de Chávez.

Aqui entra a Odebrecht na história. Chávez na reunião, ainda propôs criar um fundo de financiamento para projetos bilaterais , citando que a Construtora Odebrecht “ já aceitou mecanismo de remuneração parcial em petróleo”.

Dilma respondeu que a empreiteira poderia ajudar, mostrando que ela também está envolvida com a Odebrecht.” Será importante envolver nesse processo o presidente da Associação Brasileira de Construção Civil. A Odebrecht pode ajudar muito com habitação”. ( F S P , 24.10.2015, p. A-14) .

O Brasil fracassou nestas negociações , mas bateu o pé para a entrada da Venezuela no Mercosul. O Congresso paraguaio cassou o mandato do presidente Fernando Lugo e o Brasil usou esta medida dentro da normalidade institucional do Paraguai para alegar que houve golpe e suspendeu o Paraguai do Mercosul com o objetivo de permitir a entrada da Venezuela que ocorreu em agosto de 2012.

Ao contrário do que afirmou Dilma Rousseff, a entrada da Venezuela não fortaleceu o bloco, mas o paralisou. O Mercosul está paralisado pela ação da Argentina e da Venezuela e pela incompetência da diplomacia brasileira.

PALESTINA

A ONU hasteou no dia 30 de outubro, pela primeira vez a bandeira palestina em sua sede na ONU.

Mas, o presidente da Autoridade Nacional Palestina , Mahmoud Abbas, disse em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, que seu país não está mais vinculado a acordos com Israel.

Abbas declarou o fim do compromisso com os acordos de Oslo ( 1993) , cujo objetivo era terminar a ocupação israelense dos territórios palestinos.

Ele acusou Israel de violar os acordos ao manter assentamentos judaicos nos territórios palestinos e não transferir poderes reais para a ANP.

Abbas condiciona as negociações de paz à libertação de prisioneiros palestinos, à suspensão da construção de assentamentos na Cisjordânia e ao uso de parâmetros territoriais anteriores à Guerra dos Seis Dias ( 1967) .

“Somos os únicos comprometidos com a aplicação desses acordos, enquanto Israel continua a descumpri-los. Por isso, não podemos continuar vinculados a esses acordos e Israel deve assumir todas as responsabilidades como força de ocupação”.

Não está claro quais as consequências práticas do anúncio. Abbas ameaçou diversas vezes dissolver a ANP para protestar contra a falta de avanço no processo de paz, mas manteve sua estrutura de pé e continuou a cooperar na área de segurança com Israel.

Pelo plano traçado pelo segundo acordo de Oslo, de 1995, a ocupação israelense terminaria em 1999.

Mas, as discordâncias entre os dois lados e a profunda divisão política dos palestinos travou a implementação. Abbas só governa uma parte do território palestino, a Cisjordânia, enquanto a Faixa de Gaza está sob controle do grupo extremista Hamas.

Abbas disse que seu governo mantinha “ a mão estendida”, para a paz, mas “ a situação atual é insustentável”, prometendo recorrer somente a “meios legais e pacíficos”.

Nesse sentido , ele exortou o ONU a reconhecer a Palestina como membro pleno, pois hoje o status é de observador.

O hasteamento da bandeira na sede da ONU foi uma vitória simbólica,

Em seu discurso, Abbas acusou Israel de fomentar a violência no setor mais sensível de Jerusalém, ao permitir a entrada de judeus extremistas na área conhecida como Monte do Templo, para os judeus , e Nobre Santuário, para os muçulmanos. Nas últimas semanas, o local foi palco de repetidos confrontos.

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que Abbas, fez um discurso “enganoso” e o acusou de “encorajar o incitamento e a calamidade”. ( F S P , 1.10.2015, p. A-16) .

Netanyahu discursou na Assembleia-Geral da ONU no dia 1º de outubro e rebateu Abbas. Voltou a recusar as precondições impostas para retomar acordos de paz e criticou a ONU por supostamente ficar do lado do adversário.

“Espero que ele mude de ideia, porque continuo comprometido com a coexistência de dois Estados e dois povos, em que um Estado palestino desmilitarizado reconheça o Estado judaico”.

Netanyahu disse que a Assembleia Geral votou 20 resoluções contra Israel e apenas uma contra a Síria, apesar de a guerra civil no país ter matado mais gente em quatro anos do que um século de conflitos entre Israel e Palestinos.

O premiê destacou sua preocupação com o Irã, citando ações de ampliação da “rede global de terrorismo iraniana”. “Se o Irã fez isso tudo só nos últimos seis meses, enquanto tentava convencer o mundo a remover as sanções, imagine o que fará agora que elas já foram removidas”. ( F S P , 2.10.2015, p. A-11) .

PARCERIA TRANSPACÍFICO

Após quase oito anos de negociações foi anunciada em 5 de outubro a conclusão da Parceria Transpacífico ( TPP) , o maior acordo regional de comércio da história e a maior derrota histórica do Brasil no plano do comércio internacional.

EUA, Japão e outros dez integrantes da parceria, formam 40% da economia mundial e o acordo tem potencial para reescrever as regras do comércio global.

Além de reduzir barreiras comerciais com o corte de tarifas de importação entre seus parceiros, o TPP facilita as transações ao estabelecer regras uniformes para setores como investimentos, ambiente, direitos trabalhistas e propriedade intelectual.

O acordo une EUA, Canadá, Malásia, Cingapura, Austrália, Vietnã, Brunei, Japão, Nova Zelândia e da América Latina, México, Peru e Chile. Naturalmente, Argentina ficou de fora e também o Brasil.

O acordo coloca ainda mais em xeque a Organização Mundial do Comércio , que tenta fechar há mais de uma década a Rodada Doha, ambicioso tratado multilateral de livre-comércio. ( F S P , 6.10.2015, p. A-13) .

A derrota do Brasil é imensa. Devido ao acordo , as exportações brasileiras podem encolher em até 2,7%, segundo estudo dos pesquisadores vera Thorstensen e Lucas Ferraz, da Escola de Economia da FGV.

O cenário considera a eliminação das taxas de importação e de pelo menos 50% das barreiras não tarifárias – padronizações de produtos conflitantes, por exemplo.

Os produtos vendidos entre os países envolvidos no tratado ficarão mais baratos, afetando as vendas brasileiras.

Os EUA estão negociando outro acordo, o Ttip, com a União Europeia ( Parceria Transatlântica). Se este acordo for firmado será fatal para o Brasil.

Mercosul e União Europeia estão há 16 anos, desde 1999, em negociações intermináveis para um acordo comercial. A Argentina fez o que pode para atravancar as negociações e o Brasil manteve-se submisso e agora poderá pagar muito caro por isso. ( F S P , 6.10.2015, p. A-15) .

PETRÓLEO

Michael Ross em A Maldição do Petróleo, procura mostrar, ao contrário do que se imagina, que o petróleo é , em geral, ruim para o país que o possui em abundância.

O setor petrolífero é altamente isolado do resto da economia, usando muito capital físico, máquinas e instalações importadas, pouca mão de obra e por isso não traz grandes benefícios para outros setores.

A exportação de petróleo tende a valorizar o câmbio , o que barateia as importações e prejudica outras indústrias exportadoras.

Os únicos grandes beneficiados são aqueles que recebem diretamente suas receitas: uma parcela vai para as empresas multinacionais privadas e a maior parte para os governos e empresas estatais.

São receitas todavia muito elevadas, pouco transparentes , altamente variáveis e não dependem de impostos. Isso permite que governos abram mão da democracia e se tornem autocráticos. Podem prover serviços bastante ineficientes, sem que ninguém se revolte.

Mas, como a receita é muito variável, a queda no preço do petróleo tem resultados desastrosos para países que dele dependem, como a Venezuela que viu sua política demagógica ruir , aumentando drasticamente o risco de conflitos internos.

Por um acidente histórico, as maiores reservas de petróleo do planeta estão em países muçulmanos que são mais autoritários , menos transparentes, tem economia mais disfuncional e dão menos oportunidades às mulheres.

O caso do petrolão no Brasil confirma a tese: o petróleo é corrosivo para a democracia. ( Revista Veja, 7.10.2015, p. 103) .

PORTUGAL

A Autoridade de Concorrência de Portugal aprovou a venda da companhia aérea portuguesa TAP para o consórcio Atlantic Gateway , formado por Humberto Pedrosa , empresário do ramo de transportes e o 15º homem mais rico de Portugal, com 50,1% e a DGN , de David Neeleman, fundador da brasileira Azul.

O governo português vai receber 10 milhões de euros, mas manterá 34% das ações, os trabalhadores 5% e o consórcio 61%. O consórcio vai assumir as dívidas da TAP, que somam 1 bilhão de euros e se compromete a injetar pelo menos 338 milhões de euros na empresa e modernizar a frota com 53 aviões.Autoridades regulatórias europeias ainda darão aval à operação. ( F S P, 3.10.2015, Mercado, p. A-22).

A coligação de centro-direita que governa Portugal há quatro anos , encabeçada pelo premiê Pedro Passos Coelho, venceu as eleições legislativas do dia 4 de outubro.

Com 98% das urnas apuradas, a coligação Portugal à Frente, do primeiro-ministro , tinha 39% dos votos , contra 32% da principal oposição, Partido Socialista, com Pedro Coelho como líder.

Com a vitória, Passos Coelho tornou-se o primeiro líder europeu a se reeleger após impor um pacote de austeridades a seu país, em razão da crise econômica de 2009. ( F S P , 5.10.2015, p. A-13) .

SÍRIA

A Rússia iniciou ataques aéreos na Síria no dia 30 de setembro, criando mais um ponto de atrito com os EUA , e aumentando a complexidade do conflito.

É a primeira vez, desde 1989 que tropas russas são enviadas para missões de combate fora do território soviético. É a primeira vez, desde a Segunda Guerra Mundial que Rússia e EUA, bombardeiam o mesmo país ao mesmo tempo.

Segundo o Ministério de Defesa russo, “ataques pontuais”, tiveram como alvo “equipamento militar, centros de comunicação , veículos motorizados e depósitos de munição e combustível dos terroristas do Estado islâmico”. A ofensiva, que teria atingido doze locais, teve aval do Parlamento russo.

Mas, a cúpula militar norte-americana questionou a informação, dizendo que os alvos tenham sido áreas controladas não pelo EI, mas por grupos que se opõem ao ditador Bashar al-Assad, alguns deles apoiados pelos EUA.

Uma fonte síria não identificada da agência Associated Press , afirmou que um dos ataques visou a região de Homs, sob domínio dos rebeldes anti-Assad e não do EI.

O senador John McCain , chefe do comitê de serviços Armados do Senado disse ter “confirmação absoluta” de que os primeiros ataques russos foram contra o Exército Livre da Síria e outros grupos rebeldes treinados e armados pela CIA.

O secretário de Defesa dos EUA, Ashon Carter afirmou que os ataques provavelmente não atingiram áreas do EI e podem ter matado civis, o que arrisca inflamar ainda mais a crise: ‘É como jogar gasolina no fogo”, declarou. Carter ressaltou o risco de um “acidente”, entre as forças russas e as da coalizão , liderada pelos EUA, durante a operação.

O chanceler russo , Sergei Lavror , foi seco: “ Não deem ouvidos ao que diz o Pentágono sobre os ataques”.

Em reunião do Conselho de Segurança da ONU, convocada por Moscou Lavrov ressaltou a importância de uma frente unida contra o EI e circulou uma resolução no CS para tornar a proposta realidade.

Os EUA não consideram possível uma solução para a crise, enquanto Assad estiver no poder. No Conselho de Segurança , o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que há motivos para duvidar se “ a real intenção da Rússia é combater o EI”.

Nessa questão, a Rússia saiu na frente. Putin falou grosso na sua primeira aparição na Assembleia-Geral da ONU e disse que só há uma solução para a Síria que incluía Assad na equação.

A Rússia caminha para torna-se um fator central para a estabilização do Oriente Médio, às custas de um presidente americano titubeante, que insiste em apoiar terroristas que é o grande motivo pelo qual não há como o avanço da coalizão contra o Estado Islâmico ser bem sucedida.

Com isso, Putin ao ter presença militar , terá poder sobre o Mediterrâneo, por onde passa o petróleo vital para a economia russa e ainda reforçará sua presença na Ucrânia, para tentar forçar a retirada das sanções que asfixiam a economia russa. ( F S P , 1.10.2015, p. A-13) .

Ficou claro que para Putin , enfrentar o EI não é prioridade, mas sim garantir Assad no poder. Ao tomar a iniciativa, ele se consolida como interlocutor essencial em questões internacionais.

O cientista político russo, Ivan Tsvetkov, da Universidade Estatal de São Petersburgo acrescenta um terceiro objetivo: “ Putin defende a soberania do Estado e a importância de um líder forte, que, para ele, são mais importantes que a liberdade e a democracia ocidentais. Ele tem interesse pessoal nesta ideia, pois teme ser removido do governo por uma revolução semelhante à da Síria”.

Se for aceito como uma liderança com uma visão clara para a solução do conflito sírio, Putin se aproximará de seu quarto objetivo: ganhar força para negociar o fim das sanções internacionais ao seu país, sem fazer concessões na Ucrânia, onde dá apoio a grupos separatistas pró-Rússia. Ou seja, ele combate os separatistas na Síria e apoia os separatistas na Ucrânia. As sanções internacionais a empresas do setor de armas, energia e área financeira estão asfixiando a economia russa, dificultando empréstimos e exportações e causando fuga de investidores e como resultado, a Rússia deve ter retração no PIB de 3,8% em 2015.

Para o diretor de pesquisa em política internacional do instituto Brookings, Michael O’Hanlon, a estratégia russa trará retaliação: “ O mundo sunita ficará ainda mais bravo , e o problema vai piorar”. Para ele, a ação de Putin não é motivada pela necessidade de combater o terrorismo , mas por interesse em “poder, prestígio e influência na cena global”.

Para Steven Pier, ex-embaixador dos EUA na Ucrânia: Putin quer se fortalecer mundialmente e Assad é um dos seus principais aliados; seu enfraquecimento , enfraquece a Rússia também. Os ataques não visam combater o Estado Islâmico, mas os opositores de Assad”. ( F S P , 8.10.2015, p. A-17) .

Por outro lado, os europeus querem uma solução para a guerra na Ucrânia, quanto uma redução no fluxo de refugiados e por isso estão dispostos a ouvir o que Putin tem a oferecer nos dois casos. ( Revista Veja, 7.10.2015, p. 66-68) .

A Rússia admitiu em 1° de outubro que os ataques aéreos que começou a fazer na Síria, tem como alvo não apenas o Estado Islâmico, mas outras milícias em luta contra o ditador Bashar al-Assad.

O chanceler russo, Sergei Lavrov , negou insinuações americanas de que a ofensiva tem como único objetivo defender o ditador e que os bombardeios atingiram grupos sem ligação com terrorismo, alguns deles apoiados pelos EUA.

“Se parece terrorista, age como terrorista e combate como terrorista, então é terrorista”.

No dia 1º de outubro, a aviação russa atacou alvos na Síria pelo segundo dia.

Lavrov questionou a legitimidade da ofensiva americana na Síria por não ter a aprovação do Conselho de Segurança da ONU e negou planos de estender a operação russa para o Iraque:

“Nós somos muito educados. Não vamos sem que nos convidem”.

Fontes do governo libanês, citadas pela agência Reuters, afirmaram que centenas de soldados iranianos chegaram à Síria nos últimos dias, para se juntar às forças de Damasco e seus aliados do grupo xiita libanês Hizbullah, para dar início a uma grande operação terrestre, com apoio aéreo russo e assim recuperar o território hoje ocupado pelo Estado Islâmico. ( F S P , 2.10.2015, p. A-10) .

Em 2 de outubro, a coalizão liderada pelos EUA, acusou a Rússia de provocar uma escalada de violência e alimentar o radicalismo com seus ataques aéreos na Síria que continuaram pelo terceiro dia seguido.

Segundo o Ministério de Defesa russo, o terceiro dia de bombardeios, teve sete alvos, entre eles um posto de comando e um campo de treinamento perto de Raqqa, cidade no nordeste da Síria que o EI declarou como capital do seu califado.

Obama continua insistindo na mesma tecla. Ele disse que Moscou entrou em um “atoleiro”, do qual levará algum tempo para sair , e que sua ação militar na Síria está fadada ao fracasso sem uma solução política .

“ O problema é Assad e a brutalidade que ele infligiu à população síria e isso tem que parar. Não vamos cooperar com uma campanha russa para simplesmente destruir qualquer um que esteja farto do comportamento de Assad”.

Ou seja, para Obama , Assad deve ser derrubado junto com o Estado Islâmico e para Putin o Estado Islâmico que tem 2.500 russos como combatentes, deve ser destruído por uma coalizão internacional com o apoio de Assad, que deve ser mantido para garantir a estabilização do país.

Obama reiterou que a coalizão liderada pelos EUA tem legitimidade por contar com o apoio de vários países, enquanto a Rússia só tem Síria e Irã como aliados.

Na avaliação de Ian Black do “The Guardian”, a fraqueza do exército sítio levou à intervenção militar russa. Um diplomata baseado em Damasco afirmou “Os iranianos disseram sem meias palavras aos russos que, se eles não interviessem, Assad cairia , e que eles não estavam em posição de fazer alguma coisa que o sustentasse”.

Os efetivos do Exército sírio, teriam caído, segundo estimativas de 300 mil soldados antes da guerra, para entre 80 mil e 100 mil agora. Fadiga, deserções e perdas causaram forte redução do poder de combate , e a natureza sectária do conflito também influenciou a situação.

Em julho, Assad em discurso reconheceu a escassez de efetivos e que teve que abandonar áreas para melhor defender a área de Damasco a Homs e o reduto dos alauítas em Latakia.

Autoridades sírias dizem que a Jabhat al-Nusra, afiliada local da Al Qaeda , paga muito melhor do que as forças do governo. Os envelhecidos aviões e helicópteros de combate da síria tem valor limitado para operações táticas.

Nesse cenário, a intervenção russa para os rebeldes, significa apoio total a Assad, e que, crucialmente, não haverá distinção entre diferentes inimigos. ( F S P, 3.10.2015, p. A-16).

Rafif Jouejati, 50, porta-voz da oposição síria que participou das negociações de paz em Genebra e hoje representa os Comitês de Coordenação Local na Síria, uma rede de ativistas no país, deixa bem claro que com Assad não tem acordo.

“A população síria está sitiada pela comunidade internacional, que só faz promessas fazias de ajuda e, enquanto isso, bombardeia o país”.

Segundo ela, a oposição recusa qualquer transição negociada com Assad no poder: “ O povo sírio rejeita a permanência de Assad, não importa quão conveniente isso seja para os interesses russos ou para os apáticos líderes americanos ou europeus. Pedir uma negociação com Assad no poder é , em menor escala, a mesma coisa que pedir aos judeus que negociem com Hitler, porque Assad é nosso Hitler e essa guerra é nosso Holocausto”.

A estratégia dos EUA de bombardear posições do EI na Síria “ foi um fracasso completo”. “ Os ataques aéreos não reduziram a capacidade do EI, que ainda domina as mesmas cidades e está avançando. Já o treinamento chega a ser ridículo. Vimos um general americano em audiência no Congresso dizer que só sobraram quatro ou cinco rebeldes, que a maioria foi morta ou entregou suas armas a grupos ligados à Al Qaeda”.

‘É uma falácia achar que a intervenção russa vai ajudar a reduzir o número de refugiados ou eliminar o EI. Quanto mais bombardeios, mais refugiados: agora teremos bombas de Assad, do EI, da coalizão e também dos russos”. Para ela, o envolvimento de Moscou vai ser um “imã de jihadistas” um apelo poderoso para que mais extremistas entrem na guerra.

Jouejati espera que os EUA e a coalizão pensem numa estratégia para implementar uma zona de exclusão aérea e corredores humanitários , além de aceitarem um número bem maior de refugiados.

Ela acredita que poderia haver uma trégua não oficial em Rojava, entre os curdos e Assad para combater o EI. Quanto à possibilidade de acontecer na Síria o mesmo que aconteceu na Líbia com a queda da Gaddafi e de Saddam Hussein no Iraque , ela vê situações diferentes:

“Língua e religião predominante são as mesmas, mas isso não significa que os sistemas políticos são os mesmos e que as populações vão reagir da mesma maneira”. ( F S P, 4.10.2015, p. A-14) .

O Ministério da Defesa russo anunciou no dia 3 ter destruído duas bases militares do EI na cidade de Raqqa , no noroeste da Síria e centro de operações da facção. Um posto de controle e um depósito subterrâneo de explosivos foram destruídos.

Os russos em 24 horas fizeram mais de 20 ataques contra instalações do Estado Islâmico e pretendem aumentar a intensidade dos ataques. ( F S P, 4.10.2015, p. A-14) .

Bashar al-Assad, em sua primeira entrevista desde o início da intervenção militar direta russa na Síria disse: “ [A coalizão] precisa dar certo ou veremos a destruição de toda a região , não só de um ou dois países. Todos nós sofremos por causa do terrorismo – o Irã e a Rússia , de formas diferentes. Quando esses [quatro] países se unem contra o terrorismo e combatem militarmente e nas áreas de segurança e informação (..) essa coalizão vai, sem dúvida, atingir resultados reais”.

Para ele, a campanha da coalizão liderada pelos EUA, só serviu para espalhar o terrorismo: “ Tem sido contraproducente. O terrorismo vem se expandindo geograficamente e o número de voluntários ou recrutados por essas organizações terroristas tem aumentado”.

Por sua vez, no dia 1º de outubro, o Kremlin admitiu que sua ação tem como alvo “uma lista” de grupos - classificados por Assad como terroristas – além do EI.

No dia 2, EUA, França, Turquia, Qatar, Arábia Saudita e Reino Unido , pediram para Moscou parar de atacar grupos de oposição e se concentrar no EI, pois se não o fizer, a ação russa “apenas alimentará mais extremismos e radicalização”.

Assad disse ainda que “ O futuro sistema político ou quem governa a Síria são decisões do povo sírio”.

O ministro das Relações Exteriores britânico, Philip Hammond, acusou a Rússia de fazer uma guerra assimétrica: “ Parece uma clássica amostra de guerra assimétrica - você tem uma propaganda dizendo que está fazendo uma coisa, enquanto faz outra completamente diferente”.

Ele disse que seu governo precisa ter “absoluta clareza” de que Assad não fará parte de uma solução para o futuro político da Síria e que o país está “ a 1 milhão de milhas de distância “ de eleições justas e livres. ( F S P , 5.10.2015, p. A-10) .

Moscou começou a delimitar o que na prática se tornará o seu espaço aéreo sobre a Síria. Um oficial graduado do Kremlin insinuou que mercenários pró-Rússia podem engrossar o exército do ditador Bashar al-Assad ainda que o governo de Vladimir Putin negue o uso de suas tropas no solo.

Mercenários pró-Rússia ajudaram na anexação da Criméia em 2014 e hoje operam no leste da Ucrânia. Com isso, os rebeldes já emitiram um raro comunicado conjunto prometendo combater o que chamam de “invasão russa”.

Os russos estão preocupados com possíveis ataques à nova base estabelecida em Latakia, na costa mediterrânea, que é o coração do grupo de Assad e por isso as forças estacionadas na base foram colocadas em “prontidão máxima”, entre 3 e 4 de outubro. Há na base 500 soldados ou mais.

Estão estacionados na base 50 aeronaves, sendo entre 6 e 12 Sukhoi Su-34, o mais moderno caça-bombardeio russo , que faz sua estreia em combate. Quatro Su-30 dão apoio a aviões de ataque a solo de antigos aparelhos soviéticos modernizados como os Sukhoi Su-25 e Su-24 . Drones fazem a vigilância e ajudam a selecionar alvos.

Um caça de Moscou foi interceptado por dois F-16 turcos ao cruzar a fronteira. A Rússia falou com Ancara e alegou “erro de navegação”, mas a Turquia sabe que o incidente foi um teste de sua capacidade de reação e foi considerado “inaceitável” pela Otan. ( F S P , 6.10.2015, p. A-9).

“Qualquer ataque á Turquia, será um ataque á Otan”. Ceepc Tayyip Erdogan, presidente da Turquia.

No dia 6 de outubro a Otan acusou a Rússia de enviar mais soldados a suas bases na Síria e de reforçar sua presença naval no mar Mediterrâneo enquanto bombardeia partes da Síria.

Segundo o secretário-geral da aliança, Jens Stolbenberg, existem provas substanciais do reforço militar enviado pelos russos por terra e mar. As tropas teriam sido mandadas às bases russas nas cidades sírias de Tartus e Latakia.

Oficialmente a Rússia confirma ter enviado 1.500 soldados e equipamentos de apoio aos ataques, mas nega que vá participar do conflito em terra, embora reconheça a existência de russos entre os combatentes dos dois lados. ( F S P, 7.10.2015, p. A-12) .

Em uma ação coordenada , as forças do ditador Bashar al-Assad intensificaram as operações terrestres contra os rebeldes e a Rússia abriu uma terceira frente de ataque ao Estado Islâmico , desta vez por meio do mar Cáspio.

Assad está se sentindo fortalecido pelo apoio russo.

A Rússia por sua vez vinha usando bases no mar Mediterrâneo e de áreas da Síria controladas pelo governo.

Agora, 26 mísseis saíram do mar Cáspio e destruíram ao menos 11 alvos fora de áreas ocupadas por civis. Segundo o governo americano, pelo menos quatro mísseis teriam caído no norte do Irã. Mas Moscou e Teerã negaram.

Moscou disse que os foguetes atingiram seus alvos. A agência semioficial do Irã , Fars afirmou que a notícia “ faz parte de uma guerra psicológica “ contra a aliança de Moscou e Teerã, com Assad.

Mas, integrantes do governo americano disseram que os mísseis Kalibr NK nunca tinham sido usados em combate e que pelo fato de ter sido o primeiro teste em condições operacionais já era esperado algum incidente. ( F S P , 9.10.2015, p. A-13) .

Os EUA continuam determinados a não atuar em conjunto com os russos. O secretário de Defesa dos EUA, Ash Carter, declarou “ Não concordamos em cooperar porque achamos que a estratégia russa está errada. Eles continuam mirando em alvos que não são do Estado Islâmico , o que, para nós , é um erro fundamental”.

Mas , EUA e Rússia continuam em contato para evitar incidentes no espaço aéreo sírio, usados pelos dois países para atacar o EI. ( F S P , 8.10.2015, p. A-16) .

Ashton Carter, secretário de Defesa americano , disse que a ofensiva russa terá consequências: “Isso terá consequências para a própria Rússia, que tem razão de temer ataques contra eles. Nos próximos dias , os russos começarão a sofrer com as baixas na Síria”. ( F S P , 9.10.2015, p. A-13) .

O jornalista americano Seymour Hersh ,que relatou o massacre de My Lai , no Vietnã, condena a política americana para com o caso da Síria e responsabiliza o país pelo caos criado.

“Já era a minha opinião muito antes de Putin ter dito isso. Quais as opções? Até em Israel quem sabe das coisas diz isso. Em privado claro. Bashar tem que vencer.

Diante dos horrores da guerra no país, com mais de 250 mil mortos em quatro anos para ele, as acusações do governo americano de atrocidades cometidas pelo regime sírio contra civis, soam como hipocrisia:

“ Sempre acho curioso quando os americanos criticam os que bombardeiam não combatentes numa guerra total. Não foi um país chamado América que bombardeou cidades alemãs á noite? Quem lançou duas bombas atômicas no Japão? E o Vietnã?

Para ele também os erros na Síria , ocorreram no Iraque, “Ali não foi só uma guerra estúpida, foi criminosa. Os EUA devem um enorme pedido de desculpas ao mundo pelo caos no Oriente Médio”.

Ou seja, para ele é claro que não é possível pensar em uma solução para a crise na Síria sem o ditador que governo o país, Bashar al-Assad. Para ele, a alternativa a Assad é pior, a expansão do Estado Islâmico. ( F S P , 9.10.2015, p. A-14) .

O governo dos EUA decidiu no dia 9 de outubro, suspender um programa de treinamento de rebeldes na Síria por reconhecer o fracasso dessa tática para derrotar o Estado Islâmico.

O Pentágono verificou que levar rebeldes moderados para fora da Síria , treiná-los e trazê-los de volta ao país para combater o EI falhou, em parte, porque muitos dos militantes estavam mais interessados em lutar contra o regime de Bashar al-Assad do que contra os terroristas. Apenas 60 combatentes sírios , de um total previsto de 5.400 , chegaram a ser treinados e equipados pelos EUA.

Desde maio, o governo Obama investiu US$ 580 milhões em treinamento e armamento dos rebeldes.

Agora o Pentágono fornecerá equipamentos diretamente a lideres rebeldes, desde que provado que eles não tenham ligação com milícias radicais islâmicas.

Mas, e isto mostra o erro dos americanos, alguns dos equipamentos fornecidos caíram nas mãos da Frente al-Nusra , filial síria da Al Qaeda, ou seja, os americanos estão fornecendo armamentos para o radicalismo islâmico. ( F S P , 10.10.2015, p. A-15) .

Rami Abdul Rahman , criou em 2006, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos , e vive em Coventry, no Reino Unido, de onde monitora o conflito no seu país. Fugiu da Síria em 2.000 e nunca mais voltou. Sente-se ameaçado por Assad e por isso prefere marcar conversas em locais públicos, por motivos de segurança.

“Assad é um assassino. A Rússia tem dado apoio a um regime ditatorial , matando o povo sírio. Deveria trabalhar com os EUA, para atacar o EI.

Ele estima que 310 mil pessoas tenham morrido no conflito sírio desde 2011. Tem 230 pessoas o ajudando sigilosamente na Síria, inclusive em escritórios do governo. ( F S P , 11.10.2015, p. A-14) .

O presidente da Rússia Vladimir Putin encontrou-se no dia 11 de outubro com o ministro da Defesa da Arábia Saudita, no balneário de Sochi, no Mar Negro. Mohammed bin Salman , também é premiê e filho do rei Salman , que governa o país sunita.

O encontro foi sobre a intervenção russa na Síria e a Arábia Saudita demonstrou sua preocupação de que a ação russa pudesse significar uma aliança de Moscou com o Irã ( xiita), também aliado de Assad e principal rival do governo de Riad ( sunita) na região.

Em resposta, Putin assegurou que suas ações tem por objetivo a luta contra extremistas, como o EI e a Al Nusra ( milícia vinculada à Al Qaeda ) e não seu envolvimento na disputa entre xiitas e sunitas. O chanceler russo Seguei Lavrov, afirmou que os dois países estão dispostos a cooperar para evitar a formação de um “califado terrorista” na Síria, uma referência ao Estado Islâmico.( F S P, 12.10.2015, p. A-10) .

Os líderes da União Europeia pediram em comunicado no dia 12 de outubro que as forças russas encerrem toda operação militar que atingir opositores do regime de Bashar al-Assad.

A União Europeia se opõe a negociar uma transição política com Assad , como os EUA, a quem atribuem as mortes no conflito civil. “Essa escalada militar arrisca prolongar o conflito, minar o processo político , agravar a situação humanitária e aumentar a radicalização.

Os EUA lançaram no dia 12 , 112 caixotes com um total de 50 toneladas de munição na província de Al-Hasakah, no norte do país para os rebeldes anti-Assad.

Moscou disse que atingiu 51 alvos do Estado Islâmico nos dias 11 e 12. ( F S P , 13.10.2015,p. A-9).

No dia 13 a embaixada da Rússia em Damasco, foi atacada por disparos de morteiros. O ataque ocorreu quando centenas de manifestantes favoráveis ao ditador Bashar al-Assad se reuniam em frente ao local para agradecer a Moscou por sua operação militar no país. Dois foguetes atingiram o edifício diplomático, mas não foram informados o dano, nem a quantidade de mortos e feridos. ( F S P, 14.10.2015, p. A-11) .

A Guarda Revolucionária do Irã enviou 1.500 homens nas duas últimas semanas às regiões norte e central da Síria , para lutar ao lado de Assad. ( F S P, 15.10.2015, p. A-13) .

Análise feita pela agência de notícias Reuters a partir de dados do Ministério da Defesa da Rússia, mostrou que 80% dos ataques russos na Síria foram em áreas que não estão sob controle do Estado Islâmico. Foram em áreas controladas por outros grupos contrários ao ditador Bashar al-Assad , que incluem ramificações da Al Qaeda, mas também combatentes apoiados por Washington e seus aliados. ( F S P, 22.10.2015, p. A-19) .

Dilma Rousseff criticou no dia 19 de outubro em Estocolmo a intervenção militar russa na Síria e defendeu uma saída negociada. “ Não é com bombas que se resolve o problema, mas sentando para negociar com todos os presentes”. ( F S P , 20.10.2015,p. A-11) .

Assad viaja a Moscou

O ditador da Síria, Bashar ak-Assad fez uma visita surpresa na noite do dia 20 de outubro a Moscou , onde se reuniu com o presidente Putin e agradeceu a ele pela campanha de ataques aéreos da Rússia, em território sírio, iniciada no dia 30 de setembro.

Foi a primeira viagem conhecida de Assad ao exterior desde o início da guerra civil em seu país , em março de 2011.

Assad retornou para Damasco em seguida.

Putin disse que uma solução política do conflito é possível “ com a participação de todas as forças políticas, étnicas e religiosas “ da Síria. “Estamos dispostos a fazer o que for possível, não apenas na luta contra o terrorismo, mas também no processo político”. ( F S P, 22.10.2015, p. A-19) .

Soldados americanos treinarão sírios.

O governo americano deverá enviar entre 20 a 30 soldados de forças especiais para o norte da Síria, controlado por curdos, para treinar rebeldes no combate ao Estado Islâmico .

O secretário de Estado americano, John Kerry , e o ministro das Relações Exteriores russo , Sergei Lavrov, participaram de reunião em Viena no dia 30 de outubro sobre o problema na Síria e continuam com as mesmas divergências para a solução do conflito.

Kerry deixou claro que não aceita a participação do ditador Bashar al-Assad numa eventual transição política e Lavrov reafirmou que não concorda com isso e que a população síria é que deve decidir sobre o tema.

Ou seja, ao final do encontro foi divulgada uma declaração genérica , que defende a “ integridade” do território sírio, mas admite que “substanciais diferenças permanecem entre os participantes das negociações. ( F S P, 31.10.2015, p. A-14) .

EI destrói outro templo

Militantes do Estado Islâmico cometeram outro crime contra a humanidade. Explodiram o Arco do Triunfo ( também conhecido como Arco Monumental), importante monumento da cidade histórica de Palmira , na Síria.

A construção , foi erguida no reinado do imperador romano Sétimo Severo ( 193-211) e ficava no topo de um caminho ladeado por colunas de pedra que atravessa a cidade e pode ser visto de vários pontos de Palmira, patrimônio cultural da humanidade, desde 1980.

A cidade um dia foi uma importante ligação entre o Império Romano e a Pérsia e agora o Estado Islâmico está destruindo tudo o que considera construção profana.

Em agosto, foram destruídos os templos de Baal-Shamin e de Bel, dois dos mais bem conservados da era romana.

Em outubro, o EI também destruiu torres funerárias, construções de arenito feitas para guardar os restos mortais das famílias mais ricas da Antiguidade.

O gabinete de Assad fez uma rara condenação das ações do EI: “ É uma tentativa do EI de se vingar da luz que tem desfeito sua ignorância e escuridão”.

Para a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, trata-se de “ um crime de guerra que não ficará impune” ( F S P , 6.10.2015, p. A-10).

TURQUIA

Duas explosões simultâneas ocorreram no dia 9 de outubro nos arredores de uma estação de trem em Ancara e mataram pelo menos 97 pessoas e mais de duzentas ficaram feridas num dos mais letais ataques na história moderna do país.

As explosões ocorreram por volta das 10 horas, logo no início de uma manifestação batizada de Paz, Trabalho e Democracia, convocada por sindicatos e grupos da sociedade civil.

O ato reunia esquerdistas e grupos de apoio aos curdos, para protestar contra a retomada dos confrontos entre o governo turco e militantes que lutam pela independência do Curdistão.

Nenhum grupo assumiu a autoria do atentado, que pode ser sido provocado por homens-bomba. ( F S P , 11.10.2015, p. A-13) . Mas o Estado Islâmico está entre os principais suspeitos.

No dia 11, na praça Sinhiye, milhares de pessoas revoltaram-se contra o governo gritando “Erdogan assassino, polícia assassina”. Membros do Partido Democrático do Povo, acusam Erdogan de negligência, porque não preveniu um massacre no coração de Ancara. ( F S P, 12.10.2015, p. A-10) .

A Turquia abateu um drone no dia 16 de outubro , na fronteira com a Síria, mas não identificou a procedência da aeronave. ( F S P , 17.10.2015, p. A-20) .

UCRÃNIA

Uma investigação holandesa apontou no dia 13 de outubro que um míssil de fabricação russa Buk , foi o responsável pela queda do Boeing 777 da Malásia Airlines , com 298 pessoas a bordo.

O voo fazia a rota Amsterdã-Kuala Lumpur e caiu no dia 17 de julho de 2014, perto de Torez , leste da Ucrânia. Das vítimas, 193 eram holandesas. ( F S P, 14.10.2015, p. A-9) .

A ogiva do míssil Buk foi detonada a menos de 1 metro de distância do cockpit do Boeing 777 , espalhando no ar milhares de pequenos fragmentos de metal em formato de cubo ou H. Cerca de 800 estilhaços atingiram a fuselagem do avião e a força da explosão abalaram a estrutura da aeronave , partindo-a em dois entre a cabine de pilotos e a primeira classe. A cabine foi reconstruída para identificar o que ocorreu.

Imagens de satélite , mostram baterias Buk entrando na Ucrânia e apenas uma delas retornando para a Rússia logo depois que os tuítes dos rebeldes pró-Rússia comemoravam a queda do avião. ( Revista Veja, 21.10.2015, p. 35) .

URUGUAI

O governo do Uruguai autorizou duas empresas privadas, Simbiosis e Iccorp a produzir maconha. Cada uma poderá produzir até duas toneladas por ano , investindo entre US$ 600 mil a US$ 800 mil.

A maconha controlada pelo Estado será plantada em um terreno de 20 hectares , cedido pelo governo em San José, nos arredores de Montevidéu, com segurança do governo.

O consumidor em oito meses, poderá comprar maconha e deverá ser cidadão uruguaio ou ter residência permanente no país.

Deverá se registrar no Instituto de Regulação e Controle da Cannabis ( IRRCA), que fará um banco de dados sigiloso de usuários.

Cada consumidor poderá comprar até 40 gramas de maconha ao mês. O preço ainda não foi definido.

Desde 2014, já é permitido o plantio próprio ou por clubes de plantadores com até 45 sócios. ( F S P, 3.10.2015, p. A-19).

VENEZUELA

Crise das companhias aéreas

Impedida de repatriar o equivalente a R$ 351 milhões, retidos na Venezuela devido a distorções de câmbio, a Gol está reavaliando a rota entre São Paulo e Caracas, que opera desde 2007.

A empresa , fortemente atingida pela alta do dólar, já reduziu a frequência de 28 para 16 voos semanais desde 2014 e estuda aprofundar os cortes.

A TAM já não oferece mais a opção de voo direto para Caracas. ( F S P , 1.10.2015, p. A-19) .

A lei venezuelana obriga as empresas a vender passagens em bolívar, moeda local. Parte do dinheiro arrecadado é usado para gastos na Venezuela como salário de funcionários, pagamento de taxas e de querosene, entre outros.

Mas, o excedente, precisa ser transformado em dólares para ser repatriado até a sede das companhias aéreas.

Em 2012, as empresas podiam repatriar o dinheiro a uma taxa preferencial de 4,3 bolívares por US$ 1. Em 2013, o índice de conversão passou para 6,3 bolívares por US$1. Mas , agora em 2015, o governo impôs uma conversão de 12 bolívares/dólar, o que significou , na prática, uma desvalorização abrupta dos ativos das empresas no país.

A situação complicou-se ainda mais com a decisão da Venezuela , adotada em setembro, de cobrar das estrangeiras querosene em dólar. Só um regime bolivariano poderia adotar uma medida maluca como esta. As empresas tem bilhões em bolívares no país , não podem repatriar este dinheiro porque o câmbio imposto pelo governo é desfavorável e agora ainda por cima teriam que enviar dólares para pagar o combustível extraído e refinado na própria Venezuela.

A dificuldade de repatriar recursos , conjugada à queda da ocupações dos voos gerada pela crise econômica, já levou Air Canadá e Alitália a interromper voos para Caracas. O tráfego de passageiros no país, caiu 8,5% em 2014, contrariando a tendência de alta na América Latina. A dívida total das companhias, atinge US$ 3,8 bilhões , segundo a Iata.

Caso a linha se encerre, a Gol cogita comprar imóveis no país, para preservar seu capital , até poder repatria-lo. ( F S P , 1.10.2015, p. A-19) .

Manuel Rosales preso

A ditadura venezuelana continua a todo vapor. O líder anti-chavista e ex-candidato presidencial Manuel Rosales, ex-governador e ex-prefeito de Maracaibo foi o segundo candidato mais votado na eleição presidencial de 2006 que manteve Hugo Chávez no cargo.

Em 2008, Chávez chamou Rosales de “bandido desgraçado” e prometeu prendê-lo. Em 2009 ele decidiu fugir para o Peru, onde obteve asilo e passou a maior parte do tempo desde então.

Anunciou seu regresso há uma semana, dizendo que pretendia reforçar a oposição para a eleição parlamentar de 6 de dezembro, na qual o governo deverá ser derrotado apesar de toda a manipulação já prevista.

Ele chegou ás 16h45 no aeroporto de Maracaibo no dia 15 de outubro, proveniente de Aruba. Sua mulher, a prefeita local Evelyn Trejo o esperava no aeroporto.

Mas, agentes de inteligência do ditador Nicolás Maduro cercaram o avião e prenderam Rosales assim que ele desembarcou.

Ele á acusado de não justificar US$ 68 mil na sua declaração de patrimônio entre 2002 e 2004, em mera desculpa para a ação do governo de se livrar de mais um forte opositor às vésperas das eleições fraudadas que se avizinham. (F S P , 16.10.2015, p A-15) .

Veto a Nelson Jobim

A Venezuela deu mais uma mostras de que é uma ditadura e vetou o nome de Nelson Jobim, indicado pelo Brasil, para chefiar a missão de observadores da Unasul ao pleito parlamentar de dezembro na Venezuela.

E o fez demonstrando que manda na Unasul. Como vetar diretamente o nome de Jobim seria uma indelicadeza brutal , o que Maduro fez foi obrigar Ernesto Samper, secretário-geral da Unasul a propor primeiro o nome de Celso Amorim, chanceler durante todo o período de Lula , o de mais aproximação do Brasil com o chavismo.

O subserviente Marco Aurélio Garcia, como de costume, passou por cima do Itamaraty e exercendo sua diplomacia paralela, pediu a Toffoli que substituísse Jobim por outro.

Toffoli com independência, se recusou a atender ao pedido. Disse que não poria a sua biografia e a reputação do TSE em jogo, para satisfazer um governo estrangeiro com fobia à transparência.

Ai Samper lançou Jorge Taiana, ex-chanceler da Argentina, próximo do bolivarismo e que dificilmente será aceito pela oposição como isento o suficiente para avaliar o pleito.

Jobim foi vetado porque deu mostras que ia fazer um trabalho sério de fiscalização e não seria submisso aos chavistas. ( F S P , 20.10.2015,p. A-10) .

A Autoridade eleitoral venezuelana, a CNE rejeitou uma primeira versão do convênio para a missão observadora, e propôs, em seu lugar, um texto que segundo Nelson Jobim, “transformaria os observadores em meros espectadores”.

O órgão venezuelano queria impedir o contato da missão com opositores e restringir a capacidade dos observadores darem declarações e circularem livremente.

O CNE também queria privar representantes da Unasul da devida imunidade diplomática – que evita, por exemplo, que sejam detidos.

O TSE cancelou no dia 20 de outubro sua participação na missão de observação da Unasul. A lisura das eleições na Venezuela fica totalmente comprometida. ( F S P , 21.10.2015, p. A-11) .

A situação acabou revelando a ridícula posição da diplomacia brasileira em mais um caso. O governo brasileiro contestou a decisão do TSE, considerada “agressiva”.

Para o assessor especial Marco Aurélio Garcia, o grande responsável pelo desastre em que se transformou a diplomacia brasileira, o secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper foi inábil ao lidar com os venezuelanos.

Na interpretação do Planalto, “ havia restrições” dos venezuelanos quanto ao nome de Jobim , mas não houve nenhum pronunciamento oficial sobre suposto veto. Assim, a avaliação é que o presidente do TSE, Dias Toffoli , precipitou-se e criou um mal estar com a Venezuela..

Por isso, Marco Aurelio Garcia e o chanceler Mauro Vieira vão implorar aos venezuelanos que aceitem Nelson Jobim ou algum outro nome encampado pelo Brasil para liderar a missão.

Ou seja , o governo brasileiro não entendeu ainda que a Venezuela não quer é uma missão que efetivamente fiscalize as eleições, como Jobim queria.

E Toffoli deixou claro que o TSE não vai aceitar participar da observação eleitoral se Caracas não recuar das restrições de circulação dos observadores e de acesso à oposição.

A missão já está comprometida porque com a demora do órgão eleitoral venezuelano em responder às consultas do TSE sobre as regras de observação, a missão não poderá fazer auditoria do sistema eletrônico de votação nas semanas que antecedem a eleição, deixando-o mais vulnerável a fraudes.

A Venezuela recusou equipes da OEA e da União Europeia e restringe a missão da própria Unasul. ( F S P , 23.10.2015, p. A-13) .

Nicolás Maduro tem birra antiga com Nelson Jobim. Em abril de 2008, em visita a Caracas, Jobim, então Ministro da Defesa , insistiu com Maduro, então chanceler, para que assinasse um memorando em que a Venezuela se comprometeria a parar de invadir o espaço aéreo brasileiro. Aviões venezuelanos estavam invadindo o espaço aéreo brasileiro com armas e tropas destinadas a reprimir manifestações populares de repúdio a Evo Morales, aliado de Chávez. Maduro interpretou a firmeza de Jobim, como uma ordem , e o memorando nunca foi assinado. ( Revista Veja, 28.10.2015, p. 74) .

O senador Aécio Neves procurou o presidente do TSE Dias Toffoli para parabeniza-lo pela atitude altiva que teve em relação ao lamentável episódio da Venezuela de vetar Nelson Jobim como observador nas eleições de dezembro.

Para diplomatas, ou o Brasil abre interlocução com críticos do chavismo ou corre riscos de ficar para trás caso Maduro perca as eleições presidenciais marcadas para 2019. ( F S P , 26.10.2015, p. A-4) .

Clóvis Rossi cita Alexander Guerrero, presidente da firma TecnoEconomica que descreve o descalabro em que está a Venezuela chavista:

“ É absolutamente patético. Estamos sendo testemunhas do colapso total de uma economia. Uma contração destas proporções ( queda de 10% do PIB), poderia ser um caso único nos últimos 50 anos do mundo. Nem sequer o PIB do Iraque caiu nessa proporção durante a guerra”.

A inflação em 2015 vai chegar a 160% segundo o FMI e a Venezuela tem o segundo maior número de homicídios por 100 mil habitantes , atrás apenas de Honduras.

Portanto, em uma situação dessas, governo algum pode ganhar qualquer eleição que fosse verdadeiramente democrática . Mas Nicolás Maduro acaba de declarar que , “ as eleições, há de ganha-las , seja como for”.

Isso significa que as eleições serão uma farsa como são na Coreia do Norte e em Cuba. Distritos eleitorais estão sendo remanejados, dando mais assentos no Parlamento aos que tradicionalmente votam mais pelo chavismo.

Políticos fortes foram presos e como Leopoldo López, condenados em um processo forjado. Cerca de 23 municípios estão em estado de exceção. A televisão é controlada pelo chavismo e o governo não aceita uma missão de observação eleitoral realmente independente porque vai fraudar as eleições e não quer que isso fique documentado. ( F S P , 26.10.2015, p. A-12) .

No dia 30 de outubro, José Arocena, presidente do Conselho Eleitoral do Uruguai e, como tal, presidente de turno do Conselho Eleitora da Unasul, divulgou nota em que diz que a missão “ está em risco , quanto à sua eficiência e seus resultados”.

O motivo é o mesmo que levou o TSE a desistir de participar da missão. A demora das autoridades venezuelanas para definir o marco jurídico em que se desenrolará a observação e para ser escolhido o representante especial.

A missão ainda não está nem formatada, o que dá total razão ao TSE de cair fora. Vai prevalecer a declaração de Maduro de que “ a eleição , há que ganhar, seja como for”. ( F S P , 31.10.2015, p. A-16) .

Leopoldo López

A farsa no caso Leopoldo López foi desmontada. Um dos promotores responsáveis pela detenção e recente condenação do líder opositor Leopoldo López a quase 14 anos de prisão por suposta incitação a protestos violentos, fugiu da Venezuela e divulgou no dia 23 de outubro, um vídeo prometendo revelar “ toda a verdade “ sobre supostas manipulações do caso pelo governo.

“Decidi sair da Venezuela com minha família em virtude da pressão que estavam exercendo o Executivo e meus superiores hierárquicos para que eu continuasse defendendo provas falsas com as quais se condenou o cidadão Lepoldo López, disse o promotor Flanklin Nieves em vídeo divulgado pelo site opositor “ La Patilha”.

Não se sabe o paradeiro de Nieves, mas sites locais afirmam que ele se encontra sob a proteção de autoridades americanas. Ele pode ter levado consigo, boa parte da documentação jurídica do caso López.

“Quem me conhece sabe a angústia que eu vinha passando . Eu não conseguia dormir por causa da dor e da pressão para continuar com uma farsa”.

Nieves previu que o governo de Nicolás Maduro ira fazer acusações falsas para desqualificar sua denúncia e convocou colegas magistrados a “perder o medo” e também se erguerem contra supostas manipulações. Isso só se eles também saírem da Venezuela.

Roberto Marrero , advogado de López disse “ Se o promotor a quem o governo mandou prender Leopoldo , diz que o processo é uma farsa, então isso deve bastar para libertá-lo imediatamente”. A defesa exige a anulação imediata da sentença.

O caso mostra a gravíssima manipulação do Poder Judiciário pelo ditador Nicolás Maduro. ( F S P , 25.10.2015, p. A-14) .

Ricardo Sánchez

Líder estudantil em 2007, tornou-se deputado pelo Estado de Miranda e aderiu ao chavismo. ( F S P , 29.10.2015, p. A-12) .

EUA

Os EUA sinalizaram no dia 29 de outubro que poderão aumentar as sanções à Venezuela se o governo Nicolás Maduro interferir na eleição parlamentar de dezembro.

O embaixador Thomas Shanon, alto assessor do Departamento de Estado avisou: “ A possibilidade de as eleições serem vistas como livres , e a contagem de votos, como válida, será parte muito importante de como decidiremos o próximo passo na relação com Caracas. Estamos preocupados com a politização do Judiciário e com os presos políticos”. ( F S P , 30.10.2015, p. A-18) .

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