Capitalismo crise - Março de 2016

Fatos relevantes da economia e política internacionais de 01 a 31 de março de 2016

O presente texto tem como base a leitura de fatos relevantes da economia internacional na imprensa brasileira, referentes ao período de março de 2.016.

Bernardo Guimarães faz uma comparação entre o desenvolvimento da China e do Brasil em 36 anos que derruba totalmente a tese equivocada de muitos autores marxistas que colocaram o imperialismo como causa do subdesenvolvimento.

Até o fim dos anos 1970, a China era um país estruturado nos moldes comunistas do maoísmo. Por isso, a China era um país miserável, com renda per capita , ajustada pelo poder de compra em 1980 , de US$ 309,2 , enquanto a do Brasil já era de US$ 4.852,6.

Em 1980, entre os 140 países na base de dados de renda por habitante do FMI, a China era o segundo país mais pobre, na seguinte ordem: Moçambique, China, Etiópia, Burkina Fasso, Burundi, Uganda, Maláui. Havia países mais pobres, como o Cambodja , mas sem dados de renda disponíveis.

Por volta de 1980, a China começou seu processo de reformas . E as reformas foram no sentido de desmonte da economia comunista e sua transformação em uma economia de mercado, ainda que sob as rédeas do Partido Comunista.

A coletivização da produção , ícone do comunismo, foi substituída na agricultura por um sistema de incentivos privados e o resultado é que a produtividade disparou.

Somado a outras reformas na economia, a renda por habitante na China nos anos 1980 cresceu 12% ao ano. Ema uma década, saltou dos US$ 309,2 para aproximadamente US$ 1.000 anuais, US$ 80 mensais.

O crescimento continuou e em 2016, com dados projetados, a China tem um poder de compra de US$ 15.050 por habitante, enquanto a do Brasil é de US$ 15.000 por habitante.

Hoje, a China tornou-se um país de renda média , já superando o Brasil e sua economia continua a crescer , ritmo em queda, mas ainda de 6% ao ano.

Em resumo, o crescimento nada tem a ver com imperialismo , mas com competência em políticas econômicas. A China, apesar de ainda manter um regime ditatorial e com corrupção ainda muito grande, foi competente. O Brasil foi incompetente e particularmente nos últimos anos, está sendo ainda mais. ( F S P , 4.3.2016, p. A-28) .

O médico e engenheiro Peter Diamandis, de 54 anos , dono da Planetary Resources, fundada em 2012 e que tem o intuito de um dia minerar asteroides, é muito otimista com o mundo atual:

“Ao olhar os dados puros, percebe-se que a civilização está cada vez mais pacífica e nossa qualidade de vida, melhor...Nossas inovações nos levaram a um progresso inédito nos últimos 100 anos. A estimativa média de vida duplicou. A renda familiar triplicou. O custo da energia caiu para um vigésimo do que era, e os alimentos, para um trigésimo”. ( Revista Veja, 9.3.2016, p. 13).

O FMI afirmou que a economia global corre o risco de descarrilhar e disse que os países precisam agir para estimular a demanda. O alerta ocorreu no mesmo dia em que se soube que as exportações chinesas tiveram em fevereiro a maior queda desde 2009.

As exportações da China recuaram 25,4% em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2015. As importações caíram 13,8% no 16º mês seguido de queda. Os dados levaram as bolsas mundiais fecharem em queda no dia 8 de março. ( F S P , 9.3.2016, p. A-15) .

Juros Negativos

O Banco Central Europeu tomou uma série de medidas no dia 10 de março para estimular a combalida economia da zona do euro e combater a deflação.

O BCE deixou ainda mais negativos os juros que cobra dos bancos para deixarem o dinheiro depositado no organismo, aumentando de -0,3% , para -0,4% a taxa de redepósito.

Mas, para surpresa dos analistas , ele também passou a oferecer empréstimo com prazo de quatro anos aos bancos comerciais, sob um arranjo que pagaria juros às instituições financeiras que emprestem a companhias e consumidores.

O BCE também anunciou que expandirá suas compras de títulos do governo e outros ativos para 80 bilhões de euros por mês, ante os atuais 60 bilhões de euros. E passará também a comprar títulos empresariais , como parte de seu programa de aquisição de ativos. ( F S P , 11.03.2016, p. A-17) .

Emergentes em freada

Para Ayhan Kose , diretor do Banco Mundial, a China mudou o comportamento de sua economia. Não vai mais importar commodities e bens como antes, porque vai deixar de construir tantos imóveis e fábricas. Isso tem consequência para o resto do mundo.

Nas economias avançadas, os bancos centrais estão muito ativos tentando apoiar a atividade econômica e criar inflação, mas as pessoas desconfiam da eficiência dessas políticas.

O problema está nos emergentes onde a atividade está desacelerando. Considerando preços de commodities , comércio e fluxos financeiros, 2015 foi o pior ano desde a crise financeira de 2008. Das 46 matérias primas que o banco acompanha, 42 caíram de preço em 2015.

Das grandes economias emergentes, Brasil e Rússia estão em recessão. A China desacelera. Na África do Sul o crescimento é fraco. Só a Índia vai razoavelmente bem. Quando essas economias desaceleram, o impacto em outros países emergentes é considerável.

Mas, para ele, não há risco de recessão global. Elas são raras. Houve apenas quatro desde a Grande Depressão: 1975, 19872, 1991 e 2009.Uma recessão global acontece quando há contração no PIB per capital global e um colapso no comércio mundial , do fluxo financeiro , da produção industrial , do emprego e do consumo de energia. Isso não está acontecendo. ( F S P , 26.03.2016, p. A-16) .

ALEMANHA

A União Democrática Cristã ( CDU), partido da chanceler Ângela Merkel, saiu como grande derrotada nas eleições parlamentares em três Estados no dia 13 de março.

Aumentou muito a votação do AfD que tem o discurso de que o país não pode arcar com tantos refugiados. O partido ganhou na Saxônia-Anhalf , que pertencia à antiga Alemanha Oriental e que é um dos estados mais refratários à política migratória de Merkel. ( F S P, 14.03.2016, p. A-15).

Merkel reconheceu que a rejeição de parte do eleitorado alemão à sua política de refugiados teve peso no revés eleitoral, mas afirmou que não mudará o seu rumo. ( F S P , 15.03.2016, p. A-11) .

ARGENTINA

Cristina Kirchner não chegou ao extremismo do chavismo na Venezuela, mas deixou um estrago bem maior do que o visto na economia brasileira.

Há anos o país está em moratória, fora do mercado internacional de crédito, o governo perdeu o controle da inflação, que está acima de 8% em janeiro e fevereiro, o governo acabou com a credibilidade do Indec ( o IBGE local) , impôs controles de capital , instituiu impostos sobre exportações ,criou subsídios insustentáveis e entregou o país sem quase nenhuma reserva em moeda forte e com as contas públicas em situação delicada.

Maurício Macri mostrou que tem pressa para ajustar o país. Apenas sete dias depois da posse , acabou com o teto da cotação do dólar imposto por Cristina Kirchner. A cotação do dólar subiu de 9 para 14 pesos e está estável , cotada em 15 pesos.

Com o dólar valendo mais e a redução dos impostos que incidiam sobre as exportações, o clima no meio rural mudou completamente. Os produtores só falam em aumentar a área plantada e as exportações.

O governo começou a desmontar a politica de subsídios que herdou e aumentou 600% o preço da eletricidade e promete reduzir os gastos públicos. O governo fixou metas de inflação e exigiu dados fidedignos sobre preços, determinando a restauração do Indec.

Acertou o acordo com os fundos abutres para por um ponto final na novela dos títulos argentinos. ( Revista Exame, 30.03.2016, p.48-51) .

Como resume editorial da Folha de São Paulo, Macri , “iniciou uma verdadeira terapia de choque, para se livrar do acentuado intervencionismo”. ( F S P , 28.03.2016, p. A-2) .

Acordo com os fundos abutres

Mais uma vitória de Macri. O governo argentino chegou a um acordo com credores internacionais , o que abre a possibilidade de o país colocar um ponto final no calote da dívida externa de 2001 e voltar ao mercado internacional de crédito.

O país fechou um acordo com os quatro “mais duros” e importantes fundos abutres: NML/Elliot Management, Aurelius Capital, Dadivon Kempner e Bracebridge Capital , na noite do domingo dia 28 de fevereiro.

O país se comprometeu a pagar US$ 4,4 bilhões até o dia 14 de abril . Outros US$ 263 milhões deverão ser pagos a título de custas judiciais do caso, que se arrasta desde 2014, na Justiça de Nova York.

A dívida total com os que não aceitaram o desconto na dívida remanescente do calote de 2001 , está entre US$ 12 e US$ 15 bilhões , que deverão ser pagos em 2016.

O país conseguiu um abatimento médio de 25% do valor devido até agora. Estes credores representam 7% dos detentores da dívida argentina de 2001. Os 93% restantes participaram de renegociações em 2005 e 2010 e aceitaram um desconto de até 70% da dívida.

Para que o acordo seja honrado, o governo argentino precisa derrubar no Congresso duas leis, aprovadas na gestão de Cristina , que o proíbem de negociar melhores condições com seus credores.

Após a aprovação legal, o governo argentino vai emitir títulos no mercado internacional e com esse dinheiro, fazer os pagamentos restantes aos credores. ( F S P , 01.03.2016, Mercado, p. 1) .

A Câmara dos Deputados aprovou no dia 16 de março o projeto que permite ao governo argentino pagar os fundos abutres. Foi a primeira vitória importante de Macri no Congresso, onde apenas 90 das 257 cadeiras são governistas. A votação foi 165 a 86.

O projeto ainda precisa passar pelo Senado , mas os senadores , embora a oposição também tenha maioria absoluta ( 42 de 72), são considerados mais flexíveis.

Caso haja aprovação, o governo precisará emitir US$ 12 bilhões em títulos para ter recursos para pagar os abutres. Ou seja, o governo vai pagar dívida velha, com dívida nova.

Não deve haver problemas porque a dívida externa da Argentina é muito pequena e não deverá haver dificuldades para vender os títulos. Mas, o mais importante é que com o pagamento, a Argentina poderá voltar ao mercado internacional. ( F S P, 16.03.2016, p. A-28) .

Já reflexo da visita de Obama à Argentina, o governo dos EUA pediu que a Justiça americana revogue a exclusão do país do mercado internacional de crédito. O pedido diz que a suspensão da limitação imposta à Argentina, é um “passo crítico “ para a normalização do caso e elogiou a “boa fé” com que Maurício Macri retomou as negociações com os credores. ( F S P , 25.03.2016, p. A-16) .

Macri anuncia reformas

Maurício Macri abriu no dia 1º de março as sessões do Congresso com anúncio de reformas nas áreas de Justiça e educação e pedidos de apoio por parte do Legislativo para algumas de suas primeiras medidas.

Pediu o apoio para o acordo com os credores externos, os “fundos abutres”, para a derrubada de duas leis aprovadas durante a gestão de Cristina Kirchner ( 2007-2015) .

Pediu que o Congresso aprove a polêmica nomeação por decreto que fez de dois juízes da Suprema Corte , no final de 2015.

Disse que encontrou o país desorganizado e sem informações claras sobre distintas áreas: “ O Estado mentiu sistematicamente , confundindo todos e apagando a linha divisória entre realidade e fantasia”. Culpou o governo anterior pelo aumento nos casos de corrupção , pela ineficiência de um Estado “ que cresceu , mas não melhorou a vida dos argentinos “ e pela inflação que vem aumentando. “ A inflação existe porque se usou o Banco Central para financiar os gastos públicos”.

É incrível a semelhança do quadro relatado por Macri e a situação atual do Brasil, Macri disse ainda que o kirchnerismo é responsável pela “ delicada situação fiscal” em que encontrou o país e pelo esvaziamento das reservas. Pois o esvaziamento das reservas foi justamente a proposta que o PT fez para o governo Dilma Rousseff, pelo menos isso ainda não ocorreu no Brasil. ( F S P , 2.3.2016, p. A-9) .

No Judiciário, Macri propõe a reforma do Conselho da Magistratura ( que regula a atividade de juízes) , um pacote anticorrupção que inclui a Lei do Arrependido (espécie de delação premiada) e medidas contra o narcotráfico, como o confisco de bens de acusados. ( F S P , 5.3.2016, p. A-17) .

Caso Nisnan

A juíza criminal Fabiana Palmaghini declarou no dia 1º de março que não é competente para continuar a liderar a investigação sobre a morte do promotor Alberto Nisman , por entender que o caso deve ir à esfera federal.

A decisão foi tomada após depoimento de Antônio Stiuso , ex-agente de inteligência e principal colaborador de Nisman.

Palmaghini também denunciou a procuradora Viviana Feins , que conduziu a investigação do caso até dezembro, por ela ter omitido a avaliação feita por Stiuso , no início de 2015, que a morte de Nisman era um assassinato.

O processo será enviado aos tribunais federais do bairro do Retiro em Buenos Aires. A morte de Nisman já completou um ano. ( F S P , 2.3.2016, p. A-9) .

Nova estratégia de Marketing

O presidente Maurício Macri adotou nova estratégia de marketing. Sua equipe transmitiu ao vivo, pelo Facebook, imagens de seu deslocamento entre a Casa Rosada e o Congresso, onde no dia 1º de março fez o discurso de abertura das sessões de 2016.

A transmissão ao vivo permitiu à população ver Macri sendo chamado de “ladrão”, por uma pessoa na rua. Em resposta, ele fez um sinal de negativo, com o indicador.

As imagens, com 16 minutos de duração, tinham 578 mil visualizações em três dias.

Macri desde sua campanha , diz ter como objetivo a pobreza zero, a união dos argentinos e o combate à corrupção e ao narcotráfico. Ele vem repetindo estas metas em pronunciamentos e entrevistas. ( F S P , 4.3.2016, p. A-15) .

Mesmo assim, as reformas propostas por Macri e seus efeitos como o aumento da inflação já estão causando queda de popularidade. O otimismo da população com ele, diminuiu de cinco a dez pontos percentuais , segundo as principais empresas de pesquisa da Argentina, mas segue entre 50% a 60% , uma média de aprovação ainda alta.

Os preços avançaram 4,1% em Buenos Aires, apenas no mês de janeiro. ( F S P , 9.3.2016, p. A-11) . A inflação é o principal e mais imediato desafio de Macri. Segundo consultorias independentes , o índice já passa de 35%. Não há dados oficiais porque o Indec foi quase destruído por Cristina Kirchner. ( F S P , 18.03.2016, p. A-21) .

Visita de Barak Obama

De 2003 a 2015, nos três mandatos kirchneristas , a Argentina afastou-se dos EUA por questões ideológicas , e se aproximou de China e Venezuela.

Macri mudou tudo. E recebeu elogios de seu colega Barak Obama em sua visita a Buenos Aires no dia 23 de março:

“Estamos impressionados como o que Macri fez em tão pouco tempo. Estou triste porque terei apenas nove meses para trabalhar com ele”, pois Obama deixará a Presidência em janeiro de 2017.

Para Obama, Macri deve ser um exemplo para os outros líderes da região e a Argentina precisa reassumir a sua importância no mundo.

Obama disse que fará um esforço para liberar os documentos sigilosos dos EUA relacionados à última ditadura argentina ( 1976-1983), incluindo registros militares e dos serviços de inteligência. ( F S P , 24.03.2016, p. A-15) .

Canal na Venezuela

A Argentina decidiu retirar sua participação de 16% na empresa que administra o canal de TV regional Telesur.

Com sede em Caracas , a emissora é comandada pelo governo de Nicolás Maduro e apoiada por países aliados e tem programas majoritariamente favoráveis a governos de esquerda.

A emissora deve deixar de ser obrigatória na grade de canais da TV aberta e da TV por assinatura do país. (F S P, 28.03.2016, p. A-10).

BÉLGICA

O atentado em Bruxelas volta a colocar em pauta que a Europa terá que decidir em qual medida está disposta a abrir mão de certas liberdades e direitos que compõem seus valores democráticos , mas que facilitam a ação inescrupulosa de terroristas.

Por exemplo em novembro, dias após os atentados terroristas em Paris, a polícia belga localizou o apartamento onde se escondia Abdeslam. Mas, às 21 horas os policiais pararam porque uma lei de 1969 proíbe incursões policiais em casas entre 21h e 5 da manhã , para preservar a privacidade das famílias.

Os policiais só voltaram no dia seguinte, devido ao trânsito às 10 horas e claro o terrorista já havia sumido.

Desde os atentados em Paris, outros 400 terroristas voltaram à Europa e contam com a complacência da comunidade muçulmana , com leis benevolentes e com a falta de cooperação entre os serviços de inteligência europeus, até detonar a próxima bomba. ( Revista Veja, 30.03.2016, p. 71).

Uma das medidas a ser adotada é lançar o PNR ( Registro do Nome do Passageiro), que obriga empresas aéreas a informar aos governos dados como nome, datas, itinerários e modo de pagamento de quem embarca. ( F S P , 27.03.2016, p. A-13) .

Terrorista capturado

Salah Abdeslam, 26, depois de quatro meses de caçada policial, um dos principais organizadores dos ataques terroristas em Paris em novembro, foi preso no dia 18 de março em uma grande operação em Bruxelas, junto com outras quatro pessoas , três das quais davam proteção a ele.

Abdeslam foi baleado na perna durante troca de tiros em um apartamento de Molembeek, bairro de Bruxelas onde se planejaram os atentados.

A França vai fazer um urgente pedido de extradição para obter mais informações dele. ( F S P , 19.03.2016, p. A-16) .

O terrorista disse às autoridades belgas que “queria se explodir no Stade de France e depois desistiu”.

Ele e um segundo homem preso foram acusados formalmente de participação em assassinato terrorista e de participar de atividades de uma organização terrorista. ( F S P ,20.03.2016, p. A-20).

No dia 21 de março, mais um suspeito de participação nos ataques foi identificado: Najim Laacharoui, 21, que seria cúmplice de Abdeslam. ( F S P , 22.03.2016, p. A-12) .

Abdeslam compareceu a um tribunal no dia 24 de março e disse que “não sabia” do planejamento das ações em Bruxelas, apesar de ter mantido vínculo com todos os envolvidos. Sua prisão foi estendida até pelo menos 7 de abril. ( F S P , 25.03.2016, p. A-10) .

Os investigadores descobriram que ele tinha refeito sua rede de contatos e que preparava um novo ataque, provavelmente ao aeroporto. ( Revista Veja, 30.03.2016, p. 71).

Estado Islâmico

O pior que poderia acontecer, aconteceu. O Estado Islâmico mostrou que vai continuar aterrorizando a Europa, matando inocentes onde quer que seja.

No dia 22 de março dois atentados coordenados mataram 32 pessoas e feriram 270 em Bruxelas , de quarenta nacionalidades.

Depois , mais quatro morreram em hospitais, elevando o total de mortos para 35. Cerca de 28 foram identificados até 28 de março, 15 no aeroporto: seus belgas, e os outros nove: EUA, Holanda, Suécia, Alemanha, França e China e 13 no metrô, dez belgas, um italiano, um sueco e um britânico. ( F S P , 29.03.2016, p. A-14).

Eram 8h15 da manhã , quando dois homens-bomba se explodiram no terminal principal de Zaventem, no check-in. Uma testemunha disse ter ouvido um grito em árabe, segundos antes do ataque. Houve um intervalo de 37 segundos entre uma explosão e outra . Ao menos dez pessoas morreram no local, Como as bombas estavam em malas, muitas das vítimas tiveram as pernas amputadas.

Três suspeitos foram identificados pelo sistema de segurança e o terceiro homem foi visto correndo pelo terminal. Eles chegaram de táxi e levavam bombas nas malas.

Por volta de 9 horas um suicida detonou explosivos em um vagão do metrô na estação de Maelbeek, a 200 metros da Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia. O local do atentado mostra a intenção de atingir a UE.

Pelo menos 20 pessoas morreram no local.

O aeroporto foi fechado e as estações de trem e metrô só foram reabertas ás 16 horas

As autoridades europeias vinham se preparando para um ataque havia semanas, pois sabiam que a facção havia dois meses planejava realizar ataques que teriam como alvo “aeroportos e estações de trem”. Mas Bruxelas não fazia parte dos planos. ( F S P , 23.03.2016, p. A-10) .É possível que a captura de Salah Abdeslam, co-autor dos atentados de Paris , no dia 18 de março em Molembeek, tenha precipitado as explosões.

Desde os atentados de Paris em novembro, Bruxelas, antes uma cidade tranquila , passou a ter militares armados patrulhando as ruas , pontos turísticos, galerias comerciais , feiras livres e até estacionamentos.

A Bélgica no combate militar ao Estado Islâmico tem participação reduzida com a fragata de guerra belga Leopold I, escoltando por meses o porta-aviões francês Charles de Gaulle no Golfo Pérsico, de onde foram lançados ataques contra o EI.

As operações antiterrorismo que se intensificaram nos últimos meses na Bélgica também ajudaram a fazer do país um inimigo e aumentaram o risco de ataque. ( F S P , 23.03.2016, p. A-11) .

Mas , por maiores que sejam os cuidados de segurança, é quase impossível impedir que loucos assassinos , carregando bombas , se explodam em qualquer local onde haja inocentes, como aconteceu nestes dois ataques.

Barak Obama , na Argentina, disse que acabar com o terrorismo é sua prioridade número um .”Iremos atrás do Estado Islâmico de forma agressiva até que ele seja removido do Iraque e da Síria e finalmente destruído”. ( F S P , 24.03.2016, p. A-15) .

O procurador-geral da Bélgica, Frédéric Van Leeuw, afirmou no dia 23 de março que dois dos suicidas que participaram dos ataques em Bruxelas no dia 22 eram os irmãos belgas Ibrahim e Khalid el-Bakraoui.

Ou seja, não eram fanáticos vindos do Iraque ou da Síria, mas pessoas da própria Bélgica que se dispõem a assassinar inocentes sem motivo algum.

Ambos eram suspeitos de vínculo, com a facção terrorista Estado Islâmico e tiveram envolvimento , ainda que indireto, na série de atentados em Paris, em novembro passado, o que comprovou a hipótese inicial de conexão entre as duas ações terroristas.

Ibrahim, 29 foi um dos homens-bomba que se explodiu no aeroporto de Zaventem, às 7h58. Ele foi identificado pelas digitais.

Seu irmão Khalid, 27 , se explodiu em um vagão de metrô na estação Maelbeek , às 9 horas.

O segundo homem que se explodiu no aeroporto ainda não foi identificado , mas participantes da investigação afirmaram que ele seria Najim Laachraoui , 24, que participou dos ataques na França. Um terceiro homem que estaria levando uma bomba na malha que falhou e saiu correndo , também não foi identificado.

Ibrahim el Bakraoui, 29 foi detido em Gaziantep perto da Síria pelo governo turco, por suspeita de querer se unir ao Estado Islâmico na Síria, e deportado para a Bélgica. Segundo o presidente turco, Tayyip Erdogan “ Notificamos a deportação para a Embaixada da Bélgica em Ancara em 14 de julho de 2015, mas ele foi liberado depois. A Bélgica ignorou nosso alerta de que essa pessoa é um combatente estrangeiro”. O ministro do Interior, Jan Jambon, reconheceu a falha. Disse que a Bélgica não pediu sua extradição, e ele acabou deportado para a Holanda em 14 de julho, onde voltou a circular livremente, pois é cidadão belga e por esta razão, devido ao Espaço Schengen, nem registro de entrada dele na Bélgica foi feito.

As autoridades estavam avisadas, mas não fizeram nada com o argumento de que não é possível prender jihadistas sem comprovação de que cometeram crimes.

Seis dias antes dos atentados em Bruxelas , o FBI alertou a polícia da Holanda sobre os antecedentes criminais e o “histórico terrorista” dos irmãos Khalid e Ibrahim el-Bakraoui. ( F S P , 30.03.2016,p. A-16) .

Os irmãos Bakhraoui tinham “longa” ficha criminal, não ligada a terrorista, segundo a Procuradoria belga. ( F S P , 24.03.2016, p. A-12) .

Khalid alugou dois apartamentos para a célula terrorista. Um deles foi usado por Salah Abdeslam, que foi localizado pela polícia logo após os atentados de Paris, mas ele fugiu.

Calcula-se que existam 300 mil muçulmanos em Bruxelas, quase um quarto da população. Apenas 14 das 80 mesquitas da cidade são reconhecidas pelas autoridades do país.

No dia 22, a Liga dos Imãs da Bélgica, repudiou “ os atos criminosos” . ( F S P , 24.03.2016, p. A-13) .

Mas , nas redes sociais, grupos de comunicação ligados ao Estado Islâmico mostram seu lado cruel e celebraram os ataques.

“Vamos matar todos vocês com facas, armas e bombas. É um prazer explodir a cabeça dos infiéis , Melhor seria cortar suas cabeças com uma faca de cozinha”.

“Vocês nos bombardeiam no Oriente, agora vamos bombardeá-los no Ocidente. Será olho por olho e dente por dente. Esperem mais bombas , esperem a morte”.

Em imagem, a foto do personagem Tin Tin , que é belga, decapitado, aparece acompanhada da frase “ Tin Tin não deveria ter mexido com terras muçulmanas”.

Isso mostra que com o Estado Islâmico não há como usar a diplomacia. Apenas a força, força brutal para eliminar esses assassinos sanguinários.

As comunicações entre os jihadistas na internet é complexa e fracionada em grupos e meios denominados “canais”, usando aplicativos criptografados. ( F S P , 24.03.2016, p. A-14) .

A polícia da Bélgica prendeu na noite da quinta-feira dia 24 de março, seis suspeitos de envolvimento nos ataques em Bruxelas.

As detenções ocorreram no bairro de Schaerbeek, de onde três dos terroristas partiram para as explosões no aeroporto de Zaventem.

Um das 19 comunas de Bruxelas, Schaerbeek tem uma importante comunidade muçulmana ( 47 mil pessoas, ou 36% dos 130 mil habitantes), mas não tinha sua imagem associada ao radicalismo islâmico, como era o caso de Molembeek a oeste, onde várias operações da policia haviam sido feitas depois dos ataques a Paris, em novembro. Provavelmente os terroristas migraram para esse ponto por ser menos visado.

A polícia belga está tentando identificar um segundo terrorista envolvido nas explosões no metrô de Maelbeek. Imagens das câmeras de segurança mostram um homem ao lado de Khalid el-Baraoui , carregando uma grande sacola. Dos quatro confirmados , três se suicidaram e um continua foragido.

Segundo promotores belgas, Khalid alugou um apartamento usado como esconderijo para os terroristas de Paris e tinha contra si uma ordem internacional de prisão desde 11 de dezembro de 2015. No apartamento, a polícia encontrou 15 kg de explosivo TATP, o mesmo usado nos ataques de Paris e outros materiais para a confecção de bombas: 150 litros de acetona, 30 litros de água oxigenada, um detonador e uma mala de pregos e parafusos.

O nível de alerta contra ataques foi reduzido de 4 ( máximo),para 3, após o governo considerar que o risco de um novo atentado é “ menos iminente”. ( F S P , 25.03.2016, p. A-10) .

O procurador federal belga Frédéric Van Leeuw confirmou no dia 25 de março que o segundo homem-bomba que se explodiu no aeroporto de Bruxelas é Najin Laachraoui , 24, ligado ao Estado Islâmico.

Ele é apontado como o fabricante das bombas , tanto em Bruxelas, quanto nos atentados de Paris em 13 de novembro.

Na tarde de sexta-feira dia 25, mas três suspeitos foram presos. Dos seus detidos no dia anterior, três continuavam sob custódia policial.

O suspeito que fugiu no aeroporto se chamaria Fayçal Cheffou. identificado como jornalista independente belga.

Ele foi preso no dia 24 , reconhecido e indiciado no dia 26, juntamente com Aboubakar A. e Rabah N., todos por atividades terroristas e participação em grupos terroristas.

No dia 28 de março, Fayçal foi liberado porque as autoridades não conseguiram provar que ele era o terceiro homem-bomba no aeroporto. ( F S P , 29.03.2016, p. A-14).

Identificar os 31 corpos nos ataques de Bruxelas pode demorar semanas em razão da gravidade dos ferimentos causados pelos destroços das bombas nos corpos. A polícia só vai divulgar os nomes quando tiver 100% de certeza. ( F S P , 26.03.2016, p. A-10) .

Um segurança do instituto nuclear de Fleurus , no sul do país, foi morto e seu crachá roubado. ( F S P , 27.03.2016, p. A-13) .

Centenas de manifestantes de extrema direita, vestidos de preto se reuniram diante do memorial às vítimas de Bruxelas gritando frases nazistas e slogans contra o Estado Islâmico. A polícia dispersou o protesto feito no dia 27 de março. ( F S P , 28.03.2016, p. A-9) .

BOLÍVIA

Evo Morales

Uma tia de Gabriela Zapata, a ex-namorada de Evo Morales disse que o filho que ela teve com Evo Morales , que teria morrido por volta dos dois anos de idade, está vivo e tem oito ou nove anos.

Face a esta informação Evo Morales afirmou: “ Peço à família de Gabriela Zapata que o tragam ,pois quero conhece-lo. Tenho direito de vê-lo, conhece-lo e cuidar dele. Se o menino não aparecer, tenho a obrigação de ir até as autoridades para que o fato seja investigado”.

Gabriela Zapata foi acusada formalmente de crimes de lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e tráfico de influência e foi detida no dia 26 de fevereiro. ( F S P ,1.3.2016, p. A-12) .

CHILE

A situação no Chile está muito complicada devido a inúmeros escândalos de corrupção.

Em fevereiro de 2015, surgiram denúncias de que a nora e o filho de Michelle Bachelet haviam lucrado milhões com a compra e a venda de terrenos adquiridos por um empréstimo concedido por um banqueiro próximo ao governo. Á época , Bachelet afirmou que o banco fez todas as análises técnicas antes de conceder o crédito e que o assunto estava na Justiça.

Em maio de 2015, rumores apontaram o ministro do Interior, Rodrigo Peñailillo , envolvido em um esquema de doação ilegal a campanhas eleitorais. Para amenizar a situação, Bachelet pediu que cinco dos seus 23 ministros abandonassem o governo.

Em fevereiro, com a presidente em férias, o administrador do La Moneda, Cristian Riquelme , deixou o cargo após denúncias de que fechara contratos entre o Estado e suas empresas.

A oposição não pode aproveitar o cenário porque também está com problemas. Em 2015, um escândalo de corrupção derrubou o presidente do UDI, de direita.

O grupo Penta, um dos maiores conglomerados empresariais do país foi investigado por ter feito doações ilegais para campanhas de políticos de vários partidos, a maioria filiada à UDI.

Neste contexto, a popularidade de Bachelet não ultrapassa os 30% há 12 meses. A queda da popularidade da presidente deve-se também a reformas estruturais, tributária, educacional e trabalhista que são complexas e mexem com interesses de vários grupos.

Apesar dos escândalos de corrupção, o Chile é o país menos corrupto da América Latina, em 21º lugar ao lado do Uruguai, em um total de 175 países. O Brasil está em um longínquo 69º lugar. ( F S P , 6.3.2016, p. A-15) .

CHINA

A China teve crescimento do PIB de 6,9% em 2015 , o menor avanço em 25 anos e estabeleceu que a meta de crescimento de 2016 será entre 6,5% e 7%, com uma média de alta de ao menos 6,5% do PIB no período de cinco anos.

É a primeira vez em duas décadas que o país adota uma banda para a meta de expansão do PIB. ( F S P , 6.3.2016, p. A-24) .

A China tem 430 bilionários , acumulando uma riqueza de US$ 1,2 trilhão, equivalente ao PIB do México. Há quinze anos o número de bilionários no país era zero.

A explosão econômica chinesa trouxe muita concentração de renda. Mas, aos poucos, mudanças no modelo de desenvolvimento e greves de protesto estão modificando o quadro, ainda que de maneira muito suave.

A relação de renda média urbana sobre a renda média rural, aumentou de 1,9 vezes em1985, para 3,3 vezes em 2006 e agora caiu para 3 vezes em 2013, com tendência de baixa.

O coeficiente de Gini caiu do pico de 0,491 em 2008, para 0,474 em 2012. No Brasil é 0,56. Quanto mais próximo de 1, mais desigual é o país.

Bibliografia: China em Transformação . Dimensões Econômicas e Geopolíticas do Desenvolvimento. Cintra, Marcos Antonio Macedo Cintra e outros. Ipea, e-book gratuito.

O americano Arthur Kroeber, presidente da consultoria Gavekal Dragonomics, aponta riscos para a economia chinesa.

“Há uma probabilidade considerável de que em cinco anos a China tenha uma dívida superior a300% do PIB e um crescimento econômico de 3% ao ano, o que seria muito baixo para os padrões chineses.”

No Japão ocorreu situação semelhante à do Japão na década de 90, mas que no final foi o governo que ficou com um endividamento crescente. Na China são as empresas que se endividam cada vez mais e o Estado está tentando manter sua dívida estável.

Para evitar cair nesta armadilha o governo terá que fazer reformas estruturais. A questão mais crucial é diminuir a presença das estatais.

Estima-se que um terço do PIB chinês seja produzido por empresas estatais , uma fatia muito grande em comparação ao que acontece em outros países. Os bens das estatais equivalem a 150% do PIB, a maior proporção do mundo. Na China o percentual é de 70% e no Brasil de 50%.

Na China as estatais são grandes e ineficientes. No setor industrial, o retorno das privadas é o dobro das estatais. Para ele “ não está claro se o presidente chinês é um verdadeiro reformador ou se é uma espécie de Vladimir Putin da China, interessado apenas em poder”.

Para o Brasil haverá consequências. A demanda por commodities não vai mais voltar a crescer como antes. A exportação de carne não tem muitas perspectivas de aumentar porque a dieta dos chineses já é muito boa e o consumo de carne é alto em comparação com seus vizinhos. Os chineses tem um dos maiores rebanhos do mundo.

A contribuição chinesa para o crescimento global caiu para um terço do que era há quatro anos em termos nominais. O dólar se fortaleceu e caiu o ritmo de crescimento chinês. ( Revista Exame, 16.03.2016, p.52-54) .

Compras no exterior

As empresas chinesas em janeiro e fevereiro de 2016, superaram as americanas e tornaram-se pela primeira vez , os principais compradores de empresas, investindo US$ 35,8 bilhões, de negócios de US$ 71 bilhões e o triplo dos americanos.

O maior negócio foi a compra da americana Ingram Micro, maior distribuidora de produtos eletrônicos do mundo, pelo HNA Group, por US$ 6 bilhões. ( Revista Exame, 30.03.2016, p.48-53) .

CINGAPURA

Marcos Sawaya Jank em artigo destaca que Cingapura conseguiu resolver um dos principais problemas que era a corrupção, nepotismo , propinas e suborno, assunto muito familiar no Brasil.

Lee Kuan Yew, o líder que levou Cingapura do Terceiro para o Primeiro Mundo adotou remunerações adequadas capazes de atrair os melhores talentos do mercado.

Também instaurou um sistema meritocrático que funciona não só no concurso de admissão como ao longo de toda a carreira do funcionário, incluindo o pagamento de bônus variáveis de até 50% do salário por desempenho. A meritocracia substituiu a isonomia no serviço público.

Com isso, hoje Cingapura é bem governada , limpa, verde , segura e tem a terceira maior renda per capita do mundo e recebeu em 2015, nota 8,5 na lista de 168 países que compõem o índice de “percepção de corrupção” da Transparência Internacional, o oitavo lugar do planeta.

O Brasil, ora o Brasil do PT , tem nota 3,8 e está em 76º lugar. ( F S P , 5.3.2016, Mercado, p. 11) .

COLÔMBIA

A liderança das Farc afirmou no dia 10 de março que “ não há condições”, do acordo de paz com o governo da Colômbia ser assinado no dia 23 de março, como inicialmente previsto.

O presidente Juan Manuel Santos declarou no dia 9 que não fechará um acordo ruim “ só para cumprir prazo. Depois de tanto esforço , de tanto tempo, se não tivermos um bom, acordo no dia 23, direi à outra parte [Farc]: vamos estabelecer uma outra data”. ( F S P , 11.03.2016, p. A-10) .

“Não há acordo de paz perfeito”. Juan Manuel Santos. ( Revista Veja, 23.03.2016, p. 44) .

ELN

O governo da Colômbia iniciou negociações com o ELN ( Exército de Libertação Nacional) , conforme anúncio feito no dia 30 de março em Caracas, onde as conversas tiveram início com mediação do governo da Venezuela.

A ELN é uma facção fundada por guerrilheiros marxistas nos anos 1960, com o propósito de combater injustiças sociais e é mais uma que se perdeu em violência e drogas. ( F S P , 31.03.2016, p. A-11) .

CORÉIA DO NORTE

A ONU aprovou pesadíssimas sanções contra a Coréia do Norte, as mais duras em duas décadas. As medidas são retaliação ao teste nuclear e lançamento de um míssil de longo alcance feitos recentemente pelo regime de Pyongyang.

As medidas incluem inspeções obrigatórias em todas as cargas que saem e entram na Coréia do Norte, proibição de todas as vendas e transferências de armas pequenas e armamento leve para o país e expulsão de diplomatas norte-coreanos que se envolverem em qualquer atividade ilícita.

A resolução proíbe que o país exporte carvão, ferro e minério de ferro, cuja renda está sendo usada para financiar os programas de mísseis balísticos – e também ouro, minério de titânio , vanádio e minerais de terras raras. Também proíbe vendas de combustível de aviação para o país , incluindo querosene dos foguetes.

A resolução sublinha que as medidas não se destinam a gerar consequências humanitárias , negativas para os civis , cuja maioria enfrenta dificuldades econômicas e escassez de alimentos. ( F S P , 3.3.2016, p. A-13) .

Apesar das sanções internacionais , o ditador da Coréia do Norte, Kim Jong-un deu mostras de sua total insanidade em 9 de março ao apresentar uma suposta maquete de ogiva nuclear que teria disso miniaturizada pelos técnicos do regime comunista.

Horas depois o país anunciou que teria conseguido reduzir a bomba atômica para caber em mísseis balísticos , em mais uma ameaça aos Estados Unidos e à Coréia do Sul.

Devido às restrições no país, não é possível confirmar a autenticidade da descoberta, Imagens foram publicadas pelo jornal “Rodong Sinmun”. A única solução da ameaça que a Coréia do Norte está representando para o mundo é a remoção desse ditador insano. ( F S P , 10.03.2016, p. A-12) .

CUBA

Leonardo Padura destaca que na década de 1960, os Beatles ou os Rolling Stones eram considerados pelo governo castrista a encarnação da decadência burguesa, e sua música definida como uma forma de brutal penetração ideológica e cultural, politicamente nociva.

Hoje , essa percepção mudou e os Stones podem atuar na ilha e em um parque de Havana existe há mais de uma década uma reverenciada imagem em bronze de John Lennon , como se nada houvesse acontecido quanto a ele ou sua música.

Na recente Feira do Livro em Cuba foi lançado “1984” de George Orwell , que junto com “A Revolução dos Bichos”, eram considerados libelos anticomunistas.

O presidente Obama fará uma visita a Cuba nos dias 21 e 22 de março, um time da Major League Baseball fará um amistoso contra a seleção cubana e Hollywood começa a entrar no país. ( F S P , 12.03.2016, p. C-8) .

A questão que se coloca com tudo isso é clara. Por quanto tempo ainda vai resistir o regime comunista?

O governo dos EUA anunciou no dia 15 de março que afrouxou as regras para viagens de norte-americanos à Cuba e para o uso de dólares pelo governo na ilha.

Americanos podem , a partir de agora, fazer viagens à Cuba por conta própria , sem precisar fazer parte de uma excursão de agências de turismo – geralmente mais caras – ou entidades.

Bancos norte-americanos podem passar a processar transações feitas pelo governo cubano , que até agora não eram aceitas pelo sistema bancário dos EUA. ( F S P, 16.03.2016, p. A-13) .

Os bancos cubanos não tem nenhuma sofisticação. Funcionam apenas como caixas de depósitos. O financiamento de negócios privados é quase inexistente, faltam agências e até caixas eletrônicos. Em Cuba há 7 caixas eletrônicos para cada 100.000 habitantes e no Brasil são 129.

Cuba precisa entrar no FMI e no Banco Interamericano de Desenvolvimento e facilitar a entrada de bancos estrangeiros para que a concorrência force os bancos nacionais a melhorar. ( Revista Exame, 16.03.2016, p.58) .

Visita de Obama

O presidente americano Barak Obama, chegou a Cuba, na tarde do domingo dia 20 de março para uma visita de três dias, a primeira de um presidente americano em 88 anos. ( F S P , 21.03.2016, p. A-10) .

Fidel Castro em artigo publicado no dia 28 de março um artigo no jornal “Granma”, onde afirma que Obama lançou mão das palavras mais adocicadas para dizer que os países devem esquecer o passado de agressões e, agora, juntos, olhar o futuro.

Fidel disse sobre a população cubana :” Somos capazes de produzir os alimentos e as riquezas espirituais de que precisamos com o esforço de nosso povo. Não precisamos que o império nos de nada de presente”.

Obama não se encontrou, nem citou Fidel durante a visita de três dias à ilha. Foi acompanhado por Raul Castro , os dois parecendo velhos amigos. ( F S P , 29.03.2016, p. A-18) .

EUA

O Fed decidiu em 16 de março manter a taxa de juros americana na faixa de 0,25% e 0,50% e revisou suas projeções para os juros , projetando dois aumentos para 2016, ante quatro anteriormente. Cautela é a palavra de ordem no momento. O crescimento mundial está mais fraco e o Fed quer acompanhar por mais tempo o comportamento do mercado de trabalho. ( F S P, 16.03.2016, p. A-25) .

Estagnação do crescimento

Robert J Gordon , autor de “Ascensão e queda do crescimento americano”, tem uma tese inusitada.

“Desde 1970 , o crescimento econômico nos Estados Unidos tem sido decepcionante porque as invenções das últimas décadas tem sido limitadas. E, olhando para a frente, isso não deverá mudar”.

Segundo ele, não houve nenhum crescimento econômico durante milênios até a segunda metade do século 18. Entre 1770 e 1870, houve um crescimento maior, mas ainda mais lento. Segundo o historiador britânico Angus Maddison, a taxa de crescimento do mundo ocidental do ano 1 ao ano 1820 foi de meros 0,06% ou 6% por século.

Entre 1870 e 1970 , foi registrada uma enorme aceleração .O dilúvio das invenções a partir de 1870 foi avassalador. Em 1880 não havia uma única casa com fiação elétrica nos EUA e em 1940 eram quase 100% ligadas à rede elétrica.. No mesmo período, a percentagem de casas com saneamento básico era de 94%. Este período pode ser considerado o “século especial”.

Mas, desde 1970, o ritmo de crescimento da economia americana voltou a cair. A explicação para ele é que as invenções das últimas décadas tem sido limitadas. Estão em sua maioria limitadas somente às áreas de entretenimento, comunicações, coleta e processamento de informação, com os PCs, smartphones e tablets.

Nas áreas de alimentação, vestuário, abrigo, transporte , saúde e condições de trabalho tanto dentro quanto fora do lar, houve desaceleração qualitativa e quantitativa.

Não houve nenhuma grande mudança no vestuário. As cozinhas pouco mudaram desde 1970, apenas com a chegada dos fornos de micro-ondas.

Os veículos pouco mudaram, apenas com maior conveniência e segurança e a viagem aérea é até menos confortável do que eram em 1970, com as configurações de assento nas aeronaves ficando mais apertadas.

Não houve progressos extraordinários na medicina.

Desde os anos 70, a produtividade nos EUA, cresce a apenas um terço da taxa alcançada entre 1920 e 1970.

Ele conclui que o crescimento nos países ricos deverá continuar baixo e nos emergentes um pouco maior , porque ainda há muito a fazer para encurtar a distância das nações ricas. ( Revista Exame, 30.03.2016, p.62-67) .

PIB 2015

O PIB americano continua em trajetória de crescimento: 2010 – 2,2%; 2011 – 1,6%; 2012 – 2,2%; 2013 – 1,5%; 2014 – 2,4%. 2016 – 2,4%.

O aumento no gastos das famílias, revisado para 2,4%, foi ofuscado por uma queda de 8,1% nos lucros corporativos , maior rombo desde o primeiro trimestre de 2001. Pode ser que os salários já estão crescendo significativamente, o que começa a pressionar lucros e investimentos de forma negativa.

As famílias não abandonaram as compras, amparadas por uma inflação baixa e mercado de trabalho estável, mas algumas companhias cortaram investimentos. O quadro torna mais provável um aumento de juros pelo Fed. ( F S P , 26.03.2016, p. A-18) .

Juros

Janet Yellen, presidente do Fed, declarou em 29 de março que com o crescimento global mais fraco do que o esperado e os riscos financeiros à economia americana aumentando, o Fed deve proceder “cautelosamente” ao elevar a taxa de juros, ou seja, mais devagar do que o esperado. ( F S P , 30.03.2016,p. A-20) .

IMIGRAÇÃO

O número de pedidos de asilo na União Europeia em 2015, chegou a 1,25 milhão, mais do que o dobro dos 562 mil de 2014, segundo a Eurostat.

A Alemanha recebeu 441,8 mil pedidos, 35% do total ( 172,9) . A Hungria 174,4 mil, ( 41,2) a Suécia, 156,1 mil ( 74,9) , a Áustria, 85,5 mil, ( 25,6) a Itália 83,2 mil ( 63,6) e a França, 70,5 mil ( 58,8) .Em parênteses os pedidos feitos em 2014, muito inferiores.

Cerca de 362,7 mil vieram da Síria ( 29%), do Afeganistão, 178,2 mil ( 14%) e do Iraque , 121m5 mil ( 10%).

No dia 7 de março será realizada uma cúpula extraordinária da União Europeia sobre refugiados, em Bruxelas.

Oito países estão controlando de alguma forma suas fronteiras, sob a justificativa de não ter condições de abrigar refugiados.

A situação mais dramática no momento é na fronteira da Macedônia, fechada pelo governo macedônio e com quase 30 mil refugiados retidos em território grego.

Os checkpoints tão abominados pelos alemães orientais, voltaram, desta vez para conter a entrada de deslocados de guerra do Oriente Médio.

No caminho entre Grécia e Europa Central, foram erguidas cercas pela Hungria e Macedônia. A Acordo de Schengen que aboliu os controles fronteiriços, tornou-se letra morta. ( Revista Veja, 9.3.2016, p. 28).

A União Europeia anunciou em 2015 um fundo de 3 bilhões de euros para ajudar a Turquia a abrigar os 2,5 milhões de refugiados sírios em seu território.

A Otan, liderada pela Alemanha, patrulha o mar Egeu, para coibir travessias ilegais. Quatro navios de guerra ,integram a operação – da Alemanha, Canadá, Grécia e Turquia.

A patrulha vai ser ampliada para monitorar as águas territoriais da Grécia e da Turquia, em conjunto com a Frontex ( agência europeia de fronteiras). Mais países vão aderir. ( F S P , 7.3.2016, p. A-9) .

Em uma conferência de paz por telefone, de 50 minutos, no dia 4 de março, Merkel, Hollande, Cameron e Matteo Renzi cobraram de Vladimir Putin a manutenção do frágil cessar fogo em vigor na Síria desde 27 de fevereiro, para pressionar Assad a retomar negociações de paz na Suíça. Mas, o cessar-fogo, do qual não fazem parte o Estado Islâmico e a Frente al-Nusra, já foi violado por 31 vezes, segundo o próprio governo russo. ( F S P, 5.3.2016, Mundo2, p. 12) .

Grécia

Cerca de 6.500 refugiados e imigrantes estão no acampamento de Idomeni , norte da Grécia , esperando para prosseguir viagem para países mais prósperos da Europa.

No entanto, somente poucas dezenas de pessoas estão sendo autorizadas a entrar na Macedônia a cada dia. No dia 29 de fevereiro foram apenas 50.

A Macedônia disse que só deixará atravessar a fronteira, o número de pessoas que a Sérvia se dispõe a receber.

Por isso, no dia 29 de fevereiro cerca de 500 pessoas, depois de passarem pelo isolamento feito pela polícia grega, chegaram a um portão de entrada entre os dois países que fica em uma via férrea.

Tentaram derrubar o portão para entrar na Macedônia, mas do outro lado estava um pelotão da polícia da Macedônia que não permitiu e reagiu lançando bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral.

Os manifestantes gritavam “ abram a fronteira” e alguns atiravam pedras contra os policiais, mas foram obrigados a recuar. Não há relatos de pessoas presas ou feridas. ( F S P ,1.3.2016, p. A-11) .

Imigrantes, parem de ir à Europa

O presidente do Conselho Europeu , Donald Tusk, disse no dia 3 de março , que imigrantes econômicos ilegais não devem colocar em risco a vida e o dinheiro tentando uma travessia perigosa à Europa “ a troco de nada”.

Tusk disse que o principal objetivo é por fim ao fluxo ilegal entre a Turquia e a Grécia, que arrisca virar um grande campo de refugiados por causa das restrições de entrada impostas por países vizinhos.

Autoridades gregos estimam já existir 32 mil pessoas retidas na Grécia sem conseguir passar para países mais prósperos. Tusk sobre isso afirmou: “ O método mais promissor parece ser um mecanismo rápido e em larga escala para mandar de volta imigrantes irregulares que chegam à Grécia. Isso quebraria com eficiência o modelo de negócio dos traficantes de pessoas”.

O problema é a quem caberia realizar as expulsões. O primeiro-ministro da Grécia , Alexis Tsipras, pediu à União Europeia que imponha sanções a países-membros que se recusam a aceitar parte das centenas de milhares de refugiados que tentam entrar na Europa pela Grécia.

Tsipras prometeu fornecer condições dignas de vida para os milhares de migrantes retidos no país, mas de modo temporário.

Wolfando Piccoli, presidente da consultoria Teneo Inteligence, disse que da forma como está, “ a Grécia pode virar uma grande ‘selva de Calais’, referindo-se ao acampamento de imigrantes no norte francês, cujo desmonte foi determinado. ( F S P , 4.3.2016, p. A-15) .

Finlândia

No dia 29 de fevereiro a Finlândia informou que repatriou em 2015, 3.200 migrantes que não tiveram aceitos os seus pedidos de asilo. ( F S P ,1.3.2016, p. A-11) .

França

Sob forte proteção policial o governo começou a desmontar a parte sul do acampamento de Calais. A operação foi suspensa no fim da tarde do dia 29 de fevereiro, após enfrentamentos entre migrantes, policiais e militantes da ONG No Bordier ( sem fronteira).

Milhares de imigrantes esperam no que é considerada a maior favela do país para tentar cruzar o Canal da Mancha e chegar ao Reino Unido. ( F S P ,1.3.2016, p. A-11) .

Turquia

A Turquia impôs no dia 7 de março, de maneira surpreendente , uma lista de condições aos países da União Europeia em troca de ampliar seu esforço de conter o fluxo dos que atravessam seu território rumo à Europa.

A maior exigência apresentada na cúpula extraordinária sobre o tema, em Bruxelas, foi financeira: Ancara quer, até 2018, que a União Europeia dobre para 6 bilhões de euros a ajuda aos cerca de 2,5 milhões de refugiados que hoje vivem em acampamentos turcos – a maioria sírios que cruzaram a fronteira para escapar da guerra civil em curso há cinco anos.

Em novembro, o bloco europeu havia acertado com a Turquia uma ajuda de 3 bilhões de euros ao longo de 2016 e 2017.

A principal oferta turca é se dispor a recolher de volta para seu território todos os “migrantes irregulares” pegos em barcos no mar Egeu inclusive aqueles que tiverem chegado a ilhas da Grécia , ou seja, já em solo europeu. Os custos dessa operação seriam bancados pela Europa.

Mas Ancara pede a contrapartida de para cada sírio que seja reconduzido das ilhas gregas para a Turquia , outro vivendo em acampamentos turcos entre numa lista para ser assentado em algum país da UE. ( F S P , 8.3.2016, p. A-10) .

A Turquia quer ainda livre movimento para seus cidadãos em 26 países europeus.

O cientista político Bayram Balci, da Universidade Science Po, em Paris afirma:” A União Europeia quis evitar que a Turquia fizesse parte de seu clube e agora o país cobrará o preço por possuir as chaves do portão para o Oriente Médio”. ( Revista Veja, 16.03.2016, p. 63) .

Não ficou claro como será feita essa distribuição interna, provavelmente por um sistema de cotas, nem se haverá um teto de refugiados que poderão participar dessa troca.

O acordo foi feito. A chanceler alemã Ângela Merkel disse que ele é “ um passo adiante” e que “aqueles pegos ilegalmente ficarão, na melhor das hipóteses, no fim da fila”, para entrar na Europa.

Como era de se esperar , o Acnur ( Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) e entidades internacionais condenaram no dia 8 de março o acordo firmado entre Turquia e União Europeia, pelo qual os refugiados e migrantes que forem apanhados ao chegar às ilhas da Grécia, serão devolvidos ao território turco.

Para a Acnur, o pacto não leva em conta garantias de proteção a refugiados previstas no direito internacional e a expulsão coletiva de estrangeiros é proibida pela Convenção Europeia de Direitos Humanos.

Jean-Claude Juncker, refutou a acusação de ilegalidade, dizendo que um país-membro pode desconsiderar a reivindicação de refúgio, caso haja uma “nação segura” para onde mandar de volta o refugiado. E a Turquia é considerada uma nação segura.

Mas, segundo a antropóloga Jenny White, especialista em Turquia da Universidade de Boston, “Lá crianças sírias vivem como pedintes ou trabalham sem proteção legal. Há relatos de meninas vendidas como esposas ou escravas sexuais para homens turcos”.

Fabrice Balanche , especialista em imigração do Washington Institute, afirma que a solução apresentada não vai resolver o problema: “ A deportação não vai frear os refugiados. Eles buscarão outras rotas para chegar ao destino”. ( Revista Veja, 16.03.2016, p. 63) .

A contenção do fluxo migratório é prioritária principalmente em países onde as eleições estão ´próximas. A Alemanha e a França vão às urnas em 2017. Na Alemanha mais de 50% e na França 40% acham que o número de pedidos de asilo está alto demais. Com a acordo a ideia é manter a área de livre circulação sem que novas barreiras sejam construídas, mantendo o projeto europeu

A adaptação a um novo país não é fácil. Muitos refugiados acabam voltando para seu país, ao perceber que não podem mandar buscar suas famílias. Cerca de 3.500 iraquianos que haviam fugido para a Europa em 2015, retornaram para o Iraque. ( Revista Veja, 16.03.2016, p. 63) .

A União Europeia, após intensas negociações, fechou no dia 18 de março o acordo com a Turquia para conter o fluxo de migrantes e refugiados , sobretudo da Síria para os países do bloco.

Todos os migrantes e refugiados que forem pegos cruzando ilegalmente o mar Egeu rumo à Grécia, mesmo os que chegarem a uma ilha grega serão devolvidos à Turquia.

Em contrapartida, a cada refugiado sírio que retornar à Turquia, um outro que já estiver em acampamentos turcos será reassentado em algum país-membro da UE. Quem não tentou entrar antes ilegalmente na Europa terá prioridade na lista.

A Turquia se compromete a tratar os “retornados” conforme a lei, incluindo garantias de que não serão devolvidos à Síria,

Mas, haverá um limite de 72 mil refugiados a serem assentados nos países da UE, abaixo dos 108 mil defendidos por entidades internacionais. Só em 2016, já entraram 143 mil pessoas na Grécia , pelo mar Egeu. Há 45 mil migrantes e refugiados em solo grego e eles não serão obrigados a voltar à Turquia, e a UE terá que realoca-los no bloco.

Serão enviados à Grécia guardas de fronteira . Serão mais de 4.000 funcionários entre policiais, intérpretes e especialistas em legislação de asilo , para realizar os procedimentos burocráticos de recolher os refugiados e leva-los de volta à Turquia, além de registrar os que pedirão para ficar em solo grego.

Cerca de mais de 50 mil estão em solo grego, sendo 13 mil concentrados de forma precária no acampamento de Idomeni, na fronteira com a Macedônia, esperando que a passagem seja reaberta.

A ajuda à Turquia foi dobrada para 6 bilhões de euros, 3 bilhões em 2016 e 2017 e 3 bilhões em 2018. ( F S P , 19.03.2016, p. A-16) .

Como era de se esperar o fluxo de imigrantes não parou. A Grécia anunciou que 1.662 migrantes e refugiados desembarcaram em suas ilhas no mar Egeu entre o dia 20 e o dia 21 de março, como acordo já em vigor. ( F S P , 22.03.2016, p. A-12) .

Eslovênia e Sérvia

Eslovênia e Sérvia informaram em 8 de março que fecharão suas fronteiras, sufocando ainda mais o intenso fluxo na rota do Báltico. ( F S P , 9.3.2016, p. A-11) .

ÍNDIA

A economia indiana está crescendo em 7% ou mais a cada ano, ultrapassando a China e se tornou o país grande de mais rápido crescimento , superando com facilidade rivais como o Brasil e a África do Sul.

As previsões indicam que o país vai manter crescimento acima de 7% ao ano até 2020.

O país tem uma grande necessidade de gerar empregos. Quase 120 milhões de pessoas ingressarão na força de trabalho até 2024. A maior parte será formada por jovens sem capacitação profissional ou por trabalhadores rurais transferidos para as cidades .

A economia chinesa absorveu grande volume de mão de obra com baixa capacitação técnica na indústria , mas isso dificilmente vai ocorrer na Índia porque a indústria está evoluindo para um modelo de alta automatização que demanda menos mão de obra e mais qualificação.

Na Índia, a indústria vem mantendo a mesma participação no PIB há décadas, da ordem de 15%, bem abaixo da China e de outras economias asiáticas. Essa participação vem caindo recentemente, por causa na queda das exportações devido à desaceleração mundial.

Portanto certamente o maior desafio a ser enfrentado pelo país será como gerar empregos para uma mão de obra desqualificada, com a expansão de uma indústria moderna que opera com elevado grau de automação e por isso demanda menos mão de obra e altamente qualificada. ( F S P, 5.3.2016, Mercado, p. 11) .

Para criar mais vagas, segundo a consultoria britânica Deloitte, o país precisa permitir a entrada de capital estrangeiro em setores que ainda são feudos de investidores locais. Nos últimos meses , o primeiro-ministro Narenda Modi facilitou o investimento estrangeiro direto em 15 setores , como defesa, aviação civil e mineração.

O ministro da Fazenda indiano, Arun Jaintley, anunciou um plano de privatização de US$ 8,4 bilhões, um movimento importante em um país famoso pela ineficiência estatal. Na Índia é comum ouvir a crítica de que a economia cresce à noite, quando os funcionários das estatais e do governo estão dormindo.

A inflação , que foi de 10,9% em 2013, caiu para 5,9% em 2015 e está em uma tendência de queda. Com isso, o banco central da Índia , deu início a uma fase de corte da taxa de juros.

Reformas estruturais, inflação em baixa, governo proativo e o resultado é que a Índia é o país que mais cresce entre os emergentes. No Brasil temos inflação em alta, inexistência de reforças estruturais e governo paralisado e o resultado é o país que está em pior situação entre os emergentes, com crescimento negativo previsto para 2016, de 3,5%. ( Revista Exame, 16.03.2016, p.59) .

IRAQUE

Estado Islâmico

A rede de televisão britânica Sky News, revelou em seu site no dia 9 de março que recebeu de um ex-integrante da facção terrorista Estado Islâmico, um arquivo digital contendo formulários de inscrição da milícia com dados pessoas de mais de 22 mil possíveis militantes.

Tipo sanguíneo, telefone, nome de familiares, nível de conhecimento sobre a lei islâmica e opção por ser combatente ou potencial suicida em um atentado são alguns dos itens que os interessados em integrar o EI respondiam.

Os registros mostram que os candidatos vinham de pelo menos 51 países – a maioria de nações árabes , mas também muitos da França, Alemanha e Reino Unido.

Segundo relato da Sky News, as informações estavam em um dispositivo USB roubado do chefe de polícia interna da organização por Abu Hamed, que teria entregado o arquivo a um jornalista na Turquia , explicando que havia abandonado o EI por considerar que “ os valores islâmicos haviam entrado em colapso”, no grupo.

Com certeza o serviço secreto britânico vai analisar o arquivo com muito interesse. ( F S P , 11.03.2016, p. A-12) .

Abd al-Qaduli morto

Os EUA anunciaram em 25 de março que forças americanas mataram Abd al-Rahman Mustafa al-Qaduli , de origem desconhecida, também chamado de Haji Iman, que seria uma espécie de “ministro das Finanças “ do EI e responsável por algumas das ações externas da facção.

O secretário da Defesa, Ashton Carter afirmou “ Matar um líder é necessário, mas longe de ser suficiente, pois eles podem ser substituídos, Mas esses eram experientes”, disse referindo-se a Al-Qaduli e Omar al-Shishani , o “ministro da guerra” da milícia morto na semana passada .

Segundo alguns analistas , Al-Qaduli era cotado para assumir o lugar do atual líder do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, caso ele fosse morto.

É possível que a operação que matou Al-Qaduli tenha sido realizada por tropas especiais terrestres dos EUA e não com ataques aéreos.

O general Joseph Dunford disse que a ofensiva contra o EI atravessa um bom momento, mas que é cedo para dizer que “ a luta acabou”.

A facção perdeu 40% de seu território no Iraque e 20% na Síria. Por isso é que o EI está fazendo atentados na Europa.

Ele afirmou que os EUA devem aumentar seu efetivo no Iraque , atualmente de 3.800 soldados. ( F S P , 26.03.2016, p. A-11) .

Atentado em estádio de futebol

Em mais uma ação covarde, um homem-bomba se explodiu na arquibancada de um estádio de futebol perto de Bagdá no dia 25 de março, quando o jogo já havia terminado e os vencedores recebiam o seu troféu.

Pelo menos 29 pessoas morreram e outras 60 ficaram feridas. Com esses loucos assassinos, nem futebol os iraquianos podem assistir em paz. ( F S P , 26.03.2016, p. A-11) .

IRLANDA

A Irlanda era conhecida na segunda metade da década de 90 como o “Tigre Celta”, alusão aos Tigres Asiáticos ( Hong Kong, Coréia do Sul, Singapura e Taiwan).

O PIB crescia a 9% ao ano , mas o excesso de confiança levou a uma expansão insustentável do crédito, e ao estouro de uma bolha imobiliária em 2007, que afetou os bancos.

A economia encolheu 2,1% em 2008 e outros 5,6% em 2009. O país aceitou a ajuda de 67 bilhões de euros do FMI, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia.

Medidas de austeridade foram tomadas, como a redução de gastos sociais e aumento de impostos e deram certo. Em 2015, o PIB cresceu 7,8%. Com setores dinâmicos como o farmacêutico e de Tecnologia de Informação , a economia irlandesa , uma das mais competitivas do bloco europeu, ajustou-se com rapidez. O país tornou-se o maior sucesso nos planos de austeridade na Europa. ( Revista Exame, 30.03.2016, p.52) .

JAPÃO

O Acidente Nuclear de Fukushima

O desastre de Fukushima já completou cinco anos , mas o estágio atual mostra a gravidade de um acidente nuclear.

A Tepco está retirando os combustíveis fundidos dos reatores , trabalho que deve terminar somente em 2022.

Os técnicos e engenheiros se concentraram no controle do vazamento de água contaminada e retirada dos destroços e maquinário danificado. Tudo isso é uma situação inédita. O desmantelamento total da usina deve durar de 30 a 40 anos.

Um grupo de 100 mil pessoas continua longe de suas casas por causa da contaminação nuclear. O governo quer suspender a ordem de retirada para a maioria das seis cidades localizadas em um raio de 50 km da usina , até 2017.

No final de 2015, a cidade de Naraha, 20 km ao sul da central, foi a primeira a receber de volta moradores. Mas, segundo pesquisa do governo, 53% dos que saíram afirmaram não estar prontos para voltar ou indecisos. Alguns já conseguiram emprego em outro lugar e outros ainda estão preocupados com a radiação.

Não há garantias de que a área esteja realmente segura para uma vida normal. ( F S P , 11.03.2016, p. A-12) .

Crime e sobrevivência

O crime entre os aposentados no Japão está avançando mais rápido do que a participação dos idosos na população , que chegará a mais de 40% do total em 2060, acima dos 65 anos.

Entre 1991 e 2013, segundo dados do Ministério da Justiça, o número de encarcerados por repetir o mesmo crime seis vezes, subiu 460%.

Para um aposentado japonês que viva sozinho, o custo de vida é 25% mais alto do que a magra aposentadoria que recebe do Estado, da ordem de 780 mil ienes ( R$ 25 mil) por ano.

Por isso, malfeitores grisalhos estão loucos para obter uma sentença de prisão. Mesmo o roubo de um sanduíche de 200 ienes ( R$ 6,50) pode valor sentença de prisão de dois anos , a um custo de 8,4 milhões de ienes ( R$ 270 mil), para o Estado.

As penitenciárias não são como as do Brasil e oferecem comida, acomodações e serviços de saúde grátis. Por isso, a onda do crime geriátrico está se acelerando. As estatísticas sobre crime mostram que 35% dos delitos de furto em loja, são cometidos por pessoas com mais de 60 anos. Nessa faixa etária, 40% dos bandidos reincidentes cometeram o mesmo crime, mais de seis vezes.

A situação social do Japão, forçou os idosos a cometer crimes por necessidade. Quando saem da prisão, por não terem família, nem dinheiro , voltam-se imediatamente para o crime. No Japão, a questão previdenciária está sendo solucionada pelo sistema penitenciário. ( F S P , 29.03.2016, Mercado 2, p. 8) .

MOÇAMBIQUE

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), em trégua desde 1992, voltou a entrar em conflitos com o governo, levando mais de 6.000 moçambicanos a se refugiar na Malaui, segundo a Acnur, agência da ONU para refugiados.

A Renamo é apoiada por comunistas, assinou trégua com a Frelimo em 1992 , após uma guerra civil de 16 anos que deixou 1 milhão de mortos em Moçambique.

Agora pretende tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país, alegando fraude nas eleições de outubro de 2014; ( F S P , 3.3.2016, p. A-13) .

PAQUISTÃO

Terror, terror, terror

Mais um atentado terrorista matando inocentes. Desta vez a responsabilidade foi do Jammat-ul-Ahrar, facção do grupo radical Taleban.

Um homem-bomba matou no dia 27 de março, 70 pessoas em sua maioria mulheres e crianças , ao se explodir em um parque em Lahore, cidade de 8 milhões de habitantes no leste do Paquistão. Mais de 300 ficaram feridos.

Lahore, localizado em Punjab, a província mais rica do país, é reduto do primeiro ministro Nawaz Sharif. O atentado é um aviso a Sharif que a milícia chegou a Lahore.

O grupo terrorista disse : “ O alvo foram os cristãos. [ O premiê Sharif] não pode nos deter. Nossos homens-bomba manterão esses atentados”. Mas, dos 70 mortos, 44 eram muçulmanos.

O louco terrorista se explodiu no estacionamento do parque Guishan-e-Iqbal, que é popular entre a comunidade cristã e estava lotado de famílias celebrando a Páscoa.

Pedaços de corpos ficaram espalhados pelo estacionamento. Imagens de TV mostraram crianças e mulheres em poças de sangue do lado de fora do parque , chorando e gritando enquanto equipes de resgate, policiais e transeuntes carregavam feridos para ambulâncias e carros.

Nasreen Bibi , que teve a filha ferida , disse chorando: “ Que Deus despeje sua ira sobre os agressores. Que tipo de gente ataca crianças em um parque? (F S P, 28.03.2016, p. A-9).

O governo do Paquistão lançou no dia 28 de março uma ofensiva contra milícias radicais islâmicas , em resposta ao atentado.

O Exército e as forças especiais prenderam um número não informado de suspeitos e apreenderam armas e munições em operações . ( F S P , 29.03.2016, p. A-15) .

PERU

O conselho eleitoral do Peru, em uma decisão surpreendente, bloqueou no dia 9 de março, a candidatura de Julio Guzmán , principal rival de Keiko Fujimori nas eleições presidenciais de abril.

O Júri Nacional das Eleições decidiu por 3 votos a 2, que ele não pode participar da disputa porque o seu partido, o Todos pelo Peru, não cumpriu procedimentos ao registrá-lo.

Guzmán era o único candidato que parecia ter chances de superar Keiko, da Força Popular, segundo pesquisas recentes. Agora os votos que iriam para ele devem ser pulverizados entre diferentes candidatos , mas aumenta a chance de Keiko vencer. ( F S P , 10.03.2016, p. A-12) .

PETRÓLEO

As commodities vão continuar a ter fortes oscilações. Influenciados por uma melhora do humor dos investidores em relação à China, a tonelada de minério de ferro entregue na China atingiu, US$ 63,74, após subir 19% no dia. Em 2016 , já acumula alta de 46%.

O petróleo tipo Brent , subiu 5,2% e fechou acima de US$ 40 pela primeira vez desde 9 de dezembro. O barril já subiu 50% desde janeiro, quando esteve abaixo de US$ 30. ( F S P , 8.3.2016, p. A-13) .

SÉRVIA

O Tribunal Penal Internacional condenou no dia 24 de março, a 40 anos de prisão, por genocídio pelo massacre de 8.000 homens e meninos muçulmanos em Srebrenica em 1995, o ex-líder sérvio Radovan Karadzic, no maior julgamento por crimes de guerra desde a Segunda Guerra Mundial. Ele era presidente da separatista República Sérvia da Bósnia e foi acusado durante anos por estar por trás de algumas das piores atrocidades do conflito bósnio.

Depois de seu indiciamento em 1995, passou 13 anos foragido, até ser preso num ônibus em Belgrado , onde estava escondido em plena vista, passando-se por um curandeiro New Age chamado Dr. Dragan Dabic. Preso em 2008 era conhecido como o “Açougueiro da Bósnia”.

Karadzic foi considerado responsável por tentar exterminar a população muçulmana de Srebrenica , na pior atrocidade cometida na Europa desde 1945 , e por ser o comandante do cerco da cidade bósnia de Saravejo, que durou 44 meses.

Além da acusação de genocídio, Karadzic foi condenado por nove acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, incluindo extermínio, homicídio e terror na guerra bósnia , que durou três anos e meio. Ele foi absolvido em uma segunda acusação de genocídio em várias cidades bósnias em 1992.

O conflito deixou mais de 100 mil mortos e expulsou mais de 2 milhões de pessoas de seus lares.

O julgamento de Karadzic, do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, criado em 1993, levou cinco anos, arrolou 586 testemunhas e envolveu 115 mil páginas de provas documentais.

Karadzic é o líder mais sênior e a figura de perfil mais alto a ser julgada pelo Tribunal, depois do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic , que foi acusado de fomentar os conflitos e morreu de ataque cardíaco em sua cela, em 2006, antes de seu julgamento ser concluído.

O Tribunal foi criticado por ter demorado a entrar em ação, pelos julgamentos intermináveis e excessivamente complexos , mas levou a julgamento todas as 161 pessoas que indiciou.

Ainda vai anunciar o veredito de outro réu de perfil alto, o ultranacionalista sérvio Vojislav Seselj , acusado de crimes de guerra e há ainda alguns julgamentos por terminar , entre eles o do comandante militar sérvio bósnio Ratko Mladic , preso em 2011. ( F S P , 25.03.2016, p. A-12) .

SÍRIA

De modo surpreendente, o presidente da Rússia, Vladimir Putin anunciou em 14 de março que vai retirar a “parte principal” de suas forças na Síria.

“Acredito que a tarefa colocada para o Ministério da Defesa e as forças armadas da Rússia, em sua totalidade, foi cumprida”.

Putin deixou claro que deixará a base aérea na província de Latakia , totalmente operacional, assim como o porto de Tartus. ( F S P , 15.03.2016, p. A-10) .

Palmira recuperada

As forças aliadas ao regime sírio, lançaram uma ofensiva para retomar a cidade histórica de Palmira , dominada pelo Estado Islâmico desde maio de 2015.

No dia 24 de março , os soldados do ditador Bashar al-Assad dominaram o setor hoteleiro, a oeste da cidade e uma área residencial, na mesma região.

Infelizmente, parte das ruínas romanas existentes na região foram destruídas pelo Estado Islâmico e com a retomada, o mundo vai tomar conhecimento do que sobrou da ação dos vândalos. ( F S P , 25.03.2016, p. A-10) .

No dia 27 de março ,a retomada de Palmira foi completada, impondo uma derrota significativa ao Estado Islâmico.

A ofensiva durou 3 semanas e reforçou-se a partir de 21 de março com ataques aéreos russos, que debilitaram as forças do EI, que começaram a recuar para leste.

Mais de 400 combatentes do Estado Islâmico e 180 membros das forças aliadas ao regime morreram na batalha.

Em seis meses, com a ajuda de Moscou, Assad recuperou diversos territórios perdidos para o Estado Islâmico e a oposição moderada.

Os extremistas deixam mais aberta a guarda para que seus adversários possam chegar a seus bastiões na Síria – Deir al-Zor e Raqqa , a capital do seu califado. A milícia perdeu dois de seus principais líderes em bombardeios dos EUA e o Iraque está lançando uma ofensiva para retomar Mossul.

Assad disse que o regime “recuperará o mais rápido possível”, as ruínas de Palmira, Patrimônio Histórico da Humanidade e que , em dez meses de domínio foram dinamitadas em parte pelos terroristas do EI: parte das colunas romanas , do Arco do Triunfo da cidade, e dos templos de Bel e Baalshamin, de mais de 2.000 anos, ou seja, conseguiram sobreviver a 2.000 anos, mas sucumbiram ao EI. Infelizmente, parte da destruição, é irrecuperável. A destruição se baseia em uma interpretação extrema do islã . Para os insanos do EI, ruínas arqueológicas são testemunhas do passado pagão, incompatíveis com um califado. (F S P, 28.03.2016, p. A-10).

SUDÃO DO SUL

A ONU, em um relatório divulgado no dia 11 de março descreve a situação de direitos humanos no país em guerra , como uma das mais terríveis do mundo.

De acordo com fontes confiáveis, as autoridades permitem que grupos aliados estuprem mulheres como “salário” , seguindo o princípio “ façam o que puder e tomem o que quiser”.

Forças governamentais do Exército Popular de Libertação e de suas milícias afiliadas massacraram civis, destruíram propriedades e meios de subsistência e praticam todo tipo de violências sexuais.

O Sudão do Sul se tornou independente do Sudão em julho de 2011, após décadas de conflito com Cartum, e está imerso em uma guerra civil desde dezembro de 2013, quando o presidente Sava Kiiir acusou seu ex-vice-presidente , Riek Machar de querer derrubá-lo.

Mais de 2,3 milhões de pessoas fugiram de suas casas, e dezenas de milhares morreram por causa do conflito e das atrocidades cometidas por ambos os lados. ( F S P , 12.03.2016, p. A-16) .

TURQUIA

Em 4 de março um tribunal determinou que o “Zaman”, jornal mais vendido na Turquia com 650 mil exemplares diários, deveria ser chefiado por administradores indicados pelo governo e a polícia invadiu violentamente a redação.

O jornal adotava uma linha editorial de apoio ao governo até dezembro de 2013, quando se uniu às acusações de corrupção contra o presidente Erdogan, então primeiro-ministro.

O governo turco passou a acusar o líder religioso Fethullah Gulem que vive nos Estados Unidos e seus partidários de usar sua influência no jornal, na polícia e no Judiciário para criar um Estado paralelo e derrubar o Executivo.

Com a ocupação, o editor-chefe , Abdulhamit Bilici e o principal colunista do jornal foram demitidos.

Dois dias depois da intervenção, o Zaman circulou recheado de artigos a favor do governo de Recep Tayyip Erdogan. Ou seja, em menos de 48 horas o jornal transformou-se em instrumento de propaganda do governo.

O governo negou e disse que o jornal fazia parte de uma organização terrorista. ( F S P , 7.3.2016, p. A-9) .

Segundo a Associação dos Jornalistas da Turquia , há 32 jornalistas presos no país e 24 sendo processados por “ofender” Erdogan. Quinze canais de TV foram excluídos de todas as plataformas digitais e satélites do país.

Um interventor estatal assumiu em outubro de 2015, a gestão dos jornais “ Bugun” e “ Millet” e os canais de TV, Kanalturk e Bugun. ( F S P, 14.03.2016, p. A-14).

Para Hudayet Karaca, 52 diretor-executivo da TV tuca Samanuolu, uma das maiores do país e preso há um ano e três meses, acusado de fazer parte de uma “organização terrorista que tenta derrubar a ordem institucional”, o silêncio da União Europeia em relação aos abusos da Turquia contra a liberdade de imprensa se opõe aos valores fundamentais da criação do bloco. ( F S P , 15.03.2016, p. A-11) .

Em janeiro, promotores ligados ao grupo político de Erdogan iniciaram a investigação de mais de 1.000 acadêmicos que pediram o fim das operações militares contra a minoria étnica curda no sudeste do país.

Quase 2.000 pessoas foram acusadas de insultar o presidente desde agosto de 2014, por meio de uma lei que veta críticas ao governo.

O turco Kadir Yildirim, cientista político da Universidade Rice afirma : “Erdogan está destruindo as bases democráticas do país”. ( Revista Veja, 16.03.2016, p. 63) .

Atentado Terrorista 13 de março

Mais um atentado terrorista em Ancara, no dia 13 de março, deixou pelo menos 34 mortos e 125 feridos na explosão de um carro-bomba , em um terminal de ônibus perto do parque Guven , área muito movimentada e cheia de lojas e cafés.

Membros do governo acusaram o Partido dos Trabalhadores do Curdistão ( PKK), pela ação. ( F S P, 14.03.2016, p. A-14).

Atentado Terrorista 19 de março

Na manhã do sábado, 19 de março um homem-bomba se explodiu na avenida Ustiklal, um dos principais centros de compra de Istambul.

Ao menos cinco pessoas morreram e 39 ficaram feridas. Entre os mortos estão dois israelenses , dois americanos e um iraniano e pelo menos 24 turistas estão entre os feridos.

Isso mostra que o terrorista assassino, de propósito , queria atingir o maior número possível de turistas. O atentado ou foi praticado pelo Estado Islâmico ou pelo PKK. ( F S P ,20.03.2016, p. A-21).

VENEZUELA

Assembleia Nacional tem atribuições proibidas

O Tribunal Supremo da Venezuela (TSJ), máxima corte do país e dominado pelos chavistas, emitiu no dia 1º de março sentença que anula boa parte das prerrogativas de investigação e controle da Assembleia Nacional, dominada pela oposição desde janeiro.

O Tribunal considerou que a “Assembleia Nacional não está legitimada para revisar , anular, revogar ou deixar sem efeito a nomeação de magistrados do TSJ”.

A decisão reconhece que a nomeação dos juízes compete à Assembleia Nacional, mas alega que eles só podem ser removidos em caso de “falta grave” reconhecida pelo Conselho Moral Republicano, que também é ligado ao chavismo.

Cerca de 13 dos 32 juízes do TSJ foram nomeados às pressas em dezembro, na última sessão da legislatura chavista. Ficarão no cargo por 12 anos . Substituíram juízes que se aposentaram sem motivação clara em outubro, mais de um ano antes do prazo.

A oposição apresentou um vídeo no dia 1 de março, no qual a juíza Carmen Porras, diz ter sido pressionada a sair.

Os 13 novos juízes além de nomeados no fim da legislatura, foram aprovados sem maioria qualificada e não foi respeitado o prazo legal de 30 dias entre a apresentação dos candidatos e a votação no plenário que permite questionamentos e eventuais impugnações.

Uma comissão especial foi criada pela aliança opositora MUD para reverter a substituição, claramente ilegal dos 13 juízes, mas o TSJ agora diz que a Assembleia Nacional não tem competência para fazer isso.

A sentença do TSJ também determina que a Assembleia não tem poder para controlar as Forças Armadas , nem para obrigar ministros e demais funcionários públicos a prestar contas ao Parlamento.

A sentença do TSJ viola a Constituição ao determinar o controle da Assembleia Nacional sobre os demais poderes e servidores.

No dia 3 de março a Assembleia Nacional rejeitou formalmente essa sentença do TSJ e aprovou uma lei para reverter um decreto de Maduro para eliminar do Parlamento qualquer controle sobre o Banco Central. ( F S P , 4.3.2016, p. A-15) .

Esta manobra se soma a outras de Maduro, para esvaziar o Parlamento. O Tribunal Eleitoral anulou a eleição de três deputados do MUD no Estado de Amazonas, sob acusação de fraude , o que privou a oposição da maioria de dois terços que lhe permitiria remover altos funcionários e mudar leis orgânicas , entre outros poderes.

Maduro criou ainda um Parlamento Comunal, que poderá se reunir na Assembleia e aprovar leis “ em favor do povo”. ( F S P , 2.3.2016, p. A-9) .

Estratégia para a destituição de Maduro

A aliança opositora MUD avisou no dia 3 de março que usará tripla estratégia para tentar destituir constitucionalmente o presidente Nicolás Maduro.

A opção preferencial é uma emenda constitucional para abreviar a duração do mandato presidencial de seis para quatro anos e banir a reeleição consecutiva.

Essa iniciativa precisa ser aprovada por maioria simples , que o MUD possui, e ser submetida a referendo.

Caso aprovada, Maduro tem em tese a obrigação de promulga-la , mas poderá derrubar a proposta , submetendo-a ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), a corte suprema , que, dominada pelo chavismo, jamais emitiu sentença contrária ao governo.

O TSJ poderá vetar a emenda ou alegar que as mudanças não são retroativas , não valendo para Maduro.

A segunda possibilidade é um referendo revogatório, que pode ser aplicado quando o presidente cumprir a primeira metade do seu mandato – no caso, em abril.

Para organizar o referendo, a população precisaria recolher assinaturas de ao menos 20% dos eleitores registrados no Conselho Nacional Eleitoral , máxima autoridade eleitoral. Seriam 4 milhões de pessoas. As assinaturas teriam que ser recolhidas em apenas 3 dias. Depois as firmas tem que ser validadas pelo Conselho Nacional Eleitoral, dominado pelo chavismo.

Para destituir Maduro, o “sim” precisaria ser aprovado por mais de 7 milhões de eleitores, o número de votos obtidos por Maduro em 2013.

Se a destituição ocorrer até março de 2017, haverá novas eleições. Se for depois disso, assume até 2019 o vice-presidente , que não muda nada.

A terceira opção do MUD é mais polêmica, já que consiste em inviabilizar o governo de Maduro até força-lo a renunciar , hipótese que ele já descartou.

Implicaria ressuscitar protestos em um país traumatizado pela violência de 2014, quando 43 pessoas, incluindo policiais, morreram em meio a manifestações antigoverno.

Protestos estudantis ocorreram no dia 3 de março em San Cristóbal, no extremo oeste do país, mas ainda tem reunido pouca gente. ( F S P , 4.3.2016, p. A-15) .

Protesto contra Maduro

A terceira opção já começou a ser colocada em prática. Para o dia 12 de março foi convocado um protesto pela saída de Nicolás Maduro.

A intenção é fazer pressão nas ruas pela renúncia de Maduro, por um lado, e conseguir as assinaturas necessárias para aprovar um referendo que revogue o mandato do chavista. ( F S P , 9.3.2016, p. A-11) .

O líder opositor Jesus Torrealba afirma “ O sucesso desses mecanismos constitucionais só será alcançado se contarmos com a vontade inquebrantável do povo de exercer toda a legítima pressão cidadã”. ( Revista Veja, 16.03.2016, p. 65) .

O protesto foi realizado e milhares de pessoas saíram às ruas para pedir a renúncia de Nicolás Maduro, como no Brasil está-se pedindo a renúncia de Dilma Rousseff.

Em Caracas , foram 3.000 pessoas, ainda poucos devido á forte repressão do regime. O presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos falou sob gritos e aplausos: “ Maduro, poupe-nos da tragédia e renuncie já”. ( F S P , 13.03.2016, p. A-19) .

Câmbio com duas cotações

A Venezuela oficializou no dia 9 de março um novo sistema de câmbio para tentar atenuar a profunda crise econômica . Foram reduzidos de três para dois os níveis de cotação oficial.

O primeiro, chamado de Dipro ( dólar protegido), será inicialmente fixado em 10 bolívares por dólar . É uma cotação altamente subsidiada com a qual o governo continuará financiando importações prioritárias como remédios e alimentos. A taxa mais valorizada até então era de 6 bolívares/dólar.

A segunda cotação nova, batizada de Dicom ( complementar), começará em 206 bolívares/dólar e flutuará segundo a demanda. Será usada para gastos considerados não vitais pelo governo, como gastos com cartão de crédito no exterior.

A população em geral, porém, usa principalmente uma taxa paralela, determinada em grande parte pelo site dolartoday.com, com sede nos EUA, que diz definir sua cotação de acordo com as transações comerciais na fronteira entre Venezuela e Colômbia pelo contrabando.

No dia 9 de março a cotação do Dolar Today era de 1.663 bolívares/dólar. O governo chavista está processando pro sabotagem os donos do site, venezuelanos que apoiam abertamente a oposição.

O controle de câmbio e de preços, com uma disparidade brutal nas cotações, é visto como um dos fatores por trás do desabastecimento generalizado no país. ( F S P , 10.03.2016, p. A-25) .

Referendo Revogatório

A bancada oposicionista , que domina a Assembleia Nacional da Venezuela, aprovou no dia 10 de março, em primeira leitura, um projeto de lei para facilitar a organização de um referendo revogatório para tentar abreviar a Presidência de Nicolás Maduro.

O projeto de Lei Orgânica dos Referendos , vai para a Comissão de Política Interna antes de ser submetido á segunda e última votação. Depois deverá ser vetado por Maduro.

O projeto tira do governista Conselho Nacional Eleitoral o controle do referendo e aumenta de três para oito dias o prazo para colher as assinaturas necessárias para a organização do referendo. , cerca de 20% dos eleitores inscritos no CNE. ( F S P , 11.03.2016, p. A-10) .

Emergência Econômica Vetada

Corretamente, a Assembleia Nacional da Venezuela rejeitou, no dia 17 de março , pedido do presidente Nicolás Maduro para estender por mais 60 dias um decreto de emergência econômica . O decreto inicial foi rejeitado em janeiro, mas Maduro recorreu ao TSJ que o considerou válido.

O decreto dá poderes excepcionais para Maduro de intervenção sobre o setor privado.

Fica acirrado o conflito com o governo, porque Maduro vai ignorar o veto e dizer que o Tribunal Supremo de Justiça, controlado pelo chavismo , apoiou o decreto.

Ministros do governo Maduro , convocados pelo Parlamento para prestar esclarecimentos, simplesmente ignoram a convocação. ( F S P , 18.03.2016, p. A-21) .

“Quem é você , Obama, para opinar sobre nosso país? Esquartejou o mundo e agora anuncia querer destruir a Venezuela”. Nicolas Maduro reagindo a uma declaração de Obama segundo a qual a Venezuela deve escolher um novo governo “ quanto antes”. ( Revista Veja, 23.03.2016, p. 44) .

Crise de abastecimento

O país vive uma crise de abastecimento sem precedentes. O chavismo destruir a indústria do país e agora depende de importações. Não dispondo de receitas para importar comida, o país compra principalmente de empresas brasileiras, que desfrutam linhas de crédito para fomento à exportação ou que praticam preços superiores aos do mercado para cobrir os custos da demora no pagamento.

O resultado da escassez é submeter a população a passar horas e horas em filas para comprar itens de higiene básica e medicamentos.

Formou-se um mercado negro para venda de bens prosaicos como fraldas e papel higiênicos a preços acima dos tabelados. O governo chavista não tem futuro.

O deputado de oposição William Barrientos afirma: “O presidente Nicolas Maduro acusa a oposição de golpismo. Mas quem decretou o fim do seu governo foram ele mesmo e o chavismo”. Incrível semelhança com o Brasil. Poderíamos mudar para : A presidente Dilma acusa a oposição de golpismo. Mas, quem decretou o fim de seu governo foram ela mesma e o petismo. ( Revista Veja, 16.03.2016, p. 64-65) .

Assessoria de Imagem

O governo da Venezuela cancelou abruptamente um contrato de assessoria de imagem e comunicação com a empresa brasileira Entrelinhas, que tinha equipe instalada em Caracas, desde janeiro.

Assessores do presidente Nicolás Maduro alegaram falta de dólares para bancar a ampla estratégia das Entrelinhas , que fora encarregada de resgatar a imagem do chavismo dentro e fora do país, como se isso fosse possível, pois a propaganda não resolve os problemas graves causados pela incompetência do governo de Maduro. ( F S P , 23.03.2016, p. A-16) .

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