Capitalismo crise - Junho de 2015

Fatos relevantes da Economia e Política Internacionais, de 01 a 30 de junho de 2015

O presente texto tem como base a leitura de fatos relevantes da economia internacional na imprensa brasileira, referentes ao período de junho de 2.015.

AMÉRICA LATINA

Uma onda de insatisfação popular se alastra pela América Latina , pondo em cheque uma década de avanços sociais e econômicos.

De norte a sul, presidentes enfrentam rejeição e , em alguns casos, protestos que evidenciam crescente intolerância com má governança e corrupção.

O caso mais emblemático é de governos de esquerda que conduziram boa parte do ganho contra a pobreza de 2000 a 2010, quando 50 milhões de latino-americanos foram alçados à classe média, segundo o Banco Mundial.

O denominador comum, além da permanência dos mesmos grupos no poder é a reversão abrupta do crescimento.

O caso mais grave é o da Venezuela , onde a bonança petroleira , que ergueu dezenas de milhares de casas populares e universalizou saúde e educação, cedeu espaço ao desabastecimento , inflação irrefreável e dívidas abissais. O país tem um presidente sem o carisma e a força de Chávez e que, com um governo ditatorial, tem apenas 25% de aprovação com eleições parlamentares marcadas para 6 de dezembro.

No Brasil, Dilma Rousseff elegeu-se com base em um discurso repleto de mentiras, a economia do país afundou pelos erros de seu primeiro governo e a situação se complicou com o escândalo da Petrobrás. Com isso, a presidente tem apoio ainda menor, 10%. O país enfrenta recessão e em 2016 haverá eleições apenas municipais.

Na Argentina, Cristina Kirchner é pressionada pela crise econômica e pela morte do promotor que investigava laços de seu governo com o Irã e é alvo de greves que paralisam o país. Irá enfrentar eleições presidenciais em 25 de outubro.

O mal estar regional, porém , também afeta países cujas economias avançam.

O Chile deve crescer 2,87% em 2015, segundo o FMI , mas a presidente Michele Bachelet , começa o segundo mandato acuada por escândalos de corrupção envolvendo a aliados e sua própria família, por críticas à reforma educacional e por crescimento abaixo do esperado.

No México, Enrique Peña Nieto conduz uma economia que deve se expandir 3% em 2015, mas precisa lidar com escândalos de corrupção e a revolta generalizada ante um Estado incapaz de por fim ao terror dos cartéis da droga.

Na Guatemala, com projeção de crescimento de 4%, Otto Pérez Molina enfrenta escândalo de corrupção na alfândega, que levou à renúncia da vice-presidente Roxana Baldetti.

Em Honduras, com Juan O. Hernández, seu partido é acusado de desvio de US$ 200 milhões na Previdência Social. ( F S P, 28.06.2015, p. A-22) .

ARGENTINA

O caso Nisman

No domingo dia 31 de maio, o jornalista argentino Jorge Lanata, famoso pelas suas denúncias, apresentou um vídeo, gravado pela própria Polícia Federal , mostrando uma série de problemas de procedimento dos peritos que trabalharam na noite em que o promotor Alberto Nisman foi encontrado morto em seu apartamento.

As imagens mostram um técnico limpando com papel higiênico a arma que matou Nisman. Em seguida ele apoia o revólver e os projeteis sobre o bidê do banheiro, interferindo na cena onde Nisman foi encontrado morto.

A perícia feita nos dias seguintes não conseguiu identificar impressões digitais no revólver e foram usadas informações sobre as marcas de sangue na arma para descobrir se Nisman teria feito o disparo ou se foi atingido por outra pessoa.

O perito usa luvas sujas com sangue para manusear cartuchos de balas , que estava dentro da arma e que não havia sido “lavado” pelo sangue.

As imagens mostram pessoas circulando pelos cômodos e corredores , sentadas no sofá e até dentro do banheiro. Uma delas era o secretário de segurança de Cristina Kirchner, Sergio Berni. A promotora Viviana Fein chegou ao apartamento de Nisman , por volta das 2 horas. Ou seja, o local não foi preservado para a perícia e possíveis evidências que estivessem no apartamento foram perdidas com a circulação de pessoal não técnico.

O perito recolhe documentos, um pen drive e um disco rígido em um cofre e não utiliza luvas. A mãe de Nisman recolhe passaportes do armário do promotor.

Com isso, quase cinco meses após a sua morte, não se sabe se Nisman foi vítima de assassinato ou se suicidou. ( F S P , 2.6.2015, p. A-13) .

Segundo reportagem do jornal “Clarin”, do dia 2 de junho, os peritos que analisam os equipamentos de informática de Nisman, revelam que o registro de algumas chamadas foi apagado do telefone celular do promotor, após análise dos arquivos da operadora de telefonia.

A informação se soma a suspeitas de que o computador de Nisman teria sido violado horas depois de sua morte. ( F S P, 3.6.2015, p. A-11) .

Segundo o “Clarin” a perícia descobriu que três pen drives foram inseridos no computador do promotor antes de seu corpo ser encontrado na noite de 18 de janeiro. Além da invasão dos seus arquivos , existem suspeitas de que alguns documentos foram apagados. ( F S P , 1.6.2015, p. A-8) .

Mauricio Macri

Maurício Macri, prefeito de Buenos Aires e principal nome da oposição argentina nas eleições presidenciais de 2015 resiste a unir forças com a Frente Renovadora . Mas nas bases, seus aliados trabalham para seduzir os apoiadores de Sergio Massa , ex-prefeito de Tigre e terceiro colocado nas pesquisas e que já lhe ofereceu apoio. . ( F S P , 4.6.2015, p. A-9) .

Greve Geral

A Argentina parou novamente no dia 9 de junho, por causa de uma segunda greve geral em 2015, a quatro meses das eleições para presidente do país.

Os grevistas interromperam o funcionamento de trens, metrô, ônibus e aviões em Buenos Aires. O transporte público também foi afetado em importantes cidades do interior.

Na capital também pararam escolas, postos de gasolina e o serviço de limpeza e coleta de lixo.

Desta vez a reivindicação é mais ampla. Na primeira paralisação, em 31 de março, os sindicalistas queixavam-se contra o imposto que incide sobre os salários de quem ganha mais de 15.000 pesos. Agora, a reclamação estendeu-se a outros assuntos , além da pauta trabalhista, como a inflação, a corrupção, a violência e até contra os dados de pobreza apresentados pela presidente Cristina Kirchner, que disse que o país tem um número de pobres inferior ao de países europeus como Dinamarca, Finlândia e Alemanha. Hugo Moyano, secretário-geral da CGT, disse “ Ninguém com um pouco de seriedade pode dizer um disparate desses”. ( F S P , 10.06.2015, p. A-11). .

Cristina Kirchner

Após oito anos como presidente e 18 como parlamentar, Cristina Kirchner decidiu ficar de fora das eleições de 2015 na Argentina .

Mas ela terá representantes de peso nas eleições. Seu filho, Máximo Kirchner começa na política, concorrendo a uma vaga de deputado federal pela província de Santa Cruz.

O secretário-geral da Presidência , Eduardo Wado De Pedro , e o ministro Axel Kicillof , que tem origem no La Cámpora, encabeçarão a lista de candidatos a deputado federal pela província de Buenos Aires e pela capital.

Outros ministros e aliados como Julio de Vido ( Planejamento ), Oscar Parilli ( que dirige o serviço secreto) e Diego Bossio ( Previdência) , também participarão da eleição.

Portanto, Cristina Kirchner seguirá líder deste movimento e tentará manter sua influência após o fim do mandato em 10 de dezembro. Sua popularidade está acima de 50%, feito inédito entre os presidentes argentinos desde a volta da democracia em 1983.

O candidato governista à Presidência é o peronista , Daniel Scioli, que indicou o kirchnerista Carlos Zannini para a vaga de vide em sua chapa. ( F S P , 22.06.2015, p. B-7) . Conforme Clóvis Rossi destaca, Carlos Zannini é o “Dilmo” de Cristina . “El Chino” iniciou-se na militância estudantil na Vanguarda Comunista, pequeno grupo maioísta , logo exterminado na convulsa política argentina, mas é secretário legal e técnico da Presidência desde 2003, ou seja , desde quando Néstor era presidente.

Mas Zannini acompanha a família Kirchner desde a primeira eleição de Néstor em 1987, á prefeitura de Rio Gallegos, e com sua indicação para vice de Scioli, Cristina garante um fiel aliado na Presidência e com essa manobra, os votos dos kirchneristas somar-se-ão aos votos dos peronistas moderados e com isso , Scioli ficará devendo sua vitória, se ocorrer, a Cristina.

A canga seria consagrada pela continuidade do ministro da Economia Axel Kicillof, como Dilma manteve na Fazenda, o ministro de Lula, Guido Mantega.

Mas Rossi destaca que “Scioli é político já veterano, com luz própria . Governa Buenos Aires , a principal província argentina , cargo a que chegou só com muita bala na agulha”. Por isso pode ser que, assumindo a Presidência, não aceite ser tutelado por Cristina, como Dilma é tutelada por Lula. ( F S P , 22.06.2015, p. A-11).

Para a ensaísta e crítica literária argentina, Beatriz Sarlo, a entrada de um homem de confiança de Cristina Kirchner na chapa do peronista Scioli, tornará a eleição presidencial “mais animada”.

Mas, por outro lado, ela diz que o sucesso da candidatura de Scioli pode significar que o pais terá “ uma mudança de regime”, no sentido de ter um comando ainda mais autoritário”

Para ela, “colocar Zannini como vice é claramente uma estratégia de Cristina para manter seu poder e influência no novo governo”.

Se a chapa peronista vencer as eleições em 25 de outubro, Sarlo vê dois cenários:

Num primeiro, Scioli conseguiria neutralizar Zannini como já fez com um representante kirchnerista em sua gestão na província, o ex-governador Gabriel Mariotto. Esta é a hipótese mais provável porque “Scioli está longe de ser um político brando”.

No segundo cenário, Zannini conseguiria se impor como representante das vontades de Cristina. “Aí estaríamos diante de uma aventura carismática e autoritária, que adere às instituições e pode transformá-las. Um passo em direção à Venezuela”.

Ela destaca que ainda chavismo e kirchnerismo são coisas diferentes: “ A Argentina está longe de se parecer à Venezuela de hoje. Não temos políticos presos, temos mais vozes de oposição atuando e tampouco temos um mandatário que decide quando e se vai haver eleições. Lá a situação é muito mais grave”. ( F S P , 25.06.2015, p. A-14) .

ÁSIA PACÍFICO

A região ultrapassou a Europa e já é a segunda mais rica do mundo. Segundo o Boston Consulting Group, em breve será a primeira , superando a América do Norte”. ( Revista Veja, 24.06.2015, p. 39).

CAPITALISMO DE COMPADRIO

O economista italiano Luigi Zingales , professor da Universidade de Chicago, escreveu Um Capitalismo para o Povo, onde analisa as razões que levaram à crise do capitalismo e faz uma análise ampla do problema concluindo que não foi apenas a ganância dos banqueiros que gerou a crise, mas o Estado teve uma participação decisiva ao se colocar como protetor dos grandes bancos e como incentivador dos investimentos mais imprudentes.

Sua análise parece ter sido feita sob encomenda para o caso atual do Brasil.

Para Zingales, o maior inimigo da mobilidade social e da meritocracia hoje em dia não é o velho socialismo em que o Estado controla tudo, mas o “capitalismo de compadrio”, típico do Brasil atual.

Neste sistema, algumas poucas corporações influenciam o governo de modo a entrincheirar-se no poder , principalmente por meio de regulamentações que as favoreçam, num processo chamado de “captura regulatória”.

Cada vez mais , grandes empresas pagam altas somas para que os lobistas influenciem a decisão de parlamentares. Ou propina em alguns casos como no Brasil.

Um subsídio, uma isenção fiscal, uma regulamentação que limite a entrada de novos concorrentes, aqui chamada de política de conteúdo nacional: tudo isso tem retornos muito superiores ao sucesso na competição de mercado. Cada participante defende seu interesse específico e não sobra ninguém para defender a integridade do mercado como um todo.

Com isso , o capitalismo perde o seu grande trunfo que sempre foi a livre concorrência. A constante seleção dos melhores que faz com que a sociedade como um todo ganhe. Quando isso ocorre , as pessoas ficam dispostas até mesmo a tolerar alguma desigualdade , pois, ainda que distantes do topo, sentem sua vida melhorar.

Mas, se a desigualdade aumenta muito e o trabalho honesto não é recompensado, o sistema pode ruir.

Por isso, garantir um mercado mais competitivo, passa pela imposição de restrição ao comportamento de seus participantes.

Em propostas de medidas que , no cômputo final, diminuam a concentração excessiva de poder, Zingales chega a uma conclusão interessante.

Regras ineficientes do ponto de vista econômico, podem ser desejáveis se limitarem a captura do poder político.

Ele cita o Glass-Steagall Act que vigorou nos EUA até 1999. Essa lei, que exigia a completa separação entre bancos comerciais e bancos de investimento, produzia diversas ineficiências, mas garantiu um mercado competitivo e a diluição do poder dos lobistas.

Cabe ao Estado, de maneira geral, estabelecer regras simples , compreensíveis para o cidadão comum , ao contrário de regulamentações com milhares de páginas que se tornaram usuais.

Ele deve aplica-las com tolerância zero para exceções, pois permitida uma, outras virão, vingando principalmente aquelas com mais cacife para fazer lobby.

Para além do Estado, Zingales atribuiu um papel importante à sociedade civil , a jornalistas, acadêmicos e em especial , ás escolas de negócios. Diz que elas devem abandonar a ideia do lucro a todo custo e prestigiar uma ética cívica de respeito ás normas que garantem a saúde do mercado a longo prazo. ( Revista Veja, 24.06.2015, p. 100-101) .

CHILE

Dezenas de milhares de estudantes, apoiados por professores em greve há mais de três semanas, marcharam no dia 25 de junho por Santiago , intensificando a pressão contra a reforma educacional proposta pela socialista Michelle Bachelet.

O movimento estudantil pede educação pública e gratuita. ( F S P, 26.06.2015, p. A-16) .

CHINA

O ex-ministro de Segurança Pública da China, Zhou Youngkang, 72, foi condenado no dia 11 de junho a prisão perpétua por recebimento de propina e abuso de poder . Ele é o principal dirigente chinês detido por corrupção desde que o Partido Comunista assumiu o poder, tendo sido chefe de segurança de 2002 a 2007 e integrante do Comitê Permanente do PC até 2012.

Ele admitiu sua culpa e afirmou que não recorrerá do veredicto . Seus bens foram confiscados. ( F S P , 12.06.2015, p. A-13) .

COLÔMBIA

As Farc fizeram ataques em 11 de maio contra instalações elétricas , explodindo torres de energia, provocando apagões em três departamentos e afetando 1 milhão de pessoas.

Estouraram um oleoduto no departamento de Tumaco, provocando o derramamento de 476 mil litros de petróleo, atingindo florestas de Putumayo , contaminando açudes , brejos, rios e o solo. A guerrilha cometeu 22 atentados desde que suspendeu seu cessar-fogo unilateral em 22 de maio. ( F S P , 13.06.2015, p. A-12) .

Os indígenas de Toríbio, cidade do sul da Colômbia , no Estado de Cauca, e um dos enclaves das Farc , criaram sua própria milícia para se defender da violência da guerrilha e do Exército.

Com paus e facões, nunca com armas de fogo, a Guarda Indígena patrulha os morros da cordilheira para proteger a população do fogo cruzado e o território reconhecido na Constituição onde fica uma reserva da etnia nasa. ( F S P, 15.06.2015, p. A-9) .

EGITO

O procurador-geral do Egito, Hishan Marakat, 65 , que comandava os processos judiciais contra o presidente deposto Mohammed Mursi e seus aliados da Irmandade Muçulmana foi assassinado no dia 29 de junho em um atentado a bomba no Cairo.

Os terroristas colocaram uma bomba em um carro estacionado que explodiu quando o comboio que o levava passou A explosão danificou vários carros e casas e deixou sete pessoas feridas.

O atentado foi reivindicado em redes sociais pelo pouco conhecido Movimento de Resistência Popular. ( F S P , 30.06.2015, p. A-12) .

EUA

Lei restringe vigilância.

O Senado americano aprovou no dia 2 de junho um projeto de lei que vai restringir o acesso das autoridades a dados telefônicos de toda a população , medida tomada pela primeira vez desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

O Freedom Act , transfere para as empresas de telefonia a responsabilidade pelos chamados metadados – duração, data e origem das chamadas – hoje armazenados pela NSA ( Agência de Segurança Nacional) . Para acessá-los, a agência passa a precisar de mandados judiciais.

O projeto aprovado é um excelente exemplo de como uma democracia pode preservar os direitos dos cidadãos, sua privacidade e as liberdades civis. ( F S P , 3.6.2015, p. A-9).

Juros

O FMI pede ao Fed que espere até 2016 para elevar a taxa de juros , até que haja mais sinais de elevação na inflação de preços ou na renda. Isso daria um alívio para os mercados internacionais. ( F S P , 5.6.2015, p. A-13) .

Mas, o Fed anunciou no dia 17 de junho que manterá os juros no patamar atual entre zer0 e 0,25%, mas que poderá aumentar os juros em 0,25 ou meio ponto percentual ainda em 2015, o que seria um desastre para o Brasil , pois iria estimular investidores a retirar dólares do Brasil , pressionando ainda mais a cotação da moeda. ( F S P , 18.06.2015, p. A-19) .

GAP

A Gap que dominou as vendas de roupas informais nos EUA al longo dos anos 90, anunciou que pretende fechar 175 das suas 675 lojas na América do Norte e vai cortar 250 empregos administrativos, mas não informou quanto empregos serão cortados nas lojas. ( F S P , 18.06.2015, p. A-20) .

Maratona de Boston

Depois de ter matado três pessoas e ferido mais de 260 na maratona de Boston, em abril de 2013, agora Dzhokhar Tsarnev, condenado à morte, arrependeu-se:

“Eu sinto muito pelas vidas que tirei, pelo sofrimento que causei a vocês , pelos danos que eu provoquei , irreparáveis danos. Eu rezo para que vocês possam ter um alívio , para que vocês de recuperem”

Sua condenação à morte foi formalizada por um tribunal federal dos EUA. Karen Rand McWatters , que perdeu uma das pernas nas explosões não o perdoou: “ Não é possível que ele tenha alma para ter feito uma coisa tão horrível”.

A mãe de Krystle Campbell , morta no atentado , também não perdoou :” O que você fez contra a minha filha é repugnante. Acho que o júri fez a coisa certa”. ( F S P , 25.06.2015, p. A-10) .

PIB

O PIB americano registrou contração de 0,2% no primeiro trimestre segundo dados revisados do Departamento de Comércio e reforça a visão de recuperação rápida após um inverno rigoroso nos primeiros meses. O consumo das famílias cresceu 2,1%.

Mas, o investimento privado, com queda de 2% , mostrou a maior redução desde 2009 e as exportações tiveram queda de 5,9%. Com a melhora do clima a avaliação é de que a economia deve crescer entre abril e junho a um ritmo de 2%. ( F s P , 25.06.2015, p. A-21) .

Violações de Direitos Humanos

O Departamento de Estado Americano em relatório divulgado sobre a situação mundial dos direitos humanos dispara críticas para todos os lados.

Segundo o texto, o governo comunista de Raúl Castro comete graves violações de direitos humanos, ameaça e intimida dissidentes políticos.

Cuba “registrou o maior número de detenções arbitrárias ao longo dos últimos cinco anos, cerca de 9.000 “ . Mas foi feita a ressalva de que 53 dissidentes foram soltos como parte das negociações com os EUA.

“A maior parte dos abusos de direitos humanos foi cometida por agentes orientados pelo governo. A impunidade para quem comete essas violações continua ocorrendo em ampla escala”.

Além disso o governo manteve bloqueado o acesso dos cidadãos a informações independentes e sem censura, restringindo a disponibilidade de serviços de internet e impedindo o acesso a blogs e sites de oposição.

O Irã é acusado de restrições graves das liberdades civis e quase nenhuma ação para punir violadores. O país executou 721 pessoas em 2014, muitas vezes sem obedecer às garantias dadas por leis internacionais ou federais.

Violações de direitos humanos na Venezuela, China e Rússia são destacadas.

Na Venezuela a corrupção reduziu a efetividade das forças de segurança e prejudicou a independência do Judiciário. “ O governo investigou com frequência e indiciou de forma seletiva opositores políticos para persegui-los, intimidá-los e prendê-los”.

No cenário global, o relatório destaca crimes de extremistas em todo o mundo, citando o Estado Islâmico no Iraque, o Boko Haram na Nigéria e a Al Qaeda da Península Arábica no Iêmen. ( F S P, 26.06.2015, p. A-16) .

EUROPÁ

O general americano Philip Breedlove, chefe das tropas da Otan , em evento na Polônia, confirmou no dia 16 de junho que avalia a possibilidade de posicionar armamento pesado no leste europeu em resposta a eventuais ameaças russas.

A declaração sinaliza uma mudança na Otan que nos últimos anos vinha recuando de movimentos neste sentido na região.

Os EUA informaram no dia 13 de junho que planejam aumentar seu efetivo nos países bálticos e no leste europeu com armamento pesado e mobilizando 5.000 soldados.

Como resposta , no dia 16 de junho, o presidente russo Vladimir Putin anunciou a decisão de instalar 40 mísseis intercontinentais.

Ou seja, o conflito no leste da Ucrânia está provocando desdobramentos com uma escalada armamentista no Leste Europeu opondo Rússia e a Otan. ( F S P , 17.06.2015, p. A-9) .

O secretário da Defesa dos EUA, Ash Carter, anunciou no dia 23 de junho que os EUA irão posicionar 250 tanques , peças de artilharia e outros equipamentos militares na região leste da Europa.

Os países bálticos: Estônia, Lituânia e Letônia , assim como Bulgária, Romênia e Polônia concordaram em receber em seus territórios, equipamento bélico pesado. Uma parte também será instalada na Alemanha.

Um funcionário do Ministério da Defesa da Rússia afirmou que a medida será o ato mais agressivo dos EUA contra o país , desde o fim da Guerra Fria. A Rússia já anunciou que vai adicionar mais de 40 mísseis balísticos ao seu arsenal nuclear em 2015. ( F S P , 24.06.2015, p. A-10) .

FRANÇA

Mais um lobo solitário agiu. O entregador de gás industrial, Yassine Salhi , de 35 anos, entrou no dia 26 de junho na fábrica de produtos químicos de Saint-Quentin-Fallavier.

Avançou com o carro e provocou explosões com líquidos inflamáveis. Duas pessoas se feriram. Bombeiros chegaram em dez minutos e conseguiram contê-lo. Ao revistar o carro dele, encontraram o corpo de um homem de 54 anos, dono da empresa para a qual Shali trabalhava.

A cabeça do homem foi encontrada colocada em uma cerca, ao lado de bandeiras com a Shahada, a profissão de fé islâmica, em árabe. ( F S P, 27.06.2015, p. A-14) .

GRÉCIA

A Grécia vive à beira do abismo há cinco anos. Secaram as fontes de financiamento com a crise internacional , mas o país, como a Irlanda e Portugal foi resgatado com um pacote de 245 bilhões de euros na forma de empréstimos da União Europeia e do FMI.

Em contrapartida , os gregos tiveram que se comprometer com um programa de reformas. Mais de 15.000 servidores públicos foram demitidos e os salários do funcionalismo foram congelados. Impostos subiram e as aposentadorias foram reduzidas praticamente à metade.

Em 2014, depois de uma das recessões mais profundas na história do país, sinais de crescimento voltaram a aparecer, mas a população , cansada das medidas, deu a vitória ao Syriza, um partido de esquerda recém-formado que ganhou com a promessa de acabar com a austeridade.

Mas, não há como a Grécia sair do buraco sem ajuda externa. E para os europeus, o dinheiro só continuará chegando, se as reformas não forem abandonadas.

A Grécia ameaçou deixar o euro , dizendo que a moeda única poderia cair em desgraça , ruindo a confiança na própria coesão do bloco.

Mas , para o banco central grego, sair do euro seria uma desgraça: “ A saída do euro resultaria no aprofundamento da recessão, em uma queda dramática na renda e em um aumento exponencial do desemprego. Seria o colapso de tudo aquilo que a Grécia alcançou ao longo dos anos como integrante da União Europeia. “ Deixar de pagar a dívida traria ganhos ilusórios porque arruinaria os bancos locais , deixaria o país sem crédito externo e teria o potencial de fazer a inflação disparar , em um cenário similar ao da Argentina , pós calote. A população sabe disso, e apoia, em sua maioria, a manutenção do euro.

Mas, os líderes das maiores economias europeus mostraram estar dispostos a pagar para ver, pois seria melhor sacrificar a Grécia como uma medida exemplar aplicada a desvios de conduta do que deixar a coisa degringolar .

Irlandeses, portugueses e espanhóis também cumpriram um duro pacote de ajustes e não se justifica amolecer com a Grécia. ( Revista Veja, 24.06.2015, p. 66-67) .

O presidente do BCE , Mario Draghi , afirmou “ A piora do cenário de crescimento da economia grega deve ser levada em consideração na hora de determinar quais devem ser as metas exigidas de superávit primário” . Afirmou também que a “justiça social” tem de ser um dos elementos considerados na formulação do programa para o país receber ajuda financeira de seus credores. É justamente o que o governo grego está pedindo, regras menos duras para pagar suas dívidas. ( F S P , 4.6.2015, p. A-16) .

A Grécia anunciou que não vai pagar a parcela de 300 milhões de euros com o FMI que vence no dia 5 de junho. O país pretende “empacotar “ toda a dívida que vence em junho , que é de 1,5 bilhão de euros e pagá-la no final do mês de uma só vez. O procedimento está previsto nas regras do Fundo , mas foi raramente utilizado. ( F S P , 5.6.2015, p. A-13) .

O governo grego rejeitou uma proposta que considerou “absurda” e “irreal” e espera que ela seja retirada, pedindo que os credores aceitam a feita pelo governo.

Os credores ( União Europeia e FMI), ofereceram a Alexis Tsipras uma proposta que liberaria auxílio financeiro ao país, mas em contrapartida , exigem aumentos de impostos, privatizações e reformas previdenciárias . ( F S P , 6.6.2015, p. A-14) .

Para o governo grego, os cortes em benefícios previdenciários são inaceitáveis , porque causariam um descontentamento na população.

O FMI retirou sua equipe de negociadores no dia 11 de junho por falta de progresso nas negociações com o governo grego. ( F S P , 13.06.2015, p. A-28) .

A situação está piorando. A Grécia e seus credores não conseguiram chegar a um acordo no dia 14 de junho para que o país possa receber mais ajuda financeira em troca de reformas até o fim do mês , quando poderá dar um calote na dívida se não conseguir novos fundos.

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras acusou os credores ( FMI e União Europeia ) de pilhar o país nos últimos anos e disse que não vai ceder às suas exigências.( F S P , 16.06.2015, p. A-15) .

Num discurso a aliados no Parlamento feito no dia 16 de junho, Tsipras disse que os credores querem “estrangular” e “humilhar” a Grécia na negociação para desbloquear a parcela de 7,2 bilhões de euros do pacote de socorro externo ao país e evitar um calote de 1,6 bilhão de euros no final de junho. ( F S P , 17.06.2015, p. A-17) .

O primeiro ministro Tsipras afirmou no dia 17 de junho que está pronto para assumir a responsabilidade por eventual calote. Seu ministro de Finanças , Yanis Varoufakis , está confiante em um acordo: “ Eu não acredito. Agora , está para os líderes chegarem a um acordo”. ( F S P , 18.06.2015, p. A-19) .

Os chefes das 19 economias da União Europeia reuniram-se em 18 de junho em Luxemburgo, em busca de solução que impeça o colapso grego a partir de julho, mas não houve avanços e a reunião terminou em novo fracasso.

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde , avisou “ Não há período de graça. Se [ a parcela] não estiver paga em 1º de julho, não está paga”. A parcela é de 1,6 bilhão de euros. Para quitar a dívida, a Grécia quer desbloquear uma parcela de 7,2 bilhões de euros , última parcela do socorro de 240 bilhões de euros recebidos do FMI e da BCE, nos últimos cinco anos. ( F S P, 19.06.2015, p. A-18) .

O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras resolveu ceder um pouco e nos dias 20 e 21 conversou por telefone com Ângela Merkel, François Hollande e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker apresentando uma nova proposta onde aceitaria aumentar tributos de alguns alimentos e mexeria numa espécie de aposentadoria antecipada, gerando uma economia de 200 milhões de euros. É uma novidade em um governo que se mostrava irredutível.

No dia 22 , em Bruxelas, os líderes do Euro se reúnem para fazer a última tentativa de impedir o colapso grego a partir de 30 de junho. O BCE aumentou a margem de liquidez de emergência aos bancos gregos em cerca de 1,75 bilhão de euros. ( F S P , 22.06.2015, p. A-19).

Na reunião do dia 22 depois de quatro horas os chefes dos países do bloco avaliaram como positiva a nova proposta grega , mas detalhes técnicos ficaram faltando e o acordo pode ser selado no dia 24.

O governo grego , sob o risco de ser obrigado a sair da zona do euro, cedeu e apresentou um pacote que aumenta a arrecadação em 8 bilhões de euros até o fim de 2016. A proposta inclui ainda mais tributação e reforma na Previdência, como queriam os credores.

As propostas aumentam a arrecadação em 1,57% do PIB em 2015 ( 2,7 bilhões de euros) e em 2,9% em 2016 ( 5,2 bilhões de euros).

Mas, a principal resistência que o primeiro-ministro Alexis Tsipras terá no seu país, será a reforma no sistema previdenciário. Ele prometeu em Bruxelas arrecadar mais 1,1% do PIB ( 2,5 bilhões de euros), com mudanças no setor.

O ponto mais delicado é a redução de benefícios na antecipação da aposentadoria. Entre as medidas está o limite de 67 anos para se aposentar em 2025.

A proposta menciona também a arrecadação de 100 milhões sobre publicidade em TV e reduz em 200 milhões de euros os gastos com Defesa. O governo se comprometeu com superávit primário de 1% em 2015, 2% em 2016 , chegando a 3,5% em 2018. ( F S P , 23.06.2015, p. A-16) .

No dia 24 não houve acordo. Tsipras diz que precisa de tempo para votar as propostas de mudança no Parlamento , mas FMI e BCE exigiram mais recolhimento de imposto e endurecimento na reforma previdenciária e que parte das medidas passe a valer a partir de julho, após expirar o prazo da dívida grega.

Tsipras sabe que membros do Syriza e dos Gregos Independentes tem mostrado resistência a determinados pontos e quer que as medidas tenham força apenas a partir de outubro. ( F S P , 25.06.2015, p. A-21) .

O dia 25 transcorreu sem acordo. Pela quarta vez em uma semana, os 19 ministros das Finanças do bloco da moeda única fracassaram em encontrar uma solução. Um novo encontro será realizado no dia 27 em Bruxelas.

O FMI e o BCE rejeitaram a proposta feita pelo governo de um ajuste fiscal de 7,9 bilhões de euros até 2016, em troca da liberação dos recursos.

Os credores apresentaram uma contraproposta que não foi aceita por Tsipras. FMI e BCE querem que parte das medias passe a valer a partir de julho e não outubro.

Ângela Merkel praticamente “lavou as mãos” ao afirmar que a questão depende de um acerto com os credores. ( F S P, 26.06.2015, p. A-22) .

Tsipras anunciou que fará um referendo em 5 de julho sobre o acordo com credores internacionais. Seria uma forma de contornar as oposições políticas.

Mas ele disse em discurso na televisão que é contrário à proposta de negociações dos credores , chamando-a de “humilhante”. Mas disse que vai respeitar o que os gregos decidirem.

O Parlamento foi convocado para aprovar a proposta de votação popular e a aprovou na madrugada do domingo, dia 28 , em sessão extraordinária,. Tsipras deve pedir aos credores que prorroguem a dívida pelo menos até 5 de julho, a tempo de ouvir a população e evitar um calote técnico. ( F S P, 27.06.2015, p. A-25) .

Os países da zona do euro rejeitaram a proposta da Grécia de prorrogar a dívida que vence no dia 30 de junho, para a realização de um referendo no dia 5 de julho. O presidente do Eurogrupo, o holandês Jeron Dijsselbloem , afirmou que o governo grego “fechou as portas” ao propor o referendo. “ O referendo proposto foi um avanço negativo , e a Grécia rompeu as negociações com isso”.

Em discurso no Parlamento , Tsipras radicalizou e disse que querem forçar a Grécia a um acordo “humilhante”. “ A Grécia não vai se render. Não é uma decisão de romper com a Europa, mas querem que assinemos um acordo de recessão e morte lenta”.

O ex-premiê, Antonis Samaras, do centro-direita Nova Democracia, disse que o referendo é um “suicídio”. Segundo ele, a população vai votar sem saber o que vai ocorrer se o resultado for contra um acordo com os credores.

Sem adiar a dívida, a Grécia caminha para o calote e pode ficar sem ajuda externa, aumentando as chances de deixar a zona do euro.

Os gregos já estão se precavendo. Grandes filas se formaram no sábado dia 27 nos caixas eletrônicos , com saques que superaram os 5 bilhões de euros em duas semanas. Ou seja, os bancos locais estão a caminho da insolvência e já estão limitando retiradas. A situação do país pode piorar muito rapidamente. ( F S P, 28.06.2015, p. A-23) .

Diante do risco de calote e a falta de acordo com credores , a Grécia decidiu fechar os bancos no dia 29 de junho, segunda-feira e impor medidas de controle de capital, ou seja, restrições para transações financeiras.

Os bancos poderão ficar fechados até o dia 7 de julho, terça-feira, dois dias após o plebiscito no país sobre as negociações com os credores.

O conselho de estabilidade financeira da Grécia recomendou que os bancos operem os caixas automáticos com limite de saque diário de apenas 60 euros.

O fechamento dos bancos ficou inevitável depois de o BCE informar que não vai aumentar o fundo de assistência emergencial , que serve para os bancos gregos reporem os recursos sacados. ( F S P , 29.06.2015, p. A-13) .

Na noite do dia 28 , Tsipras em entrevista à TV afirmou “ O plebiscito é uma arma para nós, para o povo grego. Se tivermos um alto número de pessoas votando ‘não’, estaremos numa posição mais forte “.

João Pereira Coutinho entende que “Identificados os inimigos, o Syriza imagina que poderá finalmente – e legitimamente ! – transformar a Grécia numa espécie de Venezuela em pleno Egeu, cometendo o tipo de loucuras – nacionalizações, controle de preços, etc. , etc. – que fizeram moda em Caracas. Com os resultados conhecidos”. ( F S P , 30.06.2015, p. C-6) .

IEMEN

A rede terrorista Al Qaeda da Península Arábica anunciou no dia 16 de junho a morte de seu líder Nasser al-Wuhayshi, em Al Mukala, capital da província de Hadramut, com mais dois membros da organização em um ataque de drone americano.

É a maior perda da Al Qaeda desde a morte de Osama bin Laden , em 2011. Wuhayshi é considerado o segundo principal líder da Al Qaeda no mundo e havia sido secretário de Osama bin Laden . O novo líder da AQPA será Qasem al-Rimi. ( F S P , 17.06.2015, p. A-11).

IMIGRAÇÃO

A União Europeia anunciou em 22 de junho que utilizará submarinos , navios de guerra, drones e helicópteros em uma operação de inteligência sobre traficantes de pessoas que fazem o trajeto entre a Líbia e a Europa pelo mar Mediterrâneo.

Uma ação militar contra os traficantes, vai permitir a destruição de seus barcos, após o resgate dos imigrantes, mas ainda é preciso autorização do Conselho de Segurança da ONU. Se ocorrer em águas líbias, o governo local também precisa autorizar.

O alvo da operação não são os migrantes, mas os traficantes. ( F S P , 23.06.2015, p. A-11) .

Somente no final de semana de 27 e 28 de junho, pelo menos 2.900 imigrantes foram retirados de barcos interceptados durante uma operação contra o tráfico de pessoas.

A Guarda Costeira italiana afirmou no dia 28 que a maioria deles era de origem africana e estava em botes de borracha e traineiras. As embarcações seguiam da costa da Líbia para a ilha italiana de Lampedusa, a rota mais usada pelos traficantes de pessoas para levar imigrantes à Europa.

A operação foi coordenada pela Itália, com participação de navios do Reino Unido, Irlanda e Espanha e participação de ONGs de ajuda humanitária. Ainda não foi definido onde eles irão desembarcar.

Segundo o governo italiano, cerca de 60 mil imigrantes foram retirados em 2015 de barcos lançados ao mar Mediterrâneo por traficantes de pessoas da Líbia. ( F S P , 29.06.2015, p. A-9) .

IRAQUE

O Ministro das Relações Exteriores do Iraque, Ibrahim al-Jaafari, em visita ao Brasil , pediu o apoio do país no combate ao Estado Islâmico e defendeu uma possível cooperação brasileira na área militar.

“A guerra contra o terrorismo não é uma guerra convencional. Buscamos os países amigos e democráticos para defender aqueles que estão sofrendo com esse fenômeno”. Jaafari destacou que o terrorismo é um “problema global que exige resposta global”. ( F S P , 3.6.2015, p. A-10).

A cooperação militar com o Iraque seria uma excelente oportunidade para o Brasil estreitar os laços com este país e expandir as possibilidades em relação ao comércio exterior, mas infelizmente, no atual governo, simpático à Cuba e Venezuela e com uma presidente defendendo o diálogo com os terroristas do Estado Islâmico, essa possibilidade é inexistente.

EUA e EI

O sub-secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, quebrando um dos tabus da Defesa americana , afirmou em 3 de junho que “mais de 10 mil combatentes “ do EI foram mortos desde o início dos bombardeios aéreos no Iraque e na Síria.

Como a estimativa da CIA em setembro de 2014 era que o EI tinha 31,5 mil militantes , os ataques aéreos podem ter em nove meses matado um terço dos militantes do grupo.

Mas o grupo continua ganhando território e não perdendo, mostrando sua agressividade. ( F S P , 4.6.2015, p. A-12) .

Segundo a ONU o número de combatentes estrangeiros que se uniram a grupos extremistas islâmicos como Síria e Iraque aumentou 70% em nove meses e já passa de 25.000 . ( Revista Veja, 3.6.2015, p. 35) .

Barak Obama anunciou em 10 de junho que os EUA vão enviar mais 450 militares ao Iraque para dar assistência às forças locais e tentar retomar o território perdido para o EI.

Os EUA vão abrir um quinto centro de treinamento em território iraquiano, em Taqqaddum, a 25 km de Ramadi, e o total de americanos no Iraque vai aumentar para 3.550. A meta imediata é retomar a cidade de Ramadi. ( F S P , 11.06.2015, p. A-13) .

No dia 11 de junho o conselheiro de segurança de Barak Obama, Bem Rhodes, afirmou à rede de televisão americana NBC que o governo “ não descarta “ mais bases no futuro, o que vai implicar em envio de mais soldados para batalhas em terra. ( F S P , 12.06.2015, p. B-1) .

EI - um ano e fortalecido

O Estado Islâmico é uma milícia herdeira de uma série de outros grupos na região. O contexto que permitiu seu nascimento, inclui a invasão dos EUA em 2003 e um governo iraquiano sectário que se seguiu.

Sua estrutura remonta ao menos a 1999 , quando o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi fundou o seu Taehid wa al-Jihad – que transformou-se em diversas formações até se tornar a atual milícia.

Neste sentido, o Estado Islâmico é resultado de décadas desastrosas de política regional. O EI é uma reconstrução do modelo instituído por Saddam Hussein , ao repetir a estratégia de utilizar o terror para construir o Estado e ao mesmo tempo oferecer serviços públicos. ( F S P, 28.06.2015, p. A-19) .

E o Estado Islâmico chega a um ano fortalecido. Comemora o primeiro ano do califado no dia 29 de junho. Os EUA bombardeiam o grupo desde agosto de 2014, mais de 10 mil militantes foram mortos , mas mais de 10 mil novos recrutas uniram-se à organização.

Já são mais de 20 mil estrangeiros e não há , por ora, falta de guerreiros nas fileiras da organização.

Seus militantes obtiveram , nos últimos meses, uma série de vitórias estratégicas, como a conquista da cidade histórica de Palmira, no deserto sírio , e a tomada de Ramadi, no Iraque.

É difícil de compreender os motivos que levam forasteiros a se unir a uma milícia que se notabiliza por cortar pescoços e assassinar muçulmanos.

Relatos incluem a promessa de heroísmo , aventura e fama, mas também a chance de viver em um território regido pela lei islâmica. Um documentário britânico defende a tese de que a frustração sexual é um dos fatores-chave do processo. Em janeiro de 2015, Boris Johnson, prefeito de Londres, chamou os recrutas de “punheteiros”. Mulheres tem sido convencidas a se casar com militantes. ( F S P, 28.06.2015, p. A-18) .

Clóvis Rossi destaca a análise de Mohammad-Mahmoud Ould Mohamedou , reitor acadêmico do Centro para Política de Segurança de Genebra: “ No transcurso desse ano, o EI manteve-se não só em Mossul, mas também em Raqqa [ cidade síria que lhe serve de capital informal] , capturou mais duas cidades no Iraque ( Ramadi) e na Síria ( Palmira) e governa fatias de território nos dois países do Levante. Supervisiona uma economia com receitas em grande escala , provenientes primariamente da venda de petróleo de campos iraquianos conquistados. Penetrou em tribos locais , blinda residentes das cidades que controla da criminalidade e paga salários para seus soldados rasos”.

Seu alcance vai, agora, além do califado autoproclamado: já são 21 os grupos islâmicos que declararam publicamente lealdade ao EI. A ele aderiram, segundo cálculos das Nações Unidas, 25 mil combatentes de cerca de cem países , não só da Europa, como costuma ser mais divulgado, mas também do remotíssimo Chile, por exemplo”.

O Estado Islâmico se fortalece em um nefasto contexto de expansão do terrorismo. Segundo relatório do Departamento de Estado dos EUA, foram assassinados por terroristas 725 pessoas em 2002 , número que cresceu para 37.727 em 2014, impressionantes 5.100% de crescimento, a maioria das vítimas sendo dos próprios países muçulmanos, ou seja, muçulmanos assassinando muçulmanos em nome de Alá. ( F S P, 28.06.2015, p. A-17) .

ISLAMISMO

Ayann Hirsi Ali, em Herege, prega uma reforma dos preceitos islâmicos para expurgar a violência política que impede os fiéis de se integrar ao mundo moderno.

Infelizmente , uma mensagem vigorosa contra a violência que disseminou no mundo islâmico, transformando pessoas em assassinos em nome de Alá, não vem de um líder religioso, de um imã , ou de um aiatolá, mas de uma jovem africana somali, radicada nos Estados Unidos e criada nos preceitos muçulmanos mais estritos.

Para ela, a religião, seu clero e suas estruturas estão, sim, na raiz do problema.

O islamismo dos “muçulmanos de Medina”, a dos fanáticos ou fundamentalistas violentos e intolerantes.

Mas, muçulmanos convivem cada vez mais com não muçulmanos, o que torna urgente promover uma reforma que permita a essa fé e seus seguidores coexistir em paz com o restante da humanidade e banir a violência de seu interior.

Mas, a dificuldade segundo ela é que o Islã é inerentemente avesso á inovação estrutural:

“ Paradoxalmente, o Islã é a mais descentralizada, porém , a mais rígida religião do mundo. Todo mundo se sente capacitado a proibir uma discussão livre”.

Por isso, para ela, o Islã precisa de uma reforma nos moldes da promovida por Lutero no cristianismo , uma reforma que as elites ocidentais poderiam auxiliar , parando de inventar desculpas para a violência e apoiando os muçulmanos críticos e reformistas.

Ela destaca cinco preceitos centrais da fé, “ que a tornam resistente à mudança histórica e à adaptação:

  1. A posição de Maomé como semidivino e infalível , juntamente com a interpretação literal do Corão;
  2. O investimento em uma vida após a morte, em detrimento da vida antes da morte;
  3. A sharia e o resto da jurisprudência islâmica;
  4. A prática de dar a indivíduos o poder de aplicar a lei islâmica ditando o certo e proibindo o errado;
  5. O imperativo de fazer a jihad , a guerra santa.

A reforma pressupõe portanto , entre outras coisas, a abertura de novas interpretações sobre Maomé e o Corão, a extinção da supremacia da sharia sobre a lei secular e o abandono da convocação à jihad.

Ela conclui que a reforma é inevitável: “Não vejo outro caminha à frente de nós – pelo menos nenhum que não seja juncado de cadáveres. O Islã e a modernidade precisam ser conciliados. E isso só pode acontecer se o próprio Islã for modernizado”.

Ela destaca que é preciso “ o uso de força militar para dominar grupos como o Estado Islâmico e a Al Qaeda. Mas há uma medida essencial: propagar um discurso de contenção. Alguém precisa dizer, sobretudo aos mais jovens, que a jihad é ruim, que deve ser rejeitada”. ( Revista Veja, 24.06.2015, p. 98-99) .

ISRAEL

O presidente Barak Obama disse que “ A comunidade internacional já não acredita que Israel leve a sério a solução de dois Estados”. Ou seja, ele não vê “possibilidade de acordo “ , envolvendo Israel e palestinos nos 18 meses que lhe restam no cargo, devido à política externa de Binyamin Netanyahu. ( F S P , 3.6.2015, p. A-10).

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu disse no dia 21 de junho que não aceita mediação francesa em negociação com os palestinos.

“A única maneira de alcançar um acordo é por meio de negociações bilaterais ( entre israelenses e palestinos) e não por resoluções da ONU. Rejeitamos com força , qualquer tentativa de nos submeter a imposições internacionais”.

O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius que vai se encontrar com Netanyahu, minimizou seu papel :” Nós não queremos nos meter nas negociações. Cabe aos negociadores das partes interessadas discutir, mas isso não significa que não possa haver ajuda internacional”.

As negociações de paz entre Israel e Palestina estão paralisadas há mais de um ano, quando um acordo mediado pelos EUA foi mal sucedido. ( F S P , 22.06.2015, p. A-10).

A ONU divulgou no dia 22 de junho um relatório após meses de investigação e condenou Israel pelos ataques a áreas densamente povoadas , e grupos palestinos pelo disparo de foguetes contra Israel durante mais de um mês de guerra em 2014.

O conflito em Gaza entre Israel e o Hamas, resultou na morte de 2.251 palestinos , sendo 1.462 civis e de Israel 67 soldados e seis civis.

O relatório, feito por investigadores independentes , chefiados pela americana Mary McGowan Davis, acusa Israel e Hamas de terem cometido crimes de guerra . Para a ONU, mecanismos de culpabilidade serão um fator decisivo para que ambas as partes evitem uma nova rodada de hostilidades.

Naturalmente , ambos os lados negam que tenham cometido violações. Israel produziu anteriormente seu próprio relatório sobre a guerra e Binyamin Netanyahu, afirmou que esse documento da ONU é uma “perda de tempo”.

O Hamas por sua vez, afirmou que suas ações foram motivadas pela defesa do território palestino contra agressões israelenses, o que não explica a execução de palestinos acusados de ter colaborado com Israel.

Para David Benjamin , que foi conselheiro legal do exército israelense para Gaza: “ Sempre haverá problemas enquanto o Hamas utilizar construções civis como estruturas militares. Acusam Israel de atacar sem motivo, mas não é a política do Exército”. O problema é , segundo ele, que as informações que justificam os ataques são de inteligência e não podem ser compartilhadas com a comunidade internacional. ( F S P , 23.06.2015, p. A-12) .

KUAIT

Mais um lobo solitário agiu e em nome do Estado Islâmico.

Um terrorista suicida invadiu uma mesquita xiita na Cidade do Kuait no dia 26 de junho. O maluco de detonou e matou pelo menos 27 pessoas e feriu 227, pois era horário das preces.

Foi o primeiro ataque contra uma mesquita xiita na história do país, onde as comunidades sunita e xiita convivem de forma pacífica. O templo fica em um bairro residencial e comercial da capital e estava lotado para a oração do meio-dia, uma das principais da sexta-feira, dia sagrado dos muçulmanos.

A ação foi reivindicada por uma facção chamada Província de Najd, que se diz filiada ao Estado Islâmico. O Estado Islâmico disse em redes sociais ter tido como alvo um templo de “rafideen”, termo usualmente utilizado pela milícia contra os xiitas, considerados hereges pelos extremistas.

O assassino foi identificado como Al Fahd Suleiman Qabaa, saudita que chegou ao país no mesmo dia do ataque, ou seja, ele veio apenas para isso. O governo anunciou a prisão do motorista do carro que levou o terrorista à mesquita. ( F S P , 29.06.2015, p. A-10) .

Ou seja, terroristas em nome de Alá, invadem um templo islâmico em pleno horário de oração e assassinam 27 fiéis em nome de Alá.( F S P, 27.06.2015, p. A-14) .

LESTE EUROPEU

O Pentágono planeja posicionar soldados e equipamento militar pesado nos países mais novos a entrar na Otan.

Equipamento para 150 soldados seriam colocados em cada uma das nações do Báltico: Lituânia, Letônia e Estônia. Na Polônia, Romênia, Bulgária e Hungria seria enviado material para até 750 soldados.

A proposta ainda requer aprovação do Secretário de Defesa dos EUA, Ashton B. Cartel e de Obama, mas a Rússia vai reagir. ( F S P , 14.06.2015, p. A-18).

MÉXICO

Parentes dos 43 estudantes desaparecidos em setembro de 2014 em Iguala no México, em caravana pelo Brasil, acusam o governo mexicano.

“Primeiro dizem que o caso está encerrado , e depois reabrem. Querem encerrar o caso, mas ele nunca terminou de fato. Queremos uma solução que só virá quando tivermos nossos companheiros de volta”. Não voltarão porque todos estão mortos. ( F S P, 3.6.2015, p. A-11) .

Apesar da queda da popularidade do presidente Enrique Pena Nieto, e dos protestos, o PRI ( Partido Revolucionário Institucional) , que governa o México, foi o mais votado nas eleições legislativas do dia 6 de junho e deve garantir maioria no Parlamento, com 40% dos votos. ( F S P , 9.6.2015, p. A-12) .

REPÚBLICA DOMINICANA

Cerca de 458 mil haitianos que vivem na República Dominicana estão em pânico em razão da nova lei de migração que vai entrar em vigor e tornará automática a deportação de estrangeiros e filhos de estrangeiros nascidos no país até 2011.

O objetivo do governo é que os clandestinos se regularizem , mas a ONG Justiça Migratória estima que 200 mil haitianos ficarão de fora do processo de regularização.

A Corte Constitucional decidiu em 2013 , que filhos de imigrantes ilegais , mesmo nascidos no país e com registro civil, não serão considerados cidadãos dominicanos. ( F S P , 18.06.2015, p. A-10) .

RÚSSIA

A União Europeia aprovou em 17 de junho a prorrogação até 31 de janeiro de 2016 , as sanções econômicas contra a Rússia, devido ao apoio nos separatistas no leste da Ucrânia, que venceriam no final de julho, ao completar um ano.

A decisão foi tomada em consenso pelos 28 embaixadores de países da União Europeia reunidos em Bruxelas, na Bélgica. ( F S P , 18.06.2015, p. A-12) .

SÍRIA

Milhares de sírios cruzaram a fronteira com a Turquia no dia 14 de junho , fugindo dos choques entre combatentes curdos e extremistas do Estado Islâmico, no norte do país. Estima-se que 13 mil sírios cruzaram a fronteira desde 1º de junho. ( F S P, 15.06.2015, p. A-11) .

Mostrando que ainda está ativo, o Estado Islâmico lançou no dia 25 de junho uma ofensiva sobre Kobani e Hasaka, cidades estratégicas no norte da Síria.

Em Kobani, um reduto curdo , os terroristas avançaram disfarçados de milicianos curdos e com bandeiras do Exército Livre da Síria . A facção detonou dois carros-bomba, deixando ao menos 40 feridos e assassinou ao menos 20 civis curdos.

Simultaneamente, a facção atacou Hasaka, cujo controle é dividido pelas tropas curdas e pelo regime sírio. Os terroristas avançaram sobre partes do sul da cidade , tomando o controle de alguns distritos. ( F S P, 26.06.2015, p. A-16) .

SUDÃO

Uma corte sul-africana acionada por uma ONG , proibiu o ditador sudanês , Omar al-Bashir , de deixar o país enquanto a Justiça não se pronunciar sobre um pedido de detenção apresentado pelo Tribunal Penal Internacional.

O acordão afirma que o governo sul-africano “ deve evitar que o presidente do Sudão deixe o país até que uma decisão seja proferida”.

Bashir foi à África do Sul participar de uma cúpula da União Africana, mas o TPI solicitou a Pretória que o detivesse como parte do processo iniciado contra ele por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, em 2009 e por genocídio, em 2010. ( F S P, 15.06.2015, p. A-11) .

SUIÇA

O HSBC fechou um acordo com as autoridades de Genebra e pagará US$ 43 milhões para encerrar a investigação sobre lavagem de dinheiro na divisão suíça do banco , no caso que ficou conhecido como SwissLeaks. O banco não admitiu culpa no caso. ( F S P , 5.6.2015, p. A-12) .

TUNÍSIA

Mais um lobo solitário agiu. Um homem jovem , com bermuda, que havia disfarçado sua arma sob um guarda-sol atacou, em 26 de junho, turistas que estavam na praia do hotel Riu Imperial Marhaba em um dos mais graves atentados contra turistas desde o massacre de 62 pessoas em 1997 no Egito. O balneário de Sousse, que fica próximo a Túnis, sempre foi considerado seguro.

Esse maluco , foi identificado como o estudante de engenharia Saif Rezgui, com apenas 23 anos. Ele retirou o fuzil e começou a atirar na praia, na piscina e dentro de um dos hotéis, matando 39 pessoas, a maioria turistas britânicos, alemães, belgas e tunisianos. Ele teve tempo de recarregar a arma diversas vezes e lançou um explosivo até ser morto por policiais.

É o segundo grande ataque a turistas na Tunísia em quatro meses. Em março, um atentado no principal museu do país, o Bardo, em Túnis ( capital) , deixou 22 mortos, sendo 21 estrangeiros.

O novo ataque deve desgastar ainda mais o turismo no país, o principal motor econômico . A Tunísia é um dos principais fornecedores de recrutas do Estado Islâmico.( F S P, 27.06.2015, p. A-14) .

O Estado Islâmico , reivindicou a autoria do ataque e referiu-se ao estudante pelo pseudônimo de Abu Yahya al-Qayrawani.

“Qayarawani”, faz menção à cidade de Kairouan , onde o rapaz vivia nos últimos meses enquanto frequentava a universidade. A cidade foi durante a Idade Média, um centro tradicional do Islã e um de seus locais sagrados.

Dias depois do atentado em Sousse, tunisianos ainda se esforçavam para entender como um estudante de engenharia poderia empunhar um fuzil Kalashnikov e disparar contra turistas bronzeando-se em espreguiçadeiras.

Segundo o jornal britânico “Telegraph” , que entrevistou um tio de Resgui, ele penteava o cabelo com gel , vestia-se bem e gostava de dançar. “Ele não tinha barba , e nunca o vi com ninguém barbado. Temos extremistas assim em Gaafour, mas nunca o vi com eles. Agora ele está atirando em pessoas”.

Mas, testemunhas mostram claramente que ele não era uma pessoa normal. Ria enquanto disparava contra os turistas, após ter escondido a arma num guarda-sol. Em um dado momento deu uma pausa no ataque, para lavar as mãos no mar.

Mostrando sua loucura total, evirou disparar contra funcionários locais, e disse a alguns deles que se afastassem até ser morto pela polícia.

Para investigar suas ligações com o Estado Islâmico, as autoridades locais confiscaram seu computador e prenderam seus pais. ( F S P , 29.06.2015, p. A-10) .

Um dia após o atentado, o pescador Khaled Freje , 19 aponta para as espreguiçadeiras vazias e o hotel Imperial Marhaba fechado, e afirma “Olhe ao redor. É assim que vai ser nos próximos meses. O verão foi embora”. ( F S P, 28.06.2015, p. A-18) .

Preocupado com a radicalização de jovens em mesquitas, o governo tunisiano anunciou que irá fechar 80 delas em situação irregular.

O país vive, desde a revolução que tirou o ditador Zine El Abidine Bem Ali do poder , em 2011, marco inicial da Primavera Árabe, constante conflito para acomodar a parcela da população que segue interpretações rígidas do Islã.

A liberdade de culto e a falta de monitoramento pelo Estado, após 2011, contribuíam para o avanço do extremismo. A organização Ansar Al-Sharia formou-se após a revolução de 2011 e foi classificada como terrorista em 2013, depois do assassinato de líderes seculares.

O governo , para regularizar mesquitas, está designando quem serão os líderes religiosos dessas congregações, a única maneira de evitar que radicais tomem o controle com sermões extremistas. ( F S P , 29.06.2015, p. A-10) .

TURQUIA

O Partido governista Justiça e Desenvolvimento (AK) perdeu a maioria no Parlamento, pela primeira vez em 12 anos.

O partido caiu das 311 para 254 cadeiras e terá que negociar com outras siglas. É a menor quantidade de deputados da sigla desde que Erdogan se tornou primeiro-ministro em 2003. ( F S P , 8.6.2015, p. A-10) .

UCRÂNIA

Os líderes do G7 , grupo que reúne os sete países mais industrializados do mundo definiu no dia 7 de junho que as sanções contra a Rússia terão fim, somente quando Vladimir Putin e os separatistas pró-Moscou respeitarem os termos do cessar-fogo com a Ucrânia. ( F S P , 8.6.2015, p. A-11) .

VENEZUELA

O jornalista Miguel Henrique Otero, dono do tradicional jornal venezuelano “El Nacional” processado pelo presidente do Parlamento Diosdado Cabello pensa em voltar á Venezuela, apesar do risco de ser preso.

Cabello acusa Otero e outros 21 executivos da mídia local de difamação por terem repercutido uma reportagem que o liga ao narcotráfico.

Publicado em janeiro pelo jornal espanhol “ABC”, o texto cita um guarda-costas de Cabello que o acusa de comandar um cartel dentro das Forças Armadas.

Cabello nega as acusações e ameaça processar também jornais estrangeiros , além do “ABC”, o “Wall Street Journal”, dos EUA.

Ele disse que quer voltar à Venezuela para administrar o jornal “Mas sei que posso acabar indiciado por traição à pátria , algo mais perigoso do que difamação”.

Ele diz que “O Executivo usa os tribunais como bem entende” O jornal está em situação precária. “ O governo não nos permite acessar dólares [ usando a taxa preferencial], para importar papel. Sobrevivemos graças à solidariedade de outros jornais da América Latina. Nosso estoque de papel não passa de três meses. Aliviamos com soluções pontuais , como cortar gastos e reduzir as páginas ao mínimo.

O governo deixou de publicar anúncios nas nossas páginas , e as empresas privadas estão em crise, o que nos deixa num grande aperto. Mas continuamos resistindo . Somos o único jornal independente em circulação no país . Todos os outros foram comprados ou cooptados”.

Quanto ao Brasil em relação à Venezuela é o de sempre: ´”É uma posição ambígua, fraca. Mas mudanças interessantes estão em curso. O Brasil parece mais sensível á defesa da democracia”. ( F S P , 5.6.2015, p. A-9) .

Cabello anunciou que vai abrir processos na Espanha e nos EUA , contra jornais que o vincularam ao narcotráfico. “ Não é possível que a imprensa faça isso , que desqualifique alguém sem apresentar nenhuma prova...Irei até o fim com este processo...Não farei concessões”. Ele pensa que os jornais estrangeiros devem ser subservientes como os da Venezuela. ( F S P , 1.6.2015, p. A-8) .

Felipe Gonzalez

Felipe González, ex-primeiro ministro da Espanha, desembarcou no dia 7 de junho na Venezuela para reforçar a campanha de libertação dos líderes opositores presos.

Ele foi considerado “persona non grata” pelo Parlamento, mas sua entrada foi permitida , embora seja acompanhado em todos os seus deslocamentos por agentes de inteligência.

Ele passou o domingo, dia 7 em reuniões com familiares de três opositores presos: Lopez, Ceballos e Ledezma. ( F S P , 8.6.2015, p. A-13) .

González encerrou abruptamente sua viagem à Venezuela no dia 9 de junho depois que as autoridades o impediram de concretizar as principais missões de sua visita. Ele foi proibido de integrar a defesa de Leopoldo López , sob a alegação de que ele não está habilitado a exercer a advocacia na Venezuela. Também foi impedido de falar com López e só conseguiu encontra Ledezma porque ele está em prisão domiciliar. ( F S P , 10.06.2015, p. A-11) .

González saiu dizendo “A Venezuela é um país em processo de destruição”. ( F S P , 14.06.2015, p. A-15).

Com ele concorda Jorge Giordani, ministro por longo tempo de Chávez e um dos primeiros vice-presidentes de Maduro. Para ele, há uma grave distorção que sofre a economia venezuelana, com muitas causas , entre elas “ a falta de liderança” e o país não tem rumo, particularmente na economia.

Srdja Popovic e Victoria Porell analistas do Centro para a Aplicação de Ações e Estratégias Não Violentas escrevem que: Durante o governo de Hugo Chávez, suas políticas se arrastavam nos limites da ditadura. Hoje, dois anos após a morte de Chávez, seu sucessor cruzou o limite do autoritarismo para a ditadura”.

A Provea , afirma que Maduro “está causando o maior retrocesso em direitos sociais das últimas décadas. Se a tendência se mantiver, no fim de 2015 teremos na Venezuela a mesma quantidade de pobres que existia em 2000 , quando se contabilizavam 10.954.595 pessoas em tal situação”, o que seria mais de um terço da população total de 31,5 milhões. ( F S P , 14.06.2015, p. A-15).

Gonzalez esteve no Brasil e participou da conferência “Novos desafios da democracia”, organizada pelo Instituto Lula com as fundações Friedrich Ebert e Perseu Abramo.

Ele criticou o cerceamento da oposição na Venezuela e duvidou da disposição do governo para o debate. Com Maduro , disse “não se pode falar”.

“ Não existe conspiração internacional para derrubar governos. Nós perdemos pelos nossos erros”. ( F S P , 23.06.2015, p. A-10) .

Óscar Arias

Ganhador do Prêmio Nobel da Paz pelo acordo que deu fim às guerras na América Central, o ex-presidente da Costa Rica, Óscar Arias afirmou “ Me dói que os governos da América Latina vejam o que acontece na Venezuela com grande indiferença. Alguns dependem economicamente do país. Outros são membros da Unasul , tem relações cordiais com Maduro e não tem preocupação muito grande com a violação dos direitos humanos. ( F S P , 9.6.2015, p. A-12) .

Viagem ao Brasil

Uma delegação liderada pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela , o chavista Diosdado Cabello , segundo nome mais importante do chavismo e integrada por ministros do governo Nicolás Maduro, se reuniu no dia 10 de junho com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo para discutir o “aprofundamento da cooperação política” entre os países. A comitiva inclui os ministros da Economia , Rodolfo Torres , e da Indústria , José David Cabello, irmão de Diosdado.

O Itamaraty não foi comunicado sobre a visita, nem a embaixada do Brasil em Caracas. O encontro com Lula mostra que para os chavistas, o presidente do Brasil chama-se Luiz Inácio Lula da Silva e não Dilma Rousseff. Após o encontro com Lula, o grupo visitou duas fábricas da JBS em Amparo e em Lins. ( F S P , 11.06.2015, p. A-12) .

Cabello depois reuniu-se com Thomas Shannon, assessor especial do Departamento de Estado dos EUA, no dia 13 de junho no Haiti. ( F S P, 15.06.2015, p. A-9) .

Bruxelas

A presidente Dilma Rousseff está em Bruxelas para a cúpula entre a União Europeia e a Celac ( Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos ). Está acompanhada de Marco Aurélio Garcia que continua sendo assessor para assuntos internacionais, ou seja, continua dando as cartas na diplomacia brasileira com seu bolivarismo. ( F S P , 11.06.2015, p. A-12) .

Em Bruxelas Dilma posicionou-se em relação ao decreto dos EUA que considera a Venezuela “ameaça comum e extraordinária”, impondo sanções ao país. “Nós , países latino-americanos e caribenhos, não admitimos medidas unilaterais, golpistas e políticas de isolamento. Sabemos que tais medidas são contraproducentes , ineficazes e injustas. Por isso, rechaçamos a adoção de quaisquer tipo de sanções contra a Venezuela”. ( F S P , 11.06.2015, p. A-12) .

Missão dos Senadores Brasileiros na Venezuela

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves vai liderar uma comissão externa do Senado que desembarca em Caracas no dia 17 de junho para verificar a situação dos opositores do regime de Nicolás Maduro presos desde 2014.

“Vamos suprir a omissão vergonhosa do governo da presidente Dilma diante da escalada autoritária na Venezuela “, ele afirmou para a mulher de Leopoldo López , Lilian Tintori. ( F S P , 7.6.2015, p. A-4) .

O governo da Venezuela após um momento de silêncio, autorizou no dia 16 de junho o pouso de um avião militar da FAB em Caracas , que levará uma comitiva do Senado liderada por Aécio Neves e com Aloysio Nunes (PSDB-SP) e José Agripino Maia ( DEM-RN), da oposição. Da base aliada irão Ricardo Ferraço ( PMDB-ES) e Sérgio Petecão (PSD-AC).

Os senadores se encontrarão com parentes de presos políticos. A Venezuela todavia não vai autorizar a visita dos senadores aos presídios onde estão detidos os políticos venezuelanos da oposição. ( F S P , 17.06.2015, p. A-11) .

A visita acabou transformando-se em uma imenso constrangimento para a delegação brasileira e deixou claro que o governo da Venezuela não passa de uma ditadura.

A comitiva de senadores em missão oficial , chegou em avião da FAB , ás 12 horas, no dia 18 de junho no aeroporto Simon Bolívar, que fica a 40 km de Caracas. Foram recebidos no aeroporto pelo embaixador Ruy Pereira.

Os senadores embarcaram em um micro-ônibus para ir até Caracas, mas o veículo ficou parado na saída do aeroporto devido ao trânsito estar paralisado por causa de um bloqueio policial.

A desculpa que autoridades que escoltavam a comitiva era de que o bloqueio se devia a obras na pista, limpeza de túneis e segurança para o translado de um prisioneiro recém-extraditado da Colômbia, Yonny Bolivar , acusado de matar uma manifestante grávida durante os protestos de 2014 e o avião em que ele chegou, aterrissou em Caracas uma hora antes da chegada do avião da FAB.

Mas é mais grave ainda. Na saída do terminal, o micro-ônibus foi cercado por dezenas de partidários do governo , que bateram no veículo gritando “Chávez não morreu, multiplicou-se”. Neste momento, batedores fecharam o caminho , alegando que não havia condições da comitiva prosseguir.

Claramente a ação foi orquestrada para bloquear a passagem do veículo com os brasileiros e os manifestantes estavam ali , “pagos pelo governo”.

O que os parlamentares iriam fazer é ir ao presídio de Ramo Verde, nos arredores da capital, onde tentariam visitar o opositor Leopoldo López, detido injustamente há mais de um ano . Planejavam ainda almoçar com representantes do MUD, principal coalizão opositora , ter reuniões com parentes de estudantes presos por envolvimento nas manifestações de 2014 e visitar o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, em prisão domiciliar. Apenas isso.

Mas, impedida de prosseguir, a comitiva voltou ao aeroporto e lá encontrou-se com esposas de opositores e com a deputada injustamente cassada Maria Corina Machado.

Depois de uma segunda tentativa fracassada de prosseguir, os senadores decidiram embarcar de volta ao Brasil às 17h45.

Aécio Neves protestou “ Nós fomos sitiados e impedidos de cumprir o objetivo de nossa missão. Isto é um claro incidente diplomático, da mais alta gravidade , e vamos exigir que a presidente Dilma convoque para consultas o embaixador em Caracas e tome outras providências cabíveis diante dessa situação lamentável”.

É caso de rompimento das relações diplomáticas com a Venezuela e expulsão do país do Mercosul, por estar violando a cláusula democrática que deveria reger as relações internas de todos os países do bloco. Mas nada vai ser feito.

Jorge Arreaza, vice-presidente da Venezuela , em clara demonstração de que o bloqueio foi iniciativa do governo, enviou para o celular de Lilian Tintori , mulher de Leopoldo López , uma debochada mensagem sobre os senadores brasileiros: Se os senadores estão aqui, é porque não tem muito trabalho por lá . Assim, uma horas a mais ou a menos , dá no mesmo”.

Os presidentes da Câmara e do Senado reagiram como deveriam reagir. Cobraram da presidente Dilma Rousseff e do chanceler Mauro Vieira reação do governo.

Renan Calheiros ( PMDB-AL), ligou para Dilma e ouviu dela que o governo está tomando “providências” em relação ao incidente, sem especificar que medidas vai adotar. Renan leu para Dilma, nota divulgada por ele em que condena “gestos de intolerância” e diz que as democracias não admitem “ manifestações incivilizadas e medievais”.

Renan também ligou para Mauro Vieira cobrando providências. Diversos senadores ocuparam a tribuna da Casa para protestar contra os ataques à comitiva em Caracas.

Na Câmara, a sessão também foi marcada por críticas ao governo Dilma e pedidos de explicações oficiais. Os deputados aprovaram uma moção de repúdio ao tratamento dado pelo governo da Venezuela aos senadores. Por pressão dos deputados, Eduardo Cunha decidiu adiar por uma semana a votação do projeto de lei que trata de desoneração de setores da economia brasileira. ( F S P, 19.06.2015, p. A-9) .

Qual foi a reação do PT? Deplorável, como não poderia ter sido outra. O líder do PT no Senado, Humberto Costa, mostrou isso ao declarar “ Essa missão foi um equívoco, interferência direta na politica interna venezuelana. Querem radicalizar lá, como fazem aqui”. ( F S P, 19.06.2015, p. A-4) .

O PT pensa como pensam os chavistas. A chancelaria venezuelana divulgou nota na noite do dia 19 defendendo o ocorrido e afirmando que a comitiva brasileira tinha o “ único propósito de desestabilizar a democracia venezuelana e gerar confusão e conflito entre países irmãos”.

O Itamaraty convocou no dia 19 de junho, a embaixadora da Venezuela no Brasil , Maria Lourdes Urbaneja Durant, para pedir esclarecimentos sobre o ocorrido em Caracas com a comitiva dos senadores.

O chanceler Mauro Vieira, no mesmo dia, telefonou para sua colega venezuelana para pedir esclarecimentos sobre o ocorrido. Na diplomacia, as duas iniciativas sinalizam reprovação.

Mas, infelizmente, no governo Dilma Rousseff, simpático ao ditador Maduro , não vai sair disso.

Aécio Neves ficou furioso :” Se existia alguma dúvida sobre aquilo que prevalece na Venezuela, os oito senadores de diversos partidos voltam para dizer: não há qualquer dúvida de que [o país] não vive uma democracia. Os oposicionistas são aterrorizados, alguns deles presos, as pessoas que discordam do governo na rua são afrontadas e aqueles que querem se manifestar , como nós fizemos, são impedidos”.

Os congressistas irão além. Pretendem pedir ao governo brasileiro que requeira ao Conselho do Mercado Comum – órgão responsável pelo processo de integração do Mercosul – punições à Venezuela. O país poderá ser considerado violador dos acordos de manutenção do princípio democrático e com isso pode ser suspenso ou expulso do bloco.

Há precedente. Pelo fato do Parlamento paraguaio ter destituído regularmente o presidente Fernando Lugo, o país foi suspenso em articulação do Brasil e Argentina, que permitiu a entrada da Venezuela. Mas como são dois pesos e duas medidas no governo brasileiro, agora nada será feito. ( F S P, 20.06.2015, p. A-20).

Aécio Neves em artigo na Folha de São Paulo afirma “ É incompreensível o apoio da presidente Dilma – em função da própria biografia de ex-presa política – a um governo que tenta silenciar os seus opositores pela força.

Quem cala consente. O silencio do Brasil é constrangedor e imoral. Em pleno século 21, é intolerável a existência de presos políticos. Não se transige com a liberdade. Há valores que, por sua força e significado , estão acima das diferenças partidárias. ( F S P , 22.06.2015, p. A-2) .

Por incrível que possa parecer, parlamentares governistas informaram que também viajarão á Venezuela. O grupo afirma que representará oficialmente o Senado para dialogar com “todos os setores políticos”, inclusive com a oposição. ( F S P , 23.06.2015, p. A-10) .

Como fazem parte do grupo dos puxa-sacos de Dilma e de Maduro , certamente deverão ser bem recebidos por Maduro.

Henrique Capriles

Governador do Estado de Miranda e oposicionista moderado Capriles não tem dúvida que o episódio com os senadores brasileiros foi orquestrado pelo governo:

“Ordem direta do governo. Havia grupos espontâneos no início dos anos 2000 quando os seguidores do Chávez eram muitos e as pessoas se mobilizavam. Este governo não mobiliza ninguém espontaneamente. A estrada foi bloqueada com cumplicidade da segurança do Estado”.

Ele esta otimista com as eleições: “ O governo tem seus extremistas , e a oposição também. O certo é focar os extremos, ou o centro, onde estão a maioria dos venezuelanos ? A maioria quer uma mudança pacífica, eleitoral e constitucional. Eu estou do lado desta maioria...Qualquer pesquisa mostra que 80% veem a situação como negativa. Você não acha que esses 80% se bem organizados, podem derrotar os 20% que usam armas e controlam as instituições? Eu, que fui vítima do abuso do Estado, creio no voto”. ( F S P , 21.06.2015, p. A-18) .

Marcha em Caracas

No dia 20 de junho, manifestantes convocados pelo partido opositor venezuelano Vontade Popular (VP) , fizeram uma marcha pelas ruas do centro de Caracas, pedindo pela libertação do líder do VP, Leopoldo Lopez , preso há mais de um ano , sob a acusação de instigar protestos contra o governo e que faz greve de fome há 27 dias.

Participaram a sua mulher , Lilian Tintori, e Patrícia de Ceballos , casada com Daniel Ceballos, outro opositor detido e o secretário-executivo da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesus Torrealba. Henrique Capriles não compareceu. ( F S P , 21.06.2015, p. A-18) .

Eleições marcadas

A presidente do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, Tibisay Lucena , informou no dia 22 de junho que as eleições para o Parlamento acontecerão no dia 6 de dezembro.

Os candidatos terão que se inscrever entre 3 e 7 de agosto , e a campanha eleitoral irá de 13 de novembro, até o meio dia de 3 de dezembro. ( F S P , 23.06.2015, p. A-10) .

Com isso, Leopoldo López anunciou o fim de sua greve de fome iniciada há 30 dias , com a qual ele perdeu 15 kg. As greves de fome começaram em 24 de maio pelo ex-prefeito de San Cristóbal , Daniel Ceballos e além deles , cem pessoas pararam de se alimentar. Ceballos encerrou sua greve de fome no dia 11 de junho. ( F S P , 24.06.2015, p. A-12) .

Justiça Independente

O Comitê de Direitos Econômicos Sociais e Culturais da ONU pediu no dia 22 de junho que se garanta a independência do Judiciário na Venezuela, onde o governo é acusado de interferência.

Os magistrados deveriam competir em condições de igualdade pelos cargos e ter garantias de estabilidade. Mas são chamados pelas afinidades políticas com o governo , e seus mandatos são temporários, instabilidade que pode “afetar significativamente sua independência”.

“ O comitê recomenda ao Estado que adote as medidas para garantir que a seleção e a nomeação de juízes sejam feitas de forma transparente de modo a serem nomeados com base em sua integridade e idoneidade”. Isso é impossível acontecer no governo Maduro que já foi condenado pela Corte de Direitos Humanos da ONU e pela Human Rights Watch. ( F S P , 23.06.2015, p. A-10) .

Presos libertados

O governo da Venezuela libertou no dia 24 de junho Gerardo Resplandor e Douglas Morillo , dois estudantes ativistas presos em 2014 durante os protestos contra o governo Maduro.

Os dois são acusados de instigar a violência durante a onda de agitação que levou a mais de 40 mortes em 2014. Estima-se que 75 ativistas , considerados presos políticos pela oposição, ainda estejam nas prisões por sua participação nos protestos antigoverno. ( F S P , 25.06.2015, p. A-15) .

Nova Comitiva do Brasil

Nova comitiva de senadores brasileiros, agora favoráveis ao governo Maduro, viajou à Venezuela e desta vez, foram bem recebidos.

O cordão de puxa sacos foi formado por : Lindbergh Farias (PT-RJ), Telmário Mota (PDT-RR), Vanessa Grazziotin ( PC do B – AM) e Roberto Requião ( PMDB-PR).

Obviamente a programação tinha de começar com reunião com grupos favoráveis a Maduro. A primeira reunião foi com o Comitê das Vítimas das Guarimbas, grupo pró-Maduro que reúne famílias de vítimas das manifestações opositoras de 2014 que disseram que o maior culpado foi Leopoldo López, que participou de manifestações legítimas contra o regime, que foram reprimidas.

Os senadores encontraram-se com Henrique Capriles que é um opositor moderado e foram recebidos pelo presidente da Assembleia Nacional, o chavista , Diosdado Cabello, acusado de ser traficante de drogas.

No final, anunciaram a formação de uma comitiva com colegas da oposição para uma missão conjunta de observação nas eleições parlamentares venezuelanas , em 6 de dezembro. ( F S P, 26.06.2015, p. A-13) .

Eleições Primárias.

Já começou. O presidente Nicolás Maduro disse que seu partido, o PSUV terá acesso ás identidades dos votantes das primárias realizadas no dia 28 de junho para escolher candidatos à eleição parlamentar de dezembro.

“Dessa maneira , o PSUV poderá organizar suas equipes para que sejam convocados os que participaram nesse primeiro passo e organizem a grande vitória”, disse ele.

Mas, internautas dizem que o governo vai usar os dados para perseguir opositores. Os rivais de Maduro ainda acusam os chavistas de inflar a participação nas primárias. ( F S P , 29.06.2015, p. A-9) .

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