Capitalismo crise - Julho de 2015

Fatos relevantes da economia e política internacionais em julho de 2015

O presente texto tem como base a leitura de fatos relevantes da economia internacional na imprensa brasileira, referentes ao período de julho de 2.015.

AFEGANISTÃO

Com base em dados da agência de inteligência afegã, um porta-voz da Presidência do Afeganistão afirmou que Mohammed Omar, líder do grupo radical Taleban, que não aparecia em público desde 2001, teria morrido de causas naturais em um hospital em Karashi, no Paquistão , em abril de 2013.

Sob a liderança de Omar desde 1996, o Taleban abrigou em solo afegão o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden , levando à invasão feita pelos EUA após o 11 de setembro de 2001.

A intervenção americana derrubou o governo do Taleban e desde então o mulá Omar foi dado como morto diversas vezes.

O Taleban continua em campanha contra o Estado mantido pelos EUA em Cabul, mas bem enfraquecido em relação à situação dos anos 1990. A ascensão do Estado Islâmico é uma evidência da diminuição da influência do Taleban fora de suas fronteiras. Mas perto do EI, o Taleban pode até ser considerado moderado.

Os EUA, por meio de Eric Schultz , porta-voz da Casa Branca veem motivos para acreditar na informação: “ De fato, acreditamos que os relatos de sua morte são confiáveis”.

Mas o jornalista inglês Robert Fisk, especialista em Oriente Médio ironiza “ O mulá Omar está morto... pela quarta vez”. Ele afirma que espalhar rumores assim é uma técnica de serviços secretos ocidentais para forçar seus inimigos a aparecerem. ( F S P , 30.07.2015, p. A-10) .

O Taleban confirmou no dia 30 de julho a morte de seu líder o mulá Mohammad Omar e anunciou que seu novo chefe é Akhtar Mansour , também mulá.

Número dois da organização , ele foi ministro da Aviação Civil no período em que o Taleban dominou o Afeganistão de 1996 até 2001.

Mansour era próximo de Omar e visto como líder de fato do grupo há alguns anos. Mas sua escolha não foi consensual. Parte do grupo, incluindo membros da shura ( “assembleia dos notáveis), defendia que Yaqub, filho de Omar assumisse o cargo.

Entre os contrários à liderança de Mansour estaria o mulá Qaum Zakir, considerado o principal comandante militar do Taleban.

Segundo a BBC, Mansour é a favor de negociações de paz com a Afeganistão e o Paquistão e receberá o título de Líder Supremo – não Líder dos Fiéis, como Omar.

Negociações de paz marcadas para o dia 31 foram adiadas o que comprova as divisões dentro do Taleban. ( F S P, 31.07.2015, p. A-11) .

ARGENTINA

Caso Nisman

O caso Nisman continua surpreendendo.

A denúncia de Nisman foi rejeitada pela Justiça, mas o juiz Luis Maria Cabral um dos responsáveis por avaliar a constitucionalidade do pacto entre Argentina e Irã , e seu histórico de decisões, decidiu em abril manter uma investigação de lavagem de dinheiro envolvendo os Kirchner.

Agora , em uma votação do Conselho de Magistratura, órgão de maioria favorável ao governo, Cabral foi afastado sob a alegação de que estava à muito tempo no cargo como juiz substituto ( desde 2011).

No seu lugar foi colocado um advogado, Cláudio Vasquez, que seria ligado a políticos kirchneristas.

A manobra gerou mais uma crise entre o poder Judiciário e o Executivo. No dia 30 de junho, a Suprema Corte rejeitou uma tentativa do promotor no caso Irã, Raul Plée, de restabelecer Cabral. ( F S P, 2.7.2015, p. A-11) .

Os juízes argentinos organizaram uma manifestação na noite do dia 7 de julho em frente à sede da Justiça do país, em Buenos Aires, a favor da independência da classe , a segunda da classe em repúdio a Cristina em 2015.

Centenas de pessoas participaram do protesto, gritando “Justiça Independente” e “Argentina”. Outros tinham cartazes contra o governo e entoavam o slogan antikirchnerista “ vai acabar a ditadura dos K”.

Pela lei argentina, o governo pode indicar substitutos para ocupar vagas ou para assumir casos em que os magistrados se declarem impossibilitados de participar de um julgamento.,

Para tanto os nomes precisam ser aprovados pela maioria do Conselho da Magistratura, criado pela Constituição Argentina de 1994 , formado por juízes, acadêmicos e políticos , mas onde os governistas tem maioria e o que está acontecendo é que o governo está nomeando juízes substitutos , muitos deles advogados simpáticos ao kirchnerismo , para vagas no Judiciário. Ou seja, na Argentina quem inventou concurso para o Judiciário perdeu tempo, Em apenas uma semana, Cristina Kirchner nomeou 70 juízes substitutos . É assim que se constrói uma ditadura em uma democracia, com o controle do Legislativo e do Judiciário. ( F S P , 8.7.2015, p. A-10) .

O esperado adeus

Cristina Kirchner deixará a Casa Rosada em 2015 , mas ainda é incerto quando o desastrado legado dos Kirchner será desmontado.

A Argentina é o único país da América Latina que em 1900 era considerado de Primeiro Mundo e em 2000 ainda estava no grupo dos em desenvolvimento.

Andando em Buenos Aires, pela arquitetura imponente dos prédios antigos é possível rememorar os tempos de abundância.

Já, a situação econômica das pessoas que passam pelas ruas hoje, é fruto de um populismo típico de Terceiro Mundo, no caso da Argentina produzido por 12 anos dos Kirchner. De 2003 a 2007 Néstor e de 2008 a 2015 , Cristina.

Desde 2003, a imprensa passou a ser perseguida, os dados econômicos foram mascarados , a inflação explodiu e a economia afundou. O PIB teve retração em dois dos últimos três anos e deve voltar a encolher em 2015.

Há quatro anos o país não sabe o que é superávit fiscal e a Argentina, com a moratória de 2001 está fora do mercado internacional de crédito, situação que deve piorar com a decisão do juiz Thomas Grieza , de Nova York, condenando o país a pagar bilhões para os que não concordaram com a reestruturação da dívida.

Como mostra a gravidade da situação, Alberto Ramos do banco americano Goldman Sachs afirma : “ Para entender a situação argentina, é só pensar nos desequilíbrios macroeconômicos do Brasil e multiplicar por 3”.

As eleições presidenciais estão marcadas para 25 de outubro e pode haver segundo turno em 24 de novembro. O grande problema que os argentinos vão enfrentar nos próximos anos é se o vencedor vai conseguir se livrar da sombra de Cristina Kirchner que vai tentar continuar manipulando nos bastidores, como Lula faz no Brasil e se ela tiver sucesso, as desastrosas políticas kirchneristas dos últimos anos poderão continuar e a Argentina não vai conseguir sair do atoleiro. ( Exame Melhores e Maiores 2015, p. 132-135) .

Barreira a Importados

A Argentina, em documento entregue no dia 2 de julho à Organização Mundial do Comércio, se comprometeu a retirar, em 31 de dezembro de 2015, uma das principais restrições à importação que estão em vigor : a declaração juramentada antecipada de importação ( DJAI).

Criado em 2012, o documento funciona como uma espécie de barreira à entrada de importados no país. Para entregar uma mercadoria na Argentina, o exportador tem que solicitar essa declaração ao governo e não há prazo para se obter uma resposta, o que pode levar meses.

Em 2014, o dispositivo foi considerado ilegal pela OMC, segundo as normas que regulam o comércio internacional. ( F S P , 15.07.2015, p. A-19) .

Eleições para o governo de Buenos Aires

O principal candidato da oposição à presidente Cristina Kirchner , teve seu apadrinhado Horacio Rodrigues Larreta eleito para o cargo de governador de Buenos Aires, mas com apenas 51% dos votos, contra 48% do segundo colocado , Martin Lousteau, da coligação ECO.

Com o resultado surpreendentemente apertado, o presidenciável Maurício Macri fica em situação difícil para a eleição presidencial de outubro.

Ele é o governador de Buenos Aires e tinha que mostrar força política na cidade de Buenos Aires com o objetivo de ser competitivo nas eleições nacionais. Ou seja, tinha que ganhar de lavada. ( F S P , 20.07.2015, p. A-8) .

Fragilizado , Macri está defendendo políticas kirchnerista. No dia 19 , prometeu que , se eleito, manterá sob controle do Estado a Aerolineas Argentinas e a YPF. Também elogiou a universalização da previdência pública feita por Cristina, cuja tramitação dificultou no passado. ( F S P , 22.07.2015, p. A-10) .

Pesquisa feita pela Management & Fit a dez dias das eleições primárias na Argentina mostra que o candidato governista Daniel Scioli está quase 9 pontos percentuais à frente de Maurício Macri (PRO), com 35,3% das intenções de voto contra 26,5% de Macri.

Em terceiro lugar aparece o peronista dissidente Sergio Massa, com 11,8% , seguido pelo também peronista José Manoel de la Sota, com 6,3%,

Num cenário definitivo, Scioli fica com 35,5% dos votos e Macri 31,1%, o que levaria a um segundo turno.

A pesquisa mostrou que subiu a avaliação positiva de Cristina Kirchner de março , 24,2% para julho, 38,7%. ( F S P, 31.07.2015, p. A-12) .

BOLÍVIA

O papa Francisco, em viagem pela América Latina , visitou a Bolívia e o presidente do país, Evo Morales teve a espetacular falta de educação e respeito ao presentear o sumo pontífice com um com um Cristo pregado em uma cruz de foice e martelo, símbolo do comunismo que foi um dos maiores perseguidores do catolicismo no século 20.

É equivalente a unir a estrela de Davi á suástica nazista e dá-la de presente a um rabino.

Jorge Bergoglio até criticou o capitalismo, defendeu em discurso uma “mudança de estruturas “ mundial e chamou o capitalismo de “ditadura sutil”, mas é um “progressista “ e não um “marxista” e por isso o presidente da Bolívia , apenas deu mostras de que não passa de um comunista mal educado. ( F S P , 10.07.2015, p. A-8) .

BURUNDI

Mais um na África que vem se eternizando no poder. A comissão eleitoral do Burundi anunciou no dia 24 de julho a reeleição do presidente , Pierre Nikurunziza para um terceiro mandato.

O terceiro mandato é vetado pela Constituição do país, mas o presidente anunciou em abril sua intenção de concorrer o que intensificou uma onda de violência no país. O governo alega que o terceiro mandato é constitucional porque Nikurunziza foi eleito pela primeira vez em 2005, indiretamente,

Revoltada, a população tomou as ruas da capital , Bujumbura , em protestos reprimidos pela polícia.

Em maio, militares de alto escalão tentaram promover um golpe de Estado, mas fracassaram.

A violência nos últimos meses deixou pelo menos cem mortos e levou mais de 167 mil pessoas a se refugiarem em países vizinhos segundo a ONU.

No dia 23 de julho, o opositor Emmuel Ndereyimana foi morto diante da casa de seus pais, na região de Kinama. Segundo testemunhas, os responsáveis pela ação foram militantes de uma organização de juventude que apoia o governo..

Antiga colônia da Alemanha, o Burundi é hoje uma das nações mais pobres do mundo, com PIB per capita de apenas US$ 900 anuais, à frente somente de quatro países.

A eleição do dia 21 de julho foi boicotada por partidos da oposição. Nikurunziza recebeu 69% dos votos. Seu principal rival , Agathon Rwasa, recebeu 19% e acusou o governo de atrapalhar sua campanha. ( F S P , 25.07.2015, p. A-13) .

CAMARÕES

Em Camarões, ao menos 20 pessoas morreram em uma explosão de meninas-bomba na noite do sábado dia 25 de julho em um bairro repleto de bares em Maroua. ( F S P , 27.07.2015, p. A-8) .

CHADE

O ditador Hissène Habré, no período de 1982, 1990 , foi acusado , com abundantes depoimentos e provas , da morte de cerca de 40 mil pessoas e de torturas em 200 mil.

Ele está sendo julgado no Senegal. O processo só se tornou possível por um acordo entre o Chade e a União Africana para a criação de um tribunal especial, o CAE ( Câmaras Africanas Especiais) .

É uma espécie de versão africana do Tribunal Penal Internacional de Haia.

A União Africana considera o TPI uma espécie de maquinação do homem branco para julgar líderes negros e apenas eles. Por isso , o CAE foi criado para provar que a África é capaz de julgar seus próprios filhos, para que outros não façam em seu lugar.

O julgamento de Habré é um exemplo dados a outros ditadores.

Reed Brody, conselheiro da Human Rigths Watch afirma: Este caso é uma advertência aos déspotas de todos os lugares de que, se se envolverem em atrocidades, nunca estarão fora do alcance de suas vítimas”.

Maité Hostetter , responsável pelo Programa África da Freedom House , reforça: “ O julgamento manda uma clara mensagem aos líderes autoritários de que o abuso de poder não será tolerado”. ( F S P , 23.07.2015, p. A-10) .

CHINA

Quase 70 milhões de crianças na China, uma em cada quatro pessoas no país de até 17 anos, foram deixadas para trás por seus pais, por causa da urbanização das últimas décadas e do rígido controle migratório instituído na China.

A maior parte, ou 61 milhões, está na zona rural . Cerca de 53% devem estar longe do pai e da mãe , e a maior parte vivendo com seus avós.

Os chineses estão vinculados ao local de origem da família. Caso migrem para outra cidade e não consigam transferir seu registro de residência, algo difícil quando a mudança é para as principais cidades , benefícios como a saúde e educação podem se tornar muito caros.

Para tentar resolver tais problemas, a China anunciou em 2014, uma reforça no sistema de registro de residências, o “Hukou” , que pode favorecer a migração para algumas cidades grandes, mas não abarca Xangai e Pequim. Mas , a reforma ainda não foi feita. ( F S P , 4.7.2015, p. A-16) .

Muralha da China

Cerca de 30% da estrutura da Muralha da China, estrutura erguida há mais de dois milênios já desapareceu, furtada por gente que usou seus tijolos para construir casas. ( Revista Veja, 8.7.2015, p. 33).

Crise no mercado de ações

O governo chinês decidiu replicar o modelo capitalista no mercado de capitais e incentivou tanto o lançamento de ações de empresas chinesas , quando a compra de papéis por parte do cidadão comum.

Mas os incentivos foram exagerados. Em 2014, o governo permitiu o aumento da participação dos investidores estrangeiros no mercado e a tomada de empréstimos bancários para a compra de ações.

O resultado imediato foi uma euforia sem precedentes. Apenas no primeiro semestre de 2015 , 192 empresas abriram o capital, um recorde para o país. Num único mês, em maio, 15 milhões de chineses chagaram a abrir contas para comprar e vender ações.

Uma bolha se formou . O índice da bolsa de Xangai subiu 150% em 12 meses.

Desde 12 de junho, quando a Bolsa de Xangai atingiu seu ápice, o índice já recuou 32%, levando US$ 3,5 trilhões em valor de mercado das empresas chinesas. Mas em 12 meses, ainda acumula alta de 70%.

O mercado de ações chinês, responsável por até 15% da poupança das famílias, entrou em pane no dia 8 de julho, com uma forte desvalorização nos preços e a suspensão dos negócios de mais da metade dos papéis das empresas negociadas nas Bolsas de Xangai e de Shenzen.

O pânico na China ocorreu em meio à preocupação crescente dos investidores de que os preços das ações tenham atingido patamares injustificáveis , com estouro iminente de uma “bolha”.

Para conter a desvalorização , a China acelerou o programa de compra de ações, ampliando de US$ 19 para US$ 42 bilhões o capital de um fundo de emergência.

Também suspendeu as ofertas iniciais de ações e limitou operações especulativas que apostam na queda dos preços dos ativos. O governo proibiu os investidores com participação acima de 5% de venderem seus papéis nos próximos seis meses.

Os bancos ampliaram o limite de crédito para a compra de ações e estatais foram impedidas de negociar ativos em bolsa.

Medidas tomadas para manter o mercado em alta, tiveram efeito contrário e em vez de acalmar os investidores causaram mais nervosismo.

O índice CSI 300 em Xangai e Shenzen teve baixa de 6,8% e o índice geral de Xangai, recuou 5,9%. ( F S P , 9. 7 2015, p. A-13) .

Para Artur Kroeber, especialista em economia chinesa a “regulação no mercado de ações chinês é fraca , mas o maior problema é a falta de compradores institucionais grandes e disciplinados.

Cerca de 80% das 49 milhões de pessoas que aplicam na Bolsa são investidores individuais com pouquíssima sofisticação. Eles tratam o mercado como uma roleta, ou seja, os pequenos investidores tem a esperança de enriquecer rapidamente com a compra de ações, enquanto o mercado acionário é um mercado de longo prazo.

Criar grandes investidores como fundos de pensão , seria a maneira mais efetiva de tornar o mercado chinês mais disciplinado e menos volátil”.

Mas a turbulência não deve afetar o mercado real porque “apenas 5% da poupança das famílias está no mercado de ações e menos de 10% das famílias tem qualquer exposição á Bolsa...A queda no mercado de ações chinês não deve ter muito impacto no Brasil, ou no restante do mundo, porque o sistema chinês é muito isolado e a Bolsa tem pouca relevância para a economia real”. ( F S P , 10.07.2015, p. A-12) .

O valor de mercado das companhias abertas responde por pouco mais de um terço do PIB.

A Bolsa de Xangai no dia seguinte, 9 de julho recuperou-se e teve alta de 5,76%. ( F S P , 10.07.2015, p. A-12) .

Para Stephen Roach , professor da Universidade Yale e um dos maiores especialistas em economia chinesa, “Existe uma bolha e ela está estourando , não importa se a Bolsa cai ou sobe um pouco. As questões permanecem: houve uma reversão muito significativa e abrupta nos preços das ações , que haviam subido de forma extraordinária.

O impacto na economia real deve ser negativo, mas limitado...A China tem um consumo muito baixo, equivalente a 36% do PIB [ nos Estados Unidos é o dobro] . O efeito riqueza será muito menor, porque o consumo tem peso muito menor na economia.

Há cerca de 80 a 90 milhões de pequenos acionistas , o que é muita gente, mas em um país com 1,4 bilhão de pessoas é bem pouco.” Ele destaca o erro do governo , quando os preços das ações estavam subindo, “permitindo uma explosão nos empréstimos feitos por investidores para comprar ações , e as autoridades estavam promovendo os mercados de capitais chineses, encorajando muitas empresas a fazer lançamentos iniciais de ações”.

Mas, o mais preocupante é sobre as consequências do problema para os países emergentes como o Brasil : “Se você acrescenta a crise grega e o estouro da bolha chinesa, isso aumenta ainda mais as preocupações dos investidores ao redor do mundo, sinalizando que o período será muito difícil para países emergentes. Isso vai aumentar a aversão a risco do capital global em mercados emergentes como o Brasil...

A economia chinesa deve se estabilizar com crescimento entre 6% e 6,5% ao ano. Mas isso levará sim, a uma queda acentuada nos preços das commodities , porque agora a locomotiva da economia chinesa é o setor de serviços, que responde por 48%, enquanto a indústria e construção juntos são cerca de 43% do PIB. Isso significa que a matriz de crescimento é muito menos intensiva em recursos naturais”. ( F S P , 13.07.2015, p. A-14) .

Os maiores bancos estatais chineses destinaram US$ 209 bilhões para conter a queda livre do mercado de ações. O dinheiro foi emprestado á China Securities Finance Corp (CSF), agência estabelecida em 2011 para empestar dinheiro a corretoras de valores que, por sua vez, fazem empréstimos a investidores que precisam depositar garantias ( chamadas operações de margem).

Ou seja, a constatação de que o avanço intenso no mercado acionário chinês ocorreu com dinheiro do próprio governo emprestado a especuladores gera dúvida sobre a recuperação nas ações caso o apoio do governo seja retirado.

Se a baixa no mercado continuar a ocorrer, os investidores não terão cacife para pagar suas dívidas com o preço das ações depreciado e a situação pode se complicar. ( F S P , 18.07.2015, p. A-28) .

No dia 27 de julho, segunda-feira , ocorreu novo tombo nas Bolsas chinesas, trazendo de volta o medo entre os investidores de que a China enfrente mais dificuldades que o esperado e um estouro de uma possível bolha no mercado de ações esteja próximo.

As ações na Bolsa de Xangai, caíram 8,48%, a segunda maior de sua história e a mais aguda desde 2007. A queda foi influenciada pela divulgação da informação de que o lucro das maiores companhias do país caiu 0,7% no semestre, em relação ao mesmo período de 2014.

A queda brusca de preços das ações forçou o governo a renovar seu pacote de intervenção , anunciando que comprará mais papéis para evitar “riscos sistêmicos”. Papéis de mais de 1.700 empresas registraram queda de 10% que é o limite diário e só ações de 78 empresas subiram.

Desde 12 de junho as empresas listadas do país em Bolsa já perderam mais de US$ 3 trilhões em valor. No Brasil, o Ibovespa acompanhou e caiu 1,04%. ( F S P , 28.07.2015, p. A-13).

No dia 28 de julho a Bolsa de Xangai voltou a ter perdas , mas bem mais brandas com queda de 1,7%. Investidores comandados pelo Estado, conhecidos em chinês como “seleção nacional”, realizaram pesadas compras de papéis chineses a fim de escorar o principal índice de ações do país.

A “seleção nacional”, consiste de grandes instituições com centenas de bilhões de yuans em ativos, como China Securities Finance Corp, fundo criado para prover liquidez e financiar operações de margem das corretoras e que vem servindo como principal veículo do governo para o resgate do mercado.

Outros integrantes da seleção incluem corretoras estatais, grandes seguradoras e a Central Huijin Investment, a holding que detém participações majoritárias do governo na maioria das grandes instituições financeiras do país. ( F S P , 29.07.2015, p. A-14) .

Aumento do consumo

Tornar o mercado de ações mais robusto é parte do plano de transformar a economia chinesa. O objetivo central do novo plano é aumentar o consumo das famílias e fazer com que ele responda por uma parcela maior do PIB, para tornar a economia chinesa mais equilibrada e menos suscetível a um tombo.

Faz parte deste esforço a adoção de políticas de aumento salarial e a criação de uma rede mínima de seguridade social, como a concessão de aposentadoria para trabalhadores rurais.

Comércio e serviços já estão sendo os maiores responsáveis pelo crescimento chinês, mas a fatia do consumo das famílias no PIB não aumentou como o esperado e em alguns setores , os gastos chegaram a diminuir.

Despesas com itens supérfluos como joias estão em baixa em 2015 e em junho a venda de carros caiu 3%.

Os chineses tradicionalmente investem muito e gastam pouco, a taxa de poupança doméstica está em 50% do PIB e mudar hábitos arraigados é muito difícil.

Não existem serviços básicos, como um sistema de saúde que atenda a maior parte da população e benefícios como seguro-desemprego o que não estimula o aumento do consumo.

A queda das ações só piorou este cenário. Com isso é consenso entre os especialistas de que a taxa de expansão do PIB chinês continuará diminuindo , na previsão do FMI ficando na média de 6% até 2020.

Mesmo assim, o Banco Mundial prevê que a participação da China nas importações de produtos globais de produtos agrícolas , como grãos e carnes , aumentará de forma expressiva, de 14% para 415 , até 2030. O Brasil estagnado em acordos internacionais, pode aproveitar muito pouco este avanço. ( Revista Exame, 22.07.2015, p. 96-100) .

COLÔMBIA

A guerrilha das Farc anunciou no dia 8 de julho que ordenará cessar-fogo unilateral por um mês a partir de 20 de julho , respondendo a pedido de Cuba, Noruega, Venezuela e Chile. ( F S P , 9. 7 2015, p. A-8) .

A Colômbia se comprometeu no dia 12 de julho a reduzir as operações militares contra as Farc , se a guerrilha mantiver a trégua. Mas o governo vai ficar alerta , retaliando imediatamente qualquer ação da guerrilha , o que já aconteceu em outras tréguas declaradas. ( F S P , 13.07.2015, p. A-12) .

Apesar do nefasto papel exercida pelos comunistas das Farc, a Colômbia aproveitou muito bem a onda externa.

De 1997 a 2006, a economia de Colômbia e Brasil cresceu exatamente no mesmo ritmo: 2,7% ao ano em média.

A partir de 2007 , a Colômbia descolou. Aqui no Brasil , estamos acostumados a ouvir a choradeira de Dilma Rousseff de colocar a culpa na situação internacional para justificar o seu fracasso. E o Brasil tem o MST, mas que é bem mais moderado do que as Farc.

Nos últimos oito anos , o PIB colombiano acelerou num ritmo médio de 5,8%, enquanto o do Brasil não passou de 3,3%. Obviamente se a comparação for feita em relação aos últimos quatro anos, a situação fica ainda pior. Em 2015 é a diferença é quilométrica. A Colômbia deve crescer 3,4% e o Brasil encolher 1%.

É uma lebre , com PIB de US$ 385 bilhões , comparado à tartaruga que é atualmente o Brasil, com PIB de US$ 2,4 trilhões.

Na Colômbia , que só tem petróleo, mas com uma empresa eficiente, a inflação acumulada em 12 meses em qualquer período , de janeiro de 2010 a maio de 2015 chegou, no máximo a 4,5%. No Brasil, o percentual bateu em 8,5% e em 2015 deve encostar nos 10%.

Gino Olivares, professor de economia da escola de negócios Insper explica como a Colômbia e o Brasil conseguiram resultados tão distintos, tendo ambos um ambiente externo bastante semelhante?

A explicação cabe em uma frase: a Colômbia não cometeu os erros crassos vistos em série por aqui. “Eles mantiveram o equilíbrio macroeconômico : perseguiram as metas de inflação e a disciplina fiscal. E apostaram na abertura comercial e na melhoria do ambiente de negócios”.

A Colômbia passou do 53º para o 34º lugar no ranking Doping Business , elaborado pelo Banco Mundial como medida da facilidade de fazer negócios em cada país. E o Brasil está em 120º lugar em um total de 189 países.

Até empresas brasileiras resolveram aproveitar a maior eficiência colombiana. A Odebrecht participa da segunda etapa da construção da Ruta del Sol, rodovia que corta o país entre Puerto Salgar e San Roque , por onde passa mais de 70% do PIB colombiano.

A Stefanini, empresa brasileiro de TI, abriu o seu primeiro escritório em 2004 e em 2011 comprou a concorrente colombiana Informatica & Tecnologia.

Entre as grandes brasileiras , também estão presentes a Petrobrás, a Marcopolo, a Camargo Corrêa , a Duratex e o banco BTG Pactual.

Nos anos de alta valorização do petróleo, o governo controlou os gastos e manteve as contas equilibradas. Agora, com os preços do petróleo em queda, não precisa fazer um ajuste fiscal. A inflação está sob controle , os juros estão estáveis e o país pode adotar uma política anticíclica.

A Colômbia teve acesso ao mercado americano , devido a um acordo de livre comércio em vigor desde 2012 que fez um crescente número de médias empresas a passar a exportar para o maior mercado do mundo A venda destas empresas, ajudou o país a contrabalançar a queda do preço do petróleo. ( Exame Melhores e Maiores 2015, p. 136-140) .

E o Brasil não fez acordo nenhum com o governo americano e patina com a União Europeia em negociações que se arrastam há anos, porque o Mercosul , dominado pela Argentina e Venezuela não deixa.

E ao final, a se perguntar o que uma guerrilha comunista que é as Farc está fazendo em um país como esse? Só se for para traficar cocaína . A que ponto o marxismo chegou.

Cocaína

Mostrando que as Farc estão trabalhando a todo vapor, a Colômbia voltou a ter a maior área de produção de folha de coca na América do Sul, depois que a área de cultivo da matéria-prima da cocaína, teve crescimento de 44% em 2014, cujo primeiro lugar era encabeçado pelo Peru.

Segundo dados do Escritório da ONU sobre Drogas e Crimes ( UNODOC), cerca de 69 mil hectares do território colombiano foram destinados ao cultivo de coca, com produção de 132,7 toneladas. Em 2013, eram 48 mil hectares.

No mesmo período o Peru reduziu sua área de cultivo em 14%, passando de 50 mil, para 43 mil hectares, produzindo 110,8 toneladas. ( F S P , 16.07.2015, p. A-13) .

COMUNISMO

Ferreira Gullar comenta a análise de Marx sobre o Capitalismo. Concluiu que o capitalismo é um regime de exploração, no que acertou , mas errou ao entender que só o trabalhador produz riqueza e o capitalista só explora.

Com base nesta conclusão equivocada, os governos comunistas excluíram a iniciativa privada, o empreendedor e puseram em seu lugar burocratas do partido, incapazes de gerir até mesmo uma quitanda. O resultado , como só poderia deixar de ser, foi o fracasso total.

No século 19, o capitalismo tinha um caráter selvagem , que explorava os trabalhadores sem qualquer escrúpulo e por isso Marx viu os capitalistas como cruéis exploradores que não mereciam participar da sociedade igualitária do futuro , que seria governada pela ditadura do proletariado.

Isso nunca aconteceu porque quase todos os líderes revolucionários de esquerda eram da classe média.

A classe operária sonhada por Marx tampouco era revolucionária. “O operário não só não tinha conhecimento dos problemas da sociedade, como temia perder o emprego , uma vez que não lhe restaria outro meio de sobrevivência”.

Aqui o erro foi muito maior. O materialismo histórico criou a figura da “consciência de classe”, de que a classe operária teria condição de entender a situação de exploração e que levaria à revolução comunista. Com esta concepção, o marxismo perdeu seu suposto caráter científico e consolidou-se meramente como ideologia política.

“Já o cara da classe média, se perdia o emprego, tinha o pai para socorrê-lo ou algum outro parente. Por isso o operário pensava duas vezes antes de se meter em encrenca”.

“Tanto isso é verdade que , em nenhum país desenvolvido , a revolução operária aconteceu. Nos Estados Unidos, que possuíam a maior classe operária do planeta, o partido comunista nunca teve qualquer relevância”.

Sem trabalhador não há produção, mas sem o empresário, o empreendedor também não há. Efetivamente , em uma empresa o padrão fica com a parte do leão e essa desigualdade é uma realidade da sociedade capitalista e por isso mesmo a pobreza não foi eliminada , mesmo em países desenvolvidos.

Isso está errado, mas também está errado em todo mundo ganhar a mesma coisa, uma vez que as pessoas tem capacidades diferentes.

Portanto, a saída não é implantar o comunismo, que tem como pressuposto teorias equivocadas, mas preservar o capitalismo que tem a virtude comprovada de produzir riqueza, mas batalhar para uma divisão menos injusta possível.

E isso pode ser conseguido por instituições eficientes , governo eficiente e leis eficientes.

Mas Gullar , destaca que, em lugar do marxismo extinto, certos políticos decidiram por um populismo dito de esquerda , que se “ vale da referida desigualdade social para ganhar o apoio dos mais pobres para chegar ao poder e por em prática programas assistencialistas, que não resolvem os problemas; pelo contrário , os agravam como ocorre hoje na Venezuela , na Argentina e no Brasil”.

Milagres não acontecem e o resultado é o desastre como o governo Dilma no Brasil. Ou então, como ocorreu na Grécia , “ onde o premiê Alexis Tsipras teve que fazer exatamente o contrário do que prometeu ao chegar ao poder: submeteu-se às imposições dos credores”. ( F S P , 26.07.2015, p. C-10).

O britânico Robert Service escreveu Camaradas: Uma História do Comunismo Mundial ( Difel) , onde narra o processo de conversão da doutrina marxista em regimes políticos desde a Revolução Russa de 1917 até os dias de hoje.

Professor da Universidade de Oxford e autor de biografias de Lenin, Trotsky e Stalin ele oferece no livro uma compilação competente sobre os regimes comunistas.

A primeira pergunta crucial é : o comunismo é inerentemente despótico ou potencialmente libertador. Essa questão é relevante fato à realidade de que , apesar do redundante fracasso do comunismo ainda existem muitas pessoas que defendem essa ideologia e partidos comunistas no Brasil.

Da análise do pensamento de Marx e Friedrich Engels, somada à experiência histórica de cada revolução não restam dúvidas ao autor quanto à natureza autoritária e violenta da doutrina comunista e dos regimes que se moldaram nela. Portanto, quem defende a implantação do comunismo hoje em dia , está defendendo a criação de um regime autoritário e violento, sem exceção.

Marx e Engels se referiam com desprezo ao sentimentalismo de seus oponentes na própria esquerda e defendiam com entusiasmo formas violentas de insurreição , porque sabiam que tipo de regime tinham concebido.

Seus discípulos na macabra galeria de líderes comunistas do século XX captaram tal mensagem e a aprimoraram.

Lenin tinha convicção no controle absoluto de todos os aspectos da vida individual e coletiva pelo Estado e partido.

Trotsky engajou-se no extermínio de opositores.

Stalin superou-os criando uma máquina assassina de terror , pois teve tempo para fazer isso como ditador. A coletivização dos camponeses levada a cabo por ele, entre outras, causou a morte de milhões de pessoas.

O comunismo soviético foi mantido a ferro e fogo e as tentativas de escapar dele foram impedidas pelas armas como a Primavera de Praga esmagada pelos tanques em 1968. Mas quando o comunismo ruiu na União Soviética, o sistema caiu como um castelo de cartas por toda a Europa Oriental onde a população já não aguentava mais e por toda a região , estátuas de Lênin foram postas abaixo pela população. Hoje não há uma sombra do regime por toda a Europa.

Mao Tse Tung, erigiu a psicose em doutrina política e com sua Revolução Cultural instaurou uma nova modalidade de terror político permanente .

Pol Pot, líder do Khmer Vermelho no Cambodja , pela barbárie que cometeu, ficou conhecido como “bruxo maligno”.

Na Romênia predominou o facínora Nicolae Ceasescu, que foi deposto e morto pela população em 1989.

Na Coréia do Norte, o poder tornou-se monopólio de uma família só, passando de avô, para pai e agora filho e o país , ao lado da Coréia do Sul é um dos mais pobres do mundo. ( Revista Veja, 29.07.2015, p103-105) .

Em Cuba, o poder é monopólio da família Castro.

Na Venezuela, disfarçado de bolivarismo , Hugo Chávez implantou um regime comunista e o resultado está aí para todo mundo ver. Um país que tem as maiores reservas de petróleo do mundo , mas que a população tem dificuldade de encontrar papel higiênico para comprar no supermercado. Estão aí muitos políticos de oposição na cadeia, presos por uma polícia e um judiciário servil, para mostrar que o regime não passa de uma ditadura.

Na Colômbia as Farc não conseguiram dominar o poder, mas especializaram-se no tráfico de cocaína.

Na Bolívia, Evo Morales crucificou Jesus Cristo mais uma vez, ao entregar ao papa Francisco um crucifixo feito com o símbolo da foice e do martelo e o país também cresce com sua produção de cocaína.

Em todas as partes do mundo onde o comunismo assumiu o controle seu funcionamento se deu com base nos mesmos males: um sistema de partido único, censura, perseguição, encarceramento e extermínio de dissidentes, ideologia oficial do Estado imposta em todos os níveis , trabalho compulsório e estruturas disseminadas de vigilância e delação.

Historicamente não houve regime comunista sem autoritarismo político, terrorismo de Estado, e inferno persecutório.

Como ideologia e como regime político, o comunismo deixou um rastro de destruição e morte, mas alguns fanáticos ainda o defendem. É um entulho a ser soterrado pela história.

CUBA

Cuba e EUA anunciaram no dia 1º de julho que reabrirão no dia 20 de julho as embaixadas em Washington e Havana, fechadas desde 1961.

A medida , “ um passo histórico” segundo Obama, era um dois pontos mais esperados da retomada das relações entre os dois países , anunciada em dezembro de 2014.

Raul Castro disse estar “motivado pela intenção recíproca de desenvolver relações respeitosas”.

Obama destacou ainda que as sanções a Cuba não funcionaram “ Não podemos nos tornar prisioneiros do passado. Temos que construir as bases para vínculos que nunca existiram entre nossos países em toda a nossa história”.

Mas o embargo a Cuba ainda precisa ser aprovado pelo Congresso, dominado pelos republicanos contrários ao fim do rompimento com Cuba. E Cuba ainda é acusada pelos EUA de manter presos políticos e restrições à liberdade de expressão.

O senador e presidenciável Ted Cruz, cujo pai é cubano disse: “É um tapa na cara de um aliado [Israel] os EUA terem embaixada em Havana e não em Jerusalém”.

Outro pré-candidato republicano, de origem cubana, o senador Marco Rubio, defendeu barrar a confirmação de Jeffrey DeLaurentis como embaixador, como repúdio à negociação de Obama com a ilha. ( F S P, 2.7.2015, p. A-8) .

Mario Diaz-Balart, deputado pela Flórida , cubano-americano e um dos principais críticos à decisão de Obama declarou “ O apoio para manter a pressão no regime de Castro é mais forte do que nunca no Congresso”.

Micht McConnell, líder da maioria republicana no Senado, disse no dia 2 de julho que a casa não deve aprovar um novo embaixador.

O Congresso americano ainda pode rejeitar a aprovação do financiamento para a reforma do prédio no Malecón, que abrigará a embaixada em Havana. ( F S P , 3.7.2015, p. A-10) .

A oposição americana tem suas razões. No domingo dia 28 de junho, mais de 220 dissidentes foram presos em Havana, Cienfuegos e Santiago de Cuba. Na capital, mulheres que participam do grupo Damas de Branco foram sitiadas e presas ao sair de casa. Elas vão à missa todos os domingos vestidas de branco em protesto contra a detenção de parentes por motivos políticos. Ou seja, não está havendo nenhuma flexibilização política na ditadura comunista.

O presidente Obama , ao tentar resolver o problema das relações com Cuba, pode criar condições para perpetuar a ditadura cubana. ( Revista Veja, 8.7.2015, p. 64) .

Raúl Castro declarou em 15 de julho que seu governo está pronto para romper “toda a nossa história comum” e ”fundar um novo tipo de laço entre os Estados” em que possam “ cooperar e coexistir civilizadamente”. ( F S P , 16.07.2015, p. A-13) .

Os cubanos apostam que a aproximação com os EUA irá acelerar a abertura econômica iniciada quando Raúl Castro substituiu o irmão Fidel em 2008. Também deve engrossar o fluxo de turistas com multidões de americanos com fama de dar generosas gorjetas.

Os cubanos tem muita ligação com os EUA até porque praticamente toda família cubana tem parentes nos EUA . Um taxista cubano, Roberto destaca” Sempre fomos próximos dos americanos, que chegaram até a ocupar Cuba [ na virada do século 19 para o 20]. Adoramos seus esportes , como beisebol e suas músicas . Todos os filmes que saem nos EUA, acabam sendo vistos aqui”, referindo-se a filmes que circulam em DVDs piratas e pendrives. ( F S P , 19.07.2015, p. A-12) .

Com a reabertura, os funcionários americanos passam a poder circular pelo território cubano e dialogar com a sociedade sem necessidade de permissão. Antes só podiam circular em Havana e não podiam conversar com cubanos fora da seção de interesses americanos.

A mala diplomática , na qual circulam correspondências e pertences oficiais da delegação, torna-se inviolável. ( F S P , 20.07.2015, p. A-8) .

Antonio Castro

A diferença de qualidade de vida dos Castro em comparação com a da ralé , da plebe cubana é muito maior do que a que existia entre a corte de Luís XVI e o povo francês.

Os Castro vivem em mansões, vestem-se com os melhores estilistas europeus e locomovem-se país afora em seus jatos particulares.

Antonio Castro, o quarto dos cinco filhos oficiais de Fidel Castro , alugou um iate de 45 metros, que vale 9 milhões de euros, para atravessa o mar Egeu, entre a Grécia e a Turquia.

Hospedou-se no idílico Kuum Hotel, localizado no balneário turco de Bodrum, onde sua comitiva de doze pessoas ocupou cinco suítes cuja diária custa 1.100 dólares, o equivalente ao salário de cinco anos de um cubano médio.

Conhecido como o príncipe de Havana, ele é o filho preferido do ditador e o que menos se preocupa com o fato de ostentar um estilo de vida diametralmente oposto ao da indigência de seus compatriotas.

Tony, como é chamado por Fidel, médico, é presidente da Confederação Cubana de Beisebol e possui o cargo de “embaixador global”, junto á confederação internacional do esporte.

Também viaja em grande estilo pelo mundo para disputar torneios de golfe esporte que seu pai baniu do país sob a alegação de ser uma diversão burguesa e que voltou a ser praticado nos anos 90, mas só por turistas.

Quanto está em Cuba, Antonio desfruta da privacidade da ilha do pai, Cayo Piedra, onde tem à sua disposição uma mansão e dezenas de empregados e pode praticar pesca subaquática. ( Revista Veja, 8.7.2015, p. 62-64) .

Aumentam os fugitivos de Cuba

A normalização das relações entre Cuba e EUA provoca preocupação entre muitos cubanos. Eles temem que a normalidade diplomática, encerre os benefícios de residência e emprego aos imigrantes que chegam aos EUA.

A política de pies secos, pies mojados ( “pés secos, pés molhados”) em vigor, estabelece que qualquer cubano que consiga pisar em solo americano, não é deportado e depois de um ano tem direito a asilo. Os que são interceptados no mar, são devolvidos sumariamente à ilha.

A possibilidade de que isso acabe fez com que o número de emigrantes cubanos de janeiro a junho de 2015, tenha dobrado em relação ao mesmo período de 2014.

Nos últimos nove meses, quase 3.000 cubanos foram interceptados em botes improvisados, tentando chegar à Flórida. ( Revista Veja, 8.7.2015, p. 64) .

Cuentapropistas

Cuba já tem meio milhão de cuentapropistas , empreendedores, quase 10% da população ativa.

A maioria é dono de restaurantes, taxista ou dono de quartos para alugar. Mas há também barbeiros , carpinteiros e outras 200 profissões livres para exercício privado.

Essas atividades eram proibidas por Fidel Castro , mas permissões especiais começaram a ser concedidas como uma forma de revitalizar o país em crise , após o colapso soviético nos anos 1990.

A abertura se consolidou com a chegada ao poder de Raúl Castro em 2008. Como a abertura é limitada , estimula a extorsão policial e as práticas ilegais. ( F S P , 23.07.2015, p, A-10).

Jogos e Liberdade

Os Jogos Pan-Americanos de Toronto não foram uma exceção. Dos 444 membros da delegação, pelo menos seis ficaram por lá ou atravessaram a fronteira rumo aos EUA.

Até o dia 24 de julho, quatro remadores e dois canoístas abandonaram a Vila dos Atletas e mais dois jogadores de beisebol pararam no meio do caminho, deixando o hotel no Estado americano de Carolina do Norte.

Durante um torneio de futebol, na véspera de uma partida em Baltimore, cinco jogadores abandonaram o time.

Em 2014 , 25.000 cubanos saíram definitivamente da ilha.

Os pugilistas Erislkandy Lara e Guilhermo Rigondeaux , durante o Pan de 2007 , no Rio, governo Lula, foram presos pela polícia fluminense e vergonhosamente postos em um avião de volta a Havana a mando do Ministro da Justiça Tarso Genro.

Lara voltou a fugir em 2008, e hoje é campeão mundial dos médio-ligeiros pela Associação Mundial de Boxe.

Rigondeaux foi para o México em 2009 e tem os títulos mundiais dos supergalos por duas associações. Vivem nos EUA. Cuba os acusa de mercenários. ( Revista Veja, 29.07.2015, p. 79) .

Lista negra do tráfico humano

O governo americano , em mais uma medida de reaproximação com Cuba, informou no dia 27 de julho que tirou a ilha da “lista negra” do tráfico humano .

Relatório anual do Departamento de Estado referente a 2014, informa que Cuba passou a tomar medidas para combater a exploração sexual de pessoas e assumiu o compromisso de atender a padrões mínimos de combate ao trabalho forçado.

O regime cubano porém, ainda não contempla os requisitos básicos relacionados ao tema, segundo o documento.

O documento reconheceu esforços de Cuba , como a condenação de pessoas acusadas de promover exploração sexual e a disposição de incluir a criminalização de todas as formas de tráfico humano em seu Código Penal.

Mas, ironicamente para o Brasil, o relatório incluiu acusações de que parte dos 51 mil cubanos que trabalham em missões do exterior seja forçada a fazê-lo.

O programa federal Mais Médicos foi alvo de críticas citada no relatório como restrição à mobilidade de profissionais e retaliações contra familiares. ( F S P , 28.07.2015, p. A-10).

EGITO

Estado Islâmico

O Estado Islâmico está tentando agir no Egito, mas com forte oposição do governo.

Uma série de ataques contra postos do Exército Egípcio na Península do Sinai no dia 1º de julho resultou entre 20 a 60 militares mortos. Mas cerca de cem terroristas também morreram nos confrontos.

Os ataques a 15 posições do Exército e da polícia foram reivindicados pelo grupo Ansar Beit al-Maqdis , uma célula do EI.

Após os ataques , a região do Sinai foi declarada como zona de exclusão militar e entrou em toque de recolher. Foram os mais sangrentos enfrentamentos desde a guerra árabe-israelense de 1973.

A ofensiva no Sinai vem dois dias depois do ataque à bomba no Cairo que matou o procurador-geral do Egito , Hisham Barakat, responsável por processos contra islamitas.

Também no dia 1º de julho, forças especiais do governo mataram em um apartamento no Cairo, nove membros da Irmandade Muçulmana , líderes fugitivos que estavam reunidos para planejar atos terroristas contra o Exército, a polícia, o Judiciário e meios de comunicação.

Nasr al-Hafi , ex-legislador do Partido Justiça e Lealdade e Abdel-Fattah Mohamed Ibrahim, dirigente da Irmandade estão entre os mortos. Entre os nove , dois já tinham sido condenados à morte pela Justiça. ( F S P, 2.7.2015, p. A-12) .

EQUADOR

Rafael Correa acha que é Hugo Chávez e está querendo se eternizar no poder, uma praga que ocorre em Cuba, Venezuela, Bolívia.

Há oito anos no cargo e em seu terceiro mandato, obteve autorização da Corte Constitucional para levar adiante a proposta de alterar a Constituição e estabelecer o mandato ilimitado , sem ter de consultar a população em referendo.

A ideia é se eternizar no poder, usando a fraude que se chama eleições.

Mas , o povo já está cansado dele. Bastou o papa ir embora para que milhares de pessoas saíssem às ruas em Quito e Guayaquil, com faixas de “Fora Correa, fora” e “ O Equador não é a Venezuela”.

Desde o princípio de junho, manifestações reunindo setores principalmente da classe média, tem ocorrido com frequência nas principais cidades do país. No dia 25 de junho, 400 mil pessoas saíram ás ruas em Guayaquil.

Segundo o cientista político Felipe Burbano, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais: “ O governo não quis fazer cortes nos gastos públicos e anunciou impostos para o cidadão comum . Essa é a razão da tomada das ruas”.

O estopim dos protestos foi o projeto de lei que aumenta em até 77% o imposto sobre heranças acima de US$ 35,4 mil . Como mais de 95% das empresas equatorianas são familiares, a reação foi imediata.

Jaime Nenot , prefeito de Guyaquil, ex-candidato derrotado à Presidência destaca: “ O governo considera que os lucros gerados por uma propriedade legitimamente adquirida são ilegítimos, que pertencem ao Estado. É um absurdo. Aqui é o Equador, não é Venezuela”.

Com essas medidas, Correa quer tomar dinheiro dos ricos e da classe média e vai transformar o Equador em uma nova Venezuela. O que ele vai conseguir é estagnar o crescimento econômico e uniformizar a população em uma faixa de baixa renda, como na Venezuela. ( F S P , 12.07.2015, p. A-14) .

A ONG Human Rights Watch em relatório acusa promotores e juízes do Equador de denunciar e condenar indevidamente por “terrorismo” e “sabotagem” manifestantes que se opõem a Correa.

Segundo a ONG, embora a lei equatoriano vigente tenha mudado em agosto de 2014 as definições destes dois crimes, os juízes nem sequer marcaram datas para audiências dos condenados que recorrem das sentenças. Pessoas que promoveram reuniões pacíficas, foram condenadas por “tentativa de terrorismo”.

Outras três ONGs estrangeiras em julho de 2014, acusaram o Poder Executivo de “intromissão constante” em decisões judiciais e uso indevido do sistema penal contra os críticos do governo . Ou seja, o Equador equipara-se à Venezuela. ( F S P , 21.07.2015, p. A-11) .

ETIÓPIA

O presidente americano Barak Obama descartou em visita à Etiópia no dia 27 de julho o envio de soldados americanos para combater o Al Shabbab.

“Não precisamos mandar nossos próprios fuzileiros para guerrear . Os etíopes são soldados experientes , e os quenianos e ugandenses tem sido bastante sérios em seu trabalho”.

Os EUA fazem ataques regulares no país contra os islamitas, usando drones.

EUA

Indústrias brasileiras investindo nos EUA

O grupo FarmaBrasil, que representa laboratórios como Aché, Bionovis, SEM e Eurofarma pretende investir US$ 500 milhões em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos nos EUA.

O aporte , a ser realizado nos próximos dois ou três anos, prevê acordos de joint venture com laboratórios americanos e aquisições de pequenas empresas. ( F S P , 1.7.2015, p. A-13) .

British Petroleum

Mostrando a força da Justiça americana, a multinacional British Petroleum concordou em pagar US$ 18,7 bilhões de indenização ao governo dos EUA e a cinco Estados atingidos pelo vazamento de petróleo no golfo do México em 2010.

O acordo foi anunciado em 2 de julho e o juiz responsável pelo caso, Carl Barbier , ainda vai decidir qual será a multa paga pela petroleira pela contaminação da costa.

Se o acordo for aprovado, será a maior compensação paga na história dos EUA por catástrofes ambientais. O vazamento começou com a explosão de uma plataforma que deixou 11 mortos..

O cálculo da indenização, foi feito com base no volume de 3,19 milhões de barris de petróleo vazados - estimativa oficial da empresa. O governo calculou o derrame em 4,2 milhões de barris em 87 dias.

Pelo texto do pacto, a BP terá que pagar US$ 7,1 bilhões parcelados em 15 anos ao governo federal e aos Estados de Louisiana, Mississipi, Alabama, Texas e Flórida em reparação pelo prejuízo ambiental.

Outros US$ 5,5 bilhões são referentes à violação da Lei de Águas Limpas , que pune a contaminação de recursos hídricos e a destruição de seus ecossistemas. Esta multa também será dividida em 15 anos.

A BP ainda desembolsará US$ 5,9 bilhões em 18 anos , para pagar indenizações e reparações econômicas de ações judiciais movidas pelos governos estaduais e por mais de 400 prefeituras.

A empresa considerou o acordo positivo , porque temia pagar uma indenização muito maior.

Nos últimos cinco anos, a BP gastou US$44 bilhões com a tragédia , destinados a trabalhos de limpeza, em multas do governo americano e nas indenizações a pescadores e à indústria do turismo.

Como o valor a ser pago, será diluído em 15 anos, a empresa fica livre do risco de falência. ( F S P , 3.7.2015, p. A-9) .

Obama consolida seu legado externo

Com as duas casas do Congresso lideradas pela oposição no segundo mandato, Barack Obama se voltou para uma agenda externa que depende menos do aval do Legislativo e cujos resultados lhe dão mais visibilidade global e está sendo bem sucedido.

Até recentemente candidato a pato manco, em final de mandato, Obama saiu-se vitorioso no acordo com o Irã e no restabelecimento das relações com Cuba . ( Revista 22.07.2015, p. 35) .

Obama e Raul Castro anunciaram para o dia 20 a reabertura das embaixadas entre EUA e Cuba em um acordo histórico e no dia 14 de julho ocorre o anúncio do acordo nuclear entre o Irã e os EUA e outras cinco potências.

Mas Obama poderá ter dificuldades no Congresso com os dois acordos.

O fim do embargo com Cuba tem que ser aprovado pelo Congresso. No caso do acordo com o Irã, o Congresso tem 60 dias para analisar o texto e Obama anunciou que irá vetar qualquer resolução contra o acordo.

O líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnel , disse ser difícil derrubar o veto porque os republicanos precisariam do apoio de 12 democratas para conseguir a maioria de dois terços no Senado. Mesmo assim, John Boehner, presidente da Câmara, disse que, se sua suspeita sobre o quão prejudicial e perigoso o acordo pode ser para os EUA se confirmar, fará o possível para barrar o acordo no Congresso: “ Não é uma disputa entre republicanos e democratas. É uma questão do que é certo e o que é errado”. ( F S P , 15.07.2015, p. A-15) .

Juros

A presidente do Fed , Janet Yellen disse no dia 15 de julho que o Fed continua na trajetória para elevar a taxa de juros dos EUA em 2015, com a expectativa de que o mercado de trabalho melhore de forma consistente e que as turbulências externas não tirem a economia norte-americana dos trilhos. ( F S P, 16.07.2015, p. A-22) .

O Fed viu melhoras no mercado de trabalho, mas não deu pistas de quando vai começar a aumentar a taxa de juros , decisão que é esperada para dezembro.

No dia 29 de julho o Fed decidiu manter a taxa dos juros próximos a zero, patamar que está desde 2008. A taxa de desemprego ficou em 5,3% em junho , a mais baixa em sete anos e acumula 57 meses seguidos de saldo positivo de criação de postos de trabalho, com geração média de 202 mil postos a cada mês no período. ( F S P , 30.07.2015, p. A-16) .

Terrorismo

Mais um lobo solitário agiu. Mohammod Youssuf Abdullazeez, 24 nascido no Kuwait e com cidadania americana desde 2003, abriu fogo em duas instalações militares , matando quatro fuzileiros e deixando mais três pessoas feridas em Chattanooga, Tennessee, no dia 15 de julho. Os quatro fuzileiros mortos são Thomas Sullivan, Dquire Wells, David Wyatt e Carson Holmsquist.

Formou-se em engenharia em Chattanooga em 2012, ou seja, é mais um terrorista assassino com curso superior. Seus pais tinham cidadania americana e eram cidadãos da Jordânia com origem palestina.

Às 10h45 ele disparou mais de dez tiros contra um centro de recrutamento das Forças Armadas em uma zona comercial. Ninguém ficou ferido.

Em seguida, ele percorreu 10 km de carro e chegou a uma área militar que abriga um centro de apoio operacional da Marinha e um centro de reservistas do Corpo de Fuzileiros Navais.

Ele começou a atirar, atingiu um policial e acabou morto pelos agentes às 11h15. Ele trabalhava no Departamento de Obras Públicas de Chattanooga, ou seja, era um maluco acima de qualquer suspeita. ( F S P, 17.07.2015, p. A-12) .

O FBI está investigando as viagens ao Oriente Médio que Youssuf fez. Ele teria passado sete meses na Jordânia, em 2014 e pode ter ido a outros países. ( F S P , 18.07.2015, p. A-16) .

Guantánamo

O governo americano está perto de concluir um plano para fechar a prisão militar de Guantánamo, segundo afirmou no dia 22 de julho o porta-voz da Casa Branca , Josh Earnest.

Fechar a prisão é “interesse de segurança nacional “ dos EUA e uma “prioridade”.

A prisão, dos 780 detentos detidos originalmente , está atualmente com apenas 116. ( F S P , 23.07.2015, p, A-9).

Democracia e rotatividade no poder

Barack Obama na África criticou no dia 28 de julho os líderes africanos que mudam suas leis para tentar se manter no poder, dando como exemplo ele próprio:

“ Estou em meu segundo mandato e realmente acho que sou um presidente muito bom. Acho que, se eu concorresse, poderia ganhar. Mas não posso!”.

Para Obama, quando um líder pensa ser o único que pode manter unida sua nação, isso significa que falhou em sua tarefa.

“Ainda há muita coisa que quero fazer para que os Estados Unidos continuem a avançar. Mas a lei é a lei, e ninguém está acima dela”

Mas na África não é assim. Pierre Nkurunziza , presidente do Burundi, conseguiu seu terceiro mandato após mudar a lei.

Teodoro Obiang Nguema , da Guiné Equatorial e José Eduardo dos Santos de Angola, governam desde 1979. ( F S P , 29.07.2015, p. A-11) .

Avanço modesto na economia

Depois de um começo de ano fraco, avanço de 0,6%, o PIB americano se recuperou no segundo trimestre, mas o ritmo de crescimento permanece modesto.

O crescimento anualizado de abril a junho foi de 2,3%. Por isso a expectativa é que os juros comecem a subir só a partir de setembro ou de dezembro . ( F S P, 31.07.2015, p. A-20) .

GRÉCIA

A expectativa se confirmou e a Grécia não pagou a dívida de 1,6 bilhão de euros com o FMI vencida no dia 30 de junho, transformando-se no primeiro país desenvolvido a dar calote no Fundo. Foi o maior calote sofrido pelo FMI em seus setenta anos.

Segundo o FMI, o país fica impedido de receber novos financiamentos, enquanto estiver devedor. Expirou também o socorro de 245 bilhões de euros dado pelo FMI e pelo BCE.

Os bancos seguem fechados em razão do controle de capital , restrição para transações financeiras e limites no saque em caixas automáticos , imposto pelo governo para evitar a insolvência de suas instituições.

Tsipras tentou uma última cartada no dia 30 de junho. Propôs estender o prazo do programa de resgate. Pediu ainda um socorro de dois anos ao ESM ( Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira ) , fundo vinculado à União Europeia e que foi criado há três anos, depois que a crise grega contaminou outros países da região.

Mas os ministros de Finanças do bloco dos 19 países do euro negaram a prorrogação.

O plebiscito está marcado para o dia 5 de julho , mas , em tese, a proposta em votação, medidas discutidas até o dia 25 de junho, não existe mais. Mas Tsipras faz campanha abertamente pelo “não”. ( F S P , 1.7.2015, p. A-12) .

O Syriza apostou errado. Acreditou que os países da zona do euro iriam aceitar suas imposições pelo medo de ruptura e não considerou que o exemplo grego poderia servir para outros países fazerem o mesmo e por isso não havia possibilidade destes países concordarem com propostas de aumento de déficit e redução de austeridade.

Conforme destaca Clovis Rossi, “ o primeiro-ministro Alexis Tsipras , está perdendo toda a credibilidade, não porque sua posição seja inflexível na negociação com a Europa, mas porque parece biruta de aeroporto antigo: muda de posição conforme o vento”. ( F S P, 2.7.2015, p. A-16) .

Tsipras tem dado motivos aos negociadores europeus para o ignorarem pois além de ter convocado o plebiscito às pressas, uma medida inusitada, publicamente defende o voto “não”. Disse na televisão : “ O ‘não’ não é um slogan, mas um passo decisivo em direção a um acordo melhor. Não significa romper com a Europa, mas devolver a ela seus valores. O plebiscito não é sobre deixar ou não a zona do euro”.

Tsipras, como biruta de aeroporto , em uma hora quer negociar , em outra hora rompe as conversas e acusa o outro lado de “chantagem”.

Por isso, o presidente do Eurogrupo , o holandês Jeroen Dijsselbloem finalizou “ Não haverá mais conversas nos próximos dias entre o grupo do euro , instituições e autoridades sobre propostas ou financiamentos”.

Embora Tsipras tenha dito que o plebiscito não aborda sobre a saída da zona do euro, a população já percebeu que refere-se a isso e avalia que sua vida vai piorar com a saída do país.

Por isso, cresce o apoio popular na Grécia aos credores. Pesquisas divulgadas no dia 1º de julho indicam uma tendência ao crescimento do “sim”, a favor de um acordo. Uma delas do Instituto GPO, apontou 47,1% a 43,2% por aceitar as condições de socorro financeiro. Os indecisos seriam 6,3%.

O plebiscito realmente apenas pergunta se a população concorda ou não com a proposta de mais um resgate ao país em troca de compromissos fiscais. Mas líderes europeus estão tratando o votação como um caminho para a Grécia deixar ou não o bloco da moeda única, até como forma de pressionar a população a votar pelo “sim”.

A chanceler alemã, Ângela Merkel, lidera o movimento que interrompeu as negociações com o governo grego. Irritada com o comportamento de Tsipras, para ela, o plebiscito inventado por ele é um caminho sem volta, ainda mais agora que as pesquisas mostram que ele tem grandes chances de sair derrotado.

Merkel, na manhã do dia 1º de julho , horas depois do calote de 1,6 bilhão de euros no FMI, Merkel rechaçou imediatamente uma nova carta de Tsipras pedindo socorro. ( F S P, 2.7.2015, p. A-16) .

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis afirmou no dia 2 de julho de modo surpreendente, que vai deixar o cargo se o plebiscito aprovar o acordo com credores internacionais. Ele disse à TV Bloomberg, que prefere “ cortar os braços”, a assinar um acordo ruim.

O partido de Tsipras, o Syriza nunca teve a maioria dos gregos. Chegou ao poder com 36% dos votos e indicou o premiê porque , pelas regras, o primeiro colocado nas urnas ganha 50 cadeiras extras e com elas o Syriza atingiu 149 das 300 e com mais 13 da coalizão Gregos Independentes, assumiu o governo.

Mas agora o partido está isolado no Parlamento e os Gregos Independentes, seus únicos aliados , começaram a manifestar preferência pelo “sim”.

Postes de avenidas em Atenas ganharam cartazes com o foto do ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, com a frase que o alemão “ toma o seu sangue”.

Mas, para o FMI mesmo com acordo, a Grécia está quebrada. Mesmo com contenção dos gastos públicos , o governo não será capaz de pagar suas dívidas e seus débitos até 2018.

Por isso, é “imperativo” que os credores gregos, União Europeia e o FMI concedam um empréstimo adicional de 36 bilhões de euros, com taxa de juros cobradas por países com crédito semelhante ao da Alemanha, com longos prazos de carência e vencimento. Mas é muito provável que seja preciso muito mais.

Mesmo no prognóstico mais otimista do FMI, a dívida pública ainda será equivalente a 150% do PIB em 2020 . Ao final de 2014 era de 177% do PIB, cerca de 330 bilhões de euros.

Para atingir metas de dívida “sustentável”, será necessário um perdão da dívida que o FMI já estima em 53 bilhões de euros. ( F S P , 3.7.2015, p. A-15) .

O caso da Grécia serve de exemplo para o Brasil. Nos quatro anos de Dilma Rousseff a dívida pública cresceu acentuadamente, já ultrapassando 60% do PIB. Mas, a dívida pública no Brasil tem um custo de carregamento muito maior do que a da Grécia, e portanto , os 60% de dívida no Brasil, ficam muito próximos dos 177% do PIB na Grécia. A Grécia é exemplo do que até onde governos irresponsáveis com as finanças públicas podem chegar

Os gastos com a dívida no Brasil estão em torno de 5,6% do PIB e na Grécia em 4,3%, o que mostra como no Brasil a situação tem que ser controlada para não ficar insustentável. O déficit no orçamento público grego, de 2,7% do PIB em 2014, é menor do que o do Brasil que chegou a espantosos 6,2% em 2014.

O que salva o Brasil no momento são as reservas internacionais que estão em US$ 372 bilhões , enquanto na Grécia elas já evaporaram e são de apenas US$ 6 bilhões.

O Brasil tem moeda própria e se a situação interna piora, o dólar sobe, favorecendo as exportações. Os gregos não tem esta válvula de escape porque não tem moeda própria, estão presos ao euro.

Outro dado importante na comparação entre Grécia e Brasil são os gastos com o sistema previdenciário. O Brasil é um país com uma população ainda jovem, mas o gasto previdenciário em 2012 já foi de 12% do PIB. A Grécia , país que tem um dos sistemas mais generosos e caros do mundo está gastando 13% do PIB e reforma da Previdência é justamente uma das reformas cobradas pelos credores.

Na Previdência grega, o ajuste já representou até aqui, uma diminuição de 40% no valor médio das aposentadorias e um corte de 22% no salário mínimo, justamente o contrário que fez o governo Dilma Rousseff nos seus quatro anos de governo, ou seja, aumentou o salário mínimo, que é piso da previdência, em percentuais acima do crescimento da produtividade, ou seja, agravou a situação. ( Revista Veja, 8.7.2015, p. 58) .

Contrariando as pesquisa que indicavam uma disputa apertada, 61,3% dos gregos votam “não” contra os credores e apenas 38,7% votaram “sim”. A taxa de comparecimento às urnas foi de 62% , patamar semelhante ao da eleição em janeiro ( 63%).

Um sentimento de orgulho nacional se sobressaiu nas ruas de Atenas. Na praça Syntagma, no centro da cidade, enrolados na bandeira da Grécia, milhares de pessoas ocuparam o local, a mesma praça onde há cinco anos ocorreram protestos contra as medidas de austeridade da União Europeia.( F S P , 6.7.2015, p. A-15) .

O plebiscito foi um marco da irresponsabilidade do governo do Syriza em colocar nas mãos da população uma decisão sobre um assunto tão complexo como as negociações de renovação dos financiamentos. É o aspecto negativo de políticas populistas, que confunde causas com consequências. Não foi a austeridade que causou a crise, mas ela foi necessária porque o país estava em crise.

Mas, a decisão dos gregos de rechaçar as medidas de austeridade deixou de ter relevância diante da iminência do caos no país com a perda de confiança no sistema bancário e a falta de euros em circulação. Tsipras e seu partido de extrema esquerda, o Syriza, tiveram de ceder à realidade e acabaram acatando as exigências dos credores , mais draconianas do que as que haviam sido rejeitadas na consulta popular. ( Revista Veja, 22.07.2015, p 52) .

Um país que sofreu uma queda de 25% em seu PIB desde 2009 e onde a taxa de desemprego permanece há anos acima dos 20% , não haveria como em um plebiscito a população escolher que quer que o arrocho continue. ( Revista Veja, 8.7.2015, p. 58) .

Conforme Guillaume Duval, redator-chefe de “Alternatives Economiques”,” O que emperrou fundamentalmente a situação na Grécia é que seus credores demandavam no país duas coisas contraditórias: continuar a fazer ajustes , reduzindo os custos ( de seus salários, por exemplo), e ao mesmo tempo, pagar a dívida”.

Como destaca Clóvis Rossi, “ O eleitorado grego decidiu neste domingo (5), que não quer continuar a fazer ajustes ( leia-se: empobrecer mais) e, ao mesmo tempo , pagar a dívida, que hoje, até o Fundo Monetário Internacional reconhece que é impagável”. ( F S P , 6.7.2015, p. A-10) .

A situação da Grécia é gravíssima , o país está virtualmente falido e é evidente que a grande maioria da população não iria apoiar uma saída que implica na manutenção de medidas de austeridade e piora de conquistas sociais, mas que , infelizmente, no momento atual são indispensáveis para a redução do déficit público.

Agora a Grécia vai contar com a boa vontade dos demais países europeus no sentido de encontrar uma solução intermediária , pois não há como renovar os acordos sem as condições de austeridade requeridas.

O presidente do Eurogrupo , Jeroen Dijsselbloem afirmou que o resultado “ é lamentável para o futuro da Grécia”.

Uma nova reunião foi convocada pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk para o dia 7 de julho em Bruxelas . O novo encontro deve contar com a presença de Tsipras e foi solicitado pela chanceler alemã, Ângela Merkel e pelo presidente francês, François Hollande.

A Grécia deve usar dois argumentos para continuar a negociar: o respaldo local da população à resistência em aceitar rígidos ajustes fiscais e o recente relatório do FMI reconhecendo que a dívida grega , em 177% do PIB, de 320 bilhões de euros é impagável e precisa de um perdão de pelo menos 30%.

Os bancos continuam fechados, os saques limitados a 60 euros para a maioria e 120 euros para os aposentados e a insolvência das instituições e o colapso do sistema bancário são iminentes , porque o dinheiro em caixa está acabando. Os bancos tem apenas 1 bilhão de euros nos cofres, o que dá cerca de 90 euros para cada um dos cerca de 11 milhões de gregos. Se todos eles sacarem no dia 6 ,segunda-feira , o dinheiro acaba.

A situação somente será contornada se o Banco Central Europeu aumentar a ajuda emergencial de liquidez usada pelos bancos para repor o dinheiro sacado.

O limite foi congelado em 89 bilhões de euros até o plebiscito e se não for aumentado , o governo terá que avaliar a emissão de moeda própria , nem que seja temporariamente, já num contexto de saída do euro. ( F S P , 6.7.2015, p. A-13) .

Menos de 24 horas após a vitória do “não”, no plebiscito grego, Ângela Merkel e François Hollande , disseram que a porta ainda está aberta para a negociação de um novo acordo de resgate.

Mas Merkel ressaltou “ Temos muito pouco tempo. Precisamos que as propostas da Grécia cheguem à mesa”.

Alexis Tsipras, o premiê grego prometeu apresentar um novo plano na reunião do dia 7 de julho dos 19 chefes de governo da zona do euro , em Bruxelas, mas não deu detalhes de quais medidas estuda .

Em um gesto apaziguador ele aceitou a renúncia do ministro das Finanças , Yanis Varoufakis, que foi substituído por Euclides Tsakalotos. Varoufakis tinha uma relação ruim com os alemães e Tsakalotos era o chefe das negociações do governo com os credores e ele é considerado um negociador mais hábil, com modos mais suaves.

Mas dificilmente os líderes europeus abrirão mão de exigências como alta de imposto sobre o consumo, reforma do sistema previdenciário e compromisso com metas de superávit primário. Os gregos por sua vez, querem reestruturar parte da dívida ou simplesmente obter o perdão .

O Banco Central Europeu se negou no dia 6 de julho , a ampliar os limites dos fundos de emergência para os bancos gregos. Manteve a assistência emergencial de liquidez no nível atual, mas aumentou as exigências de garantias dos bancos gregos.

Por isso, o “corralito” em vigor, continuará funcionando até pelo menos a quinta feira dia 9 de julho com limite de saque de no máximo 60 euros por dia nos caixas automáticos. ( F S P , 7.7.2015, p. A-14) .

Com o limite de saque, a vida dos gregos tornou-se muito complicada. Como o limite de saque é muito baixo, o dinheiro está sendo usado para comida, remédios cigarros e gasolina. A maioria dos postos não está aceitando mais cartões de crédito.

Ninguém está pagando contas de luz, água, aluguel. As lojas do centro de Atenas e de shoppings centers estão vazias. O tráfego em Atenas caiu tanto na segunda-feira dia 6 que parecia um feriado.

As pessoas estão tentando gastar o mínimo possível e poupar o máximo porque a situação está muito difícil e imprevisível e a maioria tem a consciência de que a situação vai ficar assim por mais tempo, porque o governo vai demorar para negociar um acordo com os credores. Ou seja, com os bancos fechados o efeito sobre a economia foi imediato e devastador e o governo percebeu isso e esta realidade imediata pode ter sido uma das razões para a mudança de posição de Tsipras.

Ministros do governo grego, a maioria do Syriza , pressionam o primeiro-ministro Alexis Tsipras a se aproximar do Brics, bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Os chefes de Estado dos Brics , incluindo a presidente Dilma Rousseff, se reúnem em 8 e 9 de julho em Ufá, na Rússia, para lançar oficialmente o novo Banco de Desenvolvimento, composto com recursos de cada país e com um capital que pode chegar a US$ 100 bilhões.

Mas , o novo banco foi criado para investimentos e relações comerciais e não para socorrer países à beira do abismo. A mídia grega levantou rumores de que o país estaria negociando com a Rússia para ser o sexto membro dos Brics, mas essa possibilidade é remota porque a Grécia continua membro da zona do euro e não tem nada a oferecer , diante de uma dívida de 177% do PIB.

O Brasil já socorreu Cuba, Venezuela, Angola , perdoou dívidas de países africanos e por isso o governo atual deve estar pensando em dar uma ajudinha para a Grécia também .( F S P , 7.7.2015, p. A-16) .

O governo grego recebeu um ultimato da União Europeia para apresentar até o dia 10 de julho sua proposta para um terceiro pacote de resgate econômico e vai viver em expectativa pelo menos até o domingo dia 12 de julho, quando uma reunião de cúpula da UE julgará o pedido de socorro.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker disse que qualquer ajuda emergencial como um empréstimo-ponte para que a Grécia atravesse o mês de julho, só será avaliada após a apresentação da proposta grega de longo prazo.

A Grécia tem uma dívida de 4,25 bilhões de euros , com o BCE que vence no dia 20 de julho e não tem caixa para pagá-la.

Por sua vez, Ângela Merkel disse que a discussão sobre o perdão de parte da dívida a principal reivindicação do premiê Alexis Tsipras , só poderá ocorrer “ depois que a Grécia tiver cumprido sus obrigações”. Ou seja, a Grécia não tem saída. ( F S P , 8.7.2015, p. A-18) .

O governo da Grécia pediu em 8 de julho um terceiro pacote de resgate à União Europeia , com duração de três anos.

O pedido terá que ser detalhado até o dia 10, mas a carta se compromete com aumentos de impostos e reforma previdenciária a ser implementada imediatamente.

O feriado bancário foi prorrogado até o dia 10.

O grego para conseguir ajuda por meio do Mecanismos de Estabilidade Europeu pode acabar com as aposentadorias antecipadas. A idade de aposentadoria na Europa é de 67 anos, mas os gregos conseguem parar de trabalhar aos 53 , em algumas categorias profissionais. Ou seja, a situação é tão grave que o governo tem que acabar com estes privilégios.

A alíquota do IVA poderia subir até 23%, mas o governo Tsipras vinha insistindo em um IVA de 13% , nas ilhas, para atrair turistas.

A economia grega encolheu 25% nos últimos cinco anos, desde que começaram os programas de resgate, mas agora Tsipras quer uma agenda para o crescimento : “ Queremos um acordo com nossos sócios que nos dê um sinal de que estamos saindo da crise”.

O premiê reconheceu em discurso que a Grécia “ chegou às portas da bancarrota porque durante muitos anos os governos gregos tem sido clientelistas e corruptos , têm permitido a evasão fiscal” . Segundo ele, as reforças implementadas até agora não aumentaram a capacidade de arrecadação , nem melhoraram a eficiência do Estado. ( F S P , 9. 7 2015, p. A-13) .

O governo grego enviou no dia 9 de julho sua proposta ao Eurogrupo para receber uma nova ajuda financeira .

Tsipras disse a seu gabinete , ao apresentar o novo plano de reformas que estava “pronto a fazer concessões” . As propostas serão submetidas à votação do Parlamento no dia 10 de julho e no domingo dia 12, Tsipras e os líderes da União Europeia se reúnem para discutir um acordo que evite o colapso do setor bancário da Grécia e a saída do país da zona do euro.

Antes no sábado, dia 11 , os 19 ministros das Finanças da zona do euro irão se reunir para discutir as propostas gregas. Tem crescido a pressão do FMI e dos EUA para um acordo. Pedem que os países europeus aliviem nas negociações e liberem o socorro financeiro aos gregos. ( F S P , 10.07.2015, p. A-14) .

A proposta grega contém vários avanços

  1. O PIB deve encolher 3% em 2015, mas mesmo assim o governo grego propõe aumento progressivo do superávit primário para 1% em 2015, 2% em 2016, 3% em 2017 e 3,5% em 2018.
  2. A ajuda especial para os pobres seria eliminada até 2019.
  3. A mobilidade de funcionários de uma vaga para outra aumentaria.
  4. O imposto corporativo subiria de 26% para 29% levantamento 130 milhões de euros . Os credores propunham 28% temendo sufocar a economia . Embarcações maiores de que 5 metros , pagariam um “imposto de luxo” , de 13%.

Na Grécia há 70 profissões com algum tipo de proteção totalmente descabida. No caso dos farmacêuticos a lei garante um lucro mínimo de 355 sobre todos os medicamentos vendidos. Mas, para abrir uma farmácia, um empreendedor precisa comprar uma licença de quem queira mudar de setor.

Pelos cálculos da Comissão Europeia, a desregulamentação do mercado de trabalho poderia resultar num crescimento do PIB de 10 pontos percentuais em cinco anos.

A Grécia é regida por contratos sociais que privilegiam certos setores e muda-los é difícil . Ninguém quer perder suas vantagens. ( Revista Exame, 22.07.2015, p. 90-93) .

François Hollande, classificou o pacote como “sério e crível”, disse que estava em jogo “ nossa concepção de Europa”, mas Ângela Merkel afirmou que “não haveria um acordo a qualquer custo”. ( F S P , 13.07.2015, p. A-19) .

O presidente do Eurogrupo , o holandês Jeroen Dijsselbloen , declarou apenas que trata-se de “uma peça abrangente” e que é preciso analisar a proposta cuidadosamente para concluir se os números fecham.

A Grécia pede 53,4 bilhões de euros no novo programa de resgate, com duração de três anos.

Alexis Tsipras , pediu apoio dos parlamentares de seu partido o Syriza às reformas e foi ponderado: “ Nós temos um mandato para conseguir um acordo melhor do que o ultimato que o Eurogrupo nos deu, mas certamente não um mandato para tirar a Grécia da zona do euro”. ( F S P , 11.07.2015, p. A-17) . Ele disse que não concordava com as condições, mas que era preciso aceita-las , sob pena de levar o país a sair do euro.

O Eurogrupo quer mais. Reunidos em Bruxelas, durante quase nove horas, os ministros consideraram insuficiente a proposta do Parlamento grego .

A Finlândia manifestou maior oposição ao novo socorro. O partido nacionalista Finns teria ameaçado sair do governo se a ajuda saísse.

Segundo o Ministério das Finanças alemão, “Na proposta faltam reformas chave para modernizar o país e a longo prazo conseguir um crescimento estável”.

O jornal “Frankfirter Allgemeine Sonntagszeitungg”, cita um estudo do Ministério de Finanças alemão que radicaliza a situação.

Propõe que a Grécia melhore sua última proposta e inclua a transferência de bens no valor de 50 bilhões de euros a uma agência fiduciária como garantia ao pagamento de um novo socorro financeiro e a saída temporária da zona do euro por cinco anos, acompanhada de ajuda ao crescimento do país. ( F S P , 12.07.2015, p. A-23) .

Estudo sobre mercado de trabalho divulgado pelo OCDE mostra que os gregos são os europeus que trabalham mais horas, 671 horas a mais do que os alemães. Mas , com a crise, os gregos empobreceram. Boletim do Instituto Helênico de Estatística , mostra que quase 4 milhões ( um em cada três ) , viviam em 2013 , na pobreza, ou corria risco de exclusão social. ( F S P , 13.07.2015, p. A-12) .

Enfim , a União Europeia concordou em fazer um acordo com a Grécia e o país está de joelhos com alta de impostos, imposição de privatizações e controle das contas do país pelo FMI e venda de ativos públicos no valor de 50 bilhões de euros.

Após 22 horas de negociação, os líderes da zona do euro e o governo grego , chegaram no dia 13 de julho a um acordo que garante a Atenas um pacote de resgate de até 86 bilhões de euros dividido em três anos ( o terceiro socorro em cinco anos). O país continua no bloco.

Mas , para receber o dinheiro, a Grécia terá que aprovar até o dia 15 de julho, um pacote que inclui reformas tributária ( com aumento de impostos), e previdenciária ( com corte de gastos nos benefícios) . Será criado um fundo de 50 bilhões de euros , a partir de ativos privatizados , que será usado para pagar a dívida e capitalizar os bancos do país. A proposta inicial previa que o fundo seria sediado em Luxemburgo e pelo menos os gregos conseguiram que ele seja baseado em Atenas, mas com supervisão europeia.

Para este fundo de 50 bilhões de euros, a Grécia poderá vender ilhas, reservas naturais ou mesmo ruínas antigas. Georgios Daremas, estrategista e conselheiro do Ministério do Trabalho grego comenta: “ É uma afronta. É basicamente dizer que ‘vendam a memória de seus antepassados , vendam a sua história apenas para que possamos obter algo comercial com isso”. Ele afirma que, para proteger o valor natural, histórico e arqueológico de tais bens imóveis, a Grécia teria de aprovar leis e capacitar os órgãos de supervisão para se certificar de que “o novo proprietário não abuse ou cause danos à propriedade”. ( F S P , 15.07.2015, p. A-18) .

O dia a dia das operações será tocado pelos gregos, mas com supervisão da União Europeia, ou seja, os gregos terão que ceder sua soberania fiscal aos credores, ou seja, terão menos controle sobre seu próprio orçamento.

O Eurogrupo não se comprometeu a renegociar a dívida, disse que poderá analisar medidas adicionais após a aprovação do novo acordo de resgate no parlamento grego. ( F S P , 14.07.2015, p. A-13) .

O FMI divulgou documento em 14 de julho em que afirma que a Grécia precisa de algum tipo de perdão da dívida e indicou que pode ficar de fora do plano, o que coloca em risco o processo de resgate.

O documento foi entregue às autoridades europeias na final da reunião de final de semana e afirma que a ajuda à Grécia só será eficaz caso seja acompanhada de um expressivo programa de perdão da dívida.

Uma das propostas do Fundo é que os gregos possam ter um período de 30 anos sem pagar a dívida, além do perdão de parte dos compromissos. O problema é que ,para chegar no pacote de até 86 bilhões de euros para a Grécia, os europeus estão contando com 16,4 bilhões de euros que virão do FMI.

Pelas próprias regras do Fundo, ele não pode participar de um plano de resgate caso a dívida do país seja considerada insustentável e não exista perspectiva de ele retornar a conseguir financiamento privado.

Além do dinheiro, os credores europeus – especialmente a Alemanha – exigem a presença do FMI no pacote como supervisor da aplicação das medidas, já que consideram que a Comissão Europeia não é suficientemente rigorosa nas suas avaliações. ( F S P , 15.07.2015, p. A-18) .

Mas, o acordo precisa ser aprovado pelo Parlamento grego no dia 15 de julho e a ala mais à esquerda do Syriza já chamou o pacote de “uma humilhação para a Grécia” . Os aliados Gregos Independentes consideram o acordo “ um golpe da Alemanha”.

O pacote que ainda precisará ser aprovado pelos Parlamentos de países como Alemanha e Finlândia deixa dúvidas se será suficiente para reerguer o país , ou vai afundar a Grécia ainda mais na mistura de desemprego, recessão e dívida alta.

Paul Krugman, Premio Nobel de Economia , chamou as exigências contidas no documento de sete páginas de “loucura”.

A exigência de superávit primário, corte de gastos automático caso as metas não sejam atingidas e a recusa em aceitar o perdão de parte da dívida grega para os críticos, só vão aprofundar os problemas.

Os bancos continuam fechados há duas semanas e não há previsão de reabertura. ( F S P , 14.07.2015, p. A-15) .

Surpreendentemente, o Parlamento grego aprovou na madrugada do dia 16 de julho, as principais exigências de aumento de impostos e de cortes nos benefícios sociais feitas pelos chefes de Estado europeus para socorrer o país com mais 86 bilhões de euros,

O acordo de resgate inclui aumento de impostos (IVA), penalidades mais duras para evasão fiscal , além de reformas na previdência e na seguridade social.

Apesar da rebelião de parlamentares do Syriza, as exigências dos credores foram aprovadas por 229 votos favoráveis, 64 contrários e 6 abstenções.

Fora , milhares de manifestantes , incluindo partidários do Syriza , protestavam no centro de Atenas, contra o acordo.

O acordo precisa passar nos parlamentos da Alemanha, Finlândia, Áustria , Holanda, Eslováquia e Estônia. O parlamento francês aprovou no dia 15, o Finlandês no dia 16 e a Alemanha aprovou a proposta no dia 17.

A Comissão Europeia propôs conceder um empréstimo emergencial de 7,16 bilhões de euros para a Grécia cumprir as necessidades mais urgentes de caixa em julho. ( F S P, 16.07.2015, p. A-15) .

O Eurogrupo , que reúne os ministros de Economia e Finanças da Zona do Euro , aprovou em 16 de julho , o desembolso de 7 bilhões de euros para que a Grécia honre obrigações financeiras urgentes enquanto negocia o resgate de até 86 bilhões de euros acertado no dia 13 por chefes de Estado europeus.

Também no dia 16, o BCE anunciou a liberação de 900 milhões de euros em verba emergencial para os bancos gregos para que os bancos possam abrir suas portas no dia 20.

O Eurogrupo assinalou em comunicado que após receber “ a avaliação positiva das instituições”, dava o sinal verde ao crédito por três anos . Como dinheiro, a Grécia poderá honrar pagamentos como o de 3,5 bilhões de euros ao BCE que vence no dia 20. Ou seja, a Grécia vai pagar seus débitos com dinheiro novo fornecido pela União Europeia. ( F S P, 17.07.2015, p. A-17) .

O Ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schauble afirmou em discurso no dia 17 de julho que a saída voluntária da Grécia do euro , “seria a melhor solução “ para o país, que o socorro de 86 bilhões de euros. Para ele, um corte na dívida , ‘é incompatível com a união monetária”. ( F S P, 17.07.2015, p. A-17) .

Mas, está se tornando consenso que os europeus terão que discutir um perdão da dívida grega. Valdis Dombrivskis , vice-presidente da Comissão Europeia disse “ Essa questão certamente está de volta às discussões. Este é um ponto em que o FMI insiste , e os líderes do euro chegaram a uma clara conclusão [ na reunião que decidiu o pacote, no dia 13] , de que o Fundo deve ser parceiro do terceiro programa”.

Mas ele ressaltou que a Grécia já tem algumas vantagens: o pagamento dos juros da dívida só começam em 2020 , e o do principal , três anos depois.

O FMI exige alguma forma de perdão de parte da dívida grega, porque , segundo Christine Lagarde, diretora-gerente do fundo, o pacote será “indiscutivelmente “ inviável se não houver um alívio por parte dos credores , além de reformas profundas na economia grega. ( F S P , 18.07.2015, p. A-29) .

A Grécia pagou 4,2 bilhões de euros ao BCE e deve pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI , que estava em atraso desde 30 de junho e um montante adicional que venceu a uma semana. Deve pagar ainda um empréstimo de 500 milhões de euros ao banco central grego. Para esses pagamentos usou o empréstimo ponte de 7,16 bilhões de euros que conseguiu junto ao MEEF – Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira.

Os bancos foram reabertos no dia 20, graças a uma ajuda emergencial de 900 milhões de euros, mas com limite de saque semanal de 420 euros. ( F S P , 21.07.2015, p. A-16) .

Para se ter uma ideia do risco que a Grécia correu, uma facção mais à esquerda do Syriza, partido esquerdista que comanda o país, elaborou um plano secreto onde estava previsto a prisão do presidente do banco central e o esvaziamento dos cofres do organismo.

O ex-ministro da Energia , Panagiotis Lafazanis , propôs que o governo assumisse o controle do Nomismatokopeion ( casa da moeda ) onde está a maior parte das reservas do país.

O plano era que o país voltasse a usar o dracma e que o Estado aumentasse o controle sobre a economia nacional.

Segundo Panagiotis , haveria a apropriação de 22 bilhões de euros para pagar pensionistas e funcionalismo e garantir a importação de combustível e alimentos antes do lançamento do novo dracma. O Banco Central deixaria de ser independente e seu presidente seria preso caso fosse contra o plano.

Mas, o plano mostra o radicalismo deste grupo, mas sua falta de conhecimento sobre o sistema financeiro da zona do euro.

Nos cofres do Nominsmatoikopeion só haviam 10 bilhões de euros. Esse valor seria insuficiente para financiar o país durante os seus a oito meses necessários para lançar a moeda.

O governo não poderia imprimir novas cédulas de euro e o Banco Central Europeu declararia que as cédulas eram falsificadas, ou seja, o dinheiro seria inútil. ( F S P , 25.07.2015, p. A-21) .

O conselho do FMI foi informado de que a alta dívida da Grécia e seu histórico de ineficiência na implementação de reformas a desqualificam de receber um terceiro resgate da instituição. ( F S P, 31.07.2015, p. A-11) .

IMIGRAÇÃO

O Parlamento da Hungria aprovou a construção de uma barreira de 175 quilômetros de extensão na fronteira com a Sérvia, para conter a imigração ilegal. ( Revista Veja, 15.07.2015, p. 35) .

Autoridades italianas coordenaram a interceptação de 2.000 imigrantes no mar Mediterrâneo ao longo do dia 22 de julho , com oito operações apoiadas por embarcações de várias nacionalidades .

Uma pequena parte dos imigrantes interceptados desembarcou na ilha de Lampedusa. Em junho, foram retirados de barcos 60 mil imigrantes. ( F S P , 24.07.2015, p. A-14) .

A França deslocou 120 policiais da tropa de choque para Calais, na entrada do túnel do Canal da Mancha , em resposta à crise migratória que se instalou na região.

No dia 29 de julho um imigrante sudanês morreu tentando cruzar o túnel em direção ao Reino Unido, atropelado por um caminhão que saía de um dos compartimentos que transporta veículos pelo túnel. Ele foi o nono a morrer no Eurotúnel desde o início de junho.

Aumentou o número de imigrantes acampados na área de Calais que tentam embarcar em caminhões e trens que viajam da França para o Reino Unido.

Na noite do dia 29 de julho houve 1.500 tentativas de imigrantes de acessar o túnel e 2.000 na noite anterior. Mais de 37.000 imigrantes foram barrados desde janeiro.

O Eurotúnel pediu reembolso de 10 milhões de euros aos governos da França e do Reino Unido , gastos em medidas de segurança. ( F S P , 30.07.2015, p. A-11) .

O primeiro-ministro britânico David Cameron afirmou “ Há um enxame de pessoas vindo pelo Mediterrâneo em busca de uma vida melhor , porque o Reino Unido tem bons empregos, a economia está crescendo , mas precisamos proteger nossas fronteiras. Nós temos de proteger as fronteiras para ter certeza de que os turistas britânicos poderão ir para suas férias”, referindo-se aos transtornos causados na região aos veículos que tentam cruzar o Eurotúnel para o lado francês.

A Comissão de Refugiados do Reino Unido classificou de “desumana” a declaração de Cameron. Cameron deixou claro que eles poderão ser deportados. O Reino Unido não será um “refúgio seguro” para eles. ( F S P, 31.07.2015, p. A-10) .

ÍNDIA

A Índia deve ultrapassar a China e se tornar o país mais populoso do mundo em 2022, segundo relatório da ONU. Pelas projeções do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, a China tem 1,38 bilhão de habitantes em 2015, contra 1,31 bilhões da Índia. Em sete anos, os dois países deverão empatar em 1,4 bilhão.

A política de filho único na China está produzindo seus resultados para conter o crescimento populacional. A Índia deve chegar a 1,7 bilhão em 2050 e o crescimento chinês deve estagnar em 2030 e passar a ser negativo em seguida.

A população mundial deve chegar a 9,7 bilhões em 2050, crescimento estimulado principalmente por países da África.

Na América Latina a previsão é passar dos atuais 634 milhões para 721 milhões em 2030 e 784 milhões em 2050 , começando então a cair até 721 milhões em 2.100.

No caso do Brasil a projeção da ONU é de 208 milhões em 2015 e 238 milhões em 2050. ( F S P , 30.07.2015, p. A-12) .

IRÃ

Os EUA confirmaram no dia 30 de junho a prorrogação do prazo do dia 30 de junho para 7 de julho das negociações para um acordo nuclear entre as potências mundiais e o Irã.

Fontes diplomáticas envolvidas disseram que o Irã já está cumprindo um dos principais pontos do acordo: reduzir significativamente o estoque de urânio enriquecido que poderia ser usado para a fabricação de bombas atômicas.

Obama disse em Washington no dia 30 que não haverá acordo se os EUA acharem as inspeções insuficientes. Os EUA querem que os inspetores possam entrar não em todas as instalações nucleares iranianas, mas só naquelas em que a AIEA suspeitar de atividades não declaradas. ( F S P , 1.7.2015, p. A-11) .

O Irã e o chamado grupo P5+1 ( EUA, Rússia, China, França , Reino Unido e Alemanha), chegaram a um acordo provisório para a suspensão de sanções que atingem o Irã.

As partes estão próximas de chegar a um acordo final que garantirá ao Irã dezenas de bilhões de dólares em benefícios econômicos em troca de restrições a seu programa nuclear. ( F S P , 5.7.2015, p. A-16) .

Mas os EUA não estão otimistas com relação ao acordo. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry disse no dia 5 de julho que “escolhas difíceis” , terão que ser feitas nos próximos dois dias para que as seis potências negociadoras e Teerã cheguem a um acordo sobre o programa nuclear iraniano.

“Nos últimos dias , fizemos de fato , um progresso genuíno, mas quero ser bem claro com todos, ainda não chegamos aonde deveríamos em muitos dos pontos mais críticos”.

Ele destacou que os dois lados “nunca estiveram tão próximos”, mas que, neste momento, a negociação ainda pode desandar.

Kerry deixou claro que os EUA não vão ceder em suas exigências.” Se houver intransigência absoluta e falta de vontade de seguir em frente em coisas que são importantes para nós, o presidente Obama sempre disse que estamos preparados para abandonar a mesa...Nós queremos um bom acordo e apenas um bom acordo. Não vamos aparar nenhuma aresta só para conseguir um acordo”.

Alguns embargos americanos devem continuar. Eles dizem respeito ao investimento iraniano em mísseis balísticos , a violações de direitos humanos e ao apoio do Irã a organizações consideradas terroristas pelos EUA. ( F S P , 6.7.2015, p. A-9) .

Um dos problemas veio à tona no dia 6 de julho. O Irã exigiu das potências ocidentais o fim do embargo de armas imposto pela ONU ao país, para assinar o acordo nuclear. Além disso, os iranianos querem a suspensão das sanções da ONU devido ao programa de construção de mísseis balísticos.

Ou seja, o Irã quer fazer um acordo nuclear, mas quer voltar a armar-se até os dentes. O grupo das seis potências não quer ceder, o fim destas sanções está fora de cogitação.

O Irã é um país agressivo e , com armas e mísseis pode se tornar uma ameaça a vizinhos e principalmente a Israel, bem como interferir em conflitos na Síria e no Iêmen.

Rússia e China que seriam os principais beneficiados pelas compras de armamento feitas pelos iranianos caso o embargo seja retirado defendem que as restrições sejam levantadas.

O plano de ação divulgado em abril previa o compromisso de retirada apenas de sanções relacionadas ao programa nuclear. ( F S P , 7.7.2015, p. A-10) .

A prorrogação para o dia 7 de julho não foi suficiente. A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, relativizou uma nova prorrogação. “ Estamos continuando as negociações pelos próximos dias . Não significa que estamos estendendo nosso prazo, mas sim interpretando de uma maneira flexível”.

As delegações de diplomatas deve prosseguir com as negociações em Viena na Áustria até sexta-feira dia 10 de julho. Mas, um dos negociadores envolvidos , disse sob a condição de anonimato que a paciência dos diplomatas está acabando:

“Chegamos ao fim. Aceitamos só uma prorrogação final e não vemos como nem por que ir além disso. Ou fechamos nas próximas 48 horas, ou nada feito”. ( F S P , 8.7.2015, p. A-9) .

John Kerry disse no dia 9 de julho que não tem pressa , não será precipitado , mas não ficará negociando indefinidamente:

“Estamos aqui por acreditar que estamos obtendo um progresso real. Não nos apressaremos e não seremos apressados”. Mas disse que , se as decisões não forem tomadas, os EUA estão “preparados para por um fim a este processo”. ( F S P , 10.07.2015, p. A-8) .

O prazo das negociações foi adiado mais uma vez e ficou para o dia 13 de julho. ( F S P , 13.07.2015, p. A-12) .

No dia 13 não deu para chegar a um consenso e o prazo foi adiado pela quarta vez para o dia 14. ( F S P , 14.07.2015, p. A-10) .

Enfim Irã e as potências, depois de quase dois anos de negociações, chegaram a um acordo em 14 de julho. É um tratado de 159 páginas dividido em cinco áreas.

Pelo acordo o Irã se compromete a:

Reduzir as centrífugas para enriquecimento de urânio em 2/3, de 19.000 para 6.104, durante os próximos dez anos , retardando o desenvolvimento de uma bomba nuclear caso o Irã rompa o acordo. Irã deverá ficar 12 meses sem produzir combustível nuclear.

Reduzir o estoque de urânio em 98%, para 300 kg e limitar seu enriquecimento a 3,67%.

Permitir que inspetores da ONU visitem as instalações nucleares e militares. Americanos por não manterem relações com o Irã, não poderão participar da inspeção.

Ou seja, embora seja preciso adaptar algumas instalações , a infraestrutura construída clandestinamente não será destruída. Esse é o grande temor de Israel. Em dez anos, o Irã poderá voltar a ligar as centrífugas avançadas, capazes de produzir urânio enriquecido para a bomba nuclear em pouco tempo.

Os inspetores queriam fazer visitas de surpresa às instalações militares, “ a qualquer hora e em qualquer lugar”. Dessa forma, seria mais fácil pegar os cientistas no flagra, caso violassem o combinado. Mas o texto de Viena estabelece que uma comissão conjunta deve analisar os pedidos de visita mais delicados, que enfrentam alguma resistência. O processo de análise levará um total de 24 dias, “tempo suficiente para realizar manobras suspeitas e ocultar rastros”, como afirma Aaron David Miller , do Wilson Center em Washington e que foi do Departamento de Estado para o Oriente Médio. ( Revista Veja, 22.07.2015, p 65) .

O Ocidente se compromete a:

ONU, União Europeia e EUA levantarão sanções econômicas quando a AIEA verificar que o Irã cumpriu com seus compromissos. Com isso o Irã receberá mais de US$ 100 bilhões congelados no exterior e se beneficiará com o fim de restrições comerciais e financeiras.

Com US$ 40 bilhões, o governo poderá terminar 50 projetos como a construção de estradas e pontes. Com outros 20 bilhões irá renovar sua frota de aviação civil . O restante terá fins diversos.

Sanções da ONU sobre o comércio de armas convencionais e de mísseis balísticos serão mantidas , respectivamente, por até 5 e 8 anos.

Sanções podem ser aplicadas pelo Conselho de Segurança da ONU até 65 dias após o surgimento de acusações de que o Irã não cumpriu com suas obrigações.

Barack Obama: “ Graças a este acordo , estaremos pela primeira vez em posição de verificar todos esses compromissos . [Ele]não é baseado em confiança, mas em supervisão”...”Vetarei qualquer legislação que impeça a implementação deste acordo”.

Hasan Rowhani , presidente do Irã : “ Hoje marca o fim dos atos de tirania contra nossa nação e o começo da cooperação com o muno. Este é um acordo recíproco . Se eles o cumprirem, nós também o cumpriremos. A nação iraniana sempre cumpriu suas promessas e tratados”.

Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel: “ É um erro histórico.(...) O mundo será um lugar muito mais perigoso. O acordo dá todo o incentivo para que o Irã não mude”.

Federica Mogherini, chefe da diplomacia da União Europeia: ‘É uma decisão que pode abrir caminho para um novo capítulo nas relações internacionais”. ( F S P , 15.07.2015, p. A-12) .

A notícia do acordo chegou a Teerã no início da tarde de terça-feira dia 14 , na cidade com um calor de 40 graus e pelo jejum do mês sagrado de Ramadã.

Por isso, poucos saíram às ruas, mas nas redes sociais a euforia se espalhou rápido. Alegria, alívio e orgulho eram os sentimentos dominantes dos iranianos. ( F S P , 15.07.2015, p. A-13) .

Mas, Javad Zarif , o ministro das Relações Exteriores do Irã , ao voltar para o país, foi saudado como herói e nas ruas , pessoas gritavam : “ Morte aos Estados Unidos” e “ Morte a Israel”. ( Revista Veja, 22.07.2015, p 64) .

O efeito mais presumível do acordo no mercado de petróleo é a manutenção de preços baixos da commodity por um período mais longo do que inicialmente previsto.

O barril caiu 10% desde o início de julho e está na casa dos US$ 50 no dia 14 de julho, mas não deve cair ainda mais agora. Mas, com a entrada do “gigante” iraniano ao mercado internacional poderá haver mais uma queda o que não é bom para o Brasil no sentido de que pode inviabilizar a exploração do pré-sal.

A entrada do Irã no mercado global deve ocorrer apenas em agosto, e a indústria iraniana precisa de um prazo para receber investimentos e voltar ao mercado internacional. O país possui a segunda maior reserva de gás natural no mundo e a quarta de óleo em estado cru. ( F S P , 15.07.2015, p. A-15) .

Com o acordo nuclear, o Irã dá um salto rumo á sua reinserção no sistema econômico mundial , do qual havia sido marginalizado pelas sanções de ONU, EUA e União Europeia e à exclusão do sistema bancário em 2012.

O Irã é um mercado de 77 milhões de consumidores com forte propensão ao consumo e altos índices de instrução. ( F S P, 16.07.2015, p. A-10) .

O governo americano enviou no dia 9 de julho o acordo nuclear com o Irã ao Congresso, Deputados e senadores tem 60 dias para revisar e votar o pacto, que precisa de maioria simples para ser aprovado.

Se o Congresso rejeitar a medida, Obama pode vetar e seu veto só poderá ser derrubado com maioria qualificada ( dois terços dos votos), nas duas casas.

O secretário de Estado John Kerry, vai ao Congresso defender o pacto com o Irã. Ele classificou como “fantasia” , a tese defendida por críticos do entendimento de que era possível alcançar um acordo melhor do que o concluído em Viena.

“A única opção viável é uma solução diplomática abrangente como a obtida em Viena. O acordo tornará nosso país e nossos aliados mais seguros”. ( F S P , 24.07.2015, p. A-11) .

Em Israel, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu exortou os legisladores americanos a rejeitar o acordo com o argumento de que a medida alimentaria uma “máquina de terror iraniana”.

Para ele, o acordo abre caminho para que o Irã produza armas atômicas que ameaçariam a existência de Israel e acabariam por diminuir a segurança global americana. ( F S P , 20.07.2015, p. A-8) .

O Conselho de Segurança da ONU ratificou o acordo nuclear em decisão tomada por unanimidade no primeiro passo concreto para a suspensão das sanções internacionais sobre a economia iraniana.

Mas se Teerã não cumprir todos os passos acertados com as potências, as sanções poderão voltar a ser aplicadas se forem suspensas.

No Irã, a Guarda Revolucionária criticou os termos do documento. O comandante Mohammed Ali Jafari , disse que “ Algumas partes claramente cruzaram o limite estabelecido pela República Islâmica , especialmente sobre as nossas capacidades militares. Nunca vamos aceita-lo”. ( F S P , 21.07.2015, p. A-10) .

O presidente iraniano , Hasan Rowhani rebateu as críticas das alas conservadoras do regime, lembrando que uma de suas principais promessas de campanha foi reduzir o isolamento internacional do Irã , que aumentou durante a presidência do seu antecessor, Mahmoud Ahmadinejad.

“Esta é uma nova página na história. Ela não se abriu com o acordo de Viena , em 14 de julho, mas em 4 de agosto de 2013, quando os iranianos me elegeram presidente”, disse ao vivo na TV iraniana. ( F S P , 24.07.2015, p. A-11) .

IRAQUE

Estado Islâmico

O primeiro-ministro britânico, David Cameron declarou que a batalha contra os “extremistas islâmicos” é a luta de nossa geração. Acrescentou que os extremistas representam “ ameaça à nossa existência”. ( F S P, 2.7.2015, p. A-2) .

Existe uma forma de entender o motivo pelo qual milhares de jovens saíram de seus países na Europa e decidiram aderir ao Estado Islâmico e não é por religião.

Se foram para lá, e estão matando pessoas inocentes em mesquitas, degolando jornalistas com prazer é porque são jovens com tendência criminosa, com desvios de personalidade, psicopatas, e que encontraram na adesão ao Estado Islâmico, onde podem colocar em prática suas taras livremente, uma forma de desaguar seus instintos assassinos, justificando que seria em nome de Alá. São desviados psicologicamente com um Kalashnikov na mão.

Deve-se considerar que embora milhares, estes terroristas europeus são uma absoluta minoria entre os milhões de muçulmanos que residem na Europa e que não querem saber de assassinatos e sangue, mas querem levar uma vida normal.

Laurent Sourisseau, o Riss, 48, sobrevivente do atentado ao “CharlieHebdo”, fulmina: “ São verdadeiramente fanáticos São como robôs. Eles só vão parar se forem mortos. Se não morrerem, vão continuar. Não de pode conversas com eles. Ou você está com eles e vive, ou está contra eles e morre. Querem desestabilizar a democracia, criar um clima de medo, terror, desconfiança. E é contra isso que é preciso lutar também . Não se pode perder a fé. ( F S P , 3.7.2015, p.C-2) .

Conter o terror com “ideias”.

O presidente Barak Obama, em discurso no Pentágono na segunda-feira dia 6 de julho defendeu o combate de ideias distorcidas e extremistas como estratégia fundamental e complementar à força militar para acabar com o Estado Islâmico.

“Ideologias não são derrotadas por armas. São derrotadas por melhores ideias”.

O recrutamento on-line também passou a ser alvo de combate dos EUA.

Mas Obama enfatizou “ A batalha por corações e mentes será uma luta geracional”. Ele destacou corretamente que o problema do terrorismo é um problema do islamismo.

O combate ao EI depende do engajamento de países e comunidades muçulmanas na proteção de seus “filhos e filhas” e da rejeição de interpretações distorcidas do islamismo.

Diferentemente da Al Qaeda , o Estado Islâmico se organiza em células pequenas ou mesmo individuais , e promove ataques dispersos.

‘É mais difícil cometer um atentado de grande escala, mas a ameaça de lobos solitários é mais complexa. É mais difícil detectá-la e impedi-la. Esse é um dos nossos principais desafios”.

Obama ponderou que o combate ao EI , “Não será rápido. Essa é uma campanha a longo prazo. O EI é oportunista e ágil “ . Por isso , deverá ser atingido no “coração” , ou seja, em suas campanhas por financiamento e recrutamento humano. Mais de 5.000 ataques aéreos foram feitos contra a facção no Iraque, Síria e Norte da África.

Obama advertiu que o combate ao extremismo tem que ser feito pelos países islâmicos porque os americanos não podem resolver tudo: “ Senão, quando formos embora, os extremistas voltarão a ocupar o vazio”. ( F S P , 7.7.2015, p. A-7) .

Atentado com Carro Bomba

O Estado Islâmico reivindicou a autoria da explosão de um carro-bomba em um mercado lotado em Khan Beni Saad , a 30 km a nordeste de Bagdá, na noite de sexta-feira dia 17, deixando ao menos 115 mortos e 170 feridos.

Foi um dos mais mortíferos ataques da facção. Além das vítimas, 50 lojas foram completamente destruídas e 70 veículos ficaram carbonizados pela explosão que abriu uma cratera no solo.

Um homem desceu de um caminhão e anunciou que venderia gelo com desconto para marcar o feriado de Eid al-Fitr que marca o fim do mês sagrado do Ramadã.

Mas ele detonou ao menos uma tonelada de explosivos escondidos na parte inferior do veículo depois de atrair centenas de pessoas que faziam compras numa noite com 35º C de temperatura.

O EI disse que a ação teve o objetivo de vingar a morte de muçulmanos sunitas na cidade de Hawija, no norte do Iraque. ( F S P , 19.07.2015, p. A-15) .

Turquia

A Turquia fechou um acordo com os EUA no dia 22 de julho depois de meses de negociações e autorizou que os EUA utilizem uma base estratégica em seu território para realizar ataques aéreos contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

Foi uma mudança de posição do governo turco que resistia a se envolver na luta contra o EI, mas vem depois de um atentado atribuído à milícia na fronteira com a Síria no dia 20 de julho onde morreram 32 pessoas.

A explosão atingiu um evento destinado a arrecadar fundos para a reconstrução de Kobani , cidade síria de maioria curda, que é alvo do EI desde setembro. O EI reivindicou os ataques, mas curdos acusaram o governo turco de facilitar a atuação dos terroristas. ( F S P , 26.07.2015, p. A-13).

Agora , a base de Incirlik, que fica no sul do país, próxima à fronteira com a Síria e que já é operada conjuntamente por forças turcas e americanas, poderá ser usada pelos aviões americanos para operações de bombardeio. Antes os aviões só podiam usar bases em países do Golfo. ( F S P , 24.07.2015, p. A-12) .

A Turquia bombardeou no dia 24 de julho alvos do Estado Islâmico na Síria, no primeiro ataque aéreo do país no conflito, consolidando a mudança de posição de Ancara.

No dia 23, um ataque dos extremistas matou um soldado e deixou dois feridos em um posto de fronteira e o governo imediatamente ordenou a retaliação.

Caças F-16 partiram da base de Diyaebakir , no sudeste do país , e dispararam bombas contra dois centros de comando e um ponto de encontro dos extremistas do lado sírio da fronteira, perto da cidade turca de Kilis.

Em terra, soldados turcos entraram em confronto com extremistas na fronteira , com cinco mortos. Horas depois novos bombardeios foram realizados.

Ainda no dia 24 , a polícia turca prendeu 251 pessoas suspeitas de associação com o terrorismo em todo o país. Dentre elas, estão supostos militantes do EI, de grupos curdos e de extrema esquerda. ( F S P , 25.07.2015, p. A-10) .

ISLAMISMO

Laurent Sourisseau, o Riss, 48, sobrevivente do atentado ao “CharlieHebdo”, destaca que a maioria dos muçulmanos abomina o terrorismo :”Se for fazer a lista dos problemas que acontecem no mundo , três quartos são ligados a questões religiosas. Lá na França, há os problemas com os muçulmanos integristas. Tem muçulmanos na França que são democratas. São moderados, abertos para a sociedade francesa, querem integrar-se . Esses aí, se você faz um desenho de Maomé , podem não gostar, mas não são violentos , não vão atacar. É uma briga de foice que existe também entre os muçulmanos”. ( F S P , 3.7.2015, p.C-2) .

ISRAEL

As forças de segurança da Autoridade Nacional Palestina prenderam, na madrugada do dia 3 de julho, mais de cem integrantes do grupo radical Hamas, na Cisjordânia.

Segundo a ANP , os militantes presos planejavam realizar ataques contra a ANP e “semear o caos” na região.

O Hamas condenou as detenções classificando-as como uma “perigosa escalada que bloqueia os esforços de reconciliação”. ( F S P , 4.7.2015, p. A-18) .

Situação em Gaza volta a se agravar

Um ano depois do conflito entre Israel e o Hamas , a sensação entre os moradores da região é de que pode ocorrer uma nova guerra.

O confronto durou de 8 de julho a 26 de agosto de 2014 e deixou 2.251 palestinos mortos e 71 israelenses.

De agosto de 2014 a junho de 2015, a fronteira entre Israel a Gaza viveu um de seus períodos mais calmos.

Mas, o major Nil Peled, vice-comandante da Divisão Gaza do Exército de Israel sabe que essa calma é apenas aparente: “Em 12 anos foi a fase mais tranquila, mas sabemos que o Hamas está reconstruindo os 34 túneis que destruímos, além de treinar militantes. Tudo pode recomeçar a qualquer momento”.

Nas ultimas semanas , houve dois casos de esfaqueamento de soldados e quatro de disparos contra civis israelenses na Cisjordânia , desde 20 de junho com dois mortos. E, alguns casos , o Hamas assumiu a autoria.

Paralelamente, as sirenes antimísseis soaram seis vezes nas 57 comunidades israelenses da fronteira com Gaza. A cada sirene, os cerca de 60 mil moradores tem segundos para buscar abrigo. São justamente esses ataques por meio de foguetes do Hamas contra o território de Israel que causaram a invasão de Gaza.

Depois de cada disparo, o Exército de Israel retaliou com ataques aéreos a Gaza. Cerca de 1,7 milhão de palestinos vivem em Gaza e muitos já estão com TEPT ( transtorno de estresse pós-traumático, com sintomas como pesadelos, medo constante, retração, hiperatividade, inquietação, falta de concentração , fadiga , perda de apetite e agressividade).

Em Gaza a economia está em frangalhos , desemprego é de 45% e falta luz. O Hamas passa por uma fase difícil depois de perder o apoio do Irã e da Síria ( por apoiar os rebeldes na guerra civil síria).

Mas, para o historiador israelense Uri Rosset, da Faculdade Sapir , o Hamas é um mal menor. É um grupo racional e não se apressará a provocar Israel , dada a destruição da última guerra.

Para ele, “ o problema são fatores irracionais, como lobos solitários ou outros grupos armados”.

O maior perigo pode ser o Estado Islâmico, cada vez mais presente na Península do Sinai, vizinha a Gaza.

O EI não gosta do Hamas, por considera-lo não ser islâmico o suficiente. O EI já apontou em vídeo que o Hamas será o próximo alvo: “ A sharia ( lei islâmica), será implementada em Gaza, apesar de vocês”. Moradores da fronteira já estão aterrorizados com essa possibilidade. O argentino-israelense Danny Cohen, morador do kibutz Ein Hashlosha, alerta que Israel deveria negociar com o Hamas, “ antes que no lugar deles entre algo pior”. ( F S P , 8.7.2015, p. A-12) .

O governo de Israel libertou no dia 12 de julho, o palestino Khader Adnane, 37, que permaneceu em greve de fome por 56 dias. Ele ficou preso por um ano sem acusação formal, dentro do regime de detenção administrativa que permite reclusão por períodos de seis anos que podem ser estendidos indefinidamente. Ele integra a Jihad Islâmica. ( F S P , 13.07.2015, p. A-12) .

Segundo agências não governamentais, no ritmo atual, serão necessários 19 anos para reconstruir apenas as residências postas abaixo no conflito de 2014. E 76 anos para zerar o déficit habitacional da Faixa de Gaza.

A entrada de materiais de construção, assim como a de todos os insumos e produtos é rigidamente controlada por Israel.

Do lado de Israel a destruição foi muito menor devido ao menor poder de destruição dos foguetes e ao sofisticado sistema de defesa antiaérea israelense, o Domo de Ferro, que na guerra de 2014, interceptou 735 foguetes.

Em Israel creches e pontos de ônibus tem tetos blindados e todas as casas têm abrigos antibombas.

Segundo relatório do Banco Mundial, Gaza tem a maior taxa de desemprego do mundo: 43%, chegando a 60% entre os jovens. Sem a ocupação israelense e a guerra o PIB de Gaza poderia ser quatro vezes maior.

Mas, com o controle do Hamas , desde 2006 o que existe é algo próximo de uma ditadura islâmica. Não há eleições, imprensa livre e muito menos oposição. É uma prisão dentro da outra. O Hamas não vai deixar o poder nunca, ou seja , não há esperança de mudar nada. ( F S P , 26.07.2015, p. A-12).

Como a Autoridade Nacional Palestina e o Hamas não se entendem , os palestinos não tem liderança capaz de oferecer um acordo.

Do lado de Israel também não há unidade. Judeus seculares, religiosos nacionalistas, ultra ortodoxos e árabes todas essas tribos , temem e são hostis entre si. ( F S P , 26.07.2015, p. A-13).

Cerca na fronteira com a Jordânia

Para se prevenir do Estado Islâmico, Israel decidiu construir uma cerca na fronteira com a Jordânia, a única até agora que não tinha barreiras físicas.

A cerca terá 30 km de extensão e cinco metros de altura, partindo da cidade costeira de Eliat até a região do vale de Timna. Além da barreira física, serão instalados sistemas modernos de detecção de infratores, radares, câmeras para coleta de informações, ao custo de US$ 525 milhões.

A Jordânia abriga 4 milhões de refugiados sírios , que na visão dos israelenses , podem alguns se tornarem aliados do Estado Islâmico.

As fronteiras de Israel com Líbano, Síria, Egito, Cisjordânia e Faixa de Gaza já estão separadas por cercas ou muros.

A barreira mais recente, na fronteira com o Egito, foi concluída em 2013. A cerca contém, além dos imigrantes ilegais, extremistas do EI que passaram a atuar na Península do Sinai.

Em 2013, Israel também completou a construção de uma cerca nas colinas de Golan , disputadas com a Síria. O objetivo foi evitar a infiltração de refugiados sírios.

Mas a mais polêmica de todas é o “Muro da Cisjordânia”, que começou a ser construído em 2002, no meio da Segunda Intifada Palestina ( 2.000-2005) . Cerca de 450 km foram construídos até hoje, mas a barreira total deverá ter 900 km. ( F S P , 20.07.2015, p. A-9) .

JAPÃO

A situação no mundo está tão grave que o Japão está mudando sua postura pacifista em vigor desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

A Câmara Baixa do Parlamento aprovou no dia 16 de julho um pacote de leis que modifica a política de defesa do país.

O projeto prevê o envio de tropas ao exterior, a fim de apoiar países aliados, principalmente os EUA.

O primeiro-ministro Shinzo Abe, impulsionador da mudança, afirmou: “A situação de segurança ao redor do Japão é cada vez mais grave”, disse em referência à vizinha e rival China. “ Estas leis são necessárias para proteger a vida dos japoneses e prevenir uma guerra antes que ela comece”.

A medida segue para votação na Câmara Alta do Parlamento, mas se for recusada ou não votada em até 60 dias, volta à Câmara Baixa , onde o partido de Abe tem maioria necessária para aprova-lo. ( F S P, 17.07.2015, p. A-10) .

MERCOSUL

A letargia no Mercosul é tão grande que até os sócios minoritários, Paraguai e Uruguai , prometem pressionar os países maiores para derrubar barreiras que travam o comércio dentro da região.

Acossados pela recessão no Brasil e pela estagnação na Argentina, os nanicos querem evitar que as portas se fechem em seus principais mercados.

Quase 30% das exportações do Uruguai são para o Mercosul e 45% do Paraguai. Em crise. Brasil e Argentina estão comprando menos.

Os presidentes de Uruguai e Paraguai se encontraram em Montevidéu em junho e combinaram propor prazos concretos para a resolução dos impasses que travam o comércio do Mercosul , ainda em 2015. Pretendem aproveitar a presidência temporária do Paraguai, formalizada no dia 17 de julho.

A Argentina tem barreiras não tarifárias de proteção comercial. O Paraguai quer manter a possibilidade de reexportar produtos que comprou de outros países aos vizinhos , o que é alvo de críticas de empresários brasileiros com a concorrência indireta chinesa. Essas operações representam metade das vendas externas do Paraguai.

Outra reclamação é a escassez de fundos para investimento em infraestrutura no Paraguai e no Uruguai. Os dois países recebem entre 30% a 40% do volume do fundo do Mercosul, que tinha US$ 900 milhões em 2014.

O Brasil, principal financiador destes recursos, está devendo US$ 120 milhões em transferências. Ao mesmo tempo o Brasil está participando da criação do banco dos Brics. Dinheiro do BNDES para a Odebrecht no exterior não falta.

A situação deve se agravar com a entrada da Bolívia, outro país pobre e que demandará recursos. Há uma percepção no Uruguai e no Paraguai que o Mercosul não está dando aos dois países nenhum benefício. ( F S P , 17.07.2015, p. A-16) .

A entrada da Bolívia como membro pleno , foi oficializada na Cúpula do Mercosul no dia 17 de julho. Os Congressos no Brasil e Paraguai deverão avalizar a adesão.

Os chanceleres dos países assinaram também a inclusão, como membros associados: Guiana e Suriname. Desta forma o Mercosul, além dos seis membros plenos : Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Venezuela e Bolívia, o bloco passa a incluir, como associados , todos os demais países da América do Sul.

A Bolívia apresenta no momento a mais alta taxa de crescimento da região: 5,5% em 2014 , o sétimo ano consecutivo de expansão. Em 2015 o Brasil deve retroceder 1%, a Argentina 0,3% e a Venezuela 7%. Evo Morales atualmente tem 75% de aprovação, atrás apenas do dominicano Danilo Medina ( 85%).

Mas , a Bolívia é um país pequeno, com PIB de apenas US$ 34,4 bilhões, pouco maior do que os US$ 29,7 bilhões do Paraguai, valores inexpressivos ante os US$ 540 bilhões do PIB da Argentina e US$ 2,3 trilhões do Brasil. Apesar de ter um PIB inexpressivo passa a contar como um voto.

A Bolívia passa a ter acesso aos recursos do Focem ( fundo para o desenvolvimento do Mercosul) , que anualmente dispõe de um volume de US$ 100 milhões, dos quais o Brasil responde por 70%. ( F S P , 18.07.2015, p. A-18).

Mas , a entrada da Bolívia significa que agora serão dois “bolivarianos” no bloco, países de esquerda radical que com suas posições podem impedir a integração do Mercosul com os EUA e países europeus. Se o kirchnerismo continuar a dar as cartas na Argentina, as perspectivas em termos de integração mundial para o bloco são sombrias.

Morales ainda tem se mostrado pouco eficaz no combate ao contrabando e menos ainda com relação à produção de cocaína na Bolívia. Por outro lado está tentando eternizar-se na presidência do país, o que é um flagrante desrespeito à cláusula democrática do Mercosul.

MÉXICO

Em uma fuga com elementos cinematográficos , o narcotraficante mexicano Joaquim “El Chapo” Guzmán, 58, líder do poderoso cartel de Sinaloa , escapou na noite do sábado dia 11 de julho da penitenciária de segurança máxima, de Altiplano, na cidade de Almoloya de Juárez, a 90 km da capital, onde estava desde fevereiro de 2014.

A fuga expõe o governo do presidente Enrique Pena Nieto, que havia feito de sua prisão um símbolo de sucesso na guerra contra os cartéis e que reagiu furioso “ A sociedade mexicana está indignada e estou profundamente preocupado com a fuga de um dos criminosos mais procurados no México e no mundo”. ( F S P , 13.07.2015, p. A-10) .

O túnel usado para a fuga de Guzmán tem 1.500 metros de cumprimento, 1,7m de altura, 80 cm de largura e para sua construção foram retirados 2.562 m3 de terra, o que equivale a 531 caçambas de entulho. Foram cavados em média , três metros diários de túnel e Guzman deixou a prisão por um buraco no box do banheiro até um barracão onde terminava o túnel onde pode tomar banho e trocar de roupa. ( F S P , 14.07.2015, p. A-11) .

NIGÉRIA

O Boko Haram matou quase 150 pessoas em ataques entre o dia 30 de julho e 1º de julho na Nigéria.

No dia 30 de junho, os extremistas atacaram a vila de Mussaram , a 35 km de Kukawa, matando 48 homens e meninos .

Como faz o Estado Islâmico, ao menos 97 muçulmanos que rezavam em mesquitas na cidade de Kukawa, perto do lado Chade, foram assassinados a tiros no dia 1º.

O Boko Haram frequentemente ataca mesquitas onde, na visão do grupo, os clérigos expõem uma forma muito moderada do Islã.

O grupo já matou ,mais de 13 mil pessoas e pretende criar um califado no nordeste da Nigéria, país mais populoso da África. ( F S P , 3.7.2015, p. A-11) .

No dia 5 de julho, em mais duas explosões , o Boko Haram matou mais ao menos 51 pessoas na Nigéria, na cidade de Jos, capital do Estado de Plateau , marcado pela divisão entre muçulmanos e cristãos.

A primeira explosão ocorreu às 21h14 no restaurante Shagalinku , voltado para a elite muçulmana.

Ás 21h18, atiradores abriram fogo e um homem-bomba se detonou , próximo à mesquita Yantaya, onde uma multidão participava de uma oração com o clérigo pacifista Sani Yahaya. Ou seja, terroristas atacam restaurantes e mesquitas, onde as pessoas estão comendo e rezando. ( F S P , 7.7.2015, p. A-10) .

Naema , 44 , formada em recursos humanos, mulher, professora , católica era alvo do Boko Haram. Nasceu e cresceu no Estado de Anambra , no sul da Nigéria.

Professora, recebeu ameaças , porque os terroristas queriam que a escola fechasse porque meninas não podem estudar e ela mudou-se para o norte do país, para fazer trabalho voluntário.

Não adiantou, o Boko Haram chegou ao local e sequestrou 276 meninas em uma escola em Chibok. Pôs uma bomba em uma igreja, durante a missa. Pessoas morreram no ataque e ela estava próxima.

Apavorada , fugiu para o Benin e agora está em São Paulo. Mas ficou meses em depressão. Ainda escuta o choro, os gritos e as bombas quando fecha os olhos. Considera um milagre estar viva. ( F S P , 10.07.2015, p. B-3) .

No domingo dia 26 de julho 19 pessoas morreram e 47 ficaram feridas com a explosão em um mercado lotado na cidade de Damaturu , capital do Estado de Yobe.

O atentado terrorista, que ocorreu também em Camarões, foi feito com meninas-bomba e atribuídos ao Boko Haram.

Desde 2014, o Boko Haram sequestrou 2.000 mulheres na Nigéria, sendo o caso mais emblemático o das 276 meninas levadas de uma escola em Chibok em abril.

O paradeiro da maioria das meninas continua desconhecido. Mas , as que conseguiram escapar do cativeiro não foram recebidas de braços abertos em suas comunidades.

Muitas foram estigmatizadas e insultadas como “mulheres do Boko Haram” situação pior para as que foram estupradas pelos extremistas e engravidaram.

Crescem os temores de que as meninas –bomba sejam na realidade , jovens sequestradas pelos extremistas que foram obrigadas a servir como suicidas. Mas podem existir mulheres que voluntariamente apoiem os extremistas. ( F S P , 27.07.2015, p. A-8) .

NORUEGA

Mostrando como o país é benevolente com criminosos, Anders Breivik, 36 , condenado a apenas 21 anos pelo massacre de 77 pessoas foi admitido em curso de ciência política e poderá cursar a faculdade na prisão.

O reitor da Universidade de Oslo , Ole Petter Ottersen, deu mostras do que a ponto podem chegar defensores de supostos direitos humanos “ Ele tentou demolir o sistema em que vivemos , por isso temos de nos manter fiéis a nossos valores”.

Demolir o sistema assassinando friamente 77 pessoas inocentes? Pena de morte seria muito pouco para ele. ( F S P , 18.07.2015, p. A-16) .

PERU

O Exército do Peru resgatou no dia 27 de julho 13 mulheres e 26 crianças mantidas reféns em um acampamento da guerrilha Sendero Luminoso em Satipo, a 450 km de Lima.

A maioria das mulheres foi sequestrada em ação da guerrilha contra um hospital psiquiátrico no fim dos anos 80.

Essas mulheres foram mantidas em cativeiro desde então, sofrendo violência permanente como escravidão e estupros. Com isso, nasceram as 26 crianças e adolescentes encontrados no acampamento, fruto dos estupros.

As mulheres trabalhavam na colheita e eram obrigadas a criar as crianças. Os jovens, quando maiores , começavam a ser doutrinados e recebiam treinamento militar para atuar com a guerrilha.

Isso é uma guerrilha de esquerda. Sequestros, escravidão, estupros, etc.

O Sendero Luminoso , de orientação maoísta, surgiu no início dos anos 60 e teve seu auge na década de 80. Em setembro de 1992 seu líder Abimael Gusmán e outros dirigentes foram presos e as ações do grupo diminuíram sensivelmente.

Um comando do Exército conseguiu chegar ao acampamento que fica no vale dos rios Apurimac , Ene e Mantaro, a partir de informações de um ex-prisioneiro da guerrilha que escapou do cárcere em junho.

A região está sob estado de emergência permanente por ser uma das principais bases do Sendero Luminoso e por possuir a maior área de produção de folha de coca do país. O Peru é o segundo maior produtor mundial da matéria-prima da cocaína, mais uma característica de guerrilhas comunistas na América Latina, como as Farc na Colômbia , ou seja produção e tráfico de drogas. ( F S P , 29.07.2015, p. A-9) .

PETRÓLEO

Com a rejeição em plebiscito na Grécia dos termos do pacote de resgate da dívida e notícias na China sobre medidas emergenciais para prevenir uma quebra no mercado de ações, o petróleo nos EUA fechou com queda de 7,7% no dia 6 de julho, a US$ 52,53 o barril e o Brent, negociado em Londres, queda de 6,3% , para US$ 56,54.

As principais corretoras chinesas disseram que vão comprar ao menos US$ 19,3 bilhões em ações , para tentar estabilizar as Bolsas do país.

Por outro lado, caso o Irã e as potências mundiais chegarem a um acordo nuclear até o dia 7 de julho, poderá haver aumento da oferta de petróleo no mercado, caso as sanções contra Teerã forem atenuadas, com nova pressão baixista. ( F S P , 7.7.2015, p. A-14) .

Win Thomas, chefe da equipe de análise energética da Shell e membro do Conselho Mundial de Petróleo, está otimista:

“ O problema começou com um excesso de oferta , acima do previsto. Mas com certeza, no final deste ano, vamos ver a maré virar para os preços do petróleo, porque os níveis atuais serão insustentáveis para trazer uma nova oferta significativa para o mercado. Falo da oferta fora da Opep e do mercado de xisto, com custos mais altos, e que precisa de preço maior”. ( F S P , 14.07.2015, p. A-18) .

SÉRVIA

A Rússia usou o seu poder de veto para bloquear no dia 8 de julho uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que condenava o massacre de cerca de 8.000 muçulmanos bósnios na Guerra da Bósnia ( 1992-1995) , em Srebrenica, em 1995, como “um crime de genocídio”.

O texto foi elaborado pela delegação do Reino Unido para marcar os 20 anos da matança , mas o governo russo a resolução faria com que os sérvios fossem discriminados ao serem apontados pelo crime , o que poderia levar a mais tensão nos Balcãs.

Tomislav Nikolic, presidente sérvio e pró-Moscou disse que a decisão russa, “ não só impediu de se jogar a culpa contra toda a nação sérvia, tentando retratá-la como genocida, como também provou que a Rússia é uma amiga sincera”. ( F S P , 9. 7 2015, p. A-10) .

Segundo a jornalista Florence Hartmann autora do livro: Le Sang de La RealPolitik. L’Affaire Srebrenica”, “ A comunidade internacional falhou duas vezes em Srebrenica : ao não prevenir o genocídio e, mais recentemente, ao não garantir as condições necessárias para que o genocídio seja reconhecido pelos seus perpetradores”.

No livro ela afirma que, após a entrada das forças de Ratko Mladic em Srebrenica, a ONU forneceu 30 mil litros de gasolina aos sérvios-bósnios para remover a população. Mas, o combustível foi usado para levar mais de 8.000 homens para os campos de execução e espalhar seus corpos por valas secundárias para tentar esconder o crime.

Em Prijedor , no noroeste da Bósnia, em 31 de maio de 1992, um decreto obrigava os não sérvios a marcarem suas casas com bandeiras brancas e usarem uma faixa no braço.

Os acordos de Dayton , que puseram fim à guerra em 1995, cristalizaram no mapa conquistas territoriais obtidas por violência sistemática.

O país foi dividido em duas entidades praticamente do mesmo tamanho: a Bósnia-Herzegovina , atribuída a muçulmanos e croatas , e a República da Sérvia . Srebrenica e Prijedor , ficaram com esta última.

Na Bósnia, o desemprego formal gira em torno dos 40%. Cada grupo tem seu próprio currículo escolar apesar de muitas vezes dividirem o mesmo prédio. Em casos mais extremos , edifícios tem entradas separadas.

O acordo foi considerado inconstitucional pela Corte Europeia dos Direitos Humanos por discriminar minorias estabelecendo que só autodeclarados “sérvios”, “ croatas”, ou “bósniaks”, podem se candidatar a cargo público. ( F S P , 11.07.2015, p. A-8) .

O premiê da Sérvia , Aleksandar Vucic , foi a Srebrenica para a cerimônia que rememorara os 20 anos do massacre de Srebrenica no dia 11 de julho . A cerimônia foi realizada em Potocari, subúrbio de Srebrenica, onde se localiza o cemitério, reuniu dezenas de milhares de pessoas , incluindo o ex-presidente americano Bill Clinton e o premiê turco , Ahmet Davutoglu.

Vucic depositou flores diante do monumento com os nomes das mais de 6.200 vítimas enterradas no memorial.

Ai a multidão começou a gritar “Allah Akbar”, (Alá é grande) , vaiar e atirar pedras, garrafas d’água e outros objetos.

Ele foi obrigado a deixar o local ás pressas e foi atingido por uma pedra. O governo sérvio classificou a agressão como tentativa de assassinato, mas Vucic ,minimizou o ocorrido e disse que seguirá com a “mão estendida”, para os esforços de reconciliação. ( F S P , 12.07.2015, p. A-17) .

SÍRIA

Estado Islâmico

Destruição do patrimônio mundial

O Estado Islâmico prometeu, mas não cumpriu. Destruiu no dia 27 de junho, a famosa estátua do Leão de al-Lat ( “deusa-mãe de Palmira), que ficava na entrada do museu de Palmira.

A estátua, uma peça única de três metros de altura e pesando 15 toneladas foi esculpida em calcário , no século 1º a.C. e descoberta em 1977 por uma missão arqueológica polonesa no templo de Al-Lat.

Ela tinha sido coberta com uma chapa de ferro e cercada com sacos de areia para protege-la dos bombardeios, mas o Estado Islâmico é pior do que os bombardeios.

O diretor do Departamento de Antiguidades e Museus da Síria, Mamun Abdelkarim disse “ É o mais grave dos crimes cometidos pelos militantes contra a cidade de Palmira”.

A diretora-geral da Unesco, a búlgara Irina Bokova, afirmou no dia 2 de julho que os militantes do EI estão saqueando sítios arqueológicos no Iraque e na Síria “ em escala industrial” e vendendo os tesouros para intermediários para levantar fundos.

“No Iraque , um quinto dos cerca de 10 mil locais mundialmente reconhecidos esteve sob controle do EI e foi bastante saqueado. E não se sabe se houve em milhares de outras áreas”.

Segundo ela, alguns sítios históricos foram tão saqueados que já não tem nenhum valor para historiadores e arqueólogos. A Unesco está preocupada agora com o patrimônio da Líbia, onde o EI já assumiu a autoria de ataques terroristas recentes. ( F S P , 3.7.2015, p. A-11) .

Raqqa atacada

A coalizão liderada pelos EUA realizou no domingo dia 5 de julho , 38 ataques aéreos na Síria e no Iraque contra o EI.

Dezoito dos bombardeios ocorreram em Raqqa , no Centro-Norte da Síria , considerada a capital do califado declarado pela milícia sunita em junho de 2014.

Ainda na Síria houve ataques aéreos nas imediações de Hasaka e Kobani. Já no Iraque foram executadas 12 ofensivas.

A coalizão militar informou que unidades táticas e veículos da facção foram atingidos e 16 pontes destruídas , dificultando o trânsito dos terroristas pelos territórios sírio e iraquiano. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, pelo menos 23 membros do EI foram mortos nos ataques. ( F S P , 6.7.2015, p. A-10) .

Zona livre na fronteira com a Turquia

Os EUA e a Turquia trabalham no estabelecimento de uma zona livre do Estado islâmico no norte da Síria, numa faixa de 100 km próxima à fronteira turca. A extensão total da fronteira entre os dois países é de 899 km.

O objetivo é garantir a integridade do território turco e frear o fluxo de refugiados vindos da Síria.

Ação conjunta de aviões militares americanos, de rebeldes sírios e de forças turcas fariam o EI recuar. Mas tropas turcas não entrarão na Síria. ( F S P , 28.08.2015, p. A-9) .

SOMALIA

O presidente Barak Obama desembarcou no dia 26 de julho na Etiópia , mesmo dia em que o grupo radical islâmico Al Shabbab atacou um hotel de luxo em Mogadício, capital da Somália, deixando 13 mortos e 20 feridos.

A explosão destruiu a fachada do edifício , que abriga as embaixadas da China , do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos.

Um suicida parou um carro com explosivos no hotel Jazeera e detonou as bombas. O grupo disse que foi uma retaliação aos ataques aéreos feitos pelo governo somali e por uma coalizão da União Africana, contra seus membros. ( F S P , 27.07.2015, p. A-4) .

SUDÃO DO SUL

O presidente Barak Obama desembarcou no dia 26 de julho na Etiópia e denunciou a contínua deterioração da situação no Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo , que vive uma guerra civil há 19 meses.

Os EUA tiveram papel de liderança na obtenção da independência do país do Sudão em 2011.

“Infelizmente , a situação continua se deteriorando. A situação humanitária piorou “. Ele pediu um acordo de paz entre os beligerantes nas próximas semanas.( F S P , 28.07.2015, p. A-11) .

TERRORISMO

“Se você for um menino , vão colocar bombas no seu corpo. Se for uma menina , vão escraviza-la e abusar de você “. David Cameron. ( Revista Veja, 29.07.2015, 46) . Errado David Cameron. Se for o Boko Haram também colocam bombas no corpo de meninas.

TRANSPACÍFICO

Formado por 12 países banhados pelo Pacífico , a TPP está em negociações finais .O bloco deve ser formado por Vietnã, Cingapura, Malásia, Brunei, Austrália, Japão, Canadá Nova Zelândia, EUA, México , Peru e Chile. Representam 40% do PIB mundial e 25% do total das exportações mundiais.

Se o acordo for aprovado por todos os países, a estimativa do centro de estudos Peterson Institute é que o PIB total do bloco aumente mais de US$ 320 bilhões em 2015. Será a maior área de livre comércio do mundo. ( Revista Exame, 22.07.2015, p. 67) .

TUNÍSIA

Saif Rezgui, 30 o terrorista assassino que matou 38 pessoas no dia 26 de junho, em uma praia na Tunísia , foi treinado em um campo próximo a Sabratha, oeste da Líbia .

Foi o mesmo campo onde treinaram os responsáveis pelo atentado ao Museu do Bardo , em Túnis, em março, que deixou 21 mortos.

A notícia reforça a versão corrente entre os moradores locais de que o terrorismo é uma “importação”. A Líbia, em grave crise política, tornou-se um terreno fértil para facções radicais , incluindo militantes ligados ao Estado Islâmico e o caos na Líbia , age como fator desestabilizador na Tunísia.

O governo tunisiano decidiu armas sua polícia turística pela primeira vez além de controlar mesquitas consideradas irregulares, por pregar versão do islã considerada como radical demais. ( F S P , 1.7.2015, p. A-11) .

Para Rashid Ghannouchi fundador do Ennahda, um dos principais partidos do país “Esse jovem (Saif) é produto não da revolução, mas da era de Bem Ali. [ ditador deposto em 2011] . Nasceu e cresceu nesse período, e foi educado nele...Hoje, a maioria desses jovens é radicalizada pela internet e pelas mídias sociais”.

Segundo ele, “ a revolução destruiu o sistema político ,que era baseado no governo de um homem só e num Estado policial. Precisamos de um novo sistema , democrático e multipartidário”. ( F S P , 5.7.2015, p. A-16) .

TURQUIA

O Estado Islâmico aprontou mais uma. Um homem-bomba se detonou em um centro cultural no sul da Turquia, na cidade de Suruc, na fronteira com a Síria ,perto de Kobani, e deixou pelo menos 32 mortos e quase cem feridos. ( F S P , 21.07.2015, p. A-11) .

A Turquia autorizou o uso de suas bases aéreas por aviões da coalizão para bombardear o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

No dia 24, aviões turcos bombardearam alvos do Estado Islâmico na Síria. Mas o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan disse que a ação turca também será contra militantes do grupo separatista PKK ( Partido dos Trabalhadores do Curdistão).

Por isso , aviões turcos no dia 24 também atingiram acampamentos do PKK no norte do Iraque. ( F s P , 25.07.2015, p. A-10) .

A ofensiva contra os curdos , quebrou um cessar-fogo de dois anos e foi interpretada como represália ao assassinato de dois policiais turcos no dia 21 de julho por membros do PKK.

O PKK disse que “As condições para manter o cessar-fogo foram eliminadas”. ( F S P , 26.07.2015, p. A-13).

Um carro bomba explodiu no sul da Turquia no dia 26 de julho, matando dois soldados e deixando quatro feridos. O ataque foi atribuído ao PKK e o governo turco respondeu com um ataque contra bases dos separatistas no norte do Iraque.

Ao menos seis pessoas acusadas de ter conexão com o atentado também foram presas. Um total de 600 pessoas foram presas. ( F S P , 27.07.2015, p. A-9) .

O presidente da Turquia , Recep Tayyip Erdogan disse no dia 28 de julho que a paz com curdos é impossível: “ Não é possível para nós continuar o processo de paz com aqueles que ameaçam nossa unidade nacional”.

A Turquia iniciou negociações com os curdos em 2012 para tentar acabar com uma insurgência do PKK , considerado uma organização terrorista pelo governo. Os curdos reivindicam a criação de um Estado autônomo que abrangeria parte do território turco.

O HDP partido de oposição pró-curdo ganhou 13% dos votos nas últimas eleições , quando o AKP , sigla governista, perdeu sua maioria. ( F S P , 29.07.2015, p. A-8) .

A Turquia ataca os curdos porque os vê como uma ameaça maior do que o EI, porque põem em risco a integridade territorial turca.

Mas para alguns analistas , ao atacar os curdos, a Turquia facilita a vida do Estado Islâmico.

Dan de Luce, correspondente para a Segurança Nacional da revista “Foreign Police”, citado por Clóvis Rossi afirma que “ Washington pode estar autorizando Ancara a atacar as únicas forças no terreno que se mostraram efetivas contra o Estado Islâmico”.

Para a Turquia, a efetividade dos curdos iraquianos contra os radicais islâmicos pode aguçar o apetite dos curdos por mais autonomia ou até independência. ( F S P , 30.07.2015, p. A-12) .

UCRÃNIA

Desde a eclosão do conflito no país, em 2014, teve início uma brusca diáspora de ucranianos , elevando de 1.000 em 2013 para quase 14 mil em 2014, o total de ucranianos que pediram asilo na União Europeia em 2014.

Em 2015, de janeiro a maio já são 9.000.

Muitos estão indo para a Polônia. Há 15 anos , a Polônia era uma país com grande saída de migrantes para a Europa Ocidental.

Agora a situação se inverteu. Estima-se que haja 400.000 ucranianos na Polônia com visto de trabalho temporário , a maioria em fazendas e no setor da construção. Em 2014, a Polônia emitiu 330 mil vistos de trabalho temporário para ucranianos , aumento de mais de 50% em relação a 2013. Estes ucranianos estão preenchendo os empregos vagos pelos poloneses que foram para a Europa Ocidental. ( F S P , 12.07.2015, p. A-17) .

VENEZUELA

Graças à incompetência do governo de Nicolás Maduro, ir às compras na Venezuela significa passar horas na fila, muitas vezes sob sol escaldante, sem saber se haverá o que se busca ao final da espera ou se o dinheiro será suficiente diante da escalada semanal dos preços. É comum pessoas chegarem ás 6 horas da manhã e só saírem no final da tarde.

Ou seja, o que para todos no mundo inteiro, fazer compras em supermercado , é uma atividade banal, tornou-se um tormento na Venezuela bolivariana.

Significa ainda submeter-se a compras racionadas mediante controle de identidade, muitas vezes sob a observação de policiais e soldados.

A isso se soma a irritação gerada por quem tira proveito do caos, como pessoas que vendem lugares na fila e os “bachaqueros”, que passam na frente de todos sob o pretexto de estarem “trabalhando”. Na saída das lojas, clientes ainda temem ladrões.

O psicólogo social Axel Capriles destaca as consequências desta situação calamitosa: “ O venezuelano tornou-se agressivo, mal humorado e ressentido. É uma sociedade em estado de ‘salve-se quem puder’. Não há espaço para civilidade”.

A socióloga , Daniuska González vê sintomas de uma banalização da violência que se manifesta igualmente na proliferação das armas e na admiração por delinquentes: “ Há uma paranoia que leva à reafirmação da identidade por meio do confronto”.

A escassez é fruto do controle de preços e de câmbio e das expropriações de empresas, que enfraqueceram a modesta indústria nacional. A situação se agravou com a queda no preço do petróleo que derrubou a arrecadação do Estado. Por isso, a continuidade do governo Maduro e seu bolivarismo significa a manutenção da piora na vida das pessoas e no aumento do nível de intolerância. ( F S P, 2.7.2015, p. A-11) .

Democracia

Estudo do Projeto de Opinião Pública da América Latina , da Universidade Vanderbilt , dos EUA que pesquisou o grau de satisfação com a democracia em 25 países da América Latina mostrou que os mais insatisfeitos são os venezuelanos.

Na pesquisa, com cerca de 50 mil pessoas, a Venezuela atingiu o pior índice, de 38,3 pontos em uma escala de 0 a 100.

Seguem-se México, 41,8; Colômbia , 42,3 ; Brasil 45,5 ; Argentina 52,9; Suriname 57,2; Costa Rica, 59,6 e Uruguai 61,5

O resultado na Venezuela é o pior desde 2007, quando o país ainda era governado por Hugo Chávez . Maduro não tem o carisma de Chávez e nem o bom preço do petróleo que permitiu a Chávez entregar benefícios sociais aos venezuelanos. E ao silenciar críticos do regime aumenta a insatisfação popular.

Segundo dados compilados pelo Lapop, 80,3% os venezuelanos acreditam que a situação econômica atual é pior do que a dos 12 meses anteriores. O país registrou inflação de 68,5% em 2014 e deve ter retração no PIB de 7% em 2015 segundo o FMI. ( F S P , 5.7.2015, p. A-16) .

Maria Corina Machado

A opositora venezuelana , Maria Corina Machado é teimosa e persistente e disse no dia 15 de julho que continuará sua campanha de candidata à deputada , apesar de ter perdido seus direitos políticos por um ano.

Ele teve seu mandato cassado ilegalmente e segundo a Controladoria Geral do país, ela foi enquadrada na Lei contra a Corrupção , por não mencionar em sua declaração de renda tíquetes-refeição , que teria recebido do Parlamento quando era deputada.

Ela diz que nunca pediu ou recebeu os tíquetes, mas ainda que tivesse recebido, trata-se de uma questão insignificante. Ela teve seu mandato cassado em março de 2014 por supostamente ter violado o regimento da Assembleia Nacional ao aceitar um convite do Panamá para se pronunciar em uma reunião da OEA sobre os protestos contra o governo, ( F S P, 16.072015, p. A-13) .

“Agem como os ditadores que são. Que se preparem , porque vamos atuar como a maioria que somos”. ( Revista 22.07.2015, p. 40) .

Onda de assassinatos e deserção de policiais

Segundo levantamento da ONG Fundepro, 83 policiais foram assassinados em 2011 , 350 em 2012 e 338 em 2014.

O governo proibiu o comércio de armas e munição em 2012, o que transformou os policiais em alvo dos bandidos para conseguirem mais armas.

Pesquisa de 2013 mostrou que 65% dos venezuelanos veem a polícia como a entidade mais corrupta do país. Essa imagem legitima os ataques a policiais , aos olhos da população.

Assim, as deserções aumentam . A maioria dos policiais ganha o salário mínimo e quer sair do ramo. A taxa oficial de homicídios no país é de 62 por 100 mil habitantes, atrás apenas de Honduras no mundo todo. ( F S P, 17.07.2015, p. A-9) .

Atritos com a Guiana

Em maio de 2015, Nicolás Maduro assinou um decreto em que definiu unilateralmente a soberania da Venezuela sobre as águas do rio Essequibo, onde reservas de petróleo haviam sido descobertas semanas antes.

O ato criou uma crise diplomática entre Guiana e Venezuela , pois a Guina interpretou o caso como violação da fronteira e soberania da Venezuela.

O presidente da Guiana , David Granger, participou da Cúpula do Mercosul em Brasília , pediu a mediação do Brasil no caso e conseguiu uma reunião com Dilma Rousseff.

Nicolás Maduro irritou-se com isso. Queria participar da reunião , e chegou até antes do previsto ao Palácio do Itamaraty , em Brasília para tentar fazer parte da audiência, mas não conseguiu.

O diplomata que acompanhava a comitiva da Venezuela , não conseguiu convencer Maduro a cumprir o roteiro e a chegada antecipada foi inicialmente interpretada como um erro de cerimonial.

Só depois da rápida reunião com Granger é que Dilma foi avisada de que Maduro havia chegado e depois de cinco minutos de espera ele surgiu, recebendo calorosos cumprimentos e pedidos de desculpas de Dilma.

Mas, depois de participar da reunião de trabalho e da sessão plenária, Maduro foi embora nervoso, sem participar do almoço final. Na saída disse que Granger é um “grande provocador” e que “deixou de governar”, para criar conflitos.

O Brasil prometeu mediar negociações entre os venezuelanos e os guianenses. ( F S P , 18.07.2015, p. A-19) .

Canalização de produtos

A união das indústrias de alimentos na Venezuela disse no dia 20 de julho que o governo ordenou o desvio de sua produção para a rede de supermercados estatais.

A ordem é enviar de 30% a 100% do total da produção para as lojas controladas pelo governo. Os produtos que farão parte do desvio são: leite, óleo de cozinha, macarrão, arroz, açúcar, farinha de trigo e farinha de milho pré-cozida, que são parte da cesta básica venezuelana e que estão entre os mais afetados pela escassez provocada pela crise econômica no país.

As ordens foram enviadas pela Sunagro – Superintendência Nacional Agroalimentar e vão provocar o aumento das filas de espera pelos produtos e prejudicar cerca de 115 mil lojas. ( F S P , 21.07.2015, p. A-12) .

ONU – Abusos de Direitos Humanos

A Comissão de Direitos Humanos da ONU em Genebra , divulgou em 23 de julho um relatório sobre os direitos humanos na Venezuela no qual expressa preocupação sobre o abuso de força policial em manifestações e na detenção de opositores.

Mas, o organismo ressalta avanços na promoção de direitos de mulheres , povos indígenas e população LGBT ( lésbicas, gays, bissexuais e transexuais).

A comissão expressa “preocupação com relatos de violações de direitos humanos supostamente perpetradas no contexto de manifestações , inclusive casos de uso excessivo e desproporcional da força , tortura ou maus tratos e detenções arbitrárias”.

Também há preocupação com “ as detenções dos membros da oposição política Leopoldo López e Daniel Ceballos”.

O organismo aponta ainda supostos “ atos de intimidação , desqualificação, ameaças e/ou ataque supostamente perpetrados contra jornalistas, defensores dos direitos humanos e advogados “ e atenta para o “monitoramento do conteúdo difundido pelos meios de comunicação”.

A comissão ainda se diz preocupada com a “autonomia, independência e imparcialidade” , do Poder Judiciário na Venezuela, que, a seu ver, teria a efetividade minada pelo alto número de juízes e promotores provisórios e como se sabe, capachos do governo.

O organismo lamenta ainda a saída da Venezuela do Sistema Interamericano de Direitos Humanos , efetivada em setembro de 2013. ( F S P , 24.07.2015, p. A-13) .

Oposição Unificada

A coalizão Mesa da Unidade Democrática anunciou no dia 23 de julho que se apresentará de forma unificada para a eleição que vai renovar a Assembleia Nacional da Venezuela , em dezembro.

Os moderados com Henrique Capriles se entenderam com os radicais como López e Ceballos que estão presos. ( F S P , 24.07.2015, p. A-13) .

É indispensável que a OEA seja chamada para monitorar o pleito de dezembro , porque o governo pode fazer o diabo para não perder.

Maduro propôs diálogo

O conselheiro do Departamento de Estado americano Thomas Shannon afirmou no dia 22 de julho que Nicolás Maduro tomou a iniciativa de estabelecer um canal de comunicação entre os dois países.

Reuniões discretas tem sido mantidas entre os representantes diplomáticos. ( F S P , 23.07.2015, p, A-10).

Observadores Internacionais de jeito nenhum

Nicolás Maduro disse em Nova York no dia 28 de julho que não vai permitir a presença de observadores internacionais na eleição parlamentar marcada para 6 de dezembro.

“Não o aceitaremos jamais. A Venezuela não é monitorada , nem será monitorada por ninguém”.

O governo venezuelano disse que só aceita uma missão da Unasul restrita a “acompanhamento” da eleição, sem poder para fiscalizá-la contra fraudes.

Sabendo que a derrota será inevitável , Maduro quer deixar amplo espaço para manipulações e fraudes de toda ordem que garantam a supremacia de sua ditadura. ( F S P , 29.07.2015, p. A-9) .

Crise Humanitária

Relatório divulgado no dia 29 de julho pelo International Crisis Group, um dos mais respeitados centros de estudo do mundo, diz que o colapso da saúde pública na Venezuela está empurrando o país rumo a uma crise humanitária.

Se ela ocorrer , países vizinhos serão afetados , principalmente a Colômbia, com a migração maciça de venezuelanos.

O temor é que o governo chavista de Nicolás Maduro , por razões ideológicas, jamais reconheça a necessidade de ajuda externa.

Faltam remédios devido ao rígido controle de câmbio, em que o governo deixou de fornecer dólares necessários para as importações.

Em Caracas, 60% dos medicamentos estão em falta e no interior 70%. Hemofílicos, pacientes de câncer e soropositivos estão em situação de desespero.

Insumos médicos e peças de reposição para equipamentos hospitalares também estão em falta.

Cerca de pelo menos 10 mil médicos emigraram por falta de condições de trabalho e já há falta de profissionais em algumas áreas.

Nenhum dos seis hospitais gerais prometidos por Hugo Chávez em 2007, foi construído.

A Venezuela tem a inflação mais alta do mundo, de 100¨% e deve sofrer queda do PIB de 7% em 2015, após recuo de 4% em 2014.

Controle de preços e expropriações devastaram empresas privadas , minando a produção agrícola em um país petroleiro que importa quase tudo o que consome.

O colapso da distribuição de alimentos causa filas e dificuldade para encontrar variedade necessária para uma vida saudável, ou seja , a má alimentação causa “combinação paradoxal de desnutrição e obesidade”. Isso é o chavismo. ( F S P , 30.07.2015, p. A-12) .

Forças Armadas ocupando armazéns privados

Forças Armadas ocuparam no dia 29 de julho à noite um complexo de armazéns usado por empresas privadas na área de alimentos e bebidas em área industrial a oeste de Caracas.

O alvo principal da operação é a Empresas Polar, maior grupo privado do país que fabrica desde cerveja até farinha de milho usada nas arepas, prato típico do país.

Foram ocupadas também instalações da Pepsi ( sócia da Polar), Coca-Cola e Nestlé.

Uma juíza chegou ao complexo na noite do dia 29 com militares e policiais e apresentou uma ordem do Executivo , pela qual as empresas tem 60 dias para desocupar a área. O objetivo seria construir casas populares.

O episódio mostra o ridículo papel que vem sendo executado pelo Judiciário na Venezuela, como pau mandado de Maduro. Mostra ainda que o Executivo continua com sua sanha de destruição da atividade econômica.

Ocupar instalações industriais para construção de casas populares significa desmantelar estas atividades , no caso , acabar com um complexo de distribuição de onde saem a cada mês, 12 mil toneladas de alimentos para milhares de lojas em 19 municípios, acentuando uma escassez que já existe na região de Caracas.

O grupo Polar pode fechar nos próximos dias duas grandes fábricas de cerveja, devido à dificuldade de importar matéria prima e outros insumos.

Nicolás Maduro costuma acusar Lorenzo Mendoza, dono da Polar, de ser um dos “oligarcas”, responsáveis pela suposta “guerra econômica” travada pelo empresariado contra o modelo chavista, escondendo estoques de alimentos e criando filas propositalmente , quando o caos criado é decorrente do modelo chavista que ele está aprofundando. ( F S P, 31.07.2015, p. A-14) .

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