Capitalismo crise - Agosto de 2015

Fatos relevantes da economia e política internacionais em agosto de 2015

O presente texto tem como base a leitura de fatos relevantes da economia internacional na imprensa brasileira, referentes ao período de agosto de 2.015.

Economia do Compartilhamento

O Capitalismo para azar dos marxistas é um sistema que tem uma impressionante flexibilidade. Há vários capitalismos e o sistema mudando se aperfeiçoa.

O futurólogo americano Jeremy Rifkin , escreveu “Sociedade com custo Marginal Zero”, que quem diria mostra que existe a possibilidade , dentro do sistema capitalista, do “almoço grátis”.

Está surgindo a chamada economia do compartilhamento. Empresas estão sendo criadas com a facilidade da internet e das redes sociais e passam a ser compartilhados carro, casa e até roupas em sites de mídia social, locadoras, clubes de redistribuição e cooperativas a um custo marginal baixo ou de quase zero.

Com isso, o “valor de troca” no mercado, está sendo cada vez mais substituído pelo “valor de compartilhamento”.

Está surgindo uma economia híbrida. Uma parte é uma economia de mercado capitalista e a outra é uma economia compartilhada. E a economia compartilhada está em ascensão.

Nesta economia, algumas atividades já estão avançando.

Por exemplo, um número crescente de autores está escrevendo livros ou artigos, como este que escreve e disponibilizando-os por um preço muito baixo, ou mesmo de graça, na internet.

Atualmente, um terço da raça humana está produzindo a própria informação e compartilhando-a por meio de vídeos , áudios e texto por um custo marginal próximo de zero

Já existem milhares de consumidores que se tornaram produtores, gerando a própria energia renovável por um custo marginal próximo a zero. O custo da energia solar despencou e a autogeração já é uma realidade na Europa e nos Estados Unidos.

Estamos passando por uma revolução. A economia mundial dentro de duas ou três décadas entrará em uma nova era: um tempo em que muitas coisas serão praticamente gratuitas.

Com isso, o mercado capitalista continuará a encolher. Empresas com fins lucrativos sobreviverão somente á margem da economia , com uma base reduzida de clientes de produtos e serviços altamente especializados.

Essa mudança com o avanço tecnológico e a internet é irreversível . ( Revista Exame, 5.8.2015, p 112-114) .

Estado do Bem-Estar Social

Estudo feito pelo Peterson Institute, centro de estudos com sede em Washington, mostrou que os EUA investem mais no social que a maior parte dos países europeus, contrariando a concepção de que os EUA são o país do laissez-faire e as nações europeias o berço do Estado do bem estar social.

Na Europa efetivamente, serviços de educação e saúde costumam ser oferecidos pelo Estado. Mas, somando-se investimentos públicos, privados e também determinadas isenções fiscais para a população mais carente, os americanos destinam 29% do PIB para a área social, à frente de Dinamarca, 26%, Reino Unido e Holanda , 26%, Suécia 24,55 e Finlândia 23,5%.

Em 2014, parte dos americanos conseguiu reaver gastos com saúde equivalentes a US$ 196 bilhões, cerca de 1% do PIB. Há ainda exemplos de programas governamentais que devolvem impostos pagos por famílias com filhos e renda anual inferior a US$ 50.000. ( Revista Exame, 5.8.2015, p 74) .

AFEGANISTÃO

O novo chefe do Taleban no Afeganistão, Akhtar Mansour , prometeu manter a campanha do grupo radical islâmico e pediu aos membros da milícia que permaneçam unidos, para manter a jihad. ( F S P , 2.8.2015, p. A-17) .

O líder da rede terrorista Al Qaeda , Ayman Al-Zawahiri , jurou em mensagem de áudio divulgada no dia 13 de agosto, lealdade ao mulá Akhtar.

“Nós juramos lealdade (...) [ao]comandante dos fiéis, o mulá Mohammed Akhatar Mansour. Que Deus o proteja”. ( F S P , 14.08.2015, p. A-13).

Que Deus nos proteja dos dois.

AMÉRICA LATINA

Os anos dourados da América Latina ficaram para trás. Após quatro anos de redução nos preços das commodities , ninguém mais duvida que o período de vacas gordas passou para as nações que se especializaram em produzir petróleo, minério e alimentos.

Segundo a Cepal, a região deverá ter em 2015, a menor expansão dos últimos 16 anos – com exceção de 2009, quando a crise americana afetou o mundo inteiro.

As recentes turbulências no mercado financeiro chinês, hoje principal parceiro comercial da maioria dos países latinos, alimentam a previsão de anos turbulentos pela frente.

O economista argentino Guilhermo Calvo, professor da universidade americana de Columbia afirma : “ Não voltaremos a ver por muito tempo o crescimento alto que vimos na região nos anos 2.000. Com sorte, voltaremos a crescer a taxas perto de 3% ao ano”.

De janeiro de 2011 a maio de 2015 , segundo a Cepal , os preços das matérias primas energéticas caíram 29%, as minerais , 39% e as alimentares , 30%. O preço do barril do petróleo , que há um ano custava US$ 106, valia menos de US$ 40 na última semana. Isso propagou as dificuldades que já se viam em Brasil, Argentina e Venezuela a países produtores de petróleo como Colômbia e México.

“Viramos a fase do superciclo [ de alta] , e desapareceu o fator automático de elevação do PIB por meio das commodities. Mas não se está no desastre dos preços dos anos 80 r 90”, afirma Otaviano Canuto, diretor do FMI .

Amparados no consumo doméstico, Paraguai e Bolívia, as novíssimas economias emergentes da região, terão crescimento ao redor de 4% em 2015. Mas não são imunes ao contágio da moderação sobre os países vizinhos.

Colômbia, Peru e Chile aproveitaram os anos dourados para fazer reformas e poupar e, por isso, também tem mais fôlego agora,

Já Brasil, Argentina, Venezuela e Uruguai, “esbanjaram” na fase da bonança e entram nessa etapa com maior vulnerabilidade.

Calvo afirma: “ Os países gastaram muito, e não apenas os governos , as famílias também. Todos terão que gastar menos” e isso inclui o Brasil.

O baixo crescimento da América Latina é negativo para a indústria brasileira , que tem na região o seu principal mercado consumidor.

Um em cada quatro itens industriais exportados vai para a América do Sul. Em 2014, segundo estudo da CNI, a exportação chegou ao nível mais baixo em sete anos.

Mas a culpa aí é exclusivamente do governo brasileiro que paralisou sua diplomacia devido ao Mercosul. Carlos Eduardo Abijaodi, diretor do CNI, confirma: “ Os acordos comerciais que nós tínhamos ficaram parados no tempo, não acompanharam as negociações que os países fizeram com outros parceiros”.

Paralisado o governo brasileiro, o Brasil perdeu espaço para outros países e agora tem que correr atrás do prejuízo em uma conjuntura desfavorável. ( F S P , 31.08.2015, p. A-20) .

ARÁBIA SAUDITA

O Estado Islâmico agiu na Arábia Saudita e da forma mais cruel possível no dia 6 de agosto.

Militares estavam orando em uma mesquita que fica em um quartel-general das Forças de segurança da Arábia Saudita em Abha, no sul do país.

Um homem-bomba conseguiu entrar no local e se detonar quando recrutas e oficiais faziam a oração do meio-dia.

Foi o ataque mais violento contra militares sauditas nos últimos anos e ao menos 15 pessoas foram mortas , dez policiais.

A ação foi reivindicada por uma célula do Estado Islâmico , chamada Província de Hijaz. Em 2014, o líder do EI, fez uma convocação de guerra contra a Arábia Saudita, por integrar a coalizão de combate à milícia. ( F S P , 7.8.2015, p. A-12) .

ARGENTINA

Para o jornalista Ceferino Reato, 53, houve um endeusamento do Estado e valorização exagerada de tudo o que é produto nacional.

O kirchnerismo deixa de positivo a estatização da YPF e investimentos em cultura e universidades.

Mas, Daniel Scioli é um político mais liberal do que aparenta e se ele vencer, o kirchnerismo se vai , pois ele é mais Miami do que Havana, é uma pessoa de centro-direita. ( F S P , 2.8.2015, p. A-17) .

O peronismo chega á eleição com três candidatos. Daniel Scioli que recebeu a benção de Cristina Kirchner e outras duas lideranças de uma linhagem hoje declarada “independente”, que tentam mostrar-se como alternativa “nacional” e populista ao kirchnerismo.

São eles, Sergio Massa e José Manuel de La Sota, que juntos somam 18% das intenções de voto. Tentam capturar o voto de peronistas descontentes com Cristina. O peronismo quer tirar de cima dele o kirchnerismo. Por isso , até Scioli está tentando conquistar os peronistas . ( F S P , 5.8.2015, p. A-11) .

Jorge Lanata

O edifício onde mora o jornalista argentino Jorge Lanata, que vem identificando casos de corrupção do governo de Cristina Kirchner , foi apedrejado na noite da segunda feira, 3 de agosto.

Ele denunciou que foram encontradas cápsulas de bala de revolver calibre 38 na frente da portaria de seu edifício, no bairro do Retiro, em Buenos Aires.

No domingo dia 2 de agosto ele apresentou em seu programa denúncias contra o chefe de gabinete da Presidência, Anibal Fernández.

Entrevistados o acusaram de ser o mandante de um triplo homicídio ocorrido há sete anos e ele também daria proteção a traficantes de efedrina em troca de propina. Fernández concorre ao governo da província de Buenos Aires na eleição de outubro e lidera a disputa e disse que as acusações são 100% mentira. ( F S P , 5.8.2015, p. A-11) .

Cristina Kirchner sobre a acusação a Fernández disse que a denúncia é parte de uma política deliberada “ feita em momentos precisos contra pessoas específicas”, que se “tornou o modus operandi em toda a América do Sul”.

Para ele, é uma ação da mídia e do Judiciário com intuito político para prejudicar o candidato. ( F S P , 6.8.2014, p. A-16) .

Elisa Carrió

A deputada Elisa Carrió, candidata à Presidência da Argentina, da Coalizão Cívica, que tem denunciado o avanço do tráfico de drogas no país, afirmou ter recebido no dia 6 de agosto uma caixa com três balas de revólver e um recado intimidador:

“Já estamos radicados na Arg, investimos e temos proteção , então ficaremos aqui, como fizemos no Mx e em outros países. Assim que negociarmos nossos territórios, vamos contra as suas famílias”.

Carrió integra a aliança Cambiemos , de oposição ao governo de Cristina e concorrerá nas eleições primárias de 9 de outubro a uma vaga na disputa, em 25 de outubro.

Elisa também investiu contra Férnandez , a quem acusa de integrar uma quadrilha de traficantes de efedrina, usada em drogas sintéticas. Descobriu-se que uma das entrevistas exibidas por Lanata , em que acusa Férnandez, foi gravada no apartamento de Carrió o que levou Cristina Kirchner a chamar em discurso em cadeia nacional, a casa de Carrió de “aguantadero” ( covil). ( F S P , 8.8.2015, p. A-15) .

Primárias

Os argentinos começa a decidir em 9 de agosto, quem será o sucesso de Cristina Kirchner cujo mandato termina em dezembro.

Serão realizadas no dia 9 a Paso ( Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias) , que definirão os candidatos que se enfrentarão no primeiro turno da eleição, em 25 de outubro.

Se o candidato vitorioso em primeiro turno não obtiver 40% dos votos e uma diferença de dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado , será realizado segundo turno em 30 de novembro. ( F S P , 9.8.2015, p. A-16) .

As primárias definiram os candidatos à Presidência da Argentina e embolaram a disputa no país.

O governista Daniel Scioli ficou em primeiro com 38,4% dos votos. Mas, além de Scioli , os peronistas estarão representados pelo dissidente Sergio Massa, com 14,2%, que surpreendeu com votação expressiva em terceiro o que dificulta que um dos candidatos encerre a disputa sem segundo turno.

A oposição se fortaleceu. Mauricio Macri, da frente Cambiemos , do Partido Proposta Republicana (PRO) , com 24,3% disse que os números mostram que a maioria dos argentinos quer mudar. Cerca de 54% dos votos , distribuídos por seis candidaturas foram para a oposição, o que mostra que os argentinos querem mudar. ( F S P , 11.08.2015, p. A-11) .

Fica evidente a desidratação do kirchnerismo , força dominante na política argentina nos últimos 12 anos. Há quatro anos, Cristina obteve 50% dos votos, ante 12% do adversário mais próximo, abrindo caminho para uma vitória fácil. ( F S P , 12.08.2015, p. A-2) .

Lazaro Baez

Documentos encontrados pela Justiça no escritório de Máximo Kirchner , filho da presidente Cristina Kirchner , comprovariam a relação entre a família Kirchner e o empresário Lazaro Baez.

Baez controla a empresa Austral Construções , que ganhou a disputa de várias obras do governo nos últimos anos. A Justiça investiga se ele teria desviado recursos dessas obras para repassar aos Kirchner.

As denúncias contra o empresário , que comprovariam este suposto desvio, estão sendo investigadas no caso Hotesur, nome da empresa hoteleira da família Kirchner na província de Santa Cruz.

Segundo a investigação, uma das empresas de Baez, teria pagado diárias fictícias em um hotel da família Kirchner, cerca de 4 milhões de pesos por ano ( R$ 1,5 milhão), por quatro anos, só pela hospedagem no hotel Alto Calafate.

Agora foram encontrados recibos, contratos de aluguel e cheques de Baez aos Kirchner , no escritório de Máximo.

Cristina Kirchner em discurso no dia 20 afirmou que a Austral é a 40ª empresa entre as maiores contratadas em obras do governo. “ Se sou amiga dele, é melhor ele arrumar amigos melhores. Sou mais amiga dos outros. “.( F S P , 25.08.2015, p. A-9) .

BOLÍVIA

A Bolívia quer criar a base de uma indústria de ponta em torno do lítio, material em crescente demanda, porque a partir dele são feitas as baterias das maiorias dos gadgets e dos novos carros elétricos.

Abaixo do Salar de Uyuni , a maior planície de sal do mundo está a maior reserva desse mineral e quase nada foi tocado, por decisão de Evo Morales.

Morales não quer exportar apenas o minério com base na experiência colonial como a montanha de prata Cerro Rico , esvaziada pelos espanhóis , que também está no departamento de Potosí.

Em 2008 o governo iniciou um projeto com uma fábrica-piloto de carbonato de Lítio em Rio Grande. Em 2014, o governo inaugurou uma fábrica experimental de baterias , com equipamentos chineses.

Mas a Bolívia não tem tecnologia , nem capital , e pode perder o bonde da história porque os investimentos pesados estão sendo feitos nos EUA, com a Tesla Motors e na Coréia do Sul. ( F S P , 2.8.2015, Mercado p. 4) .

CHINA

A China, maior exportador de produtos industrializados do mundo, desvalorizou o yuan pelo segundo dia seguido , levando a baixas generalizadas nos mercados de commodities e nas principais Bolsas internacionais.

Faz 21 anos que o yuan não tinha uma queda tão acentuada em relação ao dólar.

No dia anterior , o BC chinês anunciou uma reforma no sistema de câmbio fixo do país , em que introduziu um espaço maior para a flutuação do yuan em relação ao dólar. A moeda continuará sendo controlada pelo governo, mas está sendo dado maior protagonismo às forças de mercado na hora de fixar a taxa de câmbio.

O objetivo é fazer com que o FMI inclua a moeda no rol de moedas internacionais de reserva. Com uma flutuação mais pautada pelas variações de mercado, o yuan se tornaria mais apto a se juntar à libra esterlina , iene, euro e dólar. ( F S P , 13.08.2015, p. A-25) .

No dia 13 de agosto, o yuan registrou a terceira desvalorização seguida em relação ao dólar, mas o banco central do pais veio a público acalmar os mercados e afirmou que não há motivo para que a moeda caia mais. Segundo a autoridade fiscal chinesa, o ambiente econômico, o superávit comercial, a posição fiscal sólida e as grandes reservas internacionais fornecem “forte suporte” à taxa de câmbio. ( F S P , 14.08.2015, p. A-21) .

É de R$ 500 milhões o que o Brasil deve deixar de receber com as exportações para a China em 2015, com a desvalorização do yuan, segundo cálculo da Associação Brasileira de Comércio Exterior. ( Revista Veja, 19.08.2015, p. 34).

Bolsa

A situação na Bolsa de Xangai continua crítica. Apesar das novas ações do banco central chinês, a bolsa, principal índice do mercado financeiro chinês, despencou no dia 18 de agosto, em meio a incertezas sobre a efetividade das medidas adotadas por Pequim nas últimas semanas para brecar as perdas.

A queda em Xangai, de 6,1%, foi a maior desde o fim de julho e investidores parecem estar aproveitando as altas recentes , provocadas pela intervenção estatal – que colocou mais de US$ 144 bilhões nos mercados financeiros.

Mais da metade das ações caíram 10%, que é a queda máxima permitida, resultando na suspensão da negociação dos papéis no dia.

Essa queda ocorreu mesmo com o anúncio de que o Banco Central chinês fez uma injeção no sistema financeiro de US$ 19 bilhões, a maior em um único dia em 19 meses. ( F S P , 19.08.2015, p. A-20) .

Produção industrial

A produção industrial chinesa está enfraquecendo e isto preocupa o mundo. O chamado PMI ( índice dos gerentes de compras), do grupo Caixin/Markit , caiu de 47,8 para 47,1 pontos de julho para agosto.

Leituras abaixo de 50 pontos indicam contração da atividade industrial. Foi a sexta vez seguida que o indicador ficou abaixo de 50.

O PMI evidenciar que a desaceleração na China é maior do que mostra o PIB oficial e a situação pode levar a uma nova depreciação do yuan.

Com isso, os preços de commodities, moedas e Bolsas globais caíram em todo o mundo no dia 21 de agosto. ( F S P , 22.08.2015, p. A-21) .

Pânico nos mercados

Diante de dados econômicos que mostram crescimento menor da China e queda recentes no valor das ações, o mercado local esperava que o governo chinês lançasse medidas de estímulo , mas isso não aconteceu e no dia 24 segunda-feira houve uma onda de ordens de venda de ações, levando a Bolsa de Xangai a uma baixa de 8,49% em seu principal índice. Só não foi maior porque os papéis que caem 10% tem sua negociação suspensa.

O pânico se alastrou e por efeito dominó as bolsas caíram no mundo inteiro: CSI300 ( Xangai e Shenzen ), -8,75 ; Milão, -5,96; Paris , -5,35; Hong Kong, -5,17; Frankfurt, -4,70; Londres, -4,67; Tóquio , -4,61; S&P 500 , -3,94; Nasdaq , - 3,82; Dow Jones, -3,57 e Ibovespa , -3,03.

Somente neste dia, as bolsas do mundo perderam US$ 3 trilhões em valor de mercado. Desde o meio de junho , a perda acumulada da bolsa de Xangai é de 42%, antes havia valorizado 150% em 12 meses.

Nos mercados atuais, as negociações muitas vezes são desencadeadas por algoritmos e ordens eletrônicas previamente determinadas . Esses mecanismos são usados para evitar perdas maiores , mas , por vezes, podem potencializar as oscilações.

Está havendo muita especulação. O gestor de fundos Jim Chanos resumiu : “ Ninguém tem a menor ideia do que está acontecendo”.

Alguns acabaram afirmando que o mundo estaria à beira de um colapso financeiro ou que a crise atual seja similar ao “crash” de Wall Street em 1929.

Patrick Artus, da consultoria Natixis, afirma que o crescimento chinês estaria perto de 2%, muito longe dos 7% oficialmente previstos. As exportações caíram 8,3% em julho , em termos anualizados e a demanda interna ainda não respondeu.

Muitos analistas estão desconfiados devido á falta de transparência do governo de Xi Jinping. A reação descontrolada dos mercados mundiais ao tropeço da bolsa chinesa foi causada pela possibilidade de o governo da China estar escondendo alguma doença mais séria em sua economia.

Martin Wolf , analista do Financial Times afirma: “ Não faz sentido do ponto de vista econômico, uma nação investir 44% do PIB e crescer apenas 5%”. ( Revista Veja, 2.9.2015, p. 12) .

A China com um PIB de US$ 11 trilhões, é a segunda maior economia do planeta e um espirro na China , pode causar uma pneumonia no mundo. Cerca de 15% de tudo o que se produz no mundo é feito na China.

Mas, a China tem reservas internacionais em moeda forte de mais de US$ 3 trilhões , uma montanha de dinheiro suficiente para enfrentar qualquer ataque especulativo.

Zheng Xinli, um dos arquitetos do programa de reformas da China afirma que estão exagerando. Ele admitiu que , nos últimos anos “ vimos uma desaceleração do crescimento econômico da China. Na primeira metade deste ano, o crescimento anual foi de 7% , mas esses quatro anos consecutivos de pressão para baixo levaram a um sentimento generalizado de desaceleração”. ( F S P , 27.08.2015, p. A-12) .

Mas, a China mudou. Os investimentos em grandes obras arrefeceram e continuarão em queda. A migração do campo para as metrópoles já é menor e portanto a construção civil também deixa de ser uma das motrizes da locomotiva chinesa.

Cada vez mais a atividade econômica será puxada pelo consumo interno, em uma consequência natural do enriquecimento de um país que verá a sua classe média ganhar 500 milhões de pessoas entre 2013 e 2022.

Por isso, no comércio exterior deste gigante, cresce em menor intensidade o volume importado de matérias-primas como o minério de ferro brasileiro e australiano. Aumentam internamente os gastos em serviços médicos, educação , bens industrializados, viagens e lazer.

Mas há problemas pelo fato do país ser comandado pelo Partido Comunista na capacidade de continuarem a serem feitas reforças para aumentar a eficiência da economia e reduzir o peso da estatais .

O Brasil foi um dos poucos países que se beneficiou da emergência capitalista da China. As transações entre os dois países saltaram de US$ 2 bilhões em 2000 para US$ 80 bilhões em 2015.

Mas, devido às mudanças estruturais na economia chinesa, para o Brasil a festa acabou. Não dá mais para contar com o saldo abundante da China para voltar a crescer, embora o Brasil vá continuar a ser grande exportador de alimentos e minério de ferro para os chineses. ( Revista Veja, 2.9.2015, p. 60-67) .

Com essa crise , ficará mais difícil para os Estados Unidos anteciparem a elevação de sua taxa de juros, já que isso faria com que mais investidores vendessem ações para aplicar em títulos americanos , derrubando mercados em todo o mundo. ( F S P , 25.08.2015, p. A-13) .

Com o pânico nos mercados, o preço das commodities caiu mais ainda. O petróleo negociado em Nova York caiu 5,5%, para US% 38,24. O Brent, negociado em Londres, que serve como referência para a Petrobrás, fechou o pregão cotado a US$ 42,69 por barril , queda de 6,1%.

A queda no preço das commodities veio para ficar. Ela foi de quase 50%. A Rússia amarga a mais severa recessão em duas décadas , em razão da queda do preço do petróleo , agora, na faixa de US$ 40 o barril. Na Turquia, o alto endividamento do setor privado em dólar, pode gerar uma crise no balanço de pagamentos. ( Revista Exame, 2.09.2015, p.102-105) .

Se o Fed ceder à pressão dos mercados e adiar a alta dos juros nos EUA , a onda de vendas deverá se reduzir. O que vai acontecer vai depender das ações do governo chinês e de maiores informações sobre a realidade efetiva da economia do país. ( F S P , 25.08.2015, p. A-16) .

O governo da China reagiu e anunciou em 25 de agosto a redução da taxa de juros em 0,25 ponto percentual, passando para 4,6% ao ano já a partir do dia 26. É o quinto corte desde novembro de 2014.

A taxa de depósito caiu para 1,75% anuais. A taxa de depósito compulsório de grandes instituições financeiras foi reduzida em 0,5 ponto percentual, para 18,0%.

Com o anúncio os mercados internacionais reagiram positivamente e as bolsas voltaram a registrar alta. ( F S P , 26.08.2015, p. A-19) .

As bolsas americanas reagiram e tiveram em 26 de agosto o maior ganho em quatro anos com a expectativa de que o Fed atrase a alta de juros prevista inicialmente para setembro, após a derrocada do mercado acionário chinês.

A Bolsa de Nova York teve alta de 3,95% no índice Dow Jones e o Standard & Poor’s 500 subiu 3,9%. A Nasdaq subiu 4,24%. Até no Brasil o Ibovespa teve alta de 3,35%%, mas para isso contribuiu a decisão da comissão mista no Congresso de manter o aumento da CSLL de 15% para 20% e não 23% como havia proposto a senadora Gleisi Hoffman. Com isso as ações dos bancos que haviam despencado, se recuperaram: Itaú: 6,04%, Bradesco, 4,92% e Banco do Brasil 4,92%.

Mas com este governo no Brasil , a única certeza é que a volatilidade vai continuar , pois além do impacto da desaceleração na China , há um cenário totalmente incerto no governo federal. ( F S P , 27.08.2015, p. A-19) .

Segundo o economista americano Barry Eichengreen, da Universidade da Califórnia em Berkeley, “ Não é apenas a China. Os mercados emergentes vão mal. O crescimento na Europa ainda é fraco e o problema grego não desapareceu. A desvalorização da China foi apenas um alerta de que nem tudo vai bem no mundo”.

Dilma Rousseff sempre colocou a culpa em uma crise que não existia, mas agora ela está chegando. ( Revista Exame, 2.09.2015, p.105) .

CORÉIA DO NORTE

A Coréia do Norte atacou com um foguete um dos alto-falantes que emitem mensagens de propaganda contra o regime , em uma base militar sul coreana.

Desativados por 11 anos, esses equipamentos voltaram a funcionar recentemente, após troca de acusações sobre a instalação indevida de minas terrestres em uma região desmilitarizada da fronteira.

A Coréia do Sul revidou , disparando dezenas de projéteis em direção à fronteira com a Coréia do Norte, no dia 20 e não houve revide. ( F S P , 21.08.2015, p. A-24) .

Mas a Coréia do Norte duplicou o número de peças de artilharia na fronteira e deslocou quase 5º submarinos fora de suas bases e ameaçou a Coréia do Sul com uma “guerra total” , se não interrompesse as operações de propaganda com alto-falantes na fronteira.

Os dois países realizaram no domingo dia 23 uma segunda rodada de negociações de alto nível para tentar desativar a grave crise militar. As negociações são feitas em Panmunjom, onde foi assinado o cessar-fogo da guerra de 1950-53. ( F S P , 24.08.2015, p. A-11) .

Felizmente, após 33 horas de negociações, as Coreias do Sul e do Norte chegaram a um acordo às 0h55 da terça-feira dia 25 para por fim ao impasse.

Com a declaração de que o governo norte-coreano se arrepende pela explosão de uma mina que feriu dois soldados de Seul na fronteira, o Sul concordou em interromper as transmissões via alto-falante contra o regime de Pyongyang.

O mais importante é que os dois países retomaram o diálogo e conseguiram chegar a um acordo satisfatório para os dois lados, o que pode estimular que novas negociações ocorram . ( F S P , 25.08.2015, p. A-11) .

CUBA

Fidel Castro completou 89 anos no dia 13 de agosto, em festa com a presença dos comunistas Evo Morales, presidente da Bolívia e Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.

Clóvis Rossi destaca que Fidel, tendo se afastado do poder em 1997 , com 71 anos, já com aparência de doente, agora está ainda mais decaído e pode ser que a propaganda cubana queira dizer “ que Fidel é ‘inmorrible’, como se dizia , 40 anos atrás, de Francisco Franco Bahamonde, o ‘caudilho de Espanha pela graça de Deus’ , quando ele agonizava no seu Palácio do Pardo. Foi tão longa a sua agonia que os espanhóis diziam: ‘ Franco não é imortal, mas é imorrível’” . ( F S P , 15.08.2015, p. A-14) .

No dia 14 de agosto a embaixada americana em Havana será aberta e Castro publicou um artigo no diário estatal Granma, cobrando indenização de “milhões de dólares”, como compensação pelo embargo econômico dos EUA a seu país e que continua em vigor, apesar do reatamento das relações (F S P, 14.08.2015, p. A-12).

É o que afirma Arturo Valenzuela, ex-secretário assistente de Estado dos EUA, “ Isso (reaproximação) não quer dizer que haverá uma grande mudança no curto prazo, pois o embargo a Cuba ainda existe e não pode ser derrubado sem que o Congresso modifique a Lei Helms Burton ( que o instituiu). ( F S P , 16.08.2015, p. A-17) .

Tendo sido hasteada a bandeira dos EUA na embaixada em Cuba, o secretário de Estado americano, John Kerry, presente à cerimônia defendeu a democratização de Cuba e a realização de eleições livres no país.

“Continuamos convencidos de que a população de Cuba estaria mais bem servida por uma democracia genuína , em que as pessoas são livres para escolher seus líderes, expressar ideias e praticar sua fé”.

“São os cubanos que tem de definir o futuro de Cuba”. ( Revista Veja, 26.08.2015, p. 46) .

Os republicanos criticaram a reaproximação entre os dois países. Jeb Bush, governador da Flórida e pré-candidato presidencial pelo Partido Republicano afirmou “ Os EUA mudaram, mas Cuba não. Continua sendo uma ditadura inflexível , um exemplo trágico da insensatez do comunismo e uma afronta à consciência das nações livres do hemisfério ocidental”.

Se for eleito presidente nas eleições de 2016, Bush promete "reverter a estratégia de acomodação e apaziguamento”, com o regime cubano.

Outro postulante à candidatura republicana, o senador de origem cubana Marc Rubio foi na mesma linha ”Obama recompensou o regime Castro por suas táticas repressivas e sua paciente e persistente oposição aos interesses americanos”. ( F S P , 15.08.2015, p. A-12) .

EGITO

Foi concluída a expansão do Canal de Suez, que permitirá dobrar até 2023, o fluxo diário de embarcações, passando de 49 por 97 navios por dia. A obra envolveu a construção de uma nova “faixa” de 35 km , paralela ao canal já existente , e a dragagem de um trecho de 37 km, do canal antigo , para torna-lo mais profundo e largo ,permitindo a travessia de navios maiores e reduzindo o tempo de travessia de 18 para 11 horas.

Foram retirados 260 milhões de metros cúbicos de aria e com isso , agora , 115,5 km dos 193 km do trajeto, permitirão a passagem simultânea de embarcações nos dois sentidos.

A ampliação, prevista para três anos, foi concluída em apenas um ano. O custo de US$ 8,5 bilhões foi financiado com a venda de certificados de investimento em apenas oito dias em 2014.

A arrecadação no canal deve passar de US$ 5,3 bilhões, para US$ 13,2 bilhões até 2023.

O governo egípcio afirma que está dando seu “presente para o mundo” e que o canal permitirá o “renascimento do Egito”. Mas analistas acham que as projeções para o aumento da demanda pelo canal podem ser otimistas demais , pois estão ligadas ao aumento do comércio internacional na próxima década e ao preço do petróleo que representa quase um terço do que passa pelo canal. ( F S P , 6.8.2014, p. A-12) .

A leste do Canal fica a península do Sinai, que nos últimos meses registrou atividade cada vez maior de terroristas ligados ao EI. Na região atua a célula Península do Sinai que surgiu em 2011, como Ansar Beit al-Maqdis, em 2011, ano da queda de Hosni Mubarak e ganhou força em 2013, depois da deposição de Mohammed Mursi. Jurou lealdade ao Estado Islâmico em novembro de 2014.

Há portanto risco de ataque terrorista a navios no canal, mas o governo egípcio tem feito grande investimento em segurança. Mas os navios só evitariam o canal em caso de ameaça extrema, pois a alternativa é cruzar o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul do continente africano, aumentando em muito os custos do transporte.

O presidente egípcio , Abdel Fattah al-Sisi no discurso de reinauguração do canal , no dia 6 de agosto, ao lado de François Hollande, único chefe de Estado presente, fez questão de dizer: “ Nós estamos lutando contra eles [ militantes] e vamos vencê-los”. ( F S P , 7.8.2015, p. A-12) .

O canal é rota preferencial para o petróleo que sai dos países do golfo Pérsico, rumo à Europa e pode ser beneficiado com a queda das sanções ao Irã, podendo ver o fluxo de petróleo e derivados, hoje de 3,2 milhões de barris por dia, aumentar em 20%.

A volta das exportações iranianas pode representar a entrada de mais 1 milhão de barris por dia a um mercado que consumia em 2014 uma média de 93 milhões de barris/dia. Só para a Europa, o Irã costumava exportar antes das sanções , cerca de 600 mil barris diários. Cerca de 6% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo, passa pelo Canal de Suez. ( F S P , 17.08.2015, Mercado, p. 4) .

Croata decapitado

O Estado Islâmico anunciou no dia 12 de agosto ter decapitado Tomislav Salopeck, 31 , um croata sequestrado em 22 de julho por homens armados em uma estrada a sudoeste do Cairo. É o primeiro estrangeiro sequestrado e assassinado pelos extremistas no Egito.

O braço egípcio do EI, os radicais do grupo Província do Sinai, haviam ameaçado no dia 7 de agosto, matar o refém em 48 horas se o governo do Egito não libertasse as “mulheres muçulmanas” detidas no país.

Esse grupo intensificou atentados contra soldados e policiais egípcios nos últimos dois anos como vingança em nome das vítimas da repressão do governo aos partidários do presidente islamita Mohamed Mursi, destituído pelo Exército em 2013. ( F S P , 13.08.2015, p. A-18) .

Governo autoritário

O governo de Abdel Fattah al-Sisi é considerado por ativistas de direitos humanos como o mais repressor da história recente do Egito, superando o regime de Hosni Mubarak ( 1981-2011)

Segundo dados oficiais divulgados no segundo semestre de 2014, foram feitas 22 mil prisões dede o golpe liderado por Sisi, que derrubou Mohamed Mursi , em julho de 2013. Mas ativistas calculam em mais de 41 mil detidos ou respondendo a acusações políticas.

O país está vivendo uma “República do Medo” e a perseguição se centra especialmente sobre supostos membros da Irmandade Muçulmana, de Mursi, declarada organização terrorista por Sisi em dezembro de 2013, mas também tem como alvo liberais, jornalistas e críticos ao governo.

Entre 2013 e 2014, foram mortos 1.250 partidários da Irmandade e 550 civis segundo levantamento do Conselho Nacional para os Direitos Humanos.

O governo , para controlar a situação, criou leis que restringem a liberdade de expressão e de associação.

Com a lei sobre protestos, as manifestações tem que se avisadas ao Ministério do Interior com três dias de antecedência e as reuniões com mais de dez pessoas já são consideradas “encontro público”.

A lei de crimes virtuais permite que internautas sejam detidos e recebam longas penas por crimes vagos de “ameaçar a unidade nacional”, ou “perturbar a ordem pública”.

Uma nova lei antiterrorismo foi aprovada no dia 16 de agosto , aumentando os poderes de vigilância do governo . O governo pode banir organizações que “ameacem a unidade nacional “, ou “perturbem a ordem pública”,

A nova lei prevê pena de morte ou prisão perpétua para crimes como liderar ou financiar uma organização terrorista e “espionar” para um terceiro país . Também pode ser punido com prisão perpétua quem “incitar a violência com o propósito de derrubar o regime”, atacar instalações militares ou hackear um site do governo.

O texto ainda aumenta a imunidade das forças de segurança em casos de repressão.

Um dos pontos mais contestados é o que prevê prisão de no mínimo dois anos para quem publicar informações sobre operações de contraterrorismo que contradigam informações oficiais.

As penas incluem multas entre R$ 90 mil e 220 mil , e o jornalista pode ser proibido de exercer a profissão por um ano.

O artigo contra a imprensa foi redigido após uma série de ataques do grupo Província do Sinai, ligado ao Estado Islâmico, a postos policiais e militares na região do Sinai , no início de julho.

Vários jornais e sites egípcios publicaram que as baixas entre policiais e militares chegaram a 64, com base em relatos de testemunhas, mas no dia seguinte o Ministério da Defesa divulgou que apenas 17 haviam morrido e os jornais foram obrigados a divulgar apenas o número oficial.

Pelo menos 22 jornalistas estão presos, segundo o Comitê para Proteção de Jornalistas , entre eles dois repórteres da Al Jazeera, acusados de “colaborar com uma organização terrorista”

Pelo texto da nova lei, o presidente pode ainda impor toque de recolher para “preservar a segurança e a ordem pública” e serão criadas cortes especiais para acelerar o julgamento de casos de terrorismo. ( F S P , 18.08.2015, p. A-11) .

Mas, apesar da crescente repressão e autoritarismo, o apoio da população ao governo é maciço. A única pesquisa disponível, feita em junho de 2015, mostra que 90% da população apoia o governo.

A confiança no presidente é fruto do desgaste que o país viveu desde a queda de Mubarak , em 2011 e a segurança melhorou com Sisi, e a população prefere segurança , a direitos humanos. Infelizmente com o radicalismo islamita não há outra alternativa.

A economia também melhorou. Em 2015 o PIB do país deve crescer 4%, o dobro do registrado nos últimos quatro anos.

Os militares controlam boa parte da economia e dos meios de comunicação e por isso posam como salvadores da pátria e o regime usa o discurso nacionalista para obter apoio em um contexto regional onde as medidas excepcionais são consideradas justificáveis, pois com o Estado Islâmico não há outra diplomacia a não ser a das armas. ( F S P , 17.08.2015, p. A-13) .

Eleições

Sem parlamento, desde junho de 2012, o governo do Egito marcou eleições legislativas para 18 e 19 de outubro e 22 e 23 de novembro, respectivamente, primeiro e segundo turnos. ( F S P , 31.08.2015, p. A-14) .

EQUADOR

Em 2012, o presidente do Equador Rafael Correa, chamou os manifestantes da oposição , até então em algumas centenas, de “gatos pingados”. Na época ele desfrutava de uma popularidade de 58% que o levaria ao seu terceiro mandato em 2013.

Mas, no dia 13 de agosto , os “gatos pingados” somaram ao menos 100 mil em Quito e , com eles vieram os gritos de “fora”, assim como está ocorrendo no Brasil.

A lua de mel de Correa com o eleitorado começou a acabar em 2014, quando o governo impulsionou emendas constitucionais controversas. Correa propôs a eleição indefinida para se perpetuar no poder e dar poder de polícia às Forças Armadas e conseguiu unir indígenas e sindicalistas contra ele. ( F S P , 16.08.2015, p. A-16) .

A ministra do Equador , Ledy Zúñiga , mostra porque a população justificadamente protesta: “ O principal alvo dos protestos é a emenda da reeleição do presidente sem limite [ o limite hoje é de uma reeleição, dois mandatos] . O que a emenda propõe é que o presidente possa voltar a se candidatar , mas são os cidadãos que vão decidir se votam nele”. ( F S P , 22.08.2015, p. A-16) . Reeleição indefinida de presidente não é democracia, é ditadura.

A greve-geral em protesto a recentes medidas aprovadas pelo presidente Rafael Correa , terminou no dia 13 de agosto em confronto entre polícia e manifestantes em Quito , que tentavam chegar á sede do governo.

A paralisação foi organizada por grupos sindicais de oposição , entidades indígenas e outros movimentos sociais que , após um dia de bloqueios nas principais ruas e avenidas da capital, se reuniram no centro da cidade para marchar rumo à praça Grande.

Depararam com barreira policial quando houve confronto com a polícia. Manifestações ocorreram em outras cidades do pais como Guayaquil.

Mas, ao analisar os motivos dos protestos, qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência

Rafael Corrêa comanda um governo simpático aos bolivarianos Venezuela e Bolívia e portanto o que faz serve de comparação com relação ao governo do PT no Brasil. Lá como aqui, o povo está farto do governo.

Os contrários ao presidente chamam os governistas de “sanduicheiros”, em referência ao lanche entregue a ativistas supostamente pagos pelo governo, similar ao “pão com mortadela”, entregue em manifestações governistas no Brasil.

Os sindicalistas protestam pela redução de impostos e o fim dos tributos sobre lucro, heranças e grandes fortunas . A principal justificativa é que a tributação contra os mais ricos levará à diminuição dos investimentos e, com isso, ao aumento do desemprego.

E o que é que políticos de esquerda e do PT estão defendendo no Brasil ao invés do ajuste fiscal e das reduções de gastos do Estado perdulário. Justamente isso, aumentar os impostos e criar o imposto sobre Grandes Fortunas ou aumentar o Imposto sobre Heranças, para causar , diminuição dos investimentos e aumento do desemprego.

Os indígenas critica as leis de recursos hídricos e de mineração. Para os grupos , as leis dificultam seu acesso aos rios e flexibilizam a exploração de minerais. A eles aderiram outros grupos da sociedade civil , como a Federação dos Médicos e a Ordem dos Advogados. Os indígenas no Equador, ao que tudo indica, estão mais avançados do que os indígenas brasileiros, porque aqui no Brasil o que índios estão fazendo é sabotar a construção de usinas hidrelétricas , como Belo Monte. ( F S P , 14.08.2015, p. A-10).

O governo do Equador deteve a jornalista brasileira Manuela Picq, 38 , nas manifestações da noite do dia 13 em Quito e cassou seu visto de permanência no país. ( F S P , 15.08.2015, p. A-16) .

A Justiça do Equador decidiu no dia 17 de agosto declarar nulo o processo de deportação de Manuela e determinar sua imediata libertação e ainda solicitou à Promotoria que investigue “incongruências” nas práticas de policiais e funcionários da chancelaria equatoriana que mantiveram a brasileira detida. ( F S P , 18.08.2015, p. A-11) .

Mas , o governo do país não aceitou a decisão judicial e recorreu e o Ministério do Interior não entregou para Manuela um novo visto de permanência no país. Ela ainda pode ser deportada a qualquer momento. ( F S P , 21.08.2015, p. A-22) .

Manuela decidiu voltar para o Brasil. A ministra da Justiça do Equador , Ledy Zúñiga , disse que ela violou a lei: “ Manuela tinha um visto de intercâmbio cultural e sabia que realizava uma atividade que não lhe era permitida. Ela sabe que uma das normas deste país é que estrangeiros não devem ter nenhum tipo de atividade política e tampouco colocar em risco nossa relação com outro país”. ( F S P , 22.08.2015, p. A-16) .

Manuela chegou ao Brasil em 22 de agosto e criticou o Equador: “ É um Estado extrativista que tem vendido recursos naturais à China e oprimido os levantes indígenas. Há uma crise da esquerda em toda a América Latina . Mas aqui, mesmo com a Lava Jato, vê-se um Estado de Direito atuante. No Equador, ministros que fizeram coisas piores permanecem no cargo , com amplo domínio sobre o Judiciário”. ( F S P , 23.08.2015, p. A-19) .

EUA

Plano contra o Efeito Estufa

Barak Obama lançou em 3 de agosto um plano para reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa e enfrentar as mudanças climáticas , o Plano de Energia Limpa.

Até 2030, as usinas deverão reduzir em 32% a emissão de carbono em relação aos níveis de 2005.

O governo pretende incentivas o uso de fontes de energia renovável como a solar e a eólica, em substituição à produzida pela queima de combustíveis fósseis, mais poluente.

Cada Estado americano terá metas específicas devendo entregar à Casa Branca até 2018 um plano de implementação . ( F S P , 4.8.2015, p. A-9) .

Economia em crescimento

A economia americana cresceu 3,7% anualizados no segundo trimestre , segundo informou o Departamento do Comércio .

Consumidores , empresas e o governo estão gastando e consumindo mais do que se estimava inicialmente.

Os números são melhores do que os previstos e isso cria , face à forte turbulência nos mercados, um dilema para o Fed, sobre aumentar ou não as taxas de juros em sua reunião de setembro, pela primeira vez desde 2006.

Os desdobramentos internacionais podem ter reflexo no crescimento dos EUA e esta seria a única justificativa para não subir os juros já em setembro. ( F S P , 28.08.2015, p. A-29) .

A divulgação do crescimento de 3,7% nos EUA teve reflexo imediato nos mercados, no dia 27 de agosto.

O barril de petróleo do tipo WTI subiu 10,26%, a maior alta diária desde março de 2009, e terminou a US$ 42,56. O do tipo Brent , teve alta de 10,25%, a US$ 47,56, a maior desde dezembro de 2008.

A Bolsa de Nova York teve alta de 2,27%no índice Dow Jones. A Bolsa de Londres subiu 3,56% , e a de Xangai , 5,3%. ( F S P , 28.08.2015, p. A-29) .

EURO

As principais economias europeias decepcionaram no segundo trimestre e o crescimento do bloco no período, ficou abaixo do esperado por analistas.

O PIB dos 19 países que compartilham o euro cresceu 0,3% na comparação com os primeiros três meses de 2015 . Em relação ao segundo trimestre de 2013, o avanço foi de 1,2%.

As três maiores economias da zona do euro, a Alemanha ( 0,4%) , França ( 0,0%) e Itália ( 0,2%) , tiveram desempenho abaixo do esperado , e também a da Holanda ( 0,1%).

França e Itália não fizeram grandes reformas desde a crise de 2008 e seu ritmo lento está segurando o bloco.

O lado positivo foi a Espanha que teve avanço de 1% no PIB, o terceiro trimestre consecutivo de crescimento superior a 0,5%. A Espanha realizou reformas estruturais - tributária e do mercado de trabalho – e agora está colhendo os frutos.

Até o PIB grego teve alta , de 0,8%, após estagnação no primeiro trimestre de 2015, mas os analistas temem que o resultado da Grécia tenha sido impulsionado pela queda nas importações e não pela robusteza da economia local. ( F S P , 15.08.2015, p. A-30) .

FRANÇA

Os presidentes da França, François Hollande , e da Rússia, Vladimir Putin chegaram no dia 5 de agosto a um acordo sobre o cancelamento da entrega a Moscou de dois navios militares da classe Mistral.

A França devolveu os 785 milhões de euros que a Rússia já havia adiantado ao país, parte do total de 1,2 bilhão de euros.

O contrato , assinado em 2011, foi cancelado devido às sanções internacionais impostas à Rússia por causa de sua suposta participação no conflito no leste da Ucrânia.

O primeiro dos navios , o Vladivostok, deveria ter sido entregue em novembro de 2014 e teve equipamentos russos instalados a bordo e que serão devolvidos. ( F S P , 6.8.2014, p. A-13) .

Lobo solitário

Mais um lobo solitário atacou e desta vez foi dominado pela atitude heroica de estrangeiros em trajes civis.

O louco é Ayoub El Qahzzani, 26 , um marroquino que viveu na Espanha até 2014, antes de se mudar para a França. Ele é fichado nos serviços secretos por seus vínculos com o islamismo radical.

Ele estava em um trem de alta velocidade entre Paris e Amsterdã. Dois soldados americanos em trajes civis , teriam ouvido ele carregar uma das armas que levava, um fuzil Kalashnikov dentro do banheiro.

Ao sair , ele foi agarrado pelos dois soldados e disparou vários tiros, ferindo duas pessoas. Uma terceira pessoa se feriu ao quebrar uma janela para acionar o alarme do trem. ( F S P , 22.08.2015, p. A-18) .

GRÉCIA

A Grécia saiu da recessão com uma alta surpreendente do PIB , de 0,8% no segundo trimestre. ( Revista Veja, 19.08.2015, p. 35).

A bolsa grega depois de cinco semanas sem operar retomou os trabalhos no dia 3 de agosto com queda de 16,2% , a maior em 30 anos.

A indústria , que já não vinha bem das pernas, encolheu fortemente em julho , sofrendo os efeitos da falta de dinheiro com o fechamento dos bancos no período. ( F S P , 4.8.2015, Mercado p. 4) .

Os ministros das Finanças da zona do euro, aprovaram o resgate de 86 bilhões de euros para a Grécia, apesar de a ajuda do FMI para o plano ainda ser incerta , o que deve dificultar o aval da Alemanha para o pacote.

A participação do FMI no plano era uma exigência da Alemanha e de outros países, que acreditam que o Fundo será mais exigente do que a Comissão Europeia na cobrança das medidas exigidas de Atenas para liberar o dinheiro.

Mas, o FMI disse que sem alguma forma de perdão da dívida grega ( 177% do PIB ) , o programa seja insustentável.

As incertezas sobre a participação do FMI podem tornar mais difícil a aprovação dos Parlamentos de países como Holanda e Alemanha.

Se os parlamentos aprovarem, a primeira parcela de 26 bilhões de euros poderá ser liberada em 19 de agosto e desse total 10 bilhões serão reservados para recapitalizar os bancos gregos , devastados pela crise econômica e pela imposição de controles de capital em junho. Outros 13 bilhões chegarão no dia 20 de agosto, mas para que a Grécia possa cumprir as obrigações de pagamento de sua dívida. ( F S P , 15.08.2015, p. A-31) .

Ministros da zona do euro aprovaram no dia 19 de agosto, o desbloqueio da primeira parte da ajuda à Grécia , com a qual o país poderá pagar no dia 20, os 3,4 bilhões ao Banco Central Europeu. ( F S P , 20.08.2015, p. A-18) .

Renúncia de Tsipras

O premiê grego, Alexis Tsipras renunciou ao cargo, apena sete meses do pleito que o levou ao poder em janeiro e pediu ao presidente , Prokopis Pavlopoulos , a convocação de nova eleição, provavelmente em 20 de setembro.

A renúncia é consequência do racha no Syriza , pois um terço dos 149 deputados do partido foram contra o pacote de reformas negociado com os credores. Foram 32 votos “não”, 11 abstenções , 1 ausência e 3 votos a favor, mas com restrições.

Como é praxe no parlamento, ao perder confiança de seu próprio partido, o premiê tem que renunciar. Mas Syriza aposta em voltar com mais poder se houver aprovação da população às reformas. ( F S P , 21.08.2015, p. A-25) .

No Parlamentarismo o chefe de governo caiu naturalmente, sem traumas , quando o partido no poder vê esvair-se a sua maioria parlamentar ou quando o primeiro-ministro perde a confiança do próprio partido.

Na Grécia novas eleições podem ser convocadas nos primeiros dezoito meses de um mandato. O eleitorado não é obrigado a aguentar um mau presidente até o final do mandato como no presidencialismo.

Tsipras chegou ao poder há sete meses com uma plataforma que rejeitava os ajustes fiscais exigidos pelos credores internacionais para das mais empréstimos ao país.

Reconheceu seu erro, negociou com os credores e agora está confiante de que a maioria do povo aprova a sua mudança de posição. Ele está com seu governo aprovado por 61% dos gregos.

Se ele voltar com mais força, terá mais legitimidade para conduzir a política econômica e colocar a Grécia nos trilhos.

No parlamentarismo, a renúncia não é um componente da crise. A renúncia é uma solução. ( Revista Veja, 26.08.2015, p. 71) .

GUATEMALA

Na Guatemala, a uma semana das eleições presidenciais, a mulher que ocupava o cargo de vice-presidente até maio, Roxana Baldetti, foi presa . Quatorze ministros renunciaram e o Congresso discute a retirada da imunidade do presidente conservador Otto Pérez Molina , 64, para que responda a um processo de impeachment - medida já aprovada pela Corte Suprema.

Nas ruas, milhares de pessoas se manifestam com gritos de guerra: “Guatemala não tem mais governo” e “Renuncie já”. Os principais empresários entregaram uma carta ao presidente, cujo mandato vai até janeiro, para que renuncie.

O estopim da crise foi a denúncia realizada pela Promotoria de um escândalo de corrupção envolvendo desvio de verbas alfandegárias.

Segundo as investigações, o esquema foi responsável pelo desvio de 50% dos impostos que o Estado deveria receber por importações.

O presidente é acusado de ser o um dos chefes da rede de contrabando descoberta na alfândega.

A ex-vice é acusada de receber US$ 3,7 milhões e outros membros da cúpula do governo enfrentam processos.

Pérez Molina diz que não renunciará e considera “inaceitável que se pretenda instalar uma estratégia intervencionista que tem como objetivo ditar o que devemos fazer e acabar com nossa democracia”.

A Guatemala é a maior economia da América Central , com perspectiva de crescimento de 4,2% do PIB em 2015. Exporta principalmente “commodities” aos EUA e países asiáticos. Apenas 55% da população está vivendo em cidades.

A crise fez embolar a eleição presidencial marcada para 6 de setembro. O candidato apoiado por Pérez Molina, Manuel Baldizón, é até aqui o favorito com 30% das intenções de voto. Mas, a Corte Suprema pediu o fim da imunidade do vice de Baldizón , para que respondesse também á acusação de desvio de verbas. Sem vice, a candidatura de Baldizón pode ser impugnada. ( F S P , 29.08.2015, p. A-19) .

Manuel Baldizón , derrotado pelo atual presidente na eleição anterior, está igualmente indiciado , por acusações como a de compra de votos.

Clóvis Rossi destaca que implantou-se a mafiocracia na Guatemala.

Segundo Christian Castillo, do Instituto de Problemas Nacionais da Universidade de San Carlos: “ Uma boa parte dos hoje candidatos é um conjunto de indivíduos que descobriram nos recursos do Estado - financeiros, físicos , geográficos , de autoridade , entre outros, a forma de produzir e reproduzir capitais que lhes permitem um luxuoso estilo de vida , sem muitos sacrifícios , salvo o de carregar o desprestígio, o risco jurídico e a carga social de viver muito bem em um país no qual mais de 50% da população é pobre”.

Haroldo Shetumul, no jornal “Prensa Libre”, afirma “ Embora sempre tenha existido repúdio às práticas corruptas na classe política , nunca na história do país se havia visto um processo eleitoral totalmente deslegitimado e atípico”.

O sociólogo Gustavo Berganza, reforça: “Ganhe quem ganhe a eleição , o governo será ilegítimo”. ( F S P, 30.08.2015, p. A-18) .

Pelo visto, há muitas semelhanças entre a Guatemala e o Brasil.

HONDURAS

O presidente Juan Orlando Hernández, em primeiro mandato aprovou a reeleição, mas tem 43% de reprovação em maio de 2015.

Assim como no Brasil, o detonador dos protestos foi a corrupção . O presidente é acusado de ser cúmplice no desvio de US$ 335 milhões da saúde e de vender ilegalmente terrenos públicos para empresas. Nenhum dos casos foi investigado.

O grupo dos Indignados também é contra a reeleição do presidente. “Nenhum dos nossos presidentes merece novo mandato”, afirma Miguel Viceño , um dos principais líderes. ( F S P , 16.08.2015, p. A-16) .

IÊMEN

Para a ministra da Informação do Iêmen, Nádia al-Sakkaf, “Depois de tanto sangue e raiva, não sei se poderemos continuar como um país só”. ( F S P , 1.8.2015, p. A-9) .

Militantes da Al Qaeda tomaram no domingo dia 23 de agosto um distrito a oeste de Áden, principal cidade portuária do Iêmen, sinal de que o grupo terrorista vem ganhando terreno.

No mesmo dia, forças dos Emirados Árabes Unidos anunciaram ter soltado um britânico em poder da Al Qaeda desde fevereiro de 2014. Ele escapou com vida. ( F S P , 24.08.2015, p. A-9) .

IMIGRAÇÃO

Maior crise imigratória desde 1945

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, o planeta vive hoje a maior crise imigratória desde a Segunda Guerra Mundial.

De acordo com a Frontex ( agência europeia de controle das fronteiras), 107,5 mil imigrantes chegaram à Europa somente no mês de julho. Entre janeiro e julho foram 340 mil, número que já é maior do que o total de 2014 que foi de 280 mil.

Cerca de 300 mil chegaram á Europa pelo mar Mediterrâneo em 2015, 160 mil pela Grécia e 100 mil pela Itália, a maioria partindo da Líbia em barcos e botes precários. Em 2014 o ano todo foram 219 mil. Ao menos 2.500 pessoas já morreram nessa travessia em 2015 e em 2014, foram 3.500.

A guerra civil na Síria já se estende por quatro anos, ou seja, não acaba. Com isso, estão faltando no país condições básicas como energia elétrica, hospitais , escolas e, principalmente o temor pela vida e o futuro dos filhos e isso faz com que mais e mais pessoas deixem o país a todo momento. Mais de quatro milhões já fugiram do terror instalado entre as tropas do ditador Bashar al-Assad , rebeldes e o Estado Islâmico. ( F S P , 30.08.2015, p. A-16) .

Imigração é positiva ou negativa?

Uma questão polêmica é se o que está acontecendo na Europa deve ser visto como positivo ou negativo.

As taxas de fertilidade na Europa estão bem abaixo da taxa de reposição demográfica que é de dois filhos por mulher: Alemanha ( 1,4), Itália ( 1,43) , Espanha (1,32) e Portugal ( 1,27).

Stefan Lofven, primeiro ministro sueco disse que o alto contingente de solicitantes de asilo representa “um grande desafio”, mas “também um ativo”. “Se não os recebermos agora, teremos um problema gigantesco no futuro”.

Thomas de Maiziere , ministro alemão do Interior afirma que seu país precisa de , no mínimo, 533 mil imigrantes por ano: “ A Alemanha não está sobrecarregada”.

Na União Europeia , a população entre 25 e 54 anos , núcleo da força de trabalho, retrocederá dos atuais 42% do total , para menos de 35% em 2060. No mesmo intervalo , a população com 65 anos ou mais saltará de 18,5% para 28,5%.

O problema é o que está ocorrendo é uma entrada descontrolada e desproporcional de imigrantes. Outro problema é que a União Europeia está apresentando em alguns países altíssimos níveis de desemprego, ou seja, não há condições de absorção desta população na força de trabalho. ( F S P , 29.08.2015, p. A-11),

Esta situação econômica dissemina a ideia de que os estrangeiros roubam empregos e no caso da Europa fazem uso dos benefícios concedidos pelos governos , apesar de não contribuírem por meio do pagamento de impostos.

Pesquisa da Organização Internacional para as Migrações (OIM), constatou que 52% dos europeus gostariam que a imigração diminuísse. Na Inglaterra a rejeição chega a 69%.. Existe uma sensação de que a fronteira está foram de controle.

Esse imenso afluxo de imigrantes está acontecendo principalmente pelos problemas criados com o avanço do jihadismo no Oriente Médio, pois os crimes cometidos por terroristas do Estado Islâmico e outros são tão graves que milhares abandonam suas casas e fogem apavorados.

Mas esta onda de refugiados cria um novo problema para a Europa. A maioria professa o islamismo e portanto irá ocorrer um desbalanceamento religioso no continente ao longo do tempo. Outra possibilidade assustadora é que podem estar vindo, infiltrados entre os imigrantes, terroristas do Estado Islâmico o que aumenta exponencialmente o risco de atentados em vários países da Europa , que podem ser realizados por meio de lobos solitários que não hesitam em se explodir em qualquer lugar, templos, mercados, independentemente do fato de que as pessoas que ali estão , são totalmente inocentes de qualquer coisa.

O aparato de segurança na União Europeia terá que ser ampliado a níveis nunca antes imaginados.

A Europa , no entanto, já mandou mais de 1 milhão de refugiados desde 2011, quando teve início a Primavera Árabe. Só em 2014, 252 mil pessoas tiveram que deixar o território europeu. De janeiro a março de 2015, foram 64 mil, sendo 4 mil sírios. ( F S P , 30.08.2015, p. A-17) .

A ideia de fortificar barreiras é tão antiga quanto a movimentação de humanos pela Terra. A Muralha da China foi concluída no século III a.C e parte ainda está de pé. A Muralha de Adriano, entre a Escócia e a Inglaterra , foi terminada no século II a.C. Ambas tinham propósitos militares.

Os muros da atualidade possuem um significado principalmente político.

O Muro de Berlim , símbolo da opressão comunista, foi derrubado em 1989, mas de lá para cá 19.660 km de muros foram construídos e mais 20.200 estão em obras.

Israel ergueu um muro para conter a infiltração de terroristas da Cisjordânia e planeja fazer algo parecido na fronteira com a Jordânia , dessa vez para proteger-se do Estado Islâmico.

A Hungria está terminando uma cerca ao longo de 170 km de fronteira com a Sérvia, para impedir a entrada de refugiados vindos do Oriente Médio,

Quênia, Arábia Saudita e Turquia estão implantando barreiras semelhantes para conter grupos jihadistas vindos, respectivamente , da Somália, do Iraque e da Síria.

Nos EUA, Donald Trump , candidato à Presidência, cresce nas pesquisas ao propor uma muralha ao longo de mais de 3.000 km na fronteira com o México. ( Revista Veja, 2.9.2015, p. 68-70) .

Calais paralela

Os imigrantes africanos criaram uma “Calais paralela”, a cinco quilômetros de Calais na França.

É um subúrbio miserável de barracas montadas em uma mata rasa à beira das rodovias que dão acesso ao Eurotúnel.

Os acampamentos denominados de “jungles”, tem estima-se 5.000 pessoas , sem sua maioria homens , que deixaram países na África e na Ásia para chegar à Europa por terra, via Turquia, ou pelo mar Mediterrâneo.

As primeiras barracas começaram a surgir no fim dos anos 90, mas o modelo se consolidou em 2002 e o espaço foi reformado pelo governo francês que diz ter gasto 3 milhões de euros no local, que além das barracas, tem uma farmácia, loja de bebidas, mesquita e igreja improvisada, tudo debaixo de lona. Voluntários prestam assistência médica em uma enfermaria.

Os imigrantes passam o dia perambulando pelos acampamentos ou pela área do Eurotúnel. Poucos se arriscam a ir para o centro da cidade. ( F S P , 1.8.2015, p. A-10) .

Ali estão iraquianos que estão fugindo do Estado Islâmico, e outros da Síria, Afeganistão , países que passam por conflitos internos.

No Reino Unido , quem entra com pedido de asilo pode aguardar em um imóvel do governo o resultado do processo. Recebe de 52 a 72 libras por semana , dependendo da idade e do estado civil para despesas com comida e roupas. Há um auxílio-maternidade de 300 libras e acesso ao sistema de saúde. Isso explica o interesse em entrar no país de qualquer forma. ( F S P , 2.8.2015, p. A-14) .

Vários possuem parentes trabalhando na Inglaterra , falam inglês ou querem aprender a língua. Como não há previsão de melhora nos países conturbados da África e do Oriente Médio, o fluxo de imigrantes deve aumentar. Os que chegaram á Europa são apenas uma fração dos que já estão no Líbano, na Jordânia e na Turquia.

O Eurotúnel foi fechado no sábado dia 1 de agosto por cinco horas porque 400 pessoas tentaram invadir o terminal francês do túnel no Canal da Mancha, mas foram detidas pelos seguranças. O túnel ficou fechado entre 21h30 e 2h30, o que causou atraso nos trens.

Os imigrantes atravessam as cercas, quebram com pés de cabra os cadeados das portas traseiras do baú dos caminhões para se esconder com a carga . Outros sobem nas carrocerias ou se acomodam na parte de baixo, entre os eixos, com grande risco. ( Revista Veja, 5.8.2015, p. 76-77) .

França e Reino Unido pediram no dia 2 de agosto , ação urgente da União Europeia para ajuda-los a conter o fluxo cada vez mais crescente de imigrantes ilegais. ( F S P , 3.8.2015, p. A-9) .

Reino Unido e França anunciaram no dia 20 de agosto um reforço conjunto na segurança do túnel sob o Canal da Mancha para evitar a entrada de imigrantes ilegais na passagem

Os dois países criaram uma força policial para identificar traficantes de pessoas que as levam para Calais. Será aumentado o numero de agentes de segurança, e serão instaladas cercas mais altas, mais câmeras de segurança , iluminação e tecnologia de detecção por infravermelho, para identificar os imigrantes que se escondem em caminhões antes que estes sejam embarcados nos trens, que é a principal estratégia usada pata cruzar o túnel. ( F S P , 21.08.2015, p. A-18) .

Nos 12 meses até março, 636 mil pessoas imigraram para o Reino Unido , 84 mil a mais do que no período imediatamente anterior. Ao mesmo tempo, 307 mil saíram neste mesmo período , uma queda de 9.000. A diferença na entrada é de 330 mil, um número recorde. Dos 636 mil, 269 mil eram cidadãos da União Europeia. ( F S P , 28.08.2015, p. A-29) .

Naufrágio na costa da Líbia

Um navio naufragou na costa da Líbia em 7 de agosto, matando mais de 200 pessoas que foram obrigadas pelos traficantes armados com facas a ficarem no porão do navio , impedindo-as de escapar.

Cerca de 362 pessoas sobreviveram e cinco suspeitos de serem traficantes foram detidos. Cada imigrante pagou entre US$ 1.200 e US$ 1.800 para ser levado da costa africana à Europa e mais entre US$ 25 e 50 por colete salva-vidas.

Segundo a ONU , mais de 225 mil imigrantes chegaram á Europa em 2015, pelo Mediterrâneo e mais de metade deles desembarcou na Grécia.

Na Grécia, 63% dos que chegam é de sírios e a situação é caótica. O ministro grego Alexis Tsipras, pediu ajuda da União Europeia. “ O fluxo de imigrantes para a Grécia é maior do que nossa infraestrutura pode suportar , por isso pedimos ajuda à Europa. A UE respondeu negativamente à Grécia no front econômico. Espero que agora eles respondam de maneira positiva na parte humanitária”.

O diretor da Acnur , agência da ONU para os Refugiados, Vincent Cohetel , disse “ Temos consciência das limitações do governo grego , mas lhe pedimos que consiga lugar para os refugiados. Há muitos quartéis militares sem utilização ou terras não cultivadas...Qualquer coisa é melhor do que nada”. ( F S P , 8.8.2015, p. A-14) .

No dia 27 de agosto uma embarcação naufragou na costa da Líbia, matando ao menos 117 pessoas. Três suspeitos de organizar a travessia foram detidos no dia 29. ( F S P , 30.08.2015, p. A-17) .

Grécia

Cerca de 2.500 imigrantes foram retidos em um estádio de futebol abandonado na ilha grega de Kos, depois que a tropa de choque da polícia fracassou em seus esforços para conter as ondas de imigrantes recentes recolhidos nos últimos dias de acampamentos improvisados.

A maioria dos imigrantes eram sírios e afegãos e alguns desmaiaram como resultado das insolações, e um dele teve ataque epilético, informou a organização Médicos Sem Fronteiras.

A polícia local alegou que o objetivo era registrar os imigrantes antes que seguissem para Atenas e, de lá, para países da Europa Ocidental. Mas a MSF afirmou que apenas três agentes faziam este serviço, o que tornou a situação insustentável.

Até o fim da noite do dia 12 ainda havia 600 pessoas dentro do estádio.

A Grécia se tornou o principal ponto de entrada de imigrantes que buscam chegar à Europa de barco, superando em 2015 os que chegaram à Itália que era o portão de entrada principal, mas que a violência crescente na Líbia tem tornado a rota perigosa.

Em 2015, já entraram 104 mil pela Itália e 160.172 ( 60%) mil, pela Grécia. O principal porto de entrada é justamente a ilha de Kos, no mar Egeu, distante apenas 4 km da costa de Bodrum, na Turquia - onde imigrantes sírios e afegãos permanecem num limbo de legalidade. Do total de 264,5 mil , 1.953 entraram pela Espanha e 94, por Malta.

Como a situação econômica na Grécia é crítica, a quase totalidade dos estrangeiros que chegam não querem permanecer no país , mas sim seguir para lugares mais desenvolvidos da União Europeia , como Holanda e Alemanha.

O premiê grego, Alexis Tsipras, classificou a situação de “ uma crise dentro da crise”, pela qual o país passa.

O problema é ocorrer um gargalo na ponta oposta do território da Grécia em sua fronteira norte, com a Macedônia.

Soldados macedônios fecharam a fronteira por breve período, em junho, bloqueando a rota de saída de milhares de refugiados que esperam chegar ao norte da Europa , e criando a perspectiva de um fechamento mais permanente da fronteira , no futuro. A Grécia anunciou o deslocamento de um navio com capacidade de até 2.500 pessoas que irá funcionar como um centro de processamento de chegadas e duas unidades da tropa de choque de Atenas também foram enviadas para a região. ( F S P , 13.08.2015, p. A-12) .

O Acnur, Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados divulgou novos números no dia 18 de agosto que mostram que o número de imigrantes recebido pela Grécia apenas em julho de 2015, superou o total recebido ao longo de todo o ano de 2014.

Está em curso uma visível escalada da crise migratória na Grécia, uma país que já sofre com graves problemas econômicos.

De acordo com a Acnur, a Grécia recebeu, em julho, 50.242 imigrantes, a maioria fugindo do conflito na Síria. Durante todo o ano de 2014, chegaram ao país 43,5 mil pessoas.

De janeiro a julho o total sobe para 160.172. Destes 1.716 chegaram pela fronteira por terra com a Turquia e o restante utilizou a via marítima, também a partir da Turquia.

A ilha de Kos, distante a apenas 4 km da costa de Bodrum , na Turquia, é uma das principais portas de entrada de imigrantes e um dos focos da crise humanitária.

Os números estão crescendo. Só na última semana, chegaram 21 mil imigrantes á Grécia. Destes 82% são sírios, 14% afegãos e 3% iraquianos. Fica evidente que os sírios perderam a esperança de resolver o problema da guerra civil em seu país a curto prazo.

O Acnur quer que melhore a infraestrutura de recepção e os serviços e procedimentos de registro , para melhor receber os refugiados, com o apoio de todos os países europeus. ( F S P , 19.08.2015, p. A-13) .

Kos, com agitada vida noturna, resorts e apelo histórico e cultural é o terceiro destino turístico na Grécia , além de epicentro da crise de refugiados da Europa.

Turistas alemães, ingleses, holandeses e turcos que visitam a cidade, caminham lado a lado com sírios, paquistaneses, iranianos e iraquianos , sobretudo porque a zona do porto é também o centro turístico da ilha. Não há nenhum registro de violência. Alguns turistas até oferecem roupas e lanches. ( F S P , 30.08.2015, p. A-17) .

Rota Terrestre

Dezenas de milhares de sírios estão fugindo para a Europa por rota terrestre que passa pela Macedônia e Sérvia até chegar á Hungria, entrada para o espaço Schengen, conjunto de países europeus que permitem a livre circulação de pessoas através de suas fronteiras.

Essa rota terrestre é a segunda mais usada pelos emigrantes da África, Ásia e Oriente Médio, que fugindo da pobreza ou de guerras , e menos letal do que a travessia pelo Mar Mediterrâneo.

A maior parte do percurso de quase 3.000 km é feita a pé ou de bicicleta para evitar encontros com a polícia.

Pelas regras da União Europeia, os refugiados podem pedir asilo no país de entrada. Por isso, muitos só se apresentam às autoridades quando chegam a um destino com melhores perspectivas de trabalho , como Alemanha, ou com regras flexíveis para asilo como a Suécia.

A Hungria é só um país de passagem, mas já começou a construir um muro em toda a sua fronteira com a Sérvia para barrar os imigrantes. Cerca de 80.000 refugiados já entraram por essa rota na União Europeia em 2015. ( Revista Veja, 12.08.2015, p, 33) .

Itália

No dia 12 de agosto, a Itália anunciou o resgate de 52 imigrantes no Mediterrâneo, parte deles içados de helicóptero , após o bote em que viajavam afundar no meio da travessia.

Os sobreviventes que foram transferidos para a ilha de Lampedusa, afirmam que a embarcação continha ao menos cem passageiros , e os demais permanecem desaparecidos. Os sobreviventes foram resgatados após terem sido avistados apoiados em destroços em mar aberto pelo helicóptero da Marinha. Apenas no dia 11, a Marinha italiana coordenou o resgate de 1.700 pessoas no Mediterrâneo. ( F S P , 13.08.2015, p. A-12) .

Macedônia

O governo da Macedônia declarou no dia 20 de agosto estado de emergência na fronteira com a Grécia , e determinou a instalação de arames farpados para conter o número maciço de pessoas que tentam entrar ilegalmente no país.

No dia seguinte, 21 A polícia da Macedônia reprimiu violentamente milhares de imigrantes que tentavam entrar no país a partir da fronteira com a Grécia .

Após passarem a noite em céu aberto perto do vilarejo grego de Idomeni, aproximadamente 3.000 imigrantes , muitos com crianças, tentaram entrar na Macedônia e foram atacados pelas forças de segurança , que atiraram granadas de gás lacrimogêneo e efeito moral.

Pelo menos dez pessoas ficaram feridas segundo o Médicos Sem Fronteiras que criticou a violência policial. ( F S P , 22.08.2015, p. A-21) .

Após o confronto, a Macedônia declarou que permitiria a entrada no país de migrantes de “categorias vulneráveis”, como famílias com crianças pequenas e grávidas.

Algumas centenas de pessoas foram autorizadas a ir até a cidade macedônia de Gevgelija, perto da fronteira , onde a maioria tomou trens para a Sérvia, de onde buscariam chegar à Hungria e depois Alemanha ou Holanda. A Macedônia portanto é apenas uma rota de passagem.

Segundo o governo, cerca de 40 mil imigrantes ou refugiados entraram no pais via Grécia, apenas nos últimos dois meses.

De acordo com a Frontex ( agência europeia de controle das fronteiras), 107,5 mil imigrantes chegaram à Europa somente no mês de julho. Entre janeiro e julho foram 340 mil, número que já é maior do que o total de 2014 que foi de 280 mil.

Destes, 50 mil entraram pelo mar Egeu, a maioria por meio das ilhas gregas de Lesbos, Chios, Samos e Kos, que ficam próximas à Turquia. ( F S P , 22.08.2015, p. A-14) .

A Macedônia não conseguiu conter a onda de imigrantes. Na sexta dia 21 de agosto, policiais usaram bombas de efeito moral e golpes de cassetete na tentativa de impedir que imigrantes vindos da Grécia cruzassem a fronteira.

Mas no sábado dia 22 a Macedônia desistiu de conter o fluxo à força e milhares conseguiram romper a barreira.

No domingo mais milhares atravessaram a fronteira. No sábado e domingo, segundo informações da Cruz Vermelha local, de 6.000 a 8.000 pessoas cruzaram a fronteira.

O governo preparou ônibus e trens para levar os imigrantes ao norte até um acampamento organizado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados ( Acnur) , na aldeia de Miratovac, próximo a Presevo, onde comida e água foram distribuídos. Da Macedônia ,todos vão para a Sérvia.

Sérvia

A Sérvia é apenas uma rota de passagem. De Miratovac 7.000 imigrantes esperam para seguir viagem legalmente , cruzando a pé a fronteira para a Hungria.

A Sérvia organizou seis campos em todo o país , com capacidade para mil pessoas e pretende dobrar este número até o final de 2015. ( F S P , 30.08.2015, p. A-16) .

Hungria

A Hungria que também é apenas parte do trajeto, anunciou a construção de um muro com quatro metros de altura e 175 km de comprimento , ao longo da fronteira com a Séria , justamente para tentar impedir a passagem de imigrantes.

Os imigrantes querem entrar na Hungria com destino a Alemanha e Suécia, onde já tem suas comunidades , parentes e amigos. ( F S P , 24.08.2015, p. A-8) .

A Hungria afirmou ter interceptado um número recorde de imigrantes em um só dia. Foram 3.241 , sendo 700 menores no dia 26, vindo da Sérvia O governo húngaro está em fase final de construção de uma barreira de 175 km entre os dois países. ( F S P , 28.08.2015, p. A-29) .

Alemanha

Milhares dos imigrantes que estão entrando pela Grécia, querem ir até a Alemanha. Mas na Alemanha a coisa está piorando.

Violentos protestos contra imigrantes foram realizados no fim de semana , dias 14 e 15 de agosto, do lado de fora de um abrigo na cidade de Heidenau, nos arredores de Dresden, no leste do país.

Centenas de pessoas participaram das manifestações organizadas pelo partido ultranacionalista NPD, que terminaram em confronto com a polícia. Os radicais arremessaram garrafas e pedras, Ao menos 31 policiais ficaram feridos. Ao menos 202 ataque contra abrigos de refugiados foram registrados no primeiro semestre.

A chanceler Ângela Merkel , condenou no dia 24 os protestos. “Eu condeno nos termos mais fortes possíveis as explosões de violência. Houve uma onda agressiva contra os estrangeiros que não é aceitável de forma nenhuma. É repulsivo como os extremistas de extrema-direita e os neonazistas estão disseminando sua mensagem vazia, mas é igualmente vergonhoso como cidadãos - até mesmo famílias com crianças – apoiam isso, marchando juntos”.

A situação vai se agravar e muito. A Alemanha espera que 800 mil pessoas busquem asilo no país até o final do ano. ( F S P , 25.08.2015, p. A-11) .

A sede do partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), que apoia imigrantes, foi esvaziada no dia 25 de agosto por uma ameaça de bomba.

O incidente estaria ligado à visita do presidente da sigla e vice-chanceler alemão , Sigmar Gabriel a Heidenau, cidade palco dos violentos protestos contra os imigrantes, para onde Ângela Merkel deve ir no dia 26. (F S P, 26.08.2015, p. A-12).

Ângela Merkel viajou a Heidenau e foi recebida com vaias, buzinaço e placas onde se lia “traidora” e” A imprensa mente”, por grupos de extrema direita contrários à recepção de estrangeiros no país.

Ela reagiu violentamente: ‘É vergonhoso e repulsivo o que vivenciamos aqui. Precisamos usar toda a nossa força para deixar claro que não vamos tolerar aqueles que colocam a dignidade dos outros em questão. Não haverá tolerância àqueles que não estão preparados para ajudar quando necessário”. ( F S P , 27.08.2015, p. A-13) .

Mas, a Alemanha planeja mapear quais são os países mais “seguros” para receber de volta parte dos imigrantes que entram em seu território.

Ângela Merkel afirmou no dia 30 de agosto: “ Para poder ajudar os que estão numa situação de emergência, temos que dizer também aqueles que não estão, que não podem ficar aqui”.

Para Merkel, “É preciso integrar com maior rapidez em nossas vidas aqueles que precisam de proteção”, mas também enviar de volta com rapidez quem já teve seu asilo negado no país.

Isso quer dizer que a Alemanha não terá como lidar com 800 mil refugiados em 2015, o equivalente a 1% de sua população. O ministro do Interior, Thomas de Maiziere afirmou: “ No longo prazo, 800 mil refugiados são demais”.

Mas ,alguns governos europeus se recusam a aceitar refugiados e resistem , até agora , às propostas da União Europeia por um plano comum para o problema. Uma reunião extraordinária para discutir o assunto, entre os ministros do Interior e da Justiça, foi convocada para 14 de setembro. ( F S P , 31.08.2015, p. A-12) .

Áustria

Um caminhão-frigorífico foi encontrado no dia 27 de agosto na estrada que liga a Áustria à Hungria com 71 corpos. Entre os mortos estão 59 homens, oito mulheres e quatro crianças.

O caminhão tinha placa húngara e teria sido abandonado na estrada no dia 26, a 40 km de Viena.

O chanceler austríaco, Werner Faymann , afirmou que os corpos no caminhão reforçam a necessidade de uma saída urgente para conter o fluxo diário de imigrantes para a União Europeia.

A ministra do Interior , Joharia Miki-Leitner , prometeu intensificar o combate a traficantes de pessoas na região: “ São criminosos”, disse. ( F S P , 28.08.2015, p. A-14) .

As 71 pessoas segundo laudo preliminar, morreram asfixiadas. Todas viajavam em um espaço muito apertado, com cinco pessoas por metro quadrado. A perícia constatou que não havia abertura na caçamba do caminhão onde os refugiados estavam e não está claro se algum sistema de ventilação estava ligado durante o percurso.

Sem ventilação, as pessoas conseguiriam respirar por apenas 63 minutos. ( F S P , 31.08.2015, p. A-12) .

Mas ela disse também que a melhor solução para conter a crise é encontrar maneiras “legais” para essas pessoas chegarem à Europa, em vez de focar no controle cada vez mais rigoroso das fronteiras.

Ao menos quatro pessoas foram presas no dia 28 de agosto sob suspeita de ligação com o caminhão. São três búlgaros e um afegão, incluindo o motorista. Eles tiveram pedido de prisão preventiva por um mês. Um quinto suspeito de nacionalidade búlgara foi preso.

Suspeita-se que a maioria era proveniente da Síria. O caso estaria ligado a um grupo de traficantes de pessoas que atua nas regiões da Bulgária e da Hungria.( F S P , 29.08.2015, p. A-17) .

A polícia da Áustria encontrou no dia 28 uma minivan com 26 pessoas , três delas crianças, que apresentavam graves problemas de desidratação e foram levadas para um hospital.

O veículo foi flagrado na manhã da sexta-feira , próximo a Braunau am Inn, no oeste da Áustria , perto da fronteira com a Alemanha. Era conduzido por um motorista romeno de 29 anos que foi perseguido e detido. Os refugiados são provenientes da Síria, de Bangladesh e do Afeganistão. Era um Fiat Ducato, com placa da Espanha, que vai ajudar na investigação do caso. ( F S P , 30.08.2015, p. A-17) .

Itália

A Marinha italiana resgatou , com auxílio de barcos da Irlanda, da Noruega e do Reino Unido , cerca de 4.400 imigrantes nas águas da costa da Líbia, no sábado e domingo, 23 e 24 de agosto , após receber pedidos de ajuda de 22 embarcações, em uma das maiores operações multinacionais de fluxo imigratório até agora.

Os imigrantes viajavam a bordo de 16 lanchas e sete barcaças à deriva no canal da Sicília, que separa o norte da África , da Itália. Devem chegar nos próximos dias a portos italianos. ( F S P , 24.08.2015, p. A-8) .

ÍNDIA

Para fazer inveja ao Brasil, segundo o Fundo Monetário Internacional a Índia cresceu 7,5% em média na década 2001-2010, e irá crescer 6,5% em média na década 2011-2020 e 7,5% na década de 2021-2030.

Mas ainda assim não alcançará a China que cresceu 10,5% na década 2001-2010, vai crescer em média 7,3% na década 2011-2020 e 6,3% na década 2021-2030.

A contribuição da Índia para o crescimento global, de 0,6% em 2025, será a mesma que a China já alcançou em 2.000.

Nada indica que a Índia ou alguma outra economia emergente, possam, nos próximos anos, reaquecer o mercado mundial de matérias-primas , como minérios e alimentos , de que o Brasil tanto se aproveitou na última década. Essa janela de crescimento portanto, não vai se abrir para o Brasil. ( Revista Exame, 5.8.2015, p. 28-29) .

IRÃ

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry disse no dia 2 de agosto no Cairo: “ EUA e Egito reconhecem que o Irã está implicado em atividades desestabilizadoras na região. Por isso é tão importante assegurar que o programa nuclear iraniano continue sendo plenamente pacífico”.

Obama em discurso feita em Washington no dia 5 de agosto, defendeu o acordo nuclear com o Irã e disse que a alternativa é a guerra. “Deixemos de meias palavras: a escolha é entre a diplomacia e alguma forma de guerra. Talvez não amanhã. Talvez não em três meses, mas em breve”.

Em quase uma hora, Obama rebateu as principais críticas ao acordo e disse que “ O material nuclear não é algo que pode ser escondido no armário. Se o Irã trapacear, saberemos”.

Binyamin Netanyahu , premiê de Israel não concorda. Disse que o Irã continuará tendo condições de desenvolver a bomba atômica , cumprindo ou não o pacto. ( F S P , 6.8.2014, p. A-10) .

O presidente do Irã, Hasan Rowhani, rebateu em discurso as críticas de que teria se rendido ao Ocidente: “ Essa ideia de que temos duas opções perante o mundo, submeter-se a ele ou derrota-lo é ilógica. Há uma terceira via, de cooperação construtiva com o mundo, envolvendo interesses nacionais”. ( F S P , 3.8.2015, p. A-7) .

O acordo com o Irã , rachou o lobby judeu nos EUA.

Muitos membros da comunidade judaica americana apoiam a iniciativa ,por confiarem na tese de Obama de que ele neutraliza o potencial iraniano de produzir armas nucleares e reduz a ameaça a Israel.

Mas, para o lobby contrário o sistema de inspeções é insuficiente , o fim das sanções econômicas ajudará o Irã a financiar atividades terroristas e, em dez anos , o país estará livre para desenvolver armas nucleares”. ( F S P , 8.8.2015, p. A-10) .

Autofiscalização

Um acordo entre a AIEA e o Irã vai autorizar o Irã a usar seus próprios técnicos para inspecionar um complexo militar supostamente utilizado para desenvolver armas nucleares, o complexo de Parchin, perto de Teerã

Até o momento , todas as inspeções internacionais às instalações de pesquisa nuclear iranianas foram realizadas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU.

O acordo sobre Parchin foi firmado de forma paralela, sem ter sido assinado pelos EUA e pelas outras cinco potências que redigiram o documento principal , mas foi endossado como parte do pacote.

Se confirmado , esse acordo deve servir de argumento para o governo israelense e a oposição republicana nos EUA contra o acordo nuclear. ( F S P , 20.08.2015, p. A-11) .

Mas, os representantes democratas estão desmerecendo o relatório e alegam que tem os votos necessários para apoiar Obama no Congresso. ( F S P , 21.08.2015, p. A-20) .

Embaixada do Reino Unido

A Embaixada do Reino Unido foi reaberta no domingo 23 de agosto após quatro anos de invasão do local por estudantes iranianos.

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Philip Hammond viajou a Teerã para o evento e foi recebido pelo chanceler iraniano Zarif.

Ele foi acompanhado de líderes empresariais e é o primeiro chanceler britânico a visitar o Irã desde 2003.

Os edifícios da embaixada e a residência do embaixador britânico foram atacados e saqueados por uma multidão em 29 de novembro de 2011. Entre os ativistas que protestavam contra a imposição de sanções internacionais , estavam membros de grupos paramilitares controlados pelo Exército iraniano.

O Reino Unido rompeu relações com a Republica Islâmica imediatamente. Quando Hasan Rowhani chegou ao poder em 2013 começou a reaproximação entre Reino Unido e Irã e os prédios foram restaurados.

A embaixada americana continua fechada desde 1979. ( F S P , 24.08.2015, p. A-9) .

IRAQUE

Elio Gaspari destaca que a “Guerra ao Terror” de George Bush e Barack Obama fracassou catastroficamente , o EI é filho desta guerra e veio para ficar.

O Exército iraquiano é formado por soldados que não querem combater e generais larápios. Isso explica as vitórias do Estado Islâmico. No ataque à cidade de Mossul, 1.300 combatentes, apoiados por uma revolta popular, puseram para correr uma tropa de 60 mil homens. O comando de uma divisão desse Exército pode ser comprada por US$ 2 milhões. O general que paga isso, vai buscar seu dinheiro de volta na região. ( F S P , 2.8.2015, p. A-12) .

Saiu o livro de Patrick Cockburn, “ O Novo Estado Islâmico: Como Nasceu o País do Terrorismo”.

Estado Islâmico assassina 67 em Bagdá

Um caminhão carregado com grande quantidade de explosivos foi estacionado em um mercado popular no bairro de Cidade Sadr , ao leste de Bagdá, no Iraque. É um distrito populoso, com mais de dois milhões de habitantes, a maioria xiita.

Ele foi detonado e atingiu as pessoas que estavam passando, matando ao menos 67 pessoas e ferindo 152 no dia 13 de agosto , em sua maioria camponeses que tinham ido ao mercado vender sua mercadoria.

O Estado Islâmico assumiu a autoria de mais esta barbaridade. Afirmou em comunicado: “ Soldados do Estado Islâmico detonaram um caminhão-bomba no meio de um grupo de milicianos xiitas em um de seus redutos no leste de Bagdá. Isto é para os xiitas provem os bombardeios que realizam contra nosso povo muçulmano”. ( F S P , 14.08.2015, p. A-13).

Uso de armas químicas

Os EUA vão investigar se o Estado Islâmico está fazendo o uso de armas químicas contra forças curdas no norte do Iraque.

Segundo o Exército peshmerga, soldados em Makhmour ( sudeste de Erbil) foram atacados possivelmente com gás de cloro.

Os homens sentiram tontura, ânsia de vômito e fraqueza. Alguns também reportaram queimaduras.

É a terceira denúncia do uso de armas químicas no Iraque apenas em 2015. O gás de cloro foi proibido em uma convenção internacional de 1997. Se inalado, ele queima os pulmões.

Caso a acusação seja confirmada, é possível que os EUA aumentem sua ofensiva contra a facção.

As autoridades já tem dados confiáveis que indicam o uso de armas químicas pelo EI, ainda que em quantidade e concentração baixas. Mas os terroristas podem estar usando também gás mostarda. A substância está sendo testada.

Escrava sexual

Segundo uma adolescente da minoria yazidi, a americana Kalya Mueller foi tomada como refém com o namorado Omar Alkhani , em agosto de 2013 em um hospital da ONG Médicos sem Fronteiras em Aleppo na Síria.

O namorado foi libertado dois meses depois. Mas Mueller foi transformada em escrava sexual , como uma das mulheres do líder da facção , Abu Nakr al-Baghadadi, justificativa usada por membros do EI para estuprar mulheres, muitas delas yazidis.

A adolescente, de 14 anos, conheceu Mueller em um cativeiro , do qual conseguiu escapar em outubro de 2014.

Segundo o EI, Mueller foi morta em fevereiro de 2015, durante um ataque aéreo da Jordânia a uma base do EI, mas proximidades de Raqqa, na Síria. ( F S P , 15.08.2015, p. A-17) .

Morte do número 2 do EI

A Casa Branca anunciou no dia 21 de agosto a morte de Fadhil Ahmad al-Hayali, número dois do comando do Estado Islâmico.

Ele era responsável pelas atividades do EI no Iraque , com participação estratégica na tomada de Mossul, em junho de 2014, uma das conquistas mais emblemáticas da facção.

Coronel durante o regime do ditador Saddam Hussein e ex-membro da Al Qaeda no Iraque, ele também coordenava o transporte de armas, explosivos, veículos e pessoas entre Síria e Iraque.

Também conhecido como Haji Mutazz e pelo nome de guerra Abu Muslim al-Turkamni , ele era o braço direito do auto-declarado califa Abu Bakr al-Baghdadi, líder do EI.

Foi morto em um ataque aéreo no dia 18 de agosto , no Iraque , dentro de um carro o que é um indício de que o governo tem algum grau de Inteligência militar no território iraquiano que permite realizar um ataque com essa precisão. ( F S P , 22.08.2015, p. A-18) .

ISRAEL

Esfaqueados por judeu ortodoxo

No dia 30 de julho, durante a Parada do Orgulho Gay de Jerusalém, seis pessoas foram esfaqueadas por Yishai Schlissei, um judeu ultra ortodoxo. Ele foi preso no local e tinha sido libertado havia pouco tempo depois de cumprir pena por um crime semelhante em 2005, quando também feriu , três pessoas que estavam na parada gay anual da cidade.

A Parada tinha 5.000 participantes e Yishai estava escondido em um supermercado e saltou em direção à multidão e apunhalou seis pessoas.

Shira Bandi , com 16 anos, não resistiu e morreu no Hospital Hadassah onde estava internada. ( F S P , 3.8.2015, p. A-7) .

Morte de bebê palestino

Um bebê palestino de um ano e meio morreu queimado enquanto dormia em um ataque atribuído a colonos judeus no vilarejo de Duma , na Cisjordânia , na noite de 30 de julho.

Segundo testemunhas e o Exército israelense, dois homens encapuzados ,quebraram as janelas da casa em Duma e jogaram coquetéis molotov dentro do quarto e o bebe Ali Dawabha morreu queimado. Do lado de fora da casa, os criminosos picharam os dizeres “vingança” e “vida longa ao rei Messias”.

Sua mãe está com queimaduras de terceiro grau em 90% do corpo , o pai com 80% e o irmão de quatro anos com 60%.

Antes de fugirem, os extremistas picharam nas paredes da casa, incendida , uma estrela de Davi e as inscrições “ vida longa ao Messias” e “Price Tag”, nome de um movimento que promove ataques a palestinos e suas propriedades.

A ação desencadeou uma série de protestos nos territórios palestinos ocupados e em Jerusalém no dia 31 de julho.

O premiê israelense, Binyamin Netanuahu , classificou o ato como “terrorismo”. “ Nós condenamos isso. Temos tolerância zero para o terrorismo, não importa de onde ele venha , de que lado da cerca – temos que combatê-lo, e combate-lo juntos”. Ele visitou o irmão do bebê , no hospital.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina , Mahmoud Abbas, disse que levará o caso ao Tribunal Penal Internacional, por se tratar de “crime de guerra, um crime humanitário”. ( F S P , 1.8.2015, p. A-8) .

O caso gerou graves confrontos. No dia 1º de agosto, Em Jerusalém Oriental , ao menos dois policiais e dez palestinos ficaram feridos. A localidade de Kusta , no norte da Cisjordânia, foi declarada zona militar.

O jovem palestino Laith al-Khaldi , 17, morreu num hospital da Cisjordânia . O Exército disse que ele atirou um coquetel molotov contra um posto de controle militar e foi baleado, no dia 31, durante protestos em Ramallah. ( F S P , 2.8.2015, p. A-17) .

O governo israelense anunciou no dia 2 de agosto que vai aplicar as chamadas “prisões administrativas” em que uma pessoa pode ficar detida por meses ou anos sem acusação formal – a extremistas judeus que atacarem palestinos.

Netanyahu prometeu “tolerância zero” contra o extremismo judeu.

No dia 3 de agosto, autoridades israelenses prenderam Meir Ettinger, líder de um grupo extremista acusado de atacar casas de palestinos e templos cristãos. No dia 5 outro extremista foi preso por seis meses sem acusações formais.

Centenas de ativistas israelenses de direitos humanos tem feito desde o dia 31 de julho , peregrinação diária à casa incendiada.

O terrorismo judaico encontra sua mais recente encarnação no Price Tag, movimento criado em 2008 com o objetivo de causar danos a palestinos, árabes-israelenses , esquerdistas judeus e soldados e policiais israelenses para atrapalhar planos de paz que levem a retirada de colônias israelenses da Cisjordânia e Jerusalém Ocidental.

Formado por extremistas religiosos o movimento foi criado após a retirada israelense da Faixa de Gaza, em 2005, considerada por eles uma traição à sua intenção de aumentar a presença judaica na região.

A ideia é cobrar “ um preço alto” do governo e das forças de segurança em caso de decisão de remover assentamentos dos territórios palestinos. ( F S P , 4.8.2015, p. A-10) .

O pai do bebê, Said Dawabsha, 32, também morreu no dia 8 de agosto , em decorrência de queimaduras de segundo grau, provocadas pelo atentado.

Sua mulher , Riham, 27 tem queimaduras de terceiro grau em 90% do corpo e respira por aparelhos. O outro filho do casal, Ahmed , 4, teve 60% do corpo afetado por queimaduras de segundo grau. Os dois seguem internados e correm risco de morte. ( F S P , 9.8.2015, p. A-21) .

Entre os terroristas judeus presos , estão Yinon Reuveni, de 20 anos , e Yehuda Asraf, 19. Os dois foram acusados de vandalizar a Igreja de Tabgha no dia 18 de junho.

Um terceiro detido é Meir Ettinger, neto do rabino Meir Kahane, assassinado por um palestino em 1990 , em Nova York, Ettinger é tido como um dos ideólogos da erradicação de não judeus de Israel e da substituição do Estado moderno por uma monarquia religiosa.

Os terroristas judeus , que não reconhecem o Estado e não aceitam as regras sociais, são pouco numerosos, os violentos apenas algumas dezenas.

São pouco organizados, não possuem armas de fogo, mas nem por isso deixam de ser perigosos. Quase 99,9% dos israelenses rejeitam o terrorismo.

Há cerca de dez anos acontecem ataques conhecidos como “preço a pagar”. São ações de uma minoria radical de colonos judeus que ocorrem em resposta à violência palestina ou a decisões do Estado consideradas injustas, como a demolição de construções consideradas ilegais em assentamentos na Cisjordânia.

Em 2013, foram registrados 400 incidentes e em 2014, 330. Em geral são atos de vandalismo contra mesquitas, igrejas e bens de palestinos. ( Revista Veja, 12.08.2015, p, 66-67) .

JAPÃO

O premiê Shinzo Abe , afirmou na cerimônia que lembrou os 70 anos da bomba de Hiroshima que pretende apresentar uma resolução à ONU para a eliminação do arsenal atômico mundial.

Sua declaração contrasta com recente proposta de remilitarização do Japão e que vem provocando protestos em todo o país. ( F S P , 7.8.2015, p. A-16) .

Cerca de 80% dos habitantes do Japão nasceram após a II Guerra e por isso o premiê Abe expressou no dia 14 de agosto “condolências eternas “ às vítimas do conflito em seu país e no exterior, mas disse que as futuras gerações “ não devem ser predestinadas “ a pedir desculpas pelo passado militar do país.

Para Abe, “ O Japão não pode permitir que as futuras gerações , que não tem nada a ver com a guerra , sejam predestinadas a pedir desculpas”. ( F S P , 15.08.2015, p. A-19) .

Energia Nuclear

O Japão reativou no dia 11 de agosto o primeiro reator nuclear desde o fechamento total de suas 48 usinas , em setembro de 2013, decidido após o desastre provocado pelo tsunami na central de Fukushima , em março de 2011.

O reator número 1 de Sendai , a 1.000 km de Tóquio, foi reiniciado . O Japão tem registrado desde 2011 importantes déficits comerciais , em grande parte por causa do aumento da conta dos combustíveis importados para alimentar as centrais térmicas e por isso o governo pretende que as usinas nucleares gerem 22% da energia elétrica no país até 2030, percentual menor que antes do acidente de Fukushima.

Mas, ativistas fizeram protestos em várias partes do país, questionando a retomada nuclear. ( F S P , 12.08.2015, p. A-12) .

MERCOSUL

Arturo Valenzuela, ex-secretário assistente de Estado dos EUA, faz referência a uma possibilidade que começa a ser cogitada no Brasil, evidentemente não pelo governo Dilma Rousseff que é o Brasil sair do Mercosul, que está travando o crescimento do país:

“ A menos que haja maior abertura no Mercosul, será muito difícil para o bloco [avançar] . Os países da Aliança do Pacífico impressionam porque, apesar de não constituírem uma união aduaneira, mantém entre os Estados-membros, tarifas muito mais baixas do que as mantidas entre os países do Mercosul”. ( F S P , 16.08.2015, p. A-17) .

MÉXICO

O presidente Enrique Peña Nieto está com 69% de reprovação em julho e enfrenta sérios problemas.

Os problemas começaram com o desaparecimento de 43 estudantes de Ayotzinapa em setembro de 2014, o investimento privado na exploração do petróleo, antes totalmente estatal e o favorecimento de construtoras ligadas ao presidente em obras.

O movimento que pede a saída do presidente todavia perdeu força, apesar da popularidade do presidente estar caindo. Em abril , foi lançada a campanha QueSeVaya. ( F S P , 16.08.2015, p. A-16) .

PERU

O Exército do Peru resgatou no dia 27 de julho 13 mulheres e 26 crianças mantidas reféns em um acampamento da guerrilha Sendero Luminoso em Satipo, a 450 km de Lima.

A maioria das mulheres era da tribo ashaninka e foi sequestrada em ação da guerrilha contra um hospital psiquiátrico no fim dos anos 80.

Essas mulheres foram mantidas em cativeiro desde então, sofrendo violência permanente como escravidão e estupros. Com isso, nasceram as 26 crianças e adolescentes encontrados no acampamento, fruto dos estupros.

As mulheres trabalhavam na colheita e eram obrigadas a criar as crianças. Os jovens, quando maiores , começavam a ser doutrinados e recebiam treinamento militar para atuar com a guerrilha.

O Sendero Luminoso , de orientação maoísta, surgiu no início dos anos 60 e teve seu auge na década de 80.

O presidente Alberto Fujimori dissolveu o Parlamento em 1992 e com poderes ampliados lançou uma dura campanha militar e pôs grupos clandestinos no encalço dos senderistas e teve sucesso.

Em setembro de 1992 o líder e fundador do grupo, o professor universitário de filosofia, Abimael Gusmán e outros dirigentes foram presos e as ações do grupo diminuíram sensivelmente.

Mesmo assim, o grupo foi responsável pela maior parte das 69.000 mortes causadas durante o conflito armado que se estendeu no Peru de 1980 a 2.000.

Um comando do Exército conseguiu chegar ao acampamento que fica no vale dos rios Apurimac , Ene e Mantaro, a partir de informações de um ex-prisioneiro da guerrilha que escapou do cárcere em junho. Agora atualmente o grupo conta com um contingente de apenas 350 a 600 homens armados. Por ser maoísta a única alternativa com relação a este grupo é eliminá-lo completamente.

A região está sob estado de emergência permanente por ser uma das principais bases do Sendero Luminoso e por possuir a maior área de produção de folha de coca do país.

Desde 1984 , os terroristas se sustentam com o imposto de guerra dos plantadores da folha de coca , a matéria prima da cocaína e do crack. Essa região, conhecida como Vraem , produz 70% da cocaína peruana, mais de 200.000 toneladas por ano.

O Peru é o segundo maior produtor mundial da matéria-prima da cocaína, mais uma característica de guerrilhas comunistas na América Latina, como as Farc na Colômbia , ou seja produção e tráfico de drogas. ( F S P , 29.07.2015, p. A-9) .

A maioria dos peruanos hoje não sabe o que é o Sendero ou não se lembra do grupo.

Mas a minoria que ainda faz parte do grupo , entende que todos os que vivem nos campos são obrigados a defender a tomada do poder pela luta armada e mantém o objetivo de instaurar uma ditadura maoísta no Peru, não se preocupando que para isso, continue matando pessoas inocentes. ( Revista Veja, 5.8.2015, p. 78-79) .

PETRÓLEO

O petróleo caiu abaixo de US$ 50 por barril no dia 3 de agosto, atingindo o seu nível mais baixo desde janeiro, devido a sinais de que a produção crescente continuará a exceder a procura.

O Brent cru , já tinha caído 18% em julho e na primeira sessão de agosto recuou mais 5,15% , para US$ 49,52.

Houve aceleração na produção dos países da Opep como a Arábia Saudita e há o medo adicional de que o petróleo iraniano adicional chegue ao mercado, depois da assinatura do acordo nuclear em julho. A perspectiva que havia de que poderia ocorrer uma recuperação dos preços no segundo semestre, desapareceu. ( F S P , 4.8.2015, Mercado p. 4) .

O preço do barril de petróleo em Nova York encerrou o dia 14 de agosto a US$ 42,5 , desvalorização de 3,1% na sétima semana consecutiva de queda , a pior sequência para os produtores desde o início do ano.

Desde seu pico de 2015, em junho, o produto já acumula um declínio superior a 30%. Comparado com agosto de 2014, quando o barril estava cotado a US$ 95, a queda é superior a 50%.

O consumo global está em ritmo inferior ao do crescimento da produção. Para a Agência Internacional de Energia, esse excesso de oferta vai continuar até 2016. A Opep afirmou que em julho , a produção atingiu o maior patamar em três anos. ( F S P , 15.08.2015, p. A-26) .

O petróleo caiu mais ainda. No dia 21 de agosto, o barril WTI , referência no mercado americano , rompeu a barreira de US$ 40 por barril, pela primeira vez desde 2009, sendo negociado a US$ 39,86 durante a tarde , mas fechou o dia a US$ 40,45.

Em Londres, o petróleo do tipo Brent , caiu 2,5% e fechou em US$ 45,46 por barril. O preço do Brent se aproxima do piso de US$ 41 considerado pela Petrobrás para viabilizar os projetos do pré-sal . Esse preço não é sustentável. Mesmo no pré-sal a própria Petrobrás calcula custos maiores entre US$ 41 a US$ 57. ( F S P , 22.08.2015, p. A-24) .

PORTO RICO

O governo de Porto Rico deu o calote na maior parte de uma dívida de US$ 58 milhões que venceu em 3 de agosto. Pagou apenas IS$ 628 mil.

É o primeiro calote da história de um Estado associado aos EUA. A dívida pública chega a US$ 70 bilhões, 165% do PIB, nível similar ao da Grécia. O desemprego na ilha está em 12,6% , mais do que o dobro do americano. ( F S P , 4.8.2015, Mercado, p. 4) .

REINO UNIDO

O numero de recém –nascidos com o nome Mohammed na Inglaterra e no País de Gales em 2014 é o maior, à frente de Oliver e Emily. ( Revista Veja, 26.08.2015, p. 41) .

RÚSSIA

A economia da Rússia teve retração de 4,6% no segundo trimestre de 2015, comparado ao mesmo período de 2014, a maior queda em seis anos.

No primeiro semestre já houve queda de 2,2%. A desvalorização do petróleo causou a queda do rublo e foi agravada pelas sanções que o Ocidente impôs em razão do envolvimento russo no conflito da Ucrânia que impedem que muitas empresas e bancos russos captem recursos no exterior.

É de longe a mais severa crise que a Rússia já experimentou , mesmo comparada às de 1998 e 2008 e Putin está pagando um alto preço por se meter na Ucrânia. ( F S P , 11.08.2015, p. A-16) .

SÍRIA

Ataques aéreos do governo sírio deixaram ao menos 80 mortos no principal mercado de Douma, a 15 km ao nordeste da capital Damasco. Ao menos quatro mísseis foram disparados.

A ação militar , uma das mais violentas da guerra civil síria, também feriu ao menos 200 pessoas. A maioria dos feridos está em estado crítico e o número de mortos deve aumentar. O conflito de mais de quatro anos, já soma 250 mil mortos.

Os ataques contra Duma e a vizinha Harasta tiveram como alvo o centro de operações do grupo rebelde Exército do Islã. Seus membros capturaram uma base militar do Exército em Harasta, no dia 15 de agosto. Esse grupo é uma das facções insurgentes mais poderosas atuando perto de Damasco. ( F S P , 17.08.2015, p. A-12) .

Estado Islâmico Decapitação.

Em uma informação gravíssima, o diretor de Antiguidades e Museus da Síria, Muamun Abdelkarin, disse no dia 19 de agosto, que o Estado Islâmico, decapitou Khaled al-Assad , 83, ex-chefe de Antiguidades de Palmira entre 1963 e 2003 e um dos principais arqueólogos da Síria.

Khaled foi capturado em julho com o filho , Walid, atual diretor de antiguidades de Palmira , famosa por suas ruínas do Império Romano.

Dias depois , Walid foi liberado pelo EI porque sofria de uma doença crônica,

Khaled teria se recusado a dizer onde escondera relíquias históricas , justamente para deixa-las fora do alcance desses jihadistas que tomaram Palmira em maio. Com 83 anos, quarenta deles dedicados à guarda dos tesouros arqueológicos da cidade, deu sua vida para preservá-los. ( Revista Veja, 26.08.2015, p. 36) .

Seu corpo foi fotografado ,pendurado em um poste, ao lado de uma das colunas da cidade e com um cartaz em que o EI o acusa de ser um partidário do regime sírio, por ter ido a reuniões no exterior com “infiéis” e de ser o diretor de “ídolos” de Palmira. ( F S P , 20.08.2015, p. A-11) .

Destruição em Palmira

Os trogloditas do Estado Islâmico divulgaram no dia 25 de agosto terríveis imagens da destruição do templo de Baal Shamin, que tinha 2.000 anos , na cidade histórica de Palmira, na Síria.

As fotos mostram os facínoras carregando barris com explosivos que foram posicionados nas colunas do templo, o que ocorreu no dia 23 de agosto

É um crime gravíssimo contra a humanidade. ( F S P , 26.08.2015, p. A-11) .

Não contente com um crime, o Estado Islâmico executou outro. Destruiu em 30 de agosto parte do templo de Bel, sítio arqueológico da era romana.

Se esses elementos pré-históricos ficarem muito tempo em Palmira, não vai sobrar nada, só destroços. ( F S P , 31.08.2015, p. A-14) .

TAILÂNDIA

Mais um bárbaro atentado terrorista na Tailândia. Uma grande explosão ocorreu no centro de Bancoc por volta de 19 horas do dia 17 de agosto , com explosivos que estavam em uma motocicleta-bomba, deixando 20 mortos e 120 feridos. Entre os mortos estão cinco tailandeses, dois cidadãos de Hong Kong, um britânico, dois malaios, um cingapuriano, um indonésio e um filipino.

A explosão ocorreu em um bairro turístico da capital, próximo ao templo de Erawan , um dos mais famosos da cidade em região que abriga hotéis de luxo, shopping centers, hospitais e estações de transporte público.

O objetivo é acabar com o turismo no país. Uma segunda bomba não detonada, foi encontrada nas proximidades. Nenhum grupo reivindicou a ação oficialmente. ( F S P , 18.08.2015, p. A-10) .

As autoridades da Tailândia divulgaram no dia 18 de agosto imagens do homem que seria o autor do atentado. A bomba foi montada na Tailândia e com materiais obtidos no país.

As autoridades elencam entre os principais suspeitos adversários políticos da ditadura militar e insurgentes muçulmanos do sul do país, embora não costumem fazer ações contra civis e em Bancoc. Outros suspeitos são os uigures, etnia islâmica da província chinesa de Xinjiang. Neste caso, a ação seria uma vingança contra a deportação de 109 uigures ilegais no país para a China. ( F S P , 19.08.2015, p. A-14) .

A policia suspeita que ao menos dez pessoas estejam envolvidas no ataque. ( F S P , 21.08.2015, p. A-24) .

A polícia tailandesa prendeu em 29 de agosto um suspeito de ter participado do atentado. A prisão ocorreu em uma batida policial em um apartamento em Bancoc.

O suspeito portava um passaporte turco falso , com o nome de Adem Karadag , a artefatos para a fabricação de bomba. Ele, contudo não teria sido o principal autor. ( FS P , 30.08.2015, p. A-17) .

TURQUIA

O consulado dos EUA em Istambul foi alvo de um ataque em 10 de agosto , um dia depois de o governo americano anunciar que seus caças F-16 e 300 militares chegaram à base turca de Incirlik para reforçar a luta contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

Duas mulheres teriam atirado contra a representação . A polícia reagiu com tiros e as mulheres fugiram , mas uma foi ferida e capturada. Chama-se Hatice Asik e tem 42 anos.

A milícia de extrema esquerda Frente do Exército Revolucionário do Povo (DHKP-C), assumiu a autoria do ataque, por considerar os EUA “ um inimigo dos povos do Oriente Médio”. ( F S P , 11.08.2015, p. A-12) .

Luta contra o separatismo curdo

No fim de julho o governo turco anunciou que iria combater o Estado Islâmico, mas os caças turcos realizaram três ataques contra o Estado Islâmico e mais de 300 contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o PKK, considerado um grupo terrorista turco e sua vertente síria , as Unidades de Proteção Popular , YPG.

O PKK e o YPG são os mais eficientes inimigos do Estado Islâmico tanto na Síria quanto no Iraque. Deve-se a eles o fato de boa parte do território ao longo da fronteira da Síria com a Turquia ainda não ter caído nas mãos do EI.

O governo turco quer manter o enfrentamento com as milícias curdas para evitar a criação de um Estado independente.

Os curdos do HDP, Partido Democrático do Povo conquistaram 80 das 550 cadeiras do Parlamento . Muitos cidadãos turcos que não são curdos votaram no DHP para conter o autoritarismo crescente de Erdogan.

O HDP não ergueu a campanha étnica na última campanha. Seus membros discursaram a favor do crescimento econômico e contra o terrorismo.

Erdogan, ao bombardear as milícias curdas , pretende exaltar o nacionalismo turco e enfraquecer o HDP. Ele tem medo de que os separatistas se fortaleçam com a luta contra o EI.

Os curdos do YPG com tablets indicam a localização de membros do EI que, minutos depois são bombardeados pela coalizão. Os americanos lançam caixas com armas e munições para seus parceiros em terra.

Portanto, ao lutar contra o Estado Islâmico e ao mesmo tempo bombardear as milícias curdas que combatem o Estado Islâmico, a Turquia está ajudando o inimigo. ( Revista Veja, 19.08.2015, p. 70-71) .

Eleições legislativas

Assim como a Grécia, a Turquia fará eleições legislativas antecipadas no dia 1º de novembro.

A decisão do governo ocorreu depois do AKP, o Partido Justiça e Desenvolvimento governista, fracassar para a formação de uma coalizão.

Na terça dia 18 de agosto o premiê, Ahmet Davutoglu , entregou seu cargo ao presidente.

Nas últimas eleições, em junho, o AKP saiu vencedor, mas não conquistou a maioria do Parlamento. ( F S P , 22.08.2015, p. A-18) .

As eleições foram oficialmente convocadas em 24 de agosto. ( F S P , 25.08.2015, p. A-11) .

UCRÃNIA

Investigadores que analisam a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines informaram no dia 11 de agosto que identificaram na Ucrânia possíveis partes de um míssil Buk, de fabricação russa e que era operado por rebeldes ucranianos no local onde a aeronave caiu , reforçando as suspeitas de que o avião foi derrubado em 17 de julho de 2014 por um míssil quando sobrevoava a área controlada por rebeldes pró-Rússia.

O Boeing -77, da companhia malaia, levava 298 pessoas a bordo , dois terços de holandeses , o que fez a Holanda o país responsável por coordenar a investigação das causas da tragédia, assim como as investigações criminais e a missão de repatriamento dos corpos. ( F S P , 12.08.2015, p. A-12) .

VENEZUELA

Um dos mais respeitados organismos de monitoramento eleitoral, o Centro Carter, encerrou suas atividades na Venezuela , onde operava havia 13 anos e fechou o escritório em Caracas em junho.

O motivo foi a crescente dificuldade de operar na Venezuela desde a morte de Chávez em 2013. O centro tinha cada vez menos contato com autoridades e com o Conselho Nacional Eleitoral.

Era isso que Maduro queria mesmo. Com a perspectiva de uma derrota exemplar, quer livre caminho para manipulações e por isso não interessa que haja nenhum monitoramento externo das eleições parlamentares.

O argentino Héctor Vanolli passou os últimos 11 anos chefiando o Centro Carter na Venezuela e está preocupado com o vácuo deixado pela saída do Centro e com a ordem do governo de vetar observadores independentes na eleição de 6 de dezembro.

A única presença externa tolerada será uma missão da Unasul, mas sem poderes reais de supervisão.

Ele afirma “ Hoje a desconfiança está ligada ao que acontece antes da votação em si. Um dos temas mais problemáticos é a campanha.

Para que um processo eleitoral seja considerado limpo, é preciso que todos os atores tenham as mesmas possibilidades de fazer chegar sua mensagem à população.

Isso supõe acesso igual à mídia , algo que, na Venezuela gera questionamentos legítimos. Também há preocupações sobre as inabilitações de candidatos e o redesenho das circunscrições eleitorais... Uma missão profissional poderia contribuir para o fortalecimento da confiança nesse processo. Sem ela, o risco é termos um desfecho que não satisfaça as demandas por transparência “.( F S P , 15.08.2015, p. A-17) .

Agora resta ver qual vai ser a posição do Brasil , se vai silenciar sobre as eleições legislativas de dezembro.

O governo dos EUA pediu às autoridades da Venezuela que reconsiderem a decisão de inabilitar vários políticos opositores à eleição de dezembro , entre os quais Maria Corina Machado , Pablo Perez, Lumay Barreto e Daniel Ceballos.

A justificativa no caso de Corina é ridícula. A Controladoria Geral da República alegou que Corina cometeu irregularidades em sua declaração de imposto de renda , possivelmente relacionadas a tíquetes-alimentação , cujo valor individual é uma fração do dólar na cotação paralela. O governo teme que ela repita a alta votação obtida há cinco anos. ( F S P , 5.8.2015, p. A-10) .

O cenário eleitoral está se desenhando. Maduro tem índice de aprovação que não chega a 25%. Quase 85% da população considera que a Venezuela vai mal , e dois terços culpa o governo por essa situação.

Apesar da Venezuela ter as maiores reservas de petróleo do mundo, faltam comida, e itens de higiene. Filas são comuns em supermercados e uma crise humanitária está em instalação devido à grave situação de falta de remédios importados. A inflação já é a maior do mundo e relatos de saques a caminhões e mercados crescem.

Dezenas de opositores estão presos há mais de um ano. Circunscrições eleitorais foram redesenhadas para aumentar a representatividade dos redutos governistas e cinco candidatos opositores até agora foram inabilitados por motivos ridículos.

Maduro não aceita monitoramento internacional o que pelas manobras já feitas demonstra que outras serão colocadas em prática para tentar impedir uma derrota certa. As perspectivas para a Venezuela chavista são sombrias.

O diretor de redação do jornal venezuelano , “El Nacional”, Miguel Henrique Otero, pediu no dia 20 de agosto , em Brasília, que os senadores brasileiros façam um apelo para que o governo federal ajude a fiscalizar as eleições legislativas na Venezuela.

Ele disse que a Venezuela “ é uma ditadura que sufoca, de todas as formas “, os meios de comunicação críticos ao governo e não respeita opiniões divergentes.

Diretor de um dos poucos jornais críticos ao governo que ainda restaram , disse que o governo Maduro aprovou leis que levaram ao fechamento de outros meios de comunicação, e o acusou de agredir jornalistas fisicamente e de comprar jornais com dinheiro público.

Afirmou ainda que os jornais do país não conseguem importar papel devido às restrições do governo à compra de dólares e que só conseguem sair em versão impressa com a ajuda de outros jornais latino-americanos.

Criticou as prisões de opositores do governo, a prorrogação de suas detenções sem sentença e julgamento e disse que o país está à beira de um colapso humanitário que pode afetar o Brasil. ( F S P , 21.08.2015, p. A-22) .

A chance de o governo brasileiro fiscalizar as eleições legislativas na Venezuela é zero.

Nicolás Maduro

O ditador Maduro é quase tão popular no Twitter quanto o Papa Francisco , apesar de na Venezuela está um pouquinho melhor do que Dilma, com menos de 30% de aprovação.

Mas, analistas estudaram as redes sociais e descobriram o motivo da popularidade do ditador. O governo usa contas automatizadas , os “bots”. ( F S P , 5.8.2015, p. A-10) .

Essequibo

A Venezuela quer tomar da Guiana a região de Essequibo que ocupa dois terços do território guianês e é rica em petróleo, jazidas de ouro e minerais.

A petroleira americana Exxon anunciou a descoberta de grandes reservas de petróleo nas águas territoriais do Essequibo e Nicolás Maduro assinou decreto para incluir a área das reservas petroleiras dentro das águas territoriais da Venezuela.

O argumento central da Venezuela é que a demarcação atual é fruto de um laudo arbitral de 1899 comprovadamente manipulado em favos dos britânicos , colonizadores de Essequibo naquela época.

A Guiana aceitou retomar negociações em 1966, meses antes de se tornar independente e o diálogo resultou num pacto ambíguo que reconheceu a nulidade do laudo , mas manteve o “status quo” até uma solução satisfatória para ambos os lados..

Para a Guiana, isso significa que Essequibo permanece sob seu controle . Mas a Venezuela alega que o acordo proíbe grandes projetos de desenvolvimento na área em disputa até uma solução definitiva, com o que a Guiana não concorda.

A questão vai acabar no Tribunal Internacional de Justiça de Haia. ( F S P , 10.08.2015, p. A-8) .

Leopoldo López

Leopoldo López era um político irrelevante fora da Venezuela até um ano e meio atrás. Seu maior feito era ter sido reeleito à prefeitura de Chacao, um pequeno município do distrito de Caracas, que administrou até 2008.

Nicolás Maduro ao prendê-lo, conseguiu transformá-lo em um herói. Hoje ele tem o apoio declarado de dezenas de governos e de ex-presidentes. Seu rosto aparece em jornais do mundo inteiro e muitos venezuelanos o veem como o maior líder do país.

Para seus simpatizantes, trata-se de um preso político, vítima de uma farsa jurídica que visa puni-lo por ter convocado a juventude a exercer o direito de protestar contra Maduro.

Sua mulher , Lilian Tintori , 37, ex-apresentadora de TV , tornou-se seu porta-voz e com status de autoridade já obteve audiências com o papa Francisco, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden e o premiê espanhol, Mariano Rajoy.

Discursou na ONU e foi recebida no Parlamento Europeu. Até veio ao Brasil onde Eduardo Cunha e Renan Calheiros lhe deram tratamento de celebridade , mas naturalmente foi ignorada por Dilma Rousseff.

Outros opositores presos são Daniel Ceballos , ex-prefeito de San Cristóbal; Antonio Ledezma , prefeito da região metropolitana de Caracas que cumpre prisão domiciliar depois de cirurgia . ( F S P , 11.08.2015, p. A-10) .

Repressão na Venezuela

O livro “Testimonios de la represion”, foi lançado na Venezuela para homenagear as vítimas das forças de segurança do governo Maduro que esmagou os violentos protestos estudantis no primeiro semestre de 2014.

São 16 depoimentos compilados pelo jornalista oposicionista Carlos Javier Arenciba, 24, em que narra todo tipo de abuso físico, psicológico e legal cometido pelas forças do Estado, incluindo a Polícia Nacional Bolivariana e o Serviço Bolivariano de Inteligência ( Sebin), entre outros.

Pelas contas de ONGs, o Estado prendeu 3.765 pessoas por supostos vínculos com os protestos das quais 70 continuam detidas. Houve 43 mortes , incluindo manifestantes e policiais.

Os protestos são chamados de “rebelião democrática”, e ala moderada da oposição , liderada por Henrique Capriles, tachada de “grupelho colaboracionista”, porque ele se opôs aos atos por considera-los violentos e inúteis. ( F S P , 12.08.2015, p. A-13) .

Daniel Ceballos

O opositor Daniel Ceballos ganhou no dia 11 de agosto o direito à prisão domiciliar devido á deterioração do seu estado de saúde.

Ceballos tem sequelas físicas e psicológicas da greve de fome de 20 dias , à qual se submeteu de maio a junho para protestar contra sua transferência do presídio militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, até um centro de detenção comum no interior do país, onde há condições precárias de segurança e salubridade.

Após a greve de fome ele foi transferido para o centro de detenção do serviço secreto em Caracas. Está detido desde março de 2014, acusado pelo governo de terrorista e foi destituído do cargo de prefeito de San Cristóbal. Mas , após sua prisão, eleições foram convocadas e quem venceu foi sua mulher Patrícia, hoje uma figura emblemática da oposição. Outro em prisão domiciliar é Antônio Ledezma, desde abril. (F S P, 12.08.2015, p. A-13).

Raul Baduel

O general Raul Baduel , foi um dos mais próximos colaboradores de Hugo Chávez, desde 1982 , e em 2002 foi um dos articuladores do movimento civil e militar que derrotou uma tentativa de golpe de Estado contra Chávez, bancada por empresários com apoio dos EUA, mas em 2007, então ministro da Defesa rompeu com Chávez por discordar de um projeto de reforma constitucional que pretendia aumentar poderes presidenciais e decretar a Venezuela como um Estado socialista.

Denunciada por Baduel, a proposta foi rejeitada pela população em referendo, numa das derrotas mais traumáticas para o chavismo.

Em 2009, o governo o prendeu sob acusação de ter desviado milhões de dólares do orçamento militar. Em 2010 foi condenado a oito anos de prisão pela justiça chavista.

Baduel foi libertado no dia 12 de agosto, após seis anos de prisão. Ele cumprirá em regime de liberdade condicional o ano e meio restante de sua pena. Está proibido de falar com a imprensa e de sair do Estado de Aragua ( centro-norte) e deve se apresentar ao tribunal a cada semana.

A pressão internacional contra as violações de direitos humanos cometidos pelas autoridades venezuelanas é que está levando o governo a libertar alguns presos políticos.

Mas dezenas ainda estão presos, entre eles Emilio Baduel, filho do general , e Leopoldo López , líder do Partido Voluntad Popular. ( F S P , 14.08.2015, p. A-11).

Observadores são essenciais

Para Arturo Valenzuela, ex-secretário assistente de Estado dos EUA, “É essencial que as eleições sejam vistas como legítimas não apenas pelo público externo, mas pela população venezuelana. E o melhor jeito de garantir essa legitimidade é aceitar a presença de observadores . Se não aceitarem observadores ( como afirmou o presidente Nicolás Maduro), ficará muito difícil a eleição ter credibilidade. ( F S P , 16.08.2015, p. A-17) .

Colômbia fronteira

Venezuela e Colômbia anunciaram no dia 21 de agosto um aumento da cooperação entre seus serviços de segurança para evitar incidentes fronteiriços .

No dia 20 de agosto, três militares venezuelanos foram feridos por disparos. Maduro disse que os militares foram alvo de uma emboscada de contrabandistas que, segundo ele, são parte de grupos mafiosos supostamente responsáveis pelo desabastecimento na Venezuela que na verdade é causada pelo controle de câmbio e de preço e pelos ataques ao setor produtivo.

Na avaliação de economistas, são justamente as políticas socialistas, que tornam vantajoso para colombianos comprarem alimentos na Venezuela.

Maduro acusou Bogotá de leniência no controle de fronteira e disse que a imigração de colombianos para a Venezuela “ só é comparável” ao fluxo de africanos à Europa , em um evidente delírio , pois qual é o estímulo que colombianos teria para entrar em uma Venezuela bolivariana?

Os problemas na fronteira incluem contrabando, atividades paramilitares e imigração ilegal. ( F S P , 22.08.2015, p. A-16) .

Maduro em 20 de agosto determinou o fechamento da fronteira com a Colômbia em dois pontos.

Nicolás Maduro declarou em 22 de agosto que só reabrirá a fronteira com a Colômbia após o restabelecimento da paz na região e o fim do “ataque” colombiano à economia do país. ( F S P , 23.08.2015, p. A-19) .

A situação somente piorou. Maduro fechou dois postos fronteiriços , decretou Estado de exceção pela primeira vez na história do país e deportou 1.113 colombianos, desde o dia 20 de agosto sob pretexto de retaliar o ataque à bala que feriu os três militares venezuelanos.

Destes, mais de 400 formalizaram, ao chegar a seu país, denúncias por maus tratos físicos e destruição de bens.

Prevalece entre diplomatas e analistas independentes a avaliação que as manobras de Maduro são uma tentativa de fortalecer o chavismo antes das eleições parlamentares.

Gerardo Arellano, da Universidade Central da Venezuela afirma: “ Estamos diante de medidas desesperadas, pelas quais o governo aposta no nacionalismo e na xenofobia para levar os venezuelanos a cerrar fileiras com o governo”.

Ele vê um paralelo entre essa crise e a recente escalada da Venezuela contra a Guiana sob pretexto de anexar o território de Essequibo: “ Maduro percebeu que não obteve o apoio de aliados, como Cuba, na questão do Essequibo e deixou o assunto morrer. A bola da vez é a Colômbia”.

Mas , o radicalismo de Maduro piorou as relações com a Colômbia. O governo do país irritou-se depois de forças de segurança venezuelanas arrancaram à força centenas de colombianos de suas casas e os deportaram sem dar chance de recolher seus pertences. As famílias foram separadas e algumas casas demolidas . Muitas casas foram pichadas com a letra “D” , de demolição. Parece com o tempo do nazismo em que os judeus tinha suas casas pintadas com a estrela de David amarela.

Outras casas foram marcadas com a letra “R” de “revista”. Significa que não serão destruídas por enquanto . Tudo isso sem nenhuma ordem judicial.

Muitos dos que tiveram a casa marcada para demolição se apressam para desmontá-las para aproveitar tijolos e madeira, a única forma de reduzir o prejuízo.

O governo venezuelano instalou, em Cúcula , situada a 20 minutos de carro da fronteira, um posto de atendimento aos deportados. Cerca de 864 adultos e 249 crianças receberam assistência.

O presidente , Juan Manuel Santos, disse em comunicado: “ Não nos faltará firmeza para defender nossos cidadãos, onde quer que sua segurança esteja ameaçada e seus direitos fundamentais violados”.

Os chanceleres dos dois países vão se encontrar no dia 26 de agosto para tentar amenizar a situação. ( F S P , 25.08.2015, p. A-8) .

Dezenas de colombianos deportados tentaram no dia 25 recuperar parte de seus pertences atravessando ilegalmente o rio Táchira que divide os dois países.

Temendo que seus objetos fossem destruídos ou recolhidos pelos soldados dezenas de pessoas, aproveitaram a maré baixa , atravessaram o rio até a suas casas nas favelas de San Antonio del Táchira , pegaram o que puderam e cruzaram o rio de volta transportando móveis e eletrodomésticos em uma cena patética.

O governo da Colômbia pediu no dia 25 que a fronteira seja reaberta. Comunicado conjunto dos ministérios das Relações exteriores e do interior da Colômbia afirmou: “A agressividade nos dois lados da fronteira não ajuda em nada a resolver a situação, assim como tampouco entendemos quem pretende tirar proveito da lamentável situação de nossos compatriotas”.

Uribe baixou o tom : “ Assim como Hitler difundiu o ódio contra os judeus, a ditadura castro-chavista se dedica a destilar o ódio contra o povo colombiano”.

As análises de venezuelanos são unânimes em destacar o total interesse eleitoreiro de Maduro diante da derrota inevitável.

“Certamente há interesse em alimentar a história do inimigo externo para unificar o eleitorado venezuelano”. Sandra Borda, da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Jorge Tadeo Lozano.

“Se o Estado de exceção for estendido por 60 dias adicionais, além dos 60 agora previstos, poderia afetar a campanha eleitoral que começa em 13 de novembro”. Felipe Jaramildo Ruiz, professor da Universidade Sergio Arboleda em Bogotá.

Que é uma crise fabricada por Maduro não há dúvida. Os deportados não parecem nem com contrabandistas , nem com paramilitares, são povo.

Segundo Sandra Borda “ Os colombianos que estão sendo deportados chegaram em sua grande maioria faz mais de dez anos. É gente que imigrou atraída pela bonança venezuelana [ nos anos de petróleo caro ] , que ficou e que, em parte , desfrutou dos subsídios implementados pelo governo venezuelano”. ( F S P , 26.08.2015, p. A-11) .

Eduardo Molina, 41 que saiu às pressas, com seus pertences nas costas e com a família mostrou muito bem a selvageria do governo de Maduro :” Soldados entraram em casa e me jogaram no chão. Eu tenho visto de residente, vivo aqui há 17 anos”, disse ao lado de cinco filhas, que ajudavam a levar os objetos.

A favela onde ele mora tomou forma há pouco mais de dez anos , por incentivo do então presidente Hugo Chávez ( Barinas é o nome do seu Estado natal).

Para marcar diferença dos vizinhos estrangeiros, famílias cravaram em suas casas bandeiras da Venezuela. ( F S P , 27.08.2015, p. A-10) .

Pessoas que vivem há anos na Venezuela, trabalhadores, são expulsos de suas casas , que são marcadas para demolição, sem nenhuma ordem judicial. Isso se chama ditadura.

E a chancelaria brasileira sobre estes atos criminosos de Maduro? Silêncio total.

Maduro foi criar um tremendo problema em uma cidade que é mais colombiana do que venezuelana. O funcionário público, Luís Leoncio , 41 afirma: “Nós tachirenses , somos mais parecidos com os colombianos, do que com as pessoas de Caracas”. Na agitada aglomeração, é comum moradores terem dupla cidadania.

O acesso a produtos tabelados explica em grande parte o fato de mais de 5 milhões de colombianos, a maioria de baixa rendam, continuarem vivendo na Venezuela , apesar do desabastecimento generalizado e da violência semelhante a países em guerra. A integração é tamanha, que o peso , moeda colombiana, circula normalmente em cidades de Táchira. Empresários da cidade pagavam em peso os melhores funcionários colombianos.

Com isso a integração da vizinhança , graças a Maduro, sofreu um golpe duríssimo. É uma situação profundamente traumática para a população dos dois lados da fronteira. ( f s P, 30.08.2015, p. A-18) .

No dia 26 , o secretário-geral da Unasul , o ex-presidente colombiano , Ernesto Samper, tornou pública, em nota, sua intenção de que o bloco participe de uma solução para a crise: “ Aos dois [presidentes] manifestei o desejo da Unasul contribuir para um arranjo bilateral sobre estas diferenças “. Ele pediu a “suspensão imediata “ das deportações de colombianos e a criação de um mecanismo bilateral para “gerenciar as diferenças cambiárias e de preços na fronteira , que levam ao contrabando. ( F S P , 27.08.2015, p. A-11) .

A Venezuela é uma ditadura e por isso o país teria que ser expulso do Mercosul, bloco que tem cláusula democrática. Mas infelizmente, o Brasil é simpático à ditadura venezuelana.

Em San Antonio Del Táchira, principal ponto de passagem entre Venezuela e Colômbia o que aconteceu foi o aumento das filas e do caos nos supermercados.

Apesar dos colombianos terem sido expulsos, as filas aumentaram porque o fechamento da fronteira gerou um nervosismo que levou moradores a tentarem estocar todo tipo de produto, acirrando ainda mais o desabastecimento crônico que assola toda a Venezuela.

O bloqueio da fronteira, não permite que os venezuelanos contornem o desabastecimento, comprando nas lojas e farmácias da Colômbia, a minutos de caminhada, onde os preços são mais altos, mas onde se encontra de tudo.

Quanto ao contrabando, era comum a prática de encher o tanque de carro na Venezuela , onde o litro custa menos de R$ 1 e esvaziá-lo na Colômbia onde é revendido dez vezes mais caro. Com a fronteira fechada, o movimento dos postos da região despencou.

Ao menos 50 mil pessoas transitavam diariamente na fronteira da área de Sant Antonio del Táchira. Com exceção dos supermercados , as outras lojas que abrem estão vazias e o prejuízo diário estimado é de US$ 400 mil para as empresas locais.

Os comerciantes se queixam também que os trabalhadores colombianos que foram deportados ou fugiram, desfalcaram indústrias , oficinas e restaurantes onde trabalhavam que ficaram da noite para o dia sem seus funcionários. ( F S P , 28.08.2015, p. A- 15) .

Nicolás Maduro no dia 28 de agosto, anunciou que vai agravar a situação. San Antonio Del Táchira e Urena estão fechados desde 20 de agosto. Agora ele mandou fechar também os postos que atendem as cidades de Lobatera, Ayacucho, Panamericano e Garcia de Hevia.

Ao todo, ficarão obstruídos 160 km , dos quase 2.300 da linha que divide a Colômbia da Venezuela.

Na nova área afetada, não existem postos importantes, mas passagens que vinham sendo utilizadas como alternativas para cruzar a divida nos últimos dias. ( F S P ,29.08.2015, p. A-19) .

Ditadura de Maduro

O jornalista Miguel Henrique Otero, diretor de redação do diário “El Nacional” está em visita ao Brasil . Disse que o governo de Maduro é uma ditadura.

“ Maduro ganhou eleições fraudulentas. Ou seja, não ganhou. Do ponto de vista dos direitos humanos , se cometem muitos abusos. A Venezuela é uma ditadura. As instituições estão sequestradas pelo Executivo. Tudo é arbitrário. Como os outros países podem fazer vista grossa? Ou olhar para esse governo com simpatia? Para mim , é incompreensível”.

Ele alerta o governo brasileiro para pressionar por fiscalização nas eleições: “ Adotar uma atitude diplomática diferente, pressionar pela presença de observadores nas eleições. A fraude é estrutural , mas com observadores , diminui”. ( F S P , 26.08.2015, p. A-10) .

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