Campanha eleitoral e estratégia - Abordagem Inicial

Noções básicas de estratégia para quem vai prestar serviços em campanha política neste ano eleitoral. E como as coisas mudaram do golpe pra cá.

Quem vai entrar na política neste ano precisa entender certas mudanças não somente na lei eleitoral (PLC 75/2015), mas também no comportamento do eleitorado para saber como oferecer a este algo que, por vezes, parece ser tão ingrato. Defender a sua imagem ou a imagem de alguém caro a você como algo que vai melhorar a vida das pessoas é hoje muito mais difícil do que foi antes.

Primeiro, um pano rápido sobre o que é Política. Do grego polis remete ao esforço de entendimento do grupo de líderes para o bem comum e o poder servia às pessoas. Hoje o conceito se distorceu para o esforço de convencimento de líderes para usarem as pessoas a serviço do poder. Isso se mostra na recente crise política, geradora da crise econômica e do desemprego no Brasil entre 2014 e 2016, ou seja, da última campanha presidencial até hoje.

Mas instrumentos como as redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat) e os mensageiros instantâneos (Telegram, Whatsapp) tiraram da TV o monopólio da informação e da interação entre pessoas e produtos/serviços. E as ideias circulam em velocidade muito grande e a política já não consegue mais usar as pessoas da forma que fazia antes. Aos poucos, cresce um sentimento de moralismo e repulsa das pessoas com a política e isso deve ser levado em consideração para quem quer levar um representante do povo à Câmara de Vereadores ou à Prefeitura de um município.

Também cresce gradualmente um clamor por maior participação do povo nas decisões políticas e as candidaturas mais inovadoras tem construído através de “Agendas”, seus Planos de Governo. O empoderamento popular é a diretriz sob a qual caminham os mandatos mais inovadores e isso acontece com participação de ONGs, Conselhos Comunitários e Temáticos, movimentos sociais, sindicatos, estudantes e indivíduos de uma comunidade unidos em um propósito: Usar a política como instrumento de mudança positiva na vida das pessoas. Todos os “efeitos colaterais” da política podem ser contornados se houver resultados positivos a mostrar.

A equação se inicia com a escolha de um nome “leve”, não necessariamente um nome novo, mas alguém que não traga em sua história um histórico de envolvimento com aquilo que faz com que as pessoas rejeitem a política. Um nome leve pode trazer a experiência de muitos anos de vida pública, de resultados positivos nos lugares onde passou. Porque serão os resultados positivos que ficarão em evidência durante a campanha e ajudarão na defesa contra as críticas que, com certeza, virão.

Escolhido o nome e definida a coordenação da campanha, uma análise de pontos fracos e fortes ajuda a identificar o que pode ser usado em favor do candidato na campanha e o que deve ser evitado – e como se defender quando estes pontos fracos forem usados por adversários e críticos à candidatura.

Na mesma análise devem ser identificadas as oportunidades e ameaças da campanha. Oportunidades estão em toda parte num município: educação (garantia de piso nacional dos professores, educação em tempo integral, pré-vestibular comunitário e outras ideias que podem se tornar projetos de Lei), defesa de segmentos sociais excluídos (idosos, PNE, indígenas) ou mesmo uma causa social virtuosa com que o candidato tenha mais identidade.

É uma aposta – talvez até uma vontade pessoal – mas candidatos associados à igreja (pastores) sofrerão grande rejeição do eleitorado, devido ao apoio da bancada evangélica ao impeachment da Presidenta Dilma Roussef (PT). As camadas mais populares da sociedade mostraram não somente rejeição ao afastamento da presidenta, como também rejeição ao governo interino, que, até o momento, promove um desmonte de vários programas sociais que atingem diretamente a este público. Já que as ameaças entraram na equação, outras ameaças podem ser o envolvimento do candidato em escândalos anteriores (que mesmo se houver silêncio da imprensa, oportunamente os opositores farão uso destas informações); neste caso a campanha deve ser orientada também para uma convincente defesa de qualquer acusação.

O que mais pesará a favor das candidaturas desta eleição em diante será a criatividade. Com prazo menor e menos dinheiro, as abordagens diretas serão mais utilizadas. Comícios serão feitos de forma coletiva e reuniões em casas e centros comunitários serão mais constantes, exigindo mais a presença do candidato em vários lugares num único dia. Um afinamento com o que voga nas redes sociais (personagens, gírias, memes, bordões) ajudará na abordagem do candidato especialmente com o segmento de juventude, que tem as redes sociais como principal fonte de informação e interação social. Mas que se tenha o cuidado de não tratar a juventude de forma infantilizada.

Enfim, a candidatura deste ano e dos próximos deverá ter alinhamento com o conceito antigo de polis, na tentativa paciente e contínua de quebrar a desilusão das pessoas com a política; e o futuro mandato deve corresponder às expectativas de enfrentamento aguerrido dos problemas do município. Desta forma, o poder corresponde ao que o povo espera dele e o que vem como consequência é a confiança das pessoas num mandato que realmente luta por elas. E isso trará mais poder.

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