Café com ADM
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Buscando o equilibrio

O veleiro é uma das embarcações mais interessantes, o número de forças que atuam sobre ele é incalculável. Suas velas recebem ventos das mais diversas direções, de seu posicionamento depende a velocidade do barco. A quilha é outro componente importante, em conjunto com as velas, funciona como balanço para que o barco não vire. Todos os componentes do barco têm funções bem definidas, formatos de proa, casco, e as relações entre comprimento e largura atuam sobre a performance numa harmoniosa relação de custo e benefício. O leme completa o conjunto tornando possível a direção. Sobre os veleiros, atuam as forças aerodinâmicas nas partes que estão sobre a superfície da água, e as forças hidro-dinâmicas, sobre as partes submersas. As relações de causas e efeito equilibram as forças independente de seus comportamentos físicos. Estas forças se complementam no veleiro e a união dos componentes atraem um conjunto infinito de outras forças para gerar o próximo movimento. A Indústria náutica é incansável no desenvolvimento de novos materiais e novos formatos, está sempre buscando novas soluções para otimizar a utilização das embarcações, seja por aumentar a capacidade de carga ou o desempenho de velocidade. Simuladores e soft wares aperfeiçoam a resistência e as formas em busca do desempenho e do equilíbrio perfeito. A aplicação do processo de melhoria contínua é constante. Estudos de rotas e ventos são aperfeiçoados a cada dia, permitindo o planejamento mais preciso das viagens. Longe de ser um especialista em embarcações, o que me fascina neste encontro de arte, forças, tecnologia e beleza que detêm os veleiros, é o equilíbrio atingido por estes veículos aquáticos. Tenho pensado no equilíbrio dos barcos, é tudo que precisamos em nossas vidas, equilíbrio. Suportar pressões profissionais, tensões com insegurança, incertezas, cobranças de resultados, conflitos e objetivos cada dia mais altos, tem sido um dos maiores desafios da vida contemporânea. Precisamos das compensações atingidas pelos veleiros, precisamos encontrar meios para tirar qualidade de vida e alto desempenho das forças e situações às quais estamos expostos e que muitas vezes nos incomoda. Como se trata de uma transformação e distribuição de forças e energia, a tarefa não é fácil. No barco, o velejador distribui estas forças de acordo com a necessidade das manobras, da velocidade ou da carga a transportar. Com gente é diferente, as forças que nos atinge são administradas por nós mesmos, e transitam entre a razão e a emoção deixando assim, de ser apenas uma simples relação de causa e efeito. Cada movimento, cada esforço, cada pensamento precisa de um motivo e de um sentido. Para que isto aconteça, apenas um sonho não é suficiente, precisamos também de um projeto e de um plano para realizar este sonho. Um sonho ou uma idéia são o início, assim como o barco ancorado no cais, o posicionamento dos acessórios e mantimentos seria o plano, enquanto a viagem, seria o desenvolvimento do projeto em direção a um destino, a realização. A partir do sonho o projeto e o planejamento deve ser traçado em terra firme e com bases sólidas. Problemas de percurso e imprevisões existirão, dificuldades também, no entanto podemos escolher nossa melhor trajetória, não esquecendo que problema são apenas parte da solução. Não há execução perfeita, sempre haverá necessidade de uma ou outra correção de rota. Não há vitória sem esforço, o equilíbrio é nosso melhor aliado na caminhada, torna mais claro o sentido de cada ação ou atitude que realizamos. Às vezes nos encontramos diante de perguntas sem respostas, nestes momentos precisamos mudar nossa estratégia, seja profissionalmente ou em nossa vida pessoal. A vida não pode ser resolvida como uma fórmula matemática, escreveu Fernando Pessoa: ...Navegar é preciso, viver não é preciso. Precisamos de uma combinação entre o exato e holístico para chegar a conclusões e soluções que nos satisfaçam. Buscar o equilíbrio requer tempo e sacrifício é uma viagem para nosso próprio interior, na qual, temos contato com nossos valores e nossas crenças, a partir daí começamos a separar nossas necessidades de nossos desejos. Está em equilíbrio, é está em paz; em movimento com direção e sentido definido. A serenidade encontrada diante de conflitos ou eventos adversos pode ser interpretada como uma das manifestações do estado de equilíbrio, assim como, a sensação de leveza que sentimos quando estamos em dia com nossa emoção e nossos compromissos. Sempre haverá forças estranhas adversas a nossa vontade. Para conquistar e desfrutar o que a vida tem de melhor para nos oferecer, precisamos buscar a leveza, a tranqüilidade de um barco a navegar. Laercio Lins Filho llof@uol.com.br
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