Burocracia no século XXI
Burocracia no século XXI

Burocracia no século XXI

Vilã ou mocinha?

Quando ouve a palavra BUROCRACIA, a imagem que vem imediatamente ao seu imaginário é a de um setor público repleto de papéis e um número sem fim de formulários para preencher?

Se foi isso o que pensou, acabou de cair em um lugar-comum bastante disseminado, quando o assunto é esse, mas não se preocupe: aqui percorreremos brevemente a história da teoria burocrática, e identificaremos como ela se manifesta nas organizações atualmente.

Primórdios e Origens

No início do século XX, o economista e sociólogo alemão Max Weber percebeu que as mudanças religiosas ocorridas após o Renascimento possuíam íntimas relações com o capitalismo, e por isso propôs-se ao estudo dos tipos de sociedade e autoridade.

Depois de distinguir os tipos de sociedade em Tradicional, Carismática e Legal (ou racional, ou burocrática), identificou em cada uma delas um tipo próprio de autoridade. A autoridade burocrática é aquela onde há crença na justiça das normas legais formalmente definidas (leis), legitimando as ordens dos superiores hierárquicos numa organização. Com isso, foi possível reconhecer em seu modelo burocrático a teoria que supriria a lacuna existente nas abordagens anteriores (Teoria Clássica e das Relações Humanas).

Conceito

A burocracia, sob ótica weberiana, pode ser conceituada como o modelo ideal de organização, baseado na racionalidade como instrumento para atingir a máxima eficiência no alcance dos objetivos.

Configura-se como racional, e possui meios adequados aos fins, garantindo maior precisão, continuidade e confiabilidade organizacionais.

Características

Max Weber elenca dez características da burocracia:

  • Legalidade das normas e regulamentos

As normas e regulamentos (escritos) possuem força de lei, pois outorga ao indivíduo empossado de autoridade, poder de coação sobre os subordinados (dominação legal), bem como meios de coação à disciplina (esquema hierárquico).

  • Formalidade

A documentação em linguagem escrita é utilizada para registrar todas as regras, decisões e ações administrativas, a fim de torna-las comprováveis, constantes, organizadas. Para isso, serve-se de rotinas e formulários que viabilizam a comunicação.

  • Especialização e divisão do trabalho

As tarefas e os poderes são atribuídos (formalmente) a cada colaborador conforme a especificidade das funções e responsabilidades do respectivo cargo. Com isso, pretende-se evitar interferências nas competências alheias, bem como outros prejuízos à organização da estrutura social.

  • Impessoalidade

Para que a burocracia garanta a sua continuidade, a divisão do trabalho é realizada considerando os cargos e funções, e não o indivíduo, uma vez que os cargos e funções são permanentes, enquanto as pessoas são transitórias.

  • Hierarquia

A alocação da autoridade é realizada pelo princípio da hierarquia, onde cada cargo inferior é controlado e supervisionado por um posto superior, visando a proteção do subordinado a ações arbitrárias de seu superior.

  • Padronização

A maximização da produtividade requer a fixação das regras e normas formalizadas no desempenho de cada cargo. Os padrões conferem fluidez na avaliação de desempenho dos colaboradores.

  • Qualificação

A burocracia necessita de critérios de qualificação profissional para escolher as pessoas que ocuparão cargos. Assim, a avaliação e classificação devem contemplar métodos que considerem as competências técnicas e o mérito, tais como concursos, exames, testes e provas de títulos durante os processos de seleção, admissão, transferência ou promoção dos funcionários.

  • Especialização da administração

Os gestores da burocracia não são seus donos, mas sim profissionais especializados na sua administração, ou seja, os meios de produção não são propriedade dos burocratas.

  • Profissionalização

Na burocracia, cada funcionário é um profissional que, de acordo com o nível hierárquico, poderá ser mais ou menos especializado. Além disso, todos devem receber salários correspondentes ao cargo que ocupam. Devem possuir contratos (não temporários) e usufruir de perspectiva de ascensão (carreira). A gestão deve ser efetuada por administradores profissionais, devido subdivisão e diminuição do controle acionário, quando os investidores dispersam o risco de seu investimento; também pela possível variação do número de acionistas.

  • Previsibilidade

O modelo weberiano pressupõe total previsibilidade do comportamento dos colaboradores, uma vez que as normas e regulamentos devem ser rigorosamente cumpridos para maximização da eficiência organizacional.

Nem tudo são flores...

Diversos estudiosos têm identificado limitações da burocracia, contribuindo significativamente para o desenvolvimento dessa importante teoria. Dentre as principais críticas, destacamos a do sociólogo estadunidense Robert Merton (1952), que identificou, a partir da análise das consequências imprevistas, disfunções da burocracia, como apego aos regulamentos, excesso de formalismo, resistência às mudanças, despersonalização do relacionamento, dentre outras, que resultam em ineficiência.

Por outro lado, Victor Thompson (1967) analisou a burose e a buropatologia. A primeira refere-se à aversão em seguir regulamentos, e a segunda, é o oposto: vício em seguir os regulamentos, mesmo quando não possuem nenhuma eficácia. Para esse autor, o principal problema da burocracia é o distanciamento entre o poder e a competência.

A burocracia nas organizações atuais

Apesar das críticas à teoria burocrática de Weber, ela ainda serve de base a muitas organizações. Como exemplos, citamos as normas ISO 9000, o direito administrativo, a lei nº 8.666, regulamentadora das compras públicas, etc.

Lembramos que as teorias desenvolvidas ao longo da história da ciência administrativa são conhecimentos complementares, cujas práticas que levem aos melhores resultados devem ser mantidas e incorporadas ao processo de gestão.

Fonte:

Victor A. Thompson, Moderna Organização, Rio de Janeiro, Livraria Freitas Bastos (USAID – Aliança para o Progresso), 1967.

Chiavenato, Idalberto, Introdução à teoria geral da administração – 8. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

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