Brexit: incerteza permanece no mercado financeiro em julho

Investidores mantém a desconfiança quanto às consequências do referendo.

Desde sua confirmação, o rompimento do Reino Unido com a União Europeia vem causando expressiva instabilidade no mercado financeiro. Duas semanas após a votação do chamado Brexit, os investidores ainda sentem as consequências da decisão.

Julho começou com a notícia de que o Banco da Inglaterra (BoE) tomou medidas para tentar amparar a economia do Reino Unido. Bancos e instituições financeiras tiveram exigências de capital reduzidas, possibilitando aumentar os empréstimos a famílias e empresas em 150 bilhões de libras.

O Chanceler do Tesouro britânico, George Osborne, divulgou declaração conjunta com os principais líderes de bancos. “A decisão do Reino Unido de sair da União Europeia claramente apresenta desafios econômicos que estamos determinados a trabalhar coletivamente para resolver”, dizia trecho do documento. A decisão representa uma iniciativa para favorecer a concessão de créditos e evitar que a economia britânica sofra fortes retrações.

Algumas bolsas asiáticas entraram neste mês pressionadas pelo resultado do referendo. A bolsa japonesa, por exemplo, apresentou queda de 0,67% do Nikkei. Em contrapartida, houve valorização do iene em relação ao dólar. Isso porque a moeda nipônica é considerada mais segura e é bastante procurada em momentos de incertezas. Às 7h25 da última quinta-feira (07/07), o dólar caiu a 101,15 ienes.

Outro mercado asiático, a China, exibiu aumento inesperado mesmo com a confirmação do Brexit. De acordo com dados do Banco do Povo da China (PBoC), no fim do mês de junho as reservas chinesas somaram US$ 3,205 trilhões. A previsão para o período era de desvalorização do yuan e uma queda de aproximadamente US$ 22 bilhões nas reservas. Todavia, elas demonstraram alta de US$ 13,43 bilhões em comparação à maio de 2016.

A libra esterlina, por sua vez, foi fortemente afetada pela ruptura do Reino Unido com a UE. No dia seguinte à votação, as cotações da moeda britânica chegaram a US$1,3483, um dos menores valores das últimas três décadas. Em julho, os temores quanto às consequências do Brexit perduraram e a libra continuou sendo cotada em patamares bastante baixos.

Os investidores permanecem temerosos em relação ao futuro da economia britânica. As principais bolsas da Europa e os índices futuros em Wall Street apresentaram perdas na primeira semana de julho. Os principais motivos para esse cenário foram a divulgação da iniciativa do Banco da Inglaterra quanto aos empréstimos bancários e também o anúncio da suspensão dos resgates de três grandes fundos de investimento imobiliário do Reino Unido.

Todavia, o mês não trouxe somente perdas. A nomeação de Theresa May como líder do Partido Conservador inglês e nova primeira ministra do Reino Unido foi considerada uma boa notícia para o mercado. Após a confirmação, a libra seguiu em tendência de alta.

Entenda o Brexit

O referendo para decidir se o Reino Unido permaneceria na União Europeia ocorreu no dia 23 de junho. Apelidado de Brexit, do inglês Britain (Bretanha) e exit (saída), a votação fechou com 51,9% de votos a favor da ruptura com a União Europeia.

Após à publicação dos resultados, o então primeiro ministro do Reino Unido, David Cameron, anunciou que deixaria o cargo. Cameron havia se mostrado publicamente a favor da manutenção dos britânicos no bloco europeu e reconheceu que não se via como a melhor liderança para conduzir o Reino Unido nesta nova fase.

Durante as semanas anteriores à votação, o mercado financeiro reagia às expectativas do Brexit e chegou a apresentar quatro quedas consecutivas nas principais bolsas europeias. Com a comprovação de ruptura dos britânicos com o bloco econômico, o pregão do dia 24/06 mostrou grande força vendedora referente aos ativos europeus.

No dia seguinte à votação, o índice FTSE 100, um dos principais da bolsa londrina, teve perda de cerca de 120 bilhões de libras esterlinas já nos primeiros minutos do pregão. A Bolsa de Londres apresentou queda de aproximadamente 6%. Entre os mais prejudicados por essa tendência de baixa estão ações de bancos e grandes instituições, como Barclays e Royal Bank of Scotland.

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