Brainstorming – do Presencial ao Eletrônico, A Eterna Máquina de Produzir Idéias

Brainstorming do Presencial ao Eletrônico, A Eterna Máquina de Produzir Idéias O brainstorming desenvolvido pelo publicitário Alex Osborn, nos anos 40, foi rapidamente incorporado à linguagem das empresas. Trata-se da mais conhecida técnica de geração de idéias, notadamente eficaz quando usada adequadamente. De fato, a popularidade do brainstorming o banalizou a ponto de, às vezes, seus princípios não serem mais considerados. Nesses casos, a chamada tempestade cerebral se transforma numa lista de clichês, sem levar em conta seu principal componente, a criatividade. Vamos então aos princípios: O brainstorming possui duas etapas: a divergente, na qual a proposta é produzir muitas idéias; e a convergente, na qual as sugestões são selecionadas, agrupadas e avaliadas. A etapa convergente não é muito diferente do que fazemos no nosso cotidiano: somos todos experts em fazer julgamentos, aprovar, vetar, etc. Já a etapa divergente pode parecer mais difícil: ela exige ousadia, capacidade de combinar soluções e até um certo esforço mental para direcionar o pensamento para além do trivial. As regras do brainstorming adiar o julgamento, visar à quantidade, combinar e aperfeiçoar idéias alheias têm sua razão de ser: quando direcionamos o pensamento a um determinado sentido, potencializamos nossa capacidade mental. Por exemplo, quanto mais observamos detalhes, maior a nossa capacidade de percebê-los. Da mesma forma, quanto mais idéias temos, maior a nossa capacidade de produzi-las. É por isso que, nessa fase, não importa se as sugestões são boas ou não, o que importa é a fluência de idéias. Além disso, as propostas ditas malucas são justamente aquelas que têm mais potencial para inspirar idéias originais e válidas. Podemos observar que, mesmo que os princípios do brainstorming sejam entendidos, não é fácil praticá-los. Um estudo do Journal of Personality and Social Psychology, dos EUA, verificou que um brainstorming em equipe gerou 28 propostas, 20,8% das quais consideradas boas. O mesmo número de pessoas trabalhando individualmente com uma demanda semelhante gerou 74 idéias, 79,2% consideradas boas. Explica-se: os grupos atuam em conformidade com seus valores. Na prática, as pessoas temem falar aquilo que não é senso comum e serem reprovadas. Portanto, um grande inimigo do brainstorming é a cultura das organizações: normalmente valoriza-se o bom senso, os acertos, as boas argumentações. Entretanto, na etapa divergente do brainstorming, o que importa é o arrojo, a fluência e as elucubrações. Organizações como a IDEO, empresa de design e benchmark global em criatividade, possuem uma cultura toda voltada para a diversidade, a ousadia, a capacidade de ser diferente. Entretanto, não seria possível, nem pertinente, que bancos, indústrias químicas e montadoras, ou seja, empresas que precisam inovar (e quais não precisam?) possuam uma cultura semelhante à das empresas de design ou das agências de propaganda. O desafio é combinar a coragem de quem está produzindo idéias sozinho (e que, portanto, não teme ser censurado) com a riqueza da diversidade, a sinergia criativa e a capacidade de aperfeiçoar sugestões alheias. Para ter o melhor dos dois mundos, as empresas podem contar com a ajuda de um facilitador que legitima a técnica e cria um clima de estímulo e permissão. Quero, portanto, compartilhar minha experiência como facilitadora, sem pender para o presencial nem para o virtual, até porque a escolha tende a ser feita principalmente em função das necessidades das equipes. Apresento, abaixo, alguns exemplos de procedimentos possíveis em ambos os casos, sempre respeitando os princípios da técnica: 1. Pensamento adequado para as diferentes etapas: No brainstorming presencial, sinalizo o momento de a equipe atuar de forma divergente ou convergente; e proponho aquecimentos para gerar o clima adequado. No brainstorming eletrônico, o clima pode ser provocado por breves explicações e exemplos de cada etapa, que podem ser pontuados pela cor ou ícone que acompanha a mensagem, já previamente estabelecida pela equipe. 2. Ausência de componentes intimidadores: No brainstorming presencial, aplico técnicas e táticas específicas. O brainstorming eletrônico pode se valer do anonimato total e cada participante pode ter um ou mais pseudônimos. Garanto que o resultado é frutífero e, pelo que já vi, o processo torna-se muito divertido! 3. Quantidade de idéias: Numa situação presencial, desafio o grupo a dar um número determinado de idéias em um breve período de tempo. Por exemplo: para estimular a fluência no brainstorming eletrônico, podem ser estabelecidas regras tais como mandar, no mínimo, cinco ou mais idéias por vez. 4. Utilização de outras técnicas: Há várias técnicas e táticas que podem ser sugeridas durante o brainstorming, tais como as provocações de Edward de Bono (atalhos que fazem com que as pessoas evitem o pensamento linear). Numa reunião presencial, o facilitador percebe a necessidade do grupo e sugere técnicas ou táticas, mas nada impede que um membro do grupo ou o moderador as traga virtualmente. 5. Avaliação e seleção de idéias: Na etapa convergente, em ambos os casos, todas as idéias devem estar registradas, seja no papel, seja no computador. No brainstorming eletrônico, as idéias podem ser apresentadas de forma mais agradável visualmente, e a avaliação e seleção das mesmas também poderão ser feitas anonimamente. De fato, o brainstorming eletrônico não é apenas um veículo para fazermos as mesmas coisas à distância e de maneira assíncrona, mas uma iniciativa que pode ser muito rica se soubermos adaptar os princípios da técnica ao mundo virtual. Às equipes que se propõem a utilizar o brainstorming eletrônico, recomendo: 1. experiência presencial prévia e conhecimento uniforme da técnica; 2. um facilitador/moderador que forneça feedback ao grupo, complemente eventuais lacunas de aprendizagem com e-learning e estimule a participação; 3. humor, prazer e o espírito das comunidades virtuais não profissionais; 4. associá-lo a outras iniciativas virtuais. Minha intenção não é esgotar as possibilidades, mas sim incitar a aplicação da técnica.
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