Boas idéias - Onde consegui-las?

Para conseguir boas idéias o líder tem que buscar pessoas talentosas e compreender que os colaboradores não são seus, são colaboradores de idéias.

Existe uma concepção errônea de que o bom líder tem que necessariamente ser a origem de todas as idéias brilhantes. Isto não é verdade, até porque a fonte de idéias não é o mais importante. O que interessa é o fato dos líderes apoiar e encorajar as pessoas a gerar novas idéias, porém, a insegurança e a prepotência de muitos gestores fazem com que estes inibam e até roubem idéias de seus subordinados apresentando-as como suas. O verdadeiro líder deve entender que a melhor maneira de vencer não é chegar junto, derrubar, roubar idéias e sim, antecipar-se, chegar antes, conseguir boas idéias.

Para conseguir boas idéias o líder tem que buscar pessoas talentosas e compreender que os colaboradores não são seus, são colaboradores de idéias e como líder deve se colocar como simples catalisador destas idéias. Qualquer negócio, independente de seu ramo ou tamanho, requer uma transfusão maciça de talentos e idéias e estes é mais provável serem encontrados entre os não-conformistas, dissidentes e rebeldes e não naqueles colaboradores metódicos e comportadinhos. Sei que isso pode parecer um pouco exagerado, porém, sabemos que não é fácil conseguir pessoas talentosas, a concorrência está acirrada também nesta área, apesar de muitas empresas abrirem mão delas sem se aperceberem. Em administração a única coisa que não sai da moda é o talento, independente da época, lugar ou estilo, orientar-se pelas idéias de pessoas talentosas talvez seja uma das características mais importante para um bom líder.


Mas, também não é suficiente para conseguir êxito, Ken Blanchard em seu livro Gung Ho, expressão chinesa associada aos conceitos de motivação, colaboração e interajuda que nos USA vulgarizou-se com a expressão go for it que quer dizer força, diz que como num jogo de futebol, o líder deve entusiasmar a equipe, aplaudir, incentivando-os a marcar o gol, pois sem pontuação não há jogo. O livro conta a história de uma gestora que tem a natureza como modelo e administra uma fábrica com base nos ensinamentos de um índio. Para ela existem três segredos para o sucesso de um empreendimento; o espírito do esquilo, o método do castor e o talento dos gansos.

O espírito de esquilo foca a energia das pessoas, dá uma visão. A principal característica do esquilo é ser trabalhador, os esquilos nunca param estão sempre trabalhando, trabalham arduamente porque consideram que seu trabalho vale a pena. Eles reconhecem que com o seu trabalho fazem a diferença, e que trabalham por um objetivo comum.

O castor controla as suas ações até atingir o objetivo, para isso, é necessário respeitar, ouvir e levar em consideração os pensamentos, sentimentos, necessidades e sonhos de cada um.

Quanto aos gansos, sabemos que eles voam em grupo. Quando o líder está cansado se junta ao grupo e outro assume a liderança do vôo. Trata-se de uma liderança partilhada, por outro lado, quando estão juntos fazem grandes algazarras, como se estivessem congratulando-se, este é o principal dom do ganso, a felicitação. Para implantar este dom na empresa é preciso que o líder faça felicitações verdadeiras, estas podem ser diretas, como um elogio, um sorriso, um afago ou um aperto de mão ou indireta quando entrega a alguém o trabalho mais importante dando-lhe total liberdade para sua execução. Qualquer que seja a forma elas têm que ser verdadeiras. Importante também é comemorar o progresso, como fazem os gansos, concordo com o que disse Blanchard, é preciso entusiasmar a equipe, incentivá-la a fazer o gol, uma vez que sem pontuação não há jogo, mas é importante também, comemorar os progressos e não somente os gols.

Para isso muitas empresas fazem um esforço enorme para buscar a descentralização e esta requer líderes que escolhem, criam, convencem e causam, enfim, líderes que possam tomar decisões em todas as camadas e setores da organização, são estas as razões que fazem com que o mito de que líder é o que está no topo da hierarquia estar tão enraizado na sociedade.

As pessoas se referem a gestor ou a líder como se fossem sinônimos, mas decididamente não são. Muitas vezes quem está no topo da hierarquia não é necessariamente líder. Definir normas não constitui a essência do líder. Ordenar, gerir, chefiar, embora sejam atribuições importantes de um gestor, não são sinônimos de liderança. É claro que o ideal é que os gestores tenham capacidade de liderança e a recíproca também deveria ser verdadeira, ou seja, os líderes terem capacidade de gestão.

Liderança é um tema que vem sendo discutido desde os mais remotos tempos pelo homem, apesar de ser perigoso e é perigoso porque significa desafiar as pessoas a mudar os hábitos, os valores, a vida, o que tende a gerar estresse. Infelizmente, muitas vezes alguns gestores reagem atacando, denegrindo a imagem do líder, inventando e construindo inverdades para justificar posturas autoritárias por não conseguirem conquistar a simpatia e a admiração de seus comandados. Ser líder não mais significa apenas ter visão, reunir pessoas e montar uma equipe em torno de si, agora os desafios são detectar as mudanças e fazer com as pessoas se adaptem a estas mudanças. Este é o papel do líder, aprender e ensinar todos a lidarem com os conflitos existentes entre as crenças e a realidade a ser enfrentada, é por isso que o líder deve ter força emocional para tolerar incerteza, frustração, angustia e dor, mas também não precisa chegar ao absurdo de levar adiante o mito do qual o líder é um guerreiro solitário, ao contrário deve lidar com os conflitos existentes entre as crenças e a realidade a ser enfrentada junto com sua equipe de forma coesa e harmoniosa, é como diz o poeta, nos somos, cada um de nos anjos, com apenas uma asa e só podemos voar abraçando um ao outro, o que eu quero dizer é que o líder sozinho não é nada.



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