Bem vindo ao mundo: pegue sua ficha e aprenda a dançar sozinho

O mundo não está nos perguntando se queremos dançar sozinhos. Ele nos impõe isso. Eu te pergunto: vamos dançar juntos?

Hoje meus pais voltaram de uma festa de formatura de faculdade. Perguntei como tinha sido e se estava divertido. A resposta foi positiva mas com um complemento: "Estamos fora de forma para festas. Hoje em dia só existem musicas individuais". Por um momento não dei muita bola para o comentário do meu pai, mas depois fiquei pensando o quanto isso significa para ele, para minha mãe e para todos que, diferentemente da geração a qual eu pertenço, eram acostumados ao tempo em que ainda existiam músicas "não individuais". A época da brilhantina e das matinês. Época em que o horário para voltar das festas é o horário que hoje em dia nós jovens fazemos o check in na balada.

Esta pequena manifestação de se sentir "peixe fora da água", de meu pai, me fez pensar sobre o momento em que vivemos e concluir que apesar de estarmos na era da conexão e do compartilhamento estamos cada vez mais construindo a era do "aprenda a dançar sozinho".

Passamos da era das coreografias em grupo para as músicas individuais. Da era das conversas com descobertas para as conversas a respeito do que foi postado no status da rede social. Passamos da era da rede social (mesmo) para a era da rede social online - em que todos sabem DE você, mas poucos mesmo sabem quem É você.

Passamos da era das conversas despretensiosas onde o tempo voava por que curtiamos adoidado cada segundo - para a era da ansiedade onde o tempo voa por que estamos ficando adoidados com tanta conversa furada. Da era quando o cansaço era por ter ficado a tarde inteira jogando taco ou por termos sido bombardeados jogando mata soldado na rua para a era do cansaço mental onde somos bombardeados de informações que nem queremos saber.

Sei que o momento é outro, o mundo evoluiu muito. Demos saltos gigantes em vários aspectos nos ultimos anos. Mas dançar sozinho é triste. Dançar sozinho não traz boas lembranças. "Boas lembranças só são boas lembranças quando compartilhadas".

Faça um exercício mental e tente lembrar dos melhores momentos da sua vida.

Todos eles, possivelmente, foram compartilhados com alguém especial. Uma dança com passinhos, uma boa conversa com alguém que você 'puxou assunto', um jogo com os amigos no final de um dia ensolarado.

O mundo não está nos perguntando se queremos dançar sozinhos. Ele nos impõe dançarmos sozinhos, mas me pergunto aonde que dançar sozinho pode nos levar, e não enxergo outro fim que não seja a solidão.

Assim como você também eu quero que o mundo saiba que minha resposta para ele é: quero continuar dançando a música da vida de preferência abraçada a quem constrói comigo a minha vida e não quero nunca, dançar sozinha essa dança.

Vamos dançar juntos?

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