Balanced Scorecard aplicado às organizações modernas

Eficácia, Eficiência e Efetividade nas ações organizacionais através da utilização de uma das metodologias de avaliação e controle estratégico mais aplicadas no universo corporativo

Desenvolvida em 1992 pelos professores da Harvard Business School (HBS), Robert Kaplan e David Norton, a metodologia denominada Balanced Scorecard, também conhecida pelas suas iniciais BSC, é uma importante e poderosa ferramenta para avaliação e controle estratégico.

A palavra estratégia é de origem grega. Em suas acepções iniciais apresentadas, há vários séculos atrás, por generais e altos oficiais militares, essa palavra nos remete a conceitos fortemente ligados à conquista de objetivos militares. Nos tempos atuais, o ambiente mercadológico, amplamente competitivo e globalizado, apropriou-se da conceituação e da abordagem estratégica. Com algumas adaptações em seus desdobramentos e preservando seus conceitos fundamentais, a doutrina contemporânea define estratégia organizacional como um esforço que direciona e ordena as pessoas e os recursos em direção aos objetivos organizacionais desejados. Faz-se importe observar a conceituação de Pearce e Robinson que, em sua obra definem a estratégia como a "adequação competitivamente superior entre a organização e seu ambiente, visando ao alcance de seus objetivos".

Autores renomados, como Chiavenato e outros, utilizam amplamente em suas obras o termo Planejamento Estratégico. Trata-se de uma denominação aplicável a um processo organizacional multifásico, geralmente com uma proposta de longo prazo, que envolve todos os níveis da organização e tem implicações em todas as áreas de interesse da mesma. Embora não seja conceituação unânime entre todos os doutrinadores, podemos encontrar nas obras de Chiavenato um conjunto de fases que compõem o Planejamento Estratégico. Tais fases, segundo a doutrina majoritária, são:

- Definição do negócio: área de atuação e raio de abrangência da organização;

-Definição da Missão, Visão e Valores organizacionais;

- Diagnóstico da organização e do ambiente;

- Formulação e;

- Implementação e Controle;

Podemos observar, independentemente da doutrina utilizada, que o processo de planejamento implica a definição dos objetivos desejados, a elaboração de planos e adoção de medidas necessárias ao alcance dos objetivos definidos e controle das ações realizadas para certificarmo-nos de que há um avanço em direção aos objetivos definidos. Nesse sentido, cumpre relembrar que o Processo Administrativo, definido inicialmente por Fayol e aprimorado ao longo das décadas é constituído das funções:

- Planejamento, Organização, Direção e Controle

Feita essa conceituação inicial, devemos voltar nossos esforços para a Função Controle. Tanto nas Funções do Processo Administrativo, quanto nas fases do Planejamento Estratégico, temos o Controle como elemento fundamental. Tão importante quanto ter objetivos e dispor de meios para alcança-los é ter a certeza de que tais objetivos serão atingidos. Por isso Kaplan e Norton criaram o BSC como ferramenta de controle estratégico. Inequivocamente, a metodologia ora tratada não é adotada no processo de formulação da estratégia, mas sim exclusivamente em seu processo de controle e avaliação.

Os eminentes autores do BSC observaram que as organizações avaliavam sua eficácia e sua eficiência através de indicadores financeiros apenas. Além da curtíssima visão mercadológica dos indicadores financeiros, esses só retratavam fatos passados da organização e não eram suficientes para compreender toda a sua complexidade. Analisar a organização apenas sob a ótica financeira já não era mais suficiente para garantir sua longevidade em um ambiente globalizado, de alta competitividade e concentração da concorrência.

Por essas razões, Kaplan e Norton propuseram uma metodologia capaz de avaliar e medir ativos intangíveis, cada vez mais importantes para organizações na era do conhecimento, avaliar indicadores passados e medir fatores que levariam a organização a ter sucesso no futuro.

A metodologia BSC constitui-se de um conjunto de indicadores de resultados, financeiros e não financeiros, que quando aplicados possibilitam aos gestores uma visão multifocada, ampla e abrangente da organização. Esses conjuntos de indicadores, chamados de Perspectivas, se desdobram em quatro grandes grupos. São as seguintes perspectivas:

-Financeira (perspectiva ligada às áreas fim)

  • foco para objetivos e medidas das outras perspectivas
  • normalmente indicadores de lucratividade.
  • Exemplos: receita líquida, margem líquida, retorno investimento

-Clientes/Mercado (perspectiva ligada às áreas fim)

  • identificar os segmentos em que a empresa atuará
  • alinhamento das medidas essenciais de resultados
  • estabelece medidas de desempenho que serão aceitas
  • Exemplos: satisfação, retenção dos clientes, lucro por cliente e participação de mercado.

-Processos Internos (perspectiva ligada aos meios de produção)

  • processos críticos que a organização deve focar
  • mapeia processos que geram lucro e satisfação clientes
  • demanda a prévia fixação das outras duas perspectivas
  • focalizar métricas que conduzirão aos objetivos

-Aprendizado e Crescimento

  • preparação para desafios futuros
  • desenvolvimento de objetivos,medidas de crescimento
  • pessoas, sistemas de informação, procedimentos organizados
  • foco nos capitais humano,informacional,organizacional

Aplicados em inúmeras organizações comerciais, financeiras e industriais, dos mais variados portes e em áreas geograficamente dispersas ao redor do globo, os conceitos da metodologia têm comprovado sua eficácia na apuração dos dados estratégicos e sua eficiência na formulação de ações corretivas.

A lucratividade não é negligenciada, mas as organizações conseguem, através do BSC uma avaliação mais clara de diversos aspectos importantes. Dentre os inúmeros recursos e análises que podem ser feitos através das quatro perspectivas do BSC, podemos ressaltar a avaliação que a organização faz de sua imagem perante seus clientes, conseguindo mensurar o valor de mercado de suas marcas, bem como as previsões de crescimento ou declínio do consumo. Ressalta-se também que através do BSC, é possível realizar uma avaliação crítica da eficiência dos processos internos, bem como avaliar as ações de Treinamento e Desenvolvimento que possibilitem à organização manter-se competitiva e preparada para desafios futuros.

Através do BSC os gestores conseguem comunicar a estratégia elaborada pela cúpula a toda organização e com isso gerar informações claras, precisas e facilmente compreensíveis por todos os níveis organizacionais. Tais elementos são fundamentais ao alinhamento das iniciativas individuais aos objetivos e desejos organizacionais e interdepartamentais, visando alcançar uma meta comum, reduzindo gastos e maximizando os resultados positivos.

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento