Avaliação de Intangíveis em organizações sem fins lucrativos

(Este artigo é parte do trabalho publicado no Profundão 2007 – 11° Encontro de Engenharia de Produção da UFRJ. O artigo completo está disponível aqui )

Nos últimos anos, alguns aspectos que não estão explícitos em valores no Balanço das Empresas vêm sendo valorizados por consultores, pesquisadores e empresários. A preocupação com Responsabilidade Social pode fazer a diferença na escolha de um parceiro de negócios ou na tomada de decisão de um consumidor. Cada vez mais ouvimos falar sobre a importância do Capital Intelectual (CI) nas empresas. Somente em empresas? Não, este tipo de “ativo”, intangível, também é considerado em organizações não governamentais (ONGs), em associações, institutos e em órgãos do governo.

Neste contexto de mudanças, faz-se necessário o estabelecimento de métodos que auxiliem na avaliação de ativos intangíveis em organizações sem fins lucrativos: conhecimento, marca e rede de relacionamentos são apenas alguns.

Uma campanha de imunização tem um custo: seringas, a vacina, pessoal, transporte, divulgação. Porém, o valor da população imunizada é intangível. A literatura reforça as diferenças existentes entre os valores que compõem o balanço de uma empresa e o seu valor de mercado. Um exemplo seria a marca Google e o seu valor de mercado, avaliado em bilhões de dólares. Ou seja, muito além de valores que constam em seus livros-caixa.

O “valor de mercado” em uma organização pode ser observado de dois pontos de vista: interno e externo. Internamente observa-se o passado, por meio de indicadores internos específicos para a instituição. Externamente, busca-se justificar políticas desejadas e oferecer informação para tomadores de decisão para processos da organização. Financiadores
necessitam obter informações sobre o verdadeiro valor de uma organização, o desempenho no passado e sobre o seu potencial.

A partir de alguns indicadores apontados em um trabalho - Balancing Accounts with Knowledge (1999), consulta à literatura e debates em aula durante o curso de pós-graduação em Engenharia de Produção, na UFRJ, foram sugeridos (CHAMOVITZ, 2007) 8 possíveis critérios para medir os ativos intangíveis em organizações sem fins lucrativos:
  • Governança – existência de transparência, estratégia bem estabelecida e identificada.
  • Processos Internos – normas, metodogias, formalização, para as atividades.
  • Recursos Humanos – atenção na contratação, capacitação de pessoal, manutenção do corpo funcional. A localização e identificação dos principais colaboradores devem fazer parte do conhecimento da alta direção.
  • Cultura Organizacional – A cultura deve estar bem estudada e mapeada. Segundo Schein (2006), "culturaorganizacional é um conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu ao aprendercomo lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna e que funcionaram bem o suficiente para seremconsiderados válidos e ensinados a novos membros como a forma correta de perceber, pensar e sentir, em relação aesses problemas".
  • Potencial de inovação – tendência à criação e monitoramento de novos projetos, não apenas em pesquisa e desenvolvimento, mas também prevendo a estrutura necessária para sustentabilidade do projeto.
  • Rede de Relacionamentos – acompanhamento e evolução por meio da ampliação de contatos em produção e participação em eventos (seminários, simpósios, cursos).
  • Notoriedade / Marca – reconhecimento da marca, de forma positiva, por usuários de serviços, clientes, observadores;divulgação em meios de comunicação (televisão, jornais e revistas, rádio, internet, etc.).
  • Facilidade para reestruturação – estabelecimento de novas competências e estruturação de atividades para aproveitaruma nova oportunidade ou satisfazer uma nova necessidade.
Uma vez estabelecidos os critérios para avaliação faz-se necessário alinhar as atividades desenvolvidas e as competências essenciais à estratégia da organização.

A tentativa de mensurar alguns itens faz com que decisores procurem estruturar problemas de decisão. A definição da estratégia é fundamental para a tomada de decisão. Para isso é necessário entender os conceitos da estratégia e definir um planejamento coerente, que leve em consideração o ambiente interno, ambiente externo, a cultura organizacional, a expectativa de usuários finais e medidas de poder.

Referências

CHAMOVITZ, I. . Avaliação de Intangíveis em organizações sem fins lucrativos utilizando fundamentos de apoio multicritério à decisão In: Profundão 2007, 2007, Rio de Janeiro. Anais do Profundão 2007. Disponível em http://api.adm.br/artigos/wp-content/uploads/2007/05/intangiveis_profundao2007_2.pdf.

GOVERNMENT OF NETHERLANDS MINISTRY OF ECONOMIC AFFAIRS (1999) Directorate-General for Economic Structure Technology Policy Department, Balancing Accounts with Knowledge, The Hague, Netherlands.

SCHEIN,E.H.(2000) Organizational Culture & Leadership. Disponível em http://www.tnellen.com/ted/tc/schein.html.
Acessado em agosto de 2006.

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*Ilan CHAMOVITZ é administrador (UFRJ), consultor, instrutor credenciado pelo SEBRAE Nacional e SEBRAE-RJ, professor-tutor na Fundação Getulio Vargas Online. Mestre em Informática pela UFRJ/IM-NCE (área de Informática aplicada na Educação), MBA em Tecnologia da Informação e Comunicação (FGV/RJ), pós-graduado em Análise de Sistemas (PUC/RJ). Doutor em Engenharia da Produção (UFRJ/COPPE), estuda o uso de Fóruns de Discussão para a Educação e na Gestão de Conhecimentos em organizações e empresas.


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    Ilan Chamovitz

    Ilan Chamovitz

    Ilan CHAMOVITZ é doutor em Engenharia da Produção (UFRJ/COPPE), mestre em Informática pela UFRJ/IM-NCE (área de Informática aplicada na Educação), MBA em Tecnologia da Informação e Comunicação (FGV/RJ), pós-graduado em Análise de Sistemas (PUC/RJ) e com extensão em Programação de Computadores (PUC/RJ).

    Graduado em Administração de Empresas (UFRJ), desenvolveu um perfil profissional multidisciplinar que alia o desenvolvimento de sistemas à construção de conhecimento em diversas áreas de negócio: indústria, comércio e serviços. Acredita que a utilização adequada da informática possibilita o crescimento individual e coletivo e pode melhorar a qualidade dos serviços.

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