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Avaliação das recentes pesquisas eleitorais do CEPA-UFRGS

Abertas as urnas, contados os votos (eletronicamente) e definidos os novos prefeitos eleitos das cidades gaúchas de Porto Alegre, Pelotas e Caxias do Sul, onde foram realizadas eleições em segundo turno, tem-se agora uma oportunidade bastante útil, para avaliar a qualidade das pesquisas eleitorais realizadas antes do pleito final, por institutos de pesquisa.

Abertas as urnas, contados os votos (eletronicamente) e definidos os novos prefeitos eleitos das cidades gaúchas de Porto Alegre, Pelotas e Caxias do Sul, onde foram realizadas eleições em segundo turno, tem-se agora uma oportunidade bastante útil, para avaliar a qualidade das pesquisas eleitorais realizadas antes do pleito final, por institutos de pesquisa. Esse texto avalia somente as pesquisas eleitorais do CEPA-UFRGS (Centro de Estudos e Pesquisas em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), cuja Escola de Administração o autor integra, como professor.


De forma preliminar, cabe trazer e relembrar alguns aspectos centrais a respeito de características fundamentais e peculiares de pesquisas eleitorais, conforme artigo anterior, publicado nesse site em 03/11/2004:


- as pesquisas captam as intenções de voto num dado instante antes das eleições, que podem ser livremente mudadas pelos eleitores até o dia do depósito efetivo dos seus votos; as intenções de voto mudam e são influenciadas pelo contexto que se forma no período pré-eleitoral; por isso, é natural que ocorram mudanças de intenções de voto durante tal período, principalmente nos dias que antecedem a votação propriamente, em função de debates, fatos novos impactantes, e propagandas finais; há eleitores que, inclusive, definem seus votos durante a ida para as urnas, e por isso se critica tanto a propaganda de "boca de urna", pela elevada capacidade de influenciação final que possui;


- as pesquisas eleitorais utilizam amostragens por cotas, que de fato possuem margens de erro superiores aos anunciados, porque amostras desse tipo contêm limitações naturais próprias, em relação a outros tipos de amostragens exatamente probabilísticos, como as aleatórias e sistemáticas;

- no período das pesquisas eleitorais, parcela da população ainda se encontra indecisa, e outra parte expressiva normalmente ainda não consolidou ou "cristalizou" suas intenções de voto; tais parcelas podem alterar substancialmente os resultados finais das votações, principalmente quando candidatos concorrem com o apoio de coligações de partidos, obrigando os eleitores a definirem seus votos, mesmo que não concordem plenamente com as plataformas e os candidatos propostos;

- as equipes dos institutos de pesquisa que planejam as pesquisas, levantam os dados, e processam os dados eleitorais, como do CEPA-UFRGS, são numerosas (várias dezenas) e plurais, de várias tendências políticas, que inclusive nem são constantes no tempo; qualquer alteração nos dados traria incoerências ao conjunto, e seria fatal à carreira profissional de funcionários inescrupulosos e ao crédito público de qualquer instituto; podem ocorrer limitações e mesmo erros inerentes à aplicação de métodos e técnicas de pesquisa, mas qualquer cidadão pode conferir e avaliar os mesmos junto ao Tribunal Regional Eleitoral, em que precisam ser depositados e disponibilizados publicamente alguns dias antes das suas realizações;

- as pesquisas eleitorais apresentam como que uma foto das intenções de voto num dado instante ou dia pré-eleitoral; não constituem atestados definitivos de resultados futuros; nos municípios em foco (Porto Alegre, Pelotas e Caxias do Sul), os resultados das pesquisas eleitorais realizadas pelo CEPA-UFRGS foram os seguintes:


* Para aumentar as imagens, passe o mouse por cima

Porto Alegre:

Pelotas:

Caxias do Sul:

- analisando-se os dados da última pesquisa de intenções de voto para prefeito de Porto Alegre, em que os resultados finais foram, respectivamente (considerando somente os votos válidos), Fogaça 53,3% e Pont 46,7%, verifica-se que o levantamento do CEPA-UFRGS coincide de forma quase perfeita com os percentuais de votos válidos finais, porque os percentuais de 47,7% e 42,3% (considerando as intenções de votos brancos e nulos, assim como indecisos) se transformam em 53,0% e 47,0% quando são considerados somente os votos válidos; o que não se pode fazer é comparar estruturas diferentes, considerando nas pesquisas eleitorais os percentuais de intenções de votos brancos e nulos, assim como os percentuais de indecisos, com os resultados finais computando-se somente os votos válidos; ainda no caso de Porto Alegre, alega-se que o levantamento de dados realizado em 6 de outubro poderia ter sido tendencioso, porque favorecia Raul Pont (do PT); de fato, o resultado era reflexo do momento de realização da pesquisa (publicada somente alguns dias depois), em que a coligação de apoio a Fogaça ainda estava se formando, e o número de indecisos era bastante alto (13,4%);

- analisando-se os dados de Pelotas, verifica-se um número elevado de indecisos no último levantamento de dados, que foi realizado vários dias antes da eleição efetiva; durante o transcurso do levantamento de dados até a eleição, também ocorreram alguns fatos notórios, que influenciaram os eleitores, inclusive um debate final entre os candidatos; o resultado final em Pelotas foi de 52,4% para Bernardo e 47,6% para Marroni, levando a crer que praticamente todos os indecisos definiram seus votos a favor de Bernardo, na hora de depositarem seus votos;

- analisando-se os dados de Caxias do Sul, em que os percentuais dos votos válidos foram de 52,4% para Sartori e 47,6% para Marisa, verifica-se novamente que os votos dos indecisos migraram, na hora final, para o candidato Sartori; além disso, conforme publicado na própria mídia, além do debate final realizado depois do dia 27/10 (data do último levantamento de dados do CEPA-UFRGS), ocorreram outros fatos notórios no embate entre os candidatos e seus apoiadores, já no período de proibição de propaganda eleitoral..

Olhando em perspectiva o conjunto dos levantamentos feitos pelo CEPA-UFRGS, verifica-se que os resultados apontados pelas pesquisas realizadas são bastante coerentes e consistentes com os resultados finais das urnas. Não foram e nem poderiam ser iguais, em virtude de limitações e pelo próprio fato de que são realizadas alguns dias antes das eleições. As pesquisas meramente captam intenções de votos, nos dias em que são realizadas. Não constituem atestados de alguma situação futura, porque os momentos e os acontecimentos mudam no transcorrer das últimas pesquisas de intenção de votos, e os efetivos depósitos dos votos nas urnas pelos eleitores.

Colocados os fatos, fica claro que observações de colunista em jornal local de abrangência regional na data de ontem (04/11/2004), referindo críticas e dúvidas em relação ao trabalho desenvolvido pelo CEPA-UFRGS, que além de pesquisas eleitorais locais realiza diversas outras pesquisas de âmbito regional e nacional, distinguindo-se entre as melhores instituições de pesquisa do país, são injustas e descabidas, porque derivam de erro de leitura dos resultados das pesquisas analisadas, assim como de falta de conhecimento dos métodos, das técnicas e das próprias limitações de pesquisas eleitorais, encomendadas e bancadas por empresa jornalística que justamente valoriza o conhecimento técnico e acadêmico, a competência e o esforço local.


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