Aumento nas tentativas de suicídio: somos todos cúmplices?

Será que temos algo a ver com o desespero das pessoas?

Aqui onde eu moro, tenho ouvido e visto notícias de que o houve um aumento significativo das tentativas de suicídio.Graças a Deus, poucos realmente chegaram a dar cabo da sua vida, e não passaram de tentativas frustradas, ainda bem, mas mesmo assim é uma situação que não pode passar em branco. Creio que isso não é local, mas sim geral.

Tempos difíceis, onde nossa privacidade é violada dia a dia pelas mídias sociais, onde estamos cada dia mais indiferentes as necessidades dos outros, onde oindividualista impera. Não temos mais tempo para ‘perder’ com nada nem ninguém. Estamos muito ocupados, postando as fotos de pratos de comida, das nossas míseras viagens. Estamos preocupados em acrescentar nas redes o que ‘somos’, ou aquilo que ‘queremos mostrar que somos’, ao invés de estarmos preocupados com os outros, em como estão se sentindo, se alguém precisa de nós, se precisa do nosso braço para um abraço ou para lavar uma louça, ou se estão precisando da nossa boca, para dizer palavras de consolo e de esperança.

Ninguém acorda e diz: vou me jogar da ponte hoje. A pessoa planeja, dá indícios, dá pistas. Se mostra muito reclusa, se mostra deprimida, chora com facilidade. Está passando por crises financeiras ou amorosas, por exemplo. Está ‘borocoxo’, recusa passeios. Ou ainda está irritadiça e hora e outra, lágrimas rolam. Essas pessoas não estão em outro planeta, para que não as vejamos. Elas estão aqui, vivendo no mesmo planeta que eu e você, estão a nossa porta pedindo algo para comer, estão na nossa mesa de bar reclamando que está no vermelho à 3 meses e que não consegue um emprego, estão na nossa sala de estar, no nosso quarto, dividindo a cama com a gente. Mas estamos muito ocupados para ver e ouvir esses indícios de desespero agudo. Estamos muito ocupados com nossos próprios desejos.

Gaste um pouco do seu tempo com um amigo que está triste. É chato ouvir a tristeza alheia, não é? Chato mesmo é alguém que você conhece se matar e você ficar com aquela indagação eterna ‘por que será que ela fez isso?’. Somos seres humanos mas estamos perdendo nossa essência de humanidade. Se alguém que você conhece tem se mostrado triste, diz não ter mais sonhos na vida, está bebendo demais porque tem dívidas e não tem como pagar, enfim, está num beco sem saída, mostre seu ombro e saia para conversar. Talvez você não tenha o dinheiro para emprestar e nem faça o amor da vida dela voltar, mas fará o mais importante: ouvirá um desabafo e pensará junto numa solução, dizendo ‘não sei como vamos resolver, mas estou aqui para pensar junto com você’.

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