ATUANDO EM TREINAMENTOS COMPORTAMENTAIS

Reflexões a partir do texto "Gestalt Therapy Verbatim - Introdução", de F. Perls Se você fizer uma reflexão sobre algumas coisas que ocorrem em treinamentos comportamentais, provavelmente concluirá que o momento atual é, no mínimo, preocupante. As soluções fáceis e imediatas estão sendo apregoadas pelos quatro cantos do mundo através de "técnicas milagrosas", independentes, e que de modo algum se baseiam na compreensão da individualidade e da potencialidade humana. Propagam-se soluções instantâneas como se pudessem ocorrer sem a devida consideração ao potencial real e ao gênio inato de cada profissional envolvido. Defendo a idéia de que ao atuarmos com desenvolvimento humano, optamos pela saúde mental do ser humano, e isso nos obriga a promover o crescimento e a desenvolver o potencial das pessoas com total responsabilidade. Por este motivo, em momento algum deve-se agir em termos de alegrias instantâneas pois é mais do que certo que crescer também não é algo instantâneo. Quero dizer com isso que colocar-se como um gurú numa sala de treinamento, estalar os dedos e dizer "venha, vamos crescer" é uma conduta profissional irresponsável que não pode ser aceita pelas empresas que contratam consultores desta área. É verdade que se pode acelerar todos os processos mas o resultado final é efêmero: imagine uma ponte sendo construída aceleradamente, sem cuidados típicos (da engenharia) que alicerçam a estabilidade e segurança futura da obra - à passagem do primeiro automóvel provavelmente a ponte ruirá. Da mesma maneira, a primeira frustração ou emoção mais forte poderá ser suficiente para encerrar o pseudo-equilíbrio instalado numa pessoa pela solução imediatista e mágica. É claro que o processo de crescimento deve ser consistente! O consultor deve saber preencher os buracos que foram cavados (com as faltas de respostas) durante as vidas dos profissionais participantes de programas de treinamentos comportamentais para, então, ajuda-los a tornarem-se novamente inteiros, completos e com maior grau de maior auto-aceitação. A partir daí poderemos, inclusive, estimular que se joguem fora os papéis sociais artificiais que foram aprendidos ao invés de ensinar outros papéis substitutos pois sabemos que cada vez que uma pessoa é obrigada a aprender um novo papel artificial fica excitada, ansiosa porque fica em dúvida, insegura quanto ao papel que deveria representar. Isso é fácil de entender: se não sabemos se vamos agradar e/ou convencer, nós hesitamos; o coração, então, dispara e a excitação não flui para a ação à medida em que a ação ainda não pode ocorrer e é assim que nos vemos com o "medo do palco". Em outras palavras, a ansiedade é o vácuo entre o agora e o depois. Se estamos no agora, não podemos ficar ansiosos já que a excitação flui em atividade espontânea, própria do momento atual. Se estamos no agora, somos criativos e inventivos. Dessa forma, o consultor de treinamentos comportamentais, com os olhos e ouvidos abertos liberando a espontaneidade e aceitando a personalidade total, estará pronto para concretizar as verdadeiras soluções para os problemas que enfrentam. Não podemos deixar de lembrar que somos agentes de mudança, contratados para esse fim, e que devemos conscientizar os funcionários das empresas-cliente da importância de se atualizarem constantemente, prevendo e se antecipando a problemas futuros; essa nossa conduta estará sintonizada com a meta empresarial de manutenção de vantagens competitivas obtidas através de aprendizado contínuo e excepcional performance. O pensamento moderno despertou uma nova consciência que reforça a busca das melhorias comportamentais em empresas. Estamos aprendendo que produzir coisas, viver para coisas e trocar coisas não é o verdadeiro sentido da vida. Estamos aprendendo que a vida não deve ser comercializada, conceituada e restrita a um modelo de sistemas. A manipulação e o controle não constituem, de forma alguma, a alegria de viver. Enquanto homens modernos, contemporâneos, estamos escolhendo sermos reais e existirmos, usando da capacidade de produzir para crescermos, fazer cultura e dar vazão à capacidade criadora; o homem contemporâneo aprendeu a assumir posição, a desenvolver seu centro. Nesta evolução, a inocente sugestão é de que façamos uma reflexão a respeito da base do existencialismo: uma rosa é uma rosa é uma rosa. Eu sou o que sou e, neste momento, não posso ser diferente do que sou. Vale à pena estender a reflexão ao que diz a velha citação de F. Perls: "Eu faço minhas coisas, você faz as suas. Não estou neste mundo para viver de acordo com suas expectativas e você não está neste mundo para viver de acordo com as minhas expectativas: Você é você e eu sou eu. E se, por acaso, nos encontrarmos, é lindo. Se não, nada há a fazer." Paulo Cesar T. Ribeiro é Psicólogo, Diretor da CONSENSOrh Rec. Humanos & Tecnologia. Email: paulo.ribeiro@conrh.com.br Fone: 55 11 5087-8891
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