Café com ADM
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Atleta Corporativo

A solução do paradoxo do mundo dos negócios (produtividade e realização profissional X realização pessoal e afetiva), pode ser equacionado. Em outras palavras, é possível elevar a eficiência e produtividade sem comprometer a qualidade de vida.

A solução do paradoxo do mundo dos negócios (produtividade e realização profissional X realização pessoal e afetiva), pode ser equacionado. Em outras palavras, é possível elevar a eficiência e produtividade sem comprometer a qualidade de vida.

A maioria dos executivos obtém sucesso transitório ou parcial.


Transitório quando uma tempestade no mercado joga por terra anos de trabalho, através do downsizing ou qualquer outra técnica de management do momento ou como decorrência de fusões e incorporações.


Parcial quando, num determinado momento, o executivo bem sucedido toma ciência de que o seu "sucesso", até o momento, teve um alto custo, seja em sua vida afetiva e familiar ou pela deterioração da saúde pelo consumo de álcool e drogas, prescritas ou não.


As empresas querem eficiência e produtividade, querem que o jogo entre decisões corretas X decisões erradas seja vencido pelo primeiro time e, preferencialmente, de goleada.


A experiência do executivo é um fator importante para vencer este jogo, mas contraditoriamente, as empresas estão substituindo os cinqüentões cansados e estressados que estão produzindo muito menos do que poderiam, por executivos mais jovens na faixa dos trinta anos, injetando sangue novo na empresa.


Está sendo usada a lógica na grande maioria das empresas, mas parece óbvio que ambos perdem, tanto a empresa quanto o profissional.


O processo de produção de um executivo pode ser simplificado pela seqüência:



INPUT>>>>>>>>PROCESSAMENTO>>>>>>>>OUTPUT



Input: É o conjunto de informações disponíveis, tais como: relatórios internos, informações do mercado, ou seja, são materiais de trabalho acessíveis principalmente da leitura.



Processamento: Atividade mental de análise dos inputs, uma tremenda feijoada mental que considera o conhecimento acadêmico, experiência, criatividade e feeling, entre outros, visando gerar um conjunto de procedimentos e decisões com menor índice de erro possível.



Output: É o resultado do processamento, são os procedimentos e as decisões que se materializam basicamente pela palavra ou escrita.



Apenas para uma análise didática, vamos considerar dois executivos, João e José, ambos com 45 anos, com a mesma formação acadêmica, a mesma experiência profissional, o mesmo feeling e a mesma criatividade, para simplificar, um par de clones.


Ambos estão sob as mesmas condições de mercado e têm em mãos os mesmos inputs. Pressupõe-se que João e José deverão trabalhar o mesmo tempo em horas e produzir exatamente o mesmo conjunto de procedimentos e decisões.



Vamos supor que João produza um melhor output, maiores possibilidades de sucesso consumindo metade do tempo de trabalho de José. Quais seriam as razões?



Para responder a esta pergunta vamos retroceder alguns anos e analisar suas carreiras:



Ambos formaram-se em faculdade de primeira linha aos 23 anos, foram imediatamente contratados como trainees de uma poderosa organização.


Aos 28 anos já ocupavam nível de gerência e complementaram sua formação acadêmica com um MBA no exterior.



Esta complementação acadêmica era apenas o que faltava para João ou José substituírem o Paiva, diretor da empresa, antigo modelo e coaching da época de estágio, mas que hoje não é mais tão eficiente assim, talvez porque o Paiva não tenha se atualizado o suficiente com as novas tecnologias ou porque já esteja ficando velho e cansado.



Aos 35 anos e na plenitude do sucesso, João não resistiu ao convite (irrecusável pelo conjunto de benefícios) de um dos mais famosos headhunters do mercado para assumir a diretoria de uma enorme corporação internacional, admirada pela imagem e performance.



José idem em outra empresa.

João assumiu o cargo, foi bem recebido por todos, teve que aumentar drasticamente a carga de trabalho, deixando para segundo plano a família, o descanso e o lazer. Mas isto não era novidade para ele, o mesmo já havia ocorrido diversas vezes na antiga empresa, ele sabia se desdobrar, trabalhava o dobro, mas sempre atravessava as turbulências com sucesso.


José idem em outra empresa.

Mas, agora, em nova empresa, o volume de problemas insolúveis se sobrepunham uns aos outros e muitos eram oriundos de outras áreas da empresa que não estavam sob o seu comando.


José idem em outra empresa.

João não conseguia entender como aquela empresa que eles tanto admiravam e às vezes tomavam como modelo, conseguia obter aquela performance no ranking das 500 Mais da revista Exame.


Após um período inicial, começaram as cobranças por parte dos representantes dos acionistas. Mensal e trimestralmente os números eram analisados e os resultados sempre inferiores às metas fixadas, inclusive por eles mesmos.


José idem em outra empresa.

Mas esta corporação é muito maior e muito mais complexa que a anterior e o resultado final depende também da eficiência de vários outros departamentos até de parceiros externos. Claro que o Board tem pleno conhecimento desta interdependência e sabem que João não é o único responsável por tudo isto, afinal de contas, quando foi contratado, a maioria destes problemas já era de conhecimento de todos.


Um amigo de João da diretoria, aliás, uns dos poucos no qual restava uma relação cordial, lembrou-lhe que ele havia sido contratado por isso. Todos sabiam de sua criatividade e de seus resultados na antiga empresa; ele era a pessoa certa para resolver estes e outros problemas e manter os números elevados para a satisfação, brilho nos olhos e sorriso nos lábios dos acionistas.


Tornar-se um workaholic e iniciar-se no álcool não foi uma opção, foi uma obrigação. O trabalho tinha que ser feito e o álcool foi necessário para aliviar a enorme ansiedade e pressão.


José idem em outra empresa.

A família, os filhos, não eram prioridade naqueles dias. Afinal eles tinham tudo do bom e do melhor e estavam orgulhosos pela nova posição. Mas as relações estavam um pouco abaladas, não havia clima nem tempo para uma boa e relaxante conversa com a esposa como no início do casamento, onde ambos trocavam idéias sobre as carreiras e o futuro da família.


Aos 45, ambos já estavam no estágio em que Jack Welch, em seu livro Segredos do Executivo do Século, pagina 31, chama de Vórtice da GE. É algo que acontece em qualquer lugar. Percebe-se o vórtice quando os líderes perdem a autoconfiança, entram em pânico e se afundam no buraco da dúvida em relação a si próprios.

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