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Atitudes e linguagem no cotidiano de trabalho

Atitudes e linguagem no cotidiano de trabalho Maria Rita Gramigna Diretora Presidente da MRG Consultoria Contatos: www.mrg.com.br E-mail: ritamrg@terra.com.br e mrgrh@mrg.com.br PABX: 31-32224177 e 71-33585971 As palavras e as atitudes exercem um poder assustador na vida das pessoas. Podem ajudar a construir uma auto imagem positiva ou destruir sonhos e desejos. Um pouco do que somos e fazemos hoje deve-se aos estímulos que recebemos dos outros. Nossos familiares exerceram forte influência em nossa infância, professores e mestres na educação formal e na vida profissional os gerentes e líderes com os quais convivemos. Há pouco tempo, participei de um encontro internacional de líderes em recursos humanos, onde a comunicação interpessoal foi um dos temas mais discutidos. Neste texto, abordo três componentes essenciais neste processo: pessoas, realidade e linguagem. PESSOAS Pessoas são diferentes umas das outras e enxergam um mesmo fato de forma única. Há casos em que a atitude pessoal facilita a convivência e em outras ocasiões torna a interação um encargo pouco agradável. É com esta realidade que os líderes precisam aprender a conviver. Vejamos dois exemplos, muito comuns no cotidiano empresarial: SITUAÇÃO NÚMERO UM: O relacionamento entre as partes está esgarçado. Os envolvidos percebem que há chances de superação e resgate da confiança. Existe abertura e flexibilidade para ouvir e esclarecer possíveis mal entendidos, o que torna o contato mais produtivo. O resultado quase sempre é o retorno da harmonia. SITUAÇÃO NÚMERO DOIS: Os problemas de interação são passíveis de resolução, porém uma das partes se mantém inflexível, recusa uma aproximação e mantém a posição de dono da verdade. Neste caso, as relações permanecem sob um clima de ressentimento e fatalmente afetará o ambiente. Duas posições existenciais destacam-se nas situações acima. A primeira marcada pela abertura e a última pela inflexibilidade. Ilustram as diferenças individuais e suas consequências no clima organizacional. REALIDADE Existe uma crença bastante arraigada nas empresas e que precisa ser repensada: as pessoas devem ser tratadas da mesma forma. Desconfio da veracidade desta máxima. A realidade de cada um é interpretada de acordo com sua experiência de vida. Um comentário lúdico e bem humorado sobre o trabalho, para uma pessoa pode ser percebido como um gracejo sem maiores consequências e para outra, significar uma grave ofensa. Daí a necessidade do líder desenvolver cada vez mais sua habilidade em comunicação. Cuidados com a linguagem, a forma e o momento são imprescindíveis. LINGUAGEM Gerentes e líderes de equipes têm ao seu dispor vários tipos de linguagem. - As afirmações descrevem um fenômeno com neutralidade, sem juízo de valor. É a forma mais imparcial no processo de comunicação e a que menos afeta emocionalmente as pessoas. - As declarações definem a realidade. No ambiente empresarial quem declara é o presidente, diretor ou gerente. Eles possuem autoridade para tal. Declarações feitas por pessoas que não detém o poder formal, tornam-se inválidas. Faz parte do papel do declarante assumir a responsabilidade pelo que declarou e suportar conseqüências das mudanças nas regras do jogo. - Os julgamentos incluem opiniões pessoais influenciadas por valores e crenças. Além das conversas informais, os juízos se estendem no ambiente empresarial, entrelaçando-se nos outros tipos de linguagem. Sorrateiramente, como quem não quer nada, o juízo de valor vai influenciando no comportamento das pessoas, nem sempre de forma positiva. - As solicitações e ofertas são usadas quando se pretende gerar compromissos na equipe. - As promessas configuram o futuro. A cada solicitação segue-se uma oferta, quase sempre atrelada a resultados negociados. Dicas de utilização dos diversos tipos de linguagem: ­As declarações, as solicitações e as promessas, quase sempre vêm acompanhadas de juízos de valor, interferindo em sua finalidade. ­Por representar a realidade unilateral, o julgamento dificulta as relações interpessoais e pode interferir de forma negativa nos resultados. ­Se o que se pretende é obter a adesão de colaboradores em um projeto específico, deve-se usar a linguagem de solicitação, evitando qualquer crítica ou referência a fracassos do passado. Apontar êxitos, indicar pontos fortes, desafiar para a ação, negociar metas, definir formas de acompanhamento de resultados e qualificar o potencial das pessoas, são atitudes que certamente vão ser fontes de estímulo. ­Se o objetivo da comunicação é declarar mudanças , deve ser anunciada pela autoridade em questão. Nem sempre as mudanças declaradas são aceitas de bom grado pelas equipes. Neste caso, o gerente é o responsável pelo repasse de informações que permitam a compreensão do contexto e pela sensibilização das pessoas. A linguagem afirmativa, por ser neutra auxilia todas as outras. O juízo de valor faz mais estragos nas relações interpessoais, quando é direcionado para as pessoas. Frases tais como você não está se esforçando, você precisa estar atento ou nós nunca planejamos nesta empresa, minam a motivação da equipe. Meu desafio para os leitores é usar as palavras de forma construtiva e imparcial, eliminando os juízos de valor. Elas são poderosas e podem mudar a realidade de uma pessoa!
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