Atenção para o fuzilamento humano na era da inovação

Na era da inovação, enfrentamos com mais frequência o desconhecido. Mudanças rápidas no cenário estão gerando distúrbios emocionais sabotadores. São pequenas doses diárias que refletem grandes perdas de produtividade. Impactam na lucidez no momento de realizar excelentes negócios ou prospectar oportunidades

Na era da inovação, enfrentamos com mais frequência o desconhecido. Mudanças rápidas no cenário estão gerando distúrbios emocionais sabotadores. São pequenas doses diárias que refletem grandes perdas de produtividade. Impactam na lucidez no momento de realizar excelentes negócios ou prospectar oportunidades.

As informações brotam de todos os lados, através de mídias sociais que interrompem sossegos, conversas, reuniões, banhos relaxantes, jantares calorosos, momentos em família, um bom filme, uma corrida no final da tarde, um abraço, um beijo, uma cumplicidade, além de muitas outras coisas que são simples, mas imprescindíveis para a vida.

Somos fuzilados por estímulos que disfocam, perturbam, agitam nossa mente, desestabilizam uma agenda organizada e destroem o contato que mantínhamos com a nossa essência. Estamos sendo puxados para fora do nosso silêncio e empurrados para o barulho dos outros.

A cada segundo, surge uma mensagem eletrônica de algum aplicativo moderno e a frente do tempo, nos convocando atenção. O respeito e o direito a privacidade foram invadidos com base na otimização de tempo e na urgência da comunicação. Estamos na era do contato instantâneo. O que para nós é de suma importância, para o outro não passa de lixo emocional chegando, num momento impróprio.

Estamos nos especializando em educação superficial, falaciosa e mentirosa. Do outro lado, alguém educadamente pergunta:

- Estou atrapalhando?

E para não sermos indiscretos ou mal educados expressamos, disfarçando a indignação:

- Imagine. Pode falar!

Porém a cena que estávamos vivendo e, que foi bruscamente interrompida, jamais será a mesma.

Como voltar a emoção que foi guilhotinada por uma mensagem no whatsapp ou uma ligação no celular? Na mecânica das coisas profissionais que invade as pessoas vinte e quatro horas por dia, a racionalidade está sempre à flor da pele, ao passo que a sensibilidade e o carinho são sufocados.

É cruel sobrepor a racionalidade sobre a sensibilidade, ou vice-versa. Quando somos interrompidos, é difícil estabilizar e retornar ao ponto em que estávamos. É como a inspiração para escrever, por exemplo. Eu levo certo tempo para entrar em contato com o misterioso conteúdo que deseja espaço para ser escrito. Instalo-me no silêncio entre o final da madrugada e o inicio da manhã, para permitir que minha inspiração tome seu lugar e possa se expressar.

Tão logo que sou interrompida pela tecnologia da comunicação moderna, levo um susto, desestabilizo e o que estava em minha mente some, desaparece. O esforço de voltar ao centro da criação é desgastante e cansativo. Então, só me resta trocar de atividade e permitir que o jogo comece. Quem fica no comando é a racionalidade e não mais a sensibilidade e a intuição. T

Tanto a sensibilidade quanto a intuição precisam de terreno fértil para brotar e, para muitos, isso acontece no contato consigo mesmo. A partir do momento que somos interrompidos, perdemos a conexão e toda vez que tentamos voltar a nós, perdemos energia. Aí enfrentamos outro problema: o cansaço. Ele impede a lucidez para fechar grandes negócios e identificar oportunidades financeiras inteligentes.

Estímulos diferentes nos empurram para muitas possibilidades. O cansaço é inevitável e com o tempo ele se transforma em algo pior. O esforço de ficarmos um passo à frente do jogo destrói a nossa saúde a curto, médio e longo prazo. Somada a isso, a falta do direito à privacidade, ao silêncio total e a escolha sobre nossa rotina, faz-me questionar:

- A quem estamos servindo?

- A educação falaciosa é tão necessária assim?

- Ser abduzido o tempo todo é sucesso ou ilusão?

- Qual o valor do meu mundo emocional?

- Será que temos que voltar ao tempo das placas na porta sugerindo:

"Favor não perturbe"!

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