Até que ponto somos realmente livres?
Até que ponto somos realmente livres?

Até que ponto somos realmente livres?

A maioria que busca a liberdade, tem a tendencia de associa-la a algo externo (dinheiro, emprego público, imóvel próprio, etc). No entanto, a autêntica liberdade está mais próxima do se pensa. Ou mais distante do se possa imaginar

Responda sem pensar muito. O que é liberdade em sua opinião? Poder falar tudo o que lhe vier à mente? Ter dinheiro para comprar o que quiser? Ir e vir para onde achar melhor? Comprar uma casa ou apartamento? Ter o próprio negócio? Pagar todas as dívidas? São várias as definições possíveis, mas, seria só isso mesmo?

Uma das cenas inesquecíveis da ópera rock Tommy, lançada nos anos 70 pela banda inglesa The Who, mostra o personagem principal (interpretado pelo vocalista Roger Daltrey) berrando com alegria contagiante a letra da canção I´m Free. Trata-se de uma sensação que todos nós deveríamos experimentar um dia. A conquista da autêntica liberdade.

A boa notícia é que PODEMOS.

No filme, o pequeno Tommy sofre um trauma e fica cego, surdo e mudo. Apesar das deficiências sensoriais, ele se torna campeão de Pimball (um jogo popular na época), mas sua vida era completamente manipulada e direcionada. Cada personagem que aparece ao seu redor tem uma representação simbólica.

Em uma das cenas, ele é atirado contra um espelho e passa para “outra realidade”. Vem então a liberdade sonhada, que o permitiu a ver, ouvir e falar. Bom, não se trata de uma simples viagem psicodélica do guitarrista Pete Townshend.

Existe uma interessante mensagem nesta obra. Tommy representa cada um de nós que, de uma forma ou de outra, está cego, surdo e mudo. Muita gente arrota bravatas se dizendo livre para agir, pensar, fazer e acontecer. Outros dizem que Deus deu o livre arbítrio ao Homem para que siga seu próprio caminho, e justifica qualquer burrada que possa fazer na vida. No entanto, se pararmos para pensar se forma crítica, vamos nos assustar ao perceber que pouca gente é livre, de fato.

No filme, após ter “despertado”, Tommy passar a ter seguidores que buscavam alcançar a mesma graça. Em terra de cego, quem tem um olho é rei. Fazendo uma analogia com os ensinamentos de Jesus, Tommy tenta passar aos sedentos pelo conhecimento, a “receita do bolo”. Em dado momento, ele pede que as pessoas usem um artefato para simular a cegueira, a surdez e a mudez.

Parece estranho, mas não é. O segredo é simples: quando se é surdo, mudo e cego, só tem uma alternativa: voltar a atenção para dentro de si. Tommy ficou livre quando “mergulhou” em sua própria consciência e ele não poderia fazer isso por ninguém, assim como ninguém pôde fazer por ele. Apesar das pessoas que o seguiam terem os sentidos da visão e da audição e o poder da fala, elas eram surdas, cegas e mudas. Um paradoxo.

Bom, não vou tentar explicar o filme.

O que interessa dizer é que, doa a quem doer, somos escravos de tudo que nos cerca. Dependemos do exterior em quase 100% do tempo. Sentimentos de raiva, mágoa, alegria, tristeza, euforia, esperança e desespero, são disparados por eventos exteriores. Filmes, fofoca no trabalho, programas de TV, relacionamentos rompidos ou atados, manifestações públicas, festas, viagens, mortes, nascimentos, injustiça, justiça, família, trânsito, clima, desemprego, promoção, dinheiro, propaganda, moda. A lista é infinita.

Em quase tudo que nos identifiquemos, existe a influência, a manipulação dos sentidos.

Nós vemos, mas não enxergamos. Nós ouvimos, mas não escutamos. Nós falamos quando devemos calar e calamos quando devemos falar.

Quantas pessoas estão presas em trabalhos que não gostam, relações desgastadas, pensamentos destrutivos, arrependimentos, culpas, inveja, frustrações, limitações impostas a si próprios e et cetera elevada a milésima potência.

Mas não se sinta ofendido com a palavra manipulação Se preferir, troque-a por influência. No fim, dá no mesmo. A liberdade real é podermos escolher o que sentimos, falamos, pensamos e como agimos. Difícil? Nem tanto. É um exercício.

Parte do segredo está em uma rápida análise custo/benefício. Por exemplo. Você é ofendido por alguém (pode ser colega de trabalho, parente ou um motorista na estrada). Qual a reação normal (influenciada pelo evento)? Reagir, é claro. Olho por olho, dente por dente. Bateu, levou! Mas, pensando melhor, vale a pena? Se sua resposta for sim baseada na defesa da honra, superioridade ou simplesmente pelo fato de não querer sair perdendo, eu sinto dizer que sua resposta está errada, pelo menos sob a ótica das reações eficientes.

A não ser é claro, que você – deliberadamente - queira atrair situações adversas para sua vida, só porque é emocionante. Se você se sente feliz quando as coisas não dão certo - quando portas se fecham, quando está amargurado, infeliz, sem esperança - tudo bem. Cada um sabe onde o calo aperta, não é mesmo?

As pessoas se acham livres para fazer o que lhe vier à telha, mas lamentam as consequências dos seus atos. É aí que a onça bebe água. Como diria Evandro Mesquita em um antigo sucesso da Blitz: "todo mundo quer ir pro céu mas ninguém quer morrer". É exatamente este o ponto.

Muitas situações que atraímos para nossas vidas – considerando nossa suposta liberdade - são consequências de condicionamentos e comportamentos que nos escravizam. Paradoxalmente, a liberdade aparente é uma prisão disfarçada.

A verdadeira liberdade consiste no equilíbrio interior. Ser manipulado - nas ações e pensamentos - por eventos exteriores, e reagir baseado exclusivamente no que ouve, ler ou ver, não são, de forma alguma, características de uma pessoa livre. Muito pelo contrário.

Infelizmente, podemos ser comparados a um palito de fósforo que precisa de atrito para ser acesso. Na maior parte do tempo, nós não escolhemos o que fazer, apenas fazemos, “estimulados” pelas ciscunstâncias.

Ah, você não é assim? Que bom!! Fico muito feliz por você. Quer dizer que não importa o que aconteça ao seu redor? Nada lhe afeta? Seu equilíbrio, seu comportamento e suas ações são baseadas em análises coerentes e que todas (ou a maior parte das) consequências (boas e más) de sua vida, surgiram de forma controlada por você? Parabéns! Eu te invejo, de verdade.

Infelizmente, eu não sou assim. E acredito que a maior parte dos que chegaram até nesta parte do texto, também não. Então, para essas pessoas que buscam alcançar a verdadeira liberdade, seguem algumas dicas bem primárias:

1 –ADMITA que você não é livre. Admita que seu comportamento, suas reações, seus pensamentos e desejos são despertados pelo EXTERIOR e não por você mesmo. Admita que é um ser MANIPULÁVEL (ou influenciável, se preferir) por quase tudo o cerca. Pare um minuto, observe e comprove.

2 – QUEIRA ser uma pessoa melhor. Não tenha apenas vontade. QUEIRA de verdade. Existe uma diferença sutil entre QUERER e ter vontade. Eu QUERO ser uma pessoa melhor é diferente de EU TENHO VONTADE de ser uma pessoa melhor. Eventualmente, nossa natureza nos dá uma rasteira e perdemos o foco. Não tem problema. Insista. Tente novamente.

3 – Sempre que for possível, CULTIVE coisas boas em seus pensamentos. Se acha muito difícil se manter imune às influências exteriores (apesar de possível), busque alimentar sua mente com COISAS BOAS E POSITIVAS. Se alimentar a mente com lixo, não espere que ela processe outra coisa.

4 - Na medida do possível, se afaste de PESSOAS NEGATIVAS enquanto você não se sentir confiante para ajudá-las de forma efetiva e não emotiva. Tem gente que cultiva um prazer mórbido em distribuir desgraça, desesperança e pessimismo. Muito cuidado para que o veneno não lhe contamine.

5 – Exercite a análise CUSTO/BENEFÍCIO de uma forma bem simples. Eu quero coisas ruins para mim? Não. Então EU NÃO VOU desejar/fazer coisas ruins para outras pessoas. A princípio, pode até parecer algo simplório ou até um pouco egoísta, mas o exercício vai tornar o sentimento claro e sincero. Lembrando que os atos mentais (pensar em prejudicar, fazer o mal) são tão destrutivos quando o ato em si. O bumerangue sempre volta.

Bom, se você continuou a ler até aqui, deve estar confuso. Será que ele está pensando que eu posso me tornar uma espécie de robô, isento de sentimentos? Não entenda deste jeito. A proposta é que, INDEPENDENTE do que aconteça ao ser redor, você POSSA ESCOLHER seguir pela melhor direção. Quando se chega a esse ponto, é sinal que o EQUILÍBRIO está presente.

Com isso, você não se torna uma pessoa fria, calculista e sem sentimentos. Longe disso. Saber lidar com suas emoções e reações, lhe torna um ser humano, equilibrado, livre e sábio. Chegar a esse patamar, não tem preço.

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