Assumir a carreira requer avaliar o passado mirando o futuro
Assumir a carreira requer avaliar o passado mirando o futuro

Assumir a carreira requer avaliar o passado mirando o futuro

Você já parou para fazer um Curriculum dos seus fracassos na vida? Um olhar crítico para o passado ajuda. O futuro pode não ser apenas um "acaso"; Assuma o seu destino mirando o futuro com visão crítica do passado. Carreira é uma responsabilidade individual. Não culpe o mundo...

Em minha trajetória de vida e carreira, já com mais de 70 anos de percurso, um dos lemas que adotei é “você está ficando velho quando seus arrependimentos são maiores do que seus sonhos”. E confesso que não tranformo o envelhecimento num pesadelo, talvez porque, nesta equação, ainda sou um acumulador de sonhos e desfrutes da vida.

Como exemplo, me preparo para uma segunda volta ao mundo por via marítima, um deleite que dura quatro meses visitando 37 paises. É um tempo para três rimas – reinvenções, emoções e sensações - além de um sabático com características diferentes.

Já como pesquisador, escritor e palestrante na área de Longevidade, venho observando, de longa data, que muitos profissionais, ao se aposentarem, continuam muito mais focados no passado do que na busca de novos sonhos e objetivos. Posicionamento este que permite criar novos projetos, além de, simultâneamente, propiciar um novo significado à esta etapa da vida.

Dois artigos, recentemente publicados no “Valor”, reforçaram em mim estas reflexões.

O primeiro é da colunista do “Financial Times”, Lucy Kellaway, sob o título “O que o curriculo dos fracassos revela sobre a carreira”. O outro é do jornalista Cristiane Barbieri, sob o título “O sucesso não vem do acaso”, comentando o livro – ainda não publicado em português – ´Strategy that Works – How Winning Companies Close the Strategy-to-Execution Gap”, da Harvard Business Revew Press.

Ambos podem ser lidos na perspectiva de aprendizados e provocações, especialmente por aqueles profissionais preocupados em se tornar autor, e personagem principal, de suas carreiras. E isto se aplica tanto aos que estão no mundo corporativo como quem tenha optado por um empreendimento próprio.

Lucy Kellaway inicia seu artigo falando do professor assistente de Psicologia de Princenton, Johannes Haushofer, que, de uma forma muito surpreendente e inédita, publicou um currículo com todos seus fracassos profissionais.

Neste histórico ele cita cursos universitários que não fez, trabalhos acadêmicos que não concluiu, artigos que foram recusados por publicações e bolsas de estudos que perdeu para outros.

Segundo a autora “se seu currículo de fracassos é muito pequeno, isso por sí só é um fracasso – você não está se esforçando o suficiente. Se, por outro lado, ele for muito longo, isso pode significar que você é uma pessoa sem esperança – ou pode mostrar que você tem grandes ambições.”

Prossegue dizendo que “alguns fracassos machucam bastante enquanto que outros não machucam nada. Especialmente os fracassos seguidos de sucessos, deixam de ter importância.”

E conclui que, “quando penso em meus fracassos, lembro que inventava histórias reconfortantes para explicá-los, dizendo a mim mesmo de que o processo havia sido arbitrário, ou que havia falado demais.”

“Mesmo assim, ao olhar para os fracassos em meu currículo, constato de que fracassei em quase todos os casos simplesmente porque alguém havia enviado um currículo mais consistente ou se saído melhor nas entrevistas.”

Já no livro, dedicado a mostrar que o sucesso das empresas não ocorre por acaso, as conclusões estão baseadas nos relatos das frustrações dos executivos que tentaram levar adiante estratégias bem pensadas, mas em que fracassaram ao não conseguir o engajamento dos funcionários, ou erros na sua execução.

Eis aqui uma lista de ações das empresas bem sucedidas:

- “Como eu crio valor para meus clientes?” em vez de “aonde vou avançar para crescer?”

- “Detalhar de três a seis capacidades que a companhia precisa desenvolver, construí-las e fazê-las acontecer em grande escala.”

- “Colocar a cultura da empresa para trabalhar, sem brigar com ela.”

- “Em épocas de crise, saber cortar. De 20% a 40% do orçamento

é desperdiçado em iniciativas distantes da estratégia.”

- “Desenhar seu próprio futuro. Para criar demanda é preciso ir além de ouvir o consumidor. É necessário buscar entender o que acontecerá no futuro.”

Segundo os autores os resultados aparecem em números.

O que pretendo com este artigo é provocar no leitor uma conduta pró-ativa, em que assumir os rumos da sua carreira e vida pessoal, exigem uma análise permanente, do passado e futuro, bem como dos fracassos e sucessos.

Mas, sempre, como uma forma de aprendizado permanente.

Vale pensar.

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento