As Regiões-laboratório inventadas pelos Nórdicos

Regiões-laboratório é o novo segredo nórdico para juntar três em um: atrair investimento directo estrangeiro (IDE) sustentável, contrariar os movimentos de deslocalização e promover o desenvolvimento do território. O desenvolvimento local é encarado segundo a metáfora da «hélice tripla» - renovação urbana, geração de empreendedores e criação de grupos de utilizadores para testes e prototipagem de produtos e serviços inovadores. Esta última característica levou a designar muitos destes territórios como «testbeds», locais de testes, particularmente disputados por multinacionais. <br /> <br />

Regiões-laboratório é o novo segredo nórdico para juntar três em um: atrair investimento directo estrangeiro (IDE) sustentável, contrariar os movimentos de deslocalização e promover o desenvolvimento do território. O desenvolvimento local é encarado segundo a metáfora da «hélice tripla» - renovação urbana, geração de empreendedores e criação de grupos de utilizadores para testes e prototipagem de produtos e serviços inovadores. Esta última característica levou a designar muitos destes territórios como «testbeds», locais de testes, particularmente disputados por multinacionais.

A sua aplicação não se reduz, apenas, às grandes áreas metropolitanas (como Estocolmo ou Goteborg, na Suécia), mas também aos espaços micropolitanos (como os corredores de cidades pequenas nas províncias suecas costeiras de Blekinge e de Kalmar). Não se cinge, também, a «clusters» ou eixos puramente nacionais, mas tem desenvolvido novos conceitos de regiões tecno-científicas transfronteiriças - como a «Região Científica de Oresund», entre Copenhaga, Malmo e Lund, a «Baía da Internet» entre as duas margens do mais setentrional Golfo de Bótnia, ou o quadrilátero de cidades entre a Finlândia e a Estónia (ver Mapa). As diversas ferramentas tradicionais do planeamento estratégico dos territórios tecno-científicos estão ali presentes: parques científicos e tecnológicos, incubadoras de «start-ups», capital de risco, miscigenação entre cultura, arte, arquitectura e ambiente.

A estratégia não é exclusiva dos escandinavos. Abordagens similares são, hoje, seguidas em regiões do mundo tão diversas, como nos Estados Unidos em que o livro «Boomtown USA» de Jack Schultz se transformou em «bestseller» -, em Xangai, em Singapura, em Hamburgo e na região alemã de Baden-Wurttemberg, em Turim, em Sophia-Antipolis (na Côte dAzur), na City de Westminster em Londres, na Grande Amsterdão e no triângulo catalão de Barcelona-Mataró-Sant Cugat. A Comissão Europeia apoiou inclusive um projecto de rede de 20 casos na Europa operacionais até 2008, designado por «mClusters».


É, de facto, no conjunto de iniciativas realizadas na Escandinávia que é visível a preocupação estratégica em não reduzir os «testbeds» a técnicas de atracção do IDE, como explicou Jan Annerstedt, um sueco da Business School de Copenhaga envolvido no desenho dos diversos casos escandinavos. As regiões-laboratório nórdicas acentuam dois pontos: os utilizadores são considerados parceiros pró-activos dos projectos e a economia da mobilidade («mobiconomy, como a baptizaram em inglês) sobrepôs-se ao conceito tradicional de «cluster». Crossroads Copenhaga, idealizado em 1999, foi um dos primeiros exemplos desta estratégia, aproveitando a vontade de renovação urbana da zona norte de Orestad na capital dinamarquesa.
Outra preocupação é «jogar por antecipação», explica-nos Rickard Lidén, director da TelecomCity, na histórica cidade de Karlskrona, que chegou a ter 25% de desemprego e hoje é conhecida como o sítio de testes da Vodafone. A lição é simples: antes das multinacionais ou das grandes empresas nacionais deslocalizarem e o desemprego se tornar crónico, os municípios e os estrategos de negócios começam a trabalhar neste novo conceito. Foi, assim, que nasceu o corredor da província sueca de Blekinge mais conhecida como Jardim da Suécia -, entre as cidades de Karshamn, Ronneby e Karlskrona, que apostaram na sociedade da informação e do conhecimento, desde há 15 anos.

Primeira região WiFi

O mais recente filho deste movimento nórdico é Vastervik, uma pequena cidade portuária sueca, de menos de 40 mil habitantes, cuja história remonta a 1275. Esta actual estância turística transformou-se num projecto piloto de criação de uma região 100% WiFi com uma gama de serviços «móveis» em toda a província de Kalmar, abrangendo 250 mil habitantes, e incluindo floresta e arquipélago. O primeiro teste de novos serviços digitais ocorreu, na semana passada, com navegantes, envolvendo 1000 inscritos no «Boatmeet», vindos de toda a Escandinávia. A partir dos portáteis ou telemóveis nos barcos acediam ao portal Opengate24.org. Novo teste é realizado, esta semana, com a concentração de 5000 «motards» no Mc-dagarna (Dias dos Motociclistas) no quadro de uma política de «eventos enquadrados pela economia digital», nas palavras do autarca Harold Hjalmarsson.

O projecto de «Região WiFi» de Kalmar pretende estar concluído até final do ano. É parte de uma estratégia de consolidação de uma «economia digital de serviços» até 2010 e de uma «democracia digital» até 2020 naquela província. Depois de ter sido no século XIV o berço de uma tentativa de união nórdica (a União de Kalmar em 1397) e nos anos de 1970 a pioneira nas experiências de fabrico com equipas auto-dirigidas na Volvo, Kalmar quer, de novo, marcar pontos. O objectivo é transformar a província «na primeira região 100% WiFi da Europa», como tem sido defendido pelo responsável regional Hakan Brynielsson.


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    Jorge Rodrigues

    Jorge Rodrigues

    Jorge Nascimento Rodrigues, português, nascido em 1952, editor na área de management, tecnologia, macroeconomia, geopolítica e história económica. Fundador e editor na Web de www.janelanaweb.com e www.gurusonline.tv. Bloguer em http://geoscopio.tv. Colaborador do semanário português Expresso desde 1983. Coordenador da Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão (Indeg, Lisboa, e Fundação Getúlio Vargas,Rio de Janeiro). Coordenador Executivo da Editora Centro Atlântico. Autor. Pode ser contactado pelos emails: jnr@groupadventus.com e jnr@mail.telepac.pt
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