As placas e as sinalizações que “não dizem nada”

Tenho percebido algo interessante. Parece um tipo sutil de fraude. As placas não nos dizem nada. Ou pelo menos para a maioria das pessoas que ignoram ou não são capazes de entender ou respeitá-las

Estive recentemente numa cidadezinha encantadora pela quantidade de cachoeiras. Interior de Minas Gerais. Em várias cachoeiras placas proibindo fazer churrasco naquele local. Foi o que motivou a escrever este pequeno texto. E adivinhem o que vimos exatamente embaixo da placa? Exatamente. Acertou quem respondeu uma churrasqueira queimando carvão e volta dela várias pessoas felizes da vida ignorando a placa. Imaginem as crianças já crescendo com este terrível exemplo. Neste caso a proibição pensando na conservação daquele local remoto. Afinal de contas, poucas são as pessoas que carregam de volta todo o lixo com a mesma animação que carregou os mantimentos. Sem contar na possibilidade de “acidentalmente” cair na água e ir rio abaixo.

Milhões de acidentes graves já ocorreram e infelizmente continuarão acontecendo pela omissão que cometemos ao ignorar as placas. Seja no trânsito pelos excessos de velocidade ou ultrapassagens proibidas ou nos ambientes de trabalho pela falta de um equipamento de proteção individual. Óculos, luvas, avental e mangotes de raspa para evitar queimaduras de soldagem. A falta de protetor solar que o jardineiro não usa e se vê diagnosticado com câncer de pele. Ou até mesmo a proibição de uso do celular. As placas estão presentes seja nos corredores, nos equipamentos e nós ignoramos.

Em acidentes de trânsito é bom citar a velha ultrapassagem proibida e o excesso de velocidade sempre presente nos noticiários em dias de festas, feriados ou férias. O cidadão não é nenhum thunder cat para ter a “visão além do alcance” e mesmo assim se mete ao tal. Normalmente a faixa contínua está pintada no asfalto e as placas de regulamentação fixada no canto da estrada. O excesso de velocidade também chama atenção. Alguém pode dizer que em estradas de alguns estados não existem placas de velocidade. Eu poderia dizer que quem possui carteira de habilitação (CNH) estudou o código de trânsito brasileiro (CTB) e sabe disso, mas não o farei. As fraudes em escolas de formação de condutores me impedem de ter esta certeza. Mesmo não havendo placas existe artigo 61 do CTB que regulamenta as velocidades em vias urbanas e vias rurais.

Estacionar em locais indevidos também vai muito além de estacionar na esquina ou a menos de cinco metros da esquina, sobre a faixa de pedestre, em vagas para idosos ou deficientes. Além de não poder estacionar sobre a faixa de pedestre, o ideal é que se evite estacionar imediatamente antes delas. Creio que aquela faixa que existe no meio da rua antes da faixa de pedestre seja para proibir que se estacione antes dela. Isso é para a segurança do pedestre. É para o condutor do veículo ver que o pedestre precisa atravessar a via. Leia mais no artigo 181 do CTB.

E não me venha com a desculpa que “não sabia disso ou daquilo”. Na maioria das vezes existe placas de advertência ou regulamentação e sinalização horizontal no caso do trânsito. Nos locais de trabalho a comissão interna de prevenção de acidentes (CIPA) se desdobra para além de instruir, implantar placas de instrução e advertências para evitar acidentes. Todo equipamento que adquirimos sejam ferramentas, eletrodomésticos, brinquedos, automóveis, e até aparelhos celulares smartphones veem com manual de instruções e noções de segurança.

Se você tem a CNH, você deve saber o que pode e o que não pode, caso contrário o automóvel se torna uma arma. Você trabalhador muitas vezes é treinado para as funções e tem obrigação de se recusar a executar certo tipo de atividade se ainda não tiver recebido treinamento ideal. Em casa somos devemos vencer a preguiça e ler os manuais. Por mais simples que seja, sempre haverá um cuidado a se tomar.

As placas e manuais de instruções precisam nos transmitir as mensagens e nós precisamos obedecer. Caso contrário vamos continuar com a ilusão das cidades sinalizadas, ambientes sinalizados, brinquedos etiquetados pelo INMETRO e continuar presenciando situações que poderiam ter sido evitadas simplesmente com a obediência e respeito.

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