AS MÚLTIPLAS VISÕES DO HOMEM NO ESPAÇO ORGANIZACIONAL:HOMEM MECÂNICO,ORGÂNICO E SER HUMANO

Este artigo trata das visões que o homem conquistou, perante a administração.Objetiva-se contribuir para o estudo dos seres humanos em seus diversos ambientes organizacionais,mostrando a contribuição de cada teoria com a adoção de determinadas técnicas.Observa-se a contribuição da gestão de pessoas.

1 INTRODUÇÃO


Este artigo tem a intenção de contribuir para as discussões sobre as múltiplas visões do homem em diferentes contextos organizacionais, mostrando como os indivíduos reconstroem o sentido de seu trabalho a partir das transformações que vivenciam em seu cotidiano. Os primeiros pensadores que desenvolveram os modelos de gestão aplicados no espaço organizacional foram Frederick Taylor (1911), Henri Fayol (1916) e Max Weber (1947), que contribuíram para a realização de atividades com maior eficiência e eficácia, análise da organização como um todo e não somente as tarefas, a organização e a padronização dos processos, o que ficou conhecido como modelo mecânico. Nesse modelo as pessoas eram utilizadas apenas para contribuir com a produtividade e o foco era a produção.

Com o anseio de tornar mais humana à prática gerencial outro grupo de importância para a evolução da administração foi composto por Mary Parker Follett (1918), Abraham Maslow (1943) e Douglas Mcgregor (1960) criando o movimento das relações humanas. Em linhas gerais esses participantes acreditavam na importância da satisfação do funcionário, as visões destes estudiosos estavam moldadas mais por suas convicções pessoais do que por dados substantivos de pesquisa, agregando importantes contribuições para a administração. Sob uma nova perspectiva do homem tem-se a constituição do modelo orgânico, no qual as pessoas eram vistas como peças chaves para o desenvolvimento da organização e o foco era a motivação para obtenção do lucro. Atualmente, observa-se novos teóricos com Chanlat e Schein que avançam em direção a uma visão das pessoas no espaço organizacional como seres humanos em um modelo humanizado de gestão. Sob esse contexto o artigo em voga tem como problemática: de que forma a evolução de gestão de pessoas contribuiu para a visão e reconhecimento do ser humano no espaço organizacional?

O objetivo deste estudo é contribuir com as discussões sobre o papel da gestão de pessoas em diferentes contextos organizacionais, mostrando como a adoção de determinadas orientações de gestão podem influenciar a visão do homem naquele dado momento vivenciado pelos funcionários e consequentemente seu comportamento no ambiente organizacional, objetivando a construção de renovadas relações humanas.


2 O MODELO MECANICISTA DE GESTÃO: O HOMO ECONOMICUS


Utilizando técnicas de administração científica baseadas em princípios, Taylor conseguiu definir a melhor maneira de fazer cada trabalho. O processo era simples, após selecionar as pessoas certas para os trabalhos, treinava-as para que executassem precisamente do melhor modo e motivava-as por meio de incentivo salarial. Taylor obteve melhorias constantes na produtividade em mais de 100%. Além disso, reafirmou o papel dos gerentes de planejar e controlar, e o dos trabalhadores de executar conforme fossem instruídos a fazer. Contudo, a influência dos seus estudos não foi somente nas indústrias, mas na vida pública e privada de todas as empresas. Suas idéias acabaram por alçar vôo e extrapolar o mundo dessas empresas e penetrar em diversos aspectos de vários tipos de organização. Taylor sempre enfatizou a busca pela eficiência na produtividade dando ênfase às tarefas. Portanto, conceitos como a maximização de recursos, uniformidade e padronização, trabalho em menor tempo e sem desperdício são legados dos seus estudos. Somado a isto, a divisão do trabalho e a especialização do trabalhador, que até hoje são facilmente observadas nas organizações, para realização das tarefas mais básicas as mais complexas também são consequências da obra deste pensador administrativo.

No mesmo período, mas em outro continente e espaço organizacional, Henri Fayol (1916), elaborou a teoria clássica da administração, em que diferenciou a administração da contabilidade, finanças, produção, distribuição e outras atividades empresariais típicas. Afirmou que a administração era uma atividade comum a todos os empreendedores humanos na empresa, no governo e mesmo em casa, dividindo-as em cinco funções: prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. A grande contribuição de Fayol relacionava-se com o papel gerencial, legislando um sistema para aperfeiçoar a gerência dando a cada gerente seus deveres. A divisão do trabalho ficou evidente como um dos pontos mais relevante desse modelo criado em sua visão, nenhuma empresa poderia se desenvolver com pessoas sem uma função bem definida. A metodologia de Fayol permitiu construir o significado da administração como se conhece nos dias atuais, além disso, as funções que se estabeleceram como sendo componentes da gestão organizacional permitiu uma melhor definição do que é o papel do administrador.

Max Weber, por sua vez, um sociólogo alemão, por meio da teoria da burocracia inaugurou a perspectiva organizacional balizada na estrutura de autoridade bem como descreveu a atividade organizacional em função das relações de autoridade. Imaginou um tipo ideal de organização ao qual chamou de burocracia esclarecendo que esta seria um sistema caracterizado por divisão de trabalho, uma hierarquia claramente definida, com regras e regulamentos detalhados e relações impessoais. Weber acreditava que seu modelo poderia eliminar a ambiguidade e as ineficiências. Ideologicamente, a burocracia, conforme descrita por weber, não era diferente da administração científica. Ambas realçam a racionalidade, a previsibilidade, a impessoalidade, a competência técnica e o autoritarismo.

Em todos esses estudos é possível notar que no modelo mecânico de gestão os operários eram considerados como apêndices das máquinas, a visão era estreita e sua carreira quase inexistente. As teorias abordadas por Taylor, Fayol e weber foram de grande utilidade para as empresas da época, construindo a visão do homem como sendo um homo economicus um ser racional, centrado em si próprio, um ser que deseja riqueza, evita trabalho desnecessário. O homem econômico é, portanto, um recurso que quando bem orientado e pago gera os lucros almejados pela organização, é uma máquina de trabalho, não é pessoa com história, necessidades sociais ou psicológicas. Na perspectiva dessa visão, os indivíduos são considerados seres utilitaristas e condicionáveis por meio de ações baseadas no conceito de estímulo-resposta considerando a possibilidade de induzir os indivíduos a adotar os comportamentos esperados, medindo as suas respostas aos estímulos dados, comparando-os aos investimentos realizados (Schuler, 1987; Besseyre Des Horts, 1988; Martory e Crozet, 1988; Peretti, 1990; Brabet, 1993).

Contudo, esse modelo de gestão mecanicista precisou melhorar para que as empresas continuassem produzindo. O modelo de gestão de pessoas que incorpora aspectos políticos, ideológicos, sociais e comportamentais constituído de sindicatos e leis trabalhistas coagiu as organizações a estudarem seus empregados e assim discutir um novo modelo de gestão. O problema que se coloca aos gestores nesse cenário é como fazer com que os indivíduos adotem a forma de representação da realidade e de decisão consideradas melhores pelos diretores da empresa.


3 O MODELO ORGANICISTA DE GESTÃO: O HOMO BIOPSICOSOCIAL


Para Robbins (2000, p. 494), sem dúvida houve muitas pessoas no século XIX e início do século XX que reconheceram a importância do fator humano no sucesso de uma organização, Mary Parker Follett surgiu como um dos principais teóricos pioneiros da abordagem humanística. Embora tenha sido contemporânea de Taylor, Fayol e Weber, Follet apresentou uma perspectiva mais voltada para as pessoas. Ela achava que as organizações deveriam basear-se mais em uma ética grupal do que no individualismo. O potencial individual permanece ate ser liberado por meio da associação de um grupo. Como tal, na orientação dos subordinados, os gerentes deveriam recorrer mais às especializações e ao conhecimento do que à autoridade formal de sua posição. As idéias humanísticas de Follett influenciaram o modo como hoje encaramos a motivação, a tomada de decisões, a liderança, a equip

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    Thiago Conceição

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