As lições da grande fome. Que tipo de gestor você é?

Durante a revolução cultural na China, milhões de pessoas morreram de fome após o deslocamento das pessoas do campo para a cidade e vice e versa. O medo de comunicar maus resultados nas comunas produtoras de alimento levou à produção de informações falsas, que somadas, esconderam uma queda brusca de produção de alimentos

Um dos fatos históricos mais graves da historia da humanidade ocorreu na China, durante a chamada revolução cultural, ficando conhecido como “a grande fome”.

Uma das iniciativas tomadas bi contexto da revolução cultural foi o deslocamento das pessoas do campo para a cidade e no sentido contrário. Visto de longe, tanto em termos temporais quanto territoriais, a conseqüência parece óbvia. Os níveis de produção caíram de forma alarmante, redundando na absoluta falta de alimentos.

As conclusões sobre o remanejamento de pessoas para funções com as quais não tem afinidade são, do mesmo modo, óbvias.

Entretanto, indo mais a fundo nas razões que levaram à morte milhões de pessoas por inanição, o livro “Chineses”, da autora Laura Trevisan, parte da coleção da Ed. Contexto sobre outros povos vistos sob a ótica de brasileiros, esclarece que um dos grandes problemas foi que as comunas deveriam enviar relatórios ao grande timoneiro Mao com os dados da produção local.

Por medo de represálias do poder central, os líderes locais passaram a inflacionar os dados remetidos, talvez acreditando que as demais comunas compensariam a inverdade. Só que a prática era generalizada.

A soma das produções inexistentes acabou gerando uma defasagem brutal entre os dados fornecidos e a produção real. Em um país de proporções continentais, quando a realidade veio à tona, a tragédia já estava encaminhada de forma irreversível. Causa principal: medo da reação do líder!

Pois bem. Qual a relação deste desastre histórico com a sua atuação como líder e gestor?

Vale à pena fazer um questionamento: você passa à sua equipe a tranqüilidade necessária para que as más notícias lhe sejam dadas?

Um problema escondido tende a crescer enquanto está na sua caverna. Lembre-se que parte do papel do líder é justamente o de cuidar do setor de ortifrutigranjeiros da instituição: pepinos, abacaxis & Cia. Quanto antes retirados do solo fértil, menos crescem.

Uma valiosa colaboradora da minha equipe costuma brincar comigo dizendo que sobre a porta da minha sala deveria estar uma plaquinha com o nome “Problema”. E é verdade. Se, na maioria dos casos, a solução de um problema tem que passar por mim, pelo fato de ser o gestor da equipe, não posso exigir deles que fiquem com a carga da aflição por não aceitar a realidade de que convivemos com situações indesejadas e que, por vezes, uma orientação que dei revelou-se um grande erro. Muitas vezes é necessário repisar os próprios passos e encontrar um novo caminho.

É certo que, quanto mais participação da equipe houver no desenvolvimento das soluções, menor o risco de erros desta natureza. Mas isso é outro artigo...

Creio que o gestor deve inspirar na sua equipe o nível de confiança necessário para que problemas não sejam escondidos, mas sim tratados assim que descobertos, ainda que se trate de erros operacionais ou de medidas equivocadas que partiram do gestor. Resolver os problemas sem precisar imputar culpas, buscando aprimorar os procedimentos, pode ser um bom caminho...

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    Paulo Benz

    Paulo Benz

    Servidor da Justiça Federal no Rio Grande do Norte, já atuou como Assessor de Juiz Federal e Supervisor da Seção de Planejamento e Integração Regional, atualmente ocupando a função de Diretor de Secretaria; Mestre em Gestão Pública pelo Mpane/UFPE e Bacharel em Direito pela UFRN.
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